sexta-feira

ex_certo (I)

"há um 3º andar elevado, com uma vista sofrível, e pouco barulho à volta. um frigorífico de onde só sai chá gelado. o ópio queima na sala, a fluoxetina continua e o tabaco mata. tudo a 'dar as últimas'.
um 3º andar com varanda dá imensas ideias. consome tempo olhar o céu. acalma e desenterra inseguranças. não há uma ponta por onde se desatem os nós. se calhar nem há nós. só desconforto. é lixado tentar medi-lo. não há balança calibrada. apenas um fosso vazio e inúmeras hipóteses académicas
."

planos aquém da praia

a orquestra da miscigenação dos sons [ouvir aqui]: orchestra di piazza vittorio.hoje e amanhã, à noite, pelo ccb (21h30) e ... à borla?!

ou, cinema a céu aberto e grátis, coisa do mal