segunda-feira

impressões do congresso feminista (II)

estas senhoras sem mesa redonda foram, para mim, o último evento do congresso feminista... e a coisa bem que podia ter acabado melhor, embora não tenha ficado até ao fim por absoluta limitação de tempo meu.
depois do concerto que as precedeu - porquê?! se já havia atraso e a sala estava cheia à espera do debate "Os feminismos e os desafios para o nosso século"- dissertaram, cada uma no seu tom, sobre o mister. não cheguei a ouvir ana gomes e assim saí um bocado frustrada - que é coisa que uma gaja, por princípio, antes de ser já é.
a primeira oradora - regina tavares da silva - avançou uns dados importantes. gosto, confesso, das coisas 'terra-a-terra' . depois houve quem dissertasse de cátedra sobre "os feminismos" - eu sempre pensei que é só um, e pronto. mas dessas incursões metafísicas já falou, com acutilância, outro
blog .
foi mesmo estranho vermos tantas séniores e nenhumas 'aprendizes'. e entre aquelas nem uma das três marias...

impressões do congresso feminista (I)

posso garantir que

não, não queimámos soutiens
não, ninguém quis fuzilar os homens
não, não se ouviram gritos em coro
não, não havia gajas mal vestidas
mais tempo houvesse, mais debate haveria

sim, foi difícil às vezes calar as gajas - também estiveram tanto tempo caladas...- falaram de quase tudo (pouco ou nada de economia e de futebol, as coisas que dominam estes dias, não é?)
sim, havia-as de quase todas as cores políticas
sim, passaram por lá às centenas
todas francamente interessadas e... descomplexadas

(elogios à umar, pela iniciativa e pela mobilização)

apostar

nas muitas coisas que gostava de postar... - uma gaja é suposto ter a tal visão periférica, mas perdi o rasto à minha... - está o final da semana, o fim-de-semana e o início da semana. o segredo, velhinho, é dividir uma grande tarefa em pequenos bocados.

quarta-feira

calor de ananases

a asae responde pelo cumprimento de 700 diplomas legais; quem dera que o ar condicionado estivesse num deles. trabalhar sob 29 graus à sombra, em sala fechada, num edifíco gerido por uma incompetente multinacional, além de "cozer a cabeça" será que, pelo novo código laboral, configura "inadaptação da função de refrigeração do ar"?
se houvesse jornalismo, fazia-se uma reportagem. assim, quedemo-nos sonolentos.
...chamo a asae, a inspecção do trabalho ou ponho-me ao fresco?

segunda-feira

os exames lixam tudo

sou contra os exames. sempre fui. não me lembro de ter feito exames... ou melhor, fi-los, mas varri-os da memória. todos cheiram a bafio. tudo neles é salazarento. como se a escola fosse um permanente "zéro de conduite" ou um sermão de escolástica em abadia de monges...
não entendo aqueles senhores que, dizendo perceber muito de educação e das ciências da dita, propagam a ideia de que o exame "responsabiliza". o tanas! um exame fomenta o desleixo ao longo do ano, desmotiva o estudo continuado. o exame stressa: estudantes, pais, professores. de um exame não se espera nada de bom! é como um parto: espera-se que passe rápido...
por isso, menos percebo quem, percebendo de ensino, vem dizer que o exame de matemática do 9º ano "foi demasiado fácil".
recapitulo:

a ideia de um exame é atrasar o progresso dos estudos pelo diapasão menos racional e justo: a capacidade de resistência ao nervosismo inerente. não confirma o grau de conhecimentos adquiridos, não avalia o saber-saber, muito menos o saber-fazer! o exame é um filtro na água inquinada que é o nosso (método de) ensino: em vez de sublinhar o que se compreende, em vez de valorizar o que mais motiva a aprendizagem, o exame quer pesar a quantidade de ignorância dos alunos e medir o (muito) que ainda têm para aprender!
e tenho ideia de que isto é exactamente o inverso do que se passa naqueles países "de elevados níveis de educação", tão elogiados pelos nossos opinion makers.

