segunda-feira

telelés

li ou tresli (sonhei?) que em breve haverá um telemóvel que automaticamente permitirá bloquear chamadas anónimas. grande progresso: adeus ao tilintar das chamadas de call centers do banco a, b ou c, idem da seguradora x, ou da empresa de crédito z.
a seguir só fica a faltar o telemóvel que rejeita automaticamente passatempos de toques e concursos das próprias operadoras. mais difícil, essa inovação: isso, sim, será um upgrade de civilização.

sexta-feira

solo i sogni sono veri

prendeu-me há dias quando passou na televisão.
'attimo', de gianna nannini, último álbum: só os sonhos são verdadeiros.

Gianna Nannini - Attimo

o amor é uma labuta

um tipo que tenho andado a ler diz-se um 'clandestino emocional'. põe-me a pensar nessa coisa que são as relações amorosas. uma merda, é o que é. em tudo semelhantes à bebedeira: uma sensação boa no início e uma mocada grande depois. na ressaca, há quem negue as evidências. comportamentos de negação só adiam o desfecho. entretanto, pena-se. a negação faz de nós seres selvagens, movidos por instintos básicos: [selvagens devem viver na selva, a civilização é para humanos. bem sei que se a gente não ocupasse tanto o espaço, ainda hoje tinhamos mais florestas virgens que arranha-céus]. a coisa, definitivamente, não tem solução. amar dá muito trabalho. na aritmética dos afectos é mais um custo que um investimento. isso, em tempos conturbados como estes, até pode ser mentira mas faz muita diferença.

terça-feira

(des)graçola

pior que uma segunda-feira, só duas segundas-feiras.
felizmente não são servidas aos pares.

segunda-feira

a pior parte

fim-de-semana e... acabou-se!
constatação que é mesmo como o glacé que estraga o bolo de um fim-de-semana que se estica ao máximo, (pre)enchendo-o com tudo a que temos direito. sol e mar, esplanada nocturna para conversa e riso solto, jantar em família com diálogos estimulantes, bom clima, bom cinema, mais o exercício de direitos cívicos. pelo meio, fazer um raide em countdown num centro comercial torna-se até aceitável - com hosanas ao (detestável) ar condicionado que nos salva da torreira a céu aberto.
[mas fazer render assim um fim-de-semana dá um trabalhão]
é por isso que reclamo um "alargamento de prazo" do fim-de-semana. é o mínimo. ao contrário do incrível ricardo semler, nem peço um fim-de- semana de sete dias, bastam-me três: um para dedicar só a mim, outro aos que me são queridos, o terceiro para não fazer nada.

terça-feira

fazer mudar

ferreira fernandes escreve hoje sobre a primeira revolução feminina, a propósito do que se está a passar no irão.
não sei se é a primeira revolução feminina, nem sequer se os factos reportam uma revolução. mas a crónica, bem escrita, chama a atenção para o que me tem impressionado: no meio daquelas multidões, perigosas como são todas as multidões, há imagens de algumas mulheres na rua, cara destapada,corajosas, destemidas, esclarecidas. e lindas. o regime iraniano pode cortar a internet e as telecomunicações com o exterior, como o tem feito largas horas, pode reprimir sem limites, mas a realidade começou a mudar.


e no sábado, noutro cenário, também nós podemos mudar qualquer coisa.

a igualdade já passa por aqui.

domingo

lida algures

pelo caminho, um gajo começa a ficar exigente e tolerante ao mesmo tempo

terça-feira

blogando

pergunto-me às vezes que sentido faz ter um blog. é impossível desfazer-me disto. fui espreitar blogs que costumava seguir. são mais de trinta, estão maioritariamente na lista ao lado. é incrível a quantidade deles que pura e simplesmente fecham, ou que deixaram de estar activos. outros resolveram reservar-se a leitores convidados sem o anunciar aos fãs, o que acho sempre estranho. há, no entanto meia dúzia, sim, uma boa meia dúzia, que continuam a ser boa companhia de deambulações naquelas horas em que a melancolia não deixa ânimo para mais nada. e há aqueles que, mais do que as mensagens que emitem militantemente, me comovem sempre, mesmo porque narram, com simplicidade desarmante, como (se vê o que) foi um bom casamento. há também os narcísicos, onde bisbilhoto a vida de amigos e conhecidos, sem a inconveniência de um telefonema. ou os que moldam a arte da ironia e da nostalgia, na boa escrita.

venha o que vier, redes virtuais ou vales de solidão, um blog é um grande conforto.

coisas assim-assim

...que me deixam um bocadinho infeliz: nunca mais haver um disco novo dos arcade fire.
em compensação, sempre que me enrolo nos meus pensamentos fico um pouco mais feliz, porque, na verdade, eles não são nada complexos.

domingo

traumas, é o que é

passei ao lado de uma grande carreira política. estava entretida a sobreviver à minha custa e claro que nem dei por ela (a carreira política). foi aí que os nossos destinos nunca se cruzaram... eu fiquei a tratar da vidinha e ela seguiu galopante pelo centrão. sempre pendi para o meu lado esquerdo, o que faz de mim estruturalmente uma... piegas. na hora de votar, porém, recolho tudo o que me resta de racionalidade e voto sempre: piegas. é por isso que esta noite apanhei um susto. temo que regressem os pesadelos que tive quando o dr. aníbal silva nos engoliu com uma inesperada segunda maioria absoluta. se a dra. manuela leite se prepara para um remake, não sei se sobrevivo aos suores frios.