domingo

yes, we can

não agora mas, quem sabe?!, no tempo das nossas filhas...

um dia conseguiremos que as mulheres não tenham vergonha de escolher uma mulher para a presidência do país mais influente do mundo

um dia olharemos para uma mulher como cidadã-política de mérito, e não como "uma gaja ambiciosa que faz carreira à custa do marido"

um dia perceberemos que uma mulher como ela, em presidente dos EUA, é um passo maior para a humanidade que qualquer outro

um dia, o reconhecimento desse valor não será visto como o ajustar de contas da parte mais fraca, mas como o reconhecimento de que o mundo merece melhor

um dia olharemos para trás e veremos que "os negros" sempre foram cidadãos de primeira antes das mulheres o serem - veja-se o direito ao voto - justamente por serem homens

um dia perceberemos que 17 meses de luta valeram mais pelo simbólico da persistência do que pelo marketing de uma mudança ilusória

um dia, demasiado distante, perceberemos que o maior obstáculo à emancipação feminina são os preconceitos que as próprias mulheres interiorizam e perpectuam

sábado

pink? fixe

pela lata se vê a "lata" que as marcas mostram ter nas coisas do marqueting. red bull sempre me pareceu estupidamente taurino... mas a verdade é que nunca me lembraria de dar um nome tão sugestivo a uma bebida energética congénere.
e se aquela "dá-te asas", esta dará o quê?

sexta-feira

a comoção não deixa

...queria escrever sobre ele, o ser mais que perfeito, o primeiro, o da experiência memorável, o que nada nem ninguém suplanta, porque não há outros olhos que o vejam assim.
nenhuma coisa muda essa essência.

quarta-feira

velocifero


a banda ladytron intervala os concertos que está a dar pela américa antes de seguir para a oceania, faz escala na europa e - pasme-se! - toca no beat in festival, a 6 de setembro, no porto!!!

isto é que é uma notícia:)

terça-feira

post apre brecha

às tantas, a gente embirra com certas coisas e resolve pensar alto que, à falta de melhor, engendra-se um post silly season... eis sete pequenos ódios privados:

os pauzinhos de plástico: acompanham as chávenas de café servidas com pires e tudo, e depois lá vem o pauzinho de plástico transparente para mexer a bica...
não andávamos todos a tentar poluir menos e a evitar os plásticos?

reunite aguda, das tais que começam quando calha e nunca têm fim à vista, e ninguém se importa que não se cumpram as horas marcadas...

garrafinhas de plástico de 33 cl de água, quiça de 20 cl.!, servida aos srs. deputados nas mesas das comissões parlamentares. como são reuniões longas, dá para imaginar a quantidade de litros em fracções 33 cl que a nossa assembleia da república consome?
não descobriram as garrafas de 1,5 lt? os deputados não gostas de partilhar? será que desconhecem as garrafas de vidro?

blogues com fundo preto, à pala de que o preto consome menos energia, ou que assim a escrita tem mais profundidade...

cangalhice vendida com jornais: um serviço de mesa à peça, um faqueiro talher a talher, um saco de praia com griffe... e, já agora, leva um jornal por um euro e picos, e meia dúzia deles à borla

camionistas a controlar um país pobrezinho que entra em pânico com a falta de gasolina e nem por um instante pensa em andar a pé ou, sei lá, meter-se num autocarro, num comboio, num barco... ou num buraco, para esconder que afinal um popó faz muita falta à autonomia da malta

as businadelas eufóricas da futebolândia, quando a selecção vence um jogo de qualificação no europeu, sem que se escutem urros de vergonha quando logo a seguir perde sem explicação

segunda-feira

é do sto antónio ou da pride?


uma loja de bairro, do tal comércio tradicional, apresenta não só o enfeite para um bolo de casamento gay mas, meses depois, também o congénere de uma boda lésbica!
confesso que foi preciso apurar o olhar para o perceber, pois que até nisto, um casal de mulheres, vence o cliché dos papéis standard...
[o assunto costuma dar posts de grande nível entre as miúdas sembikini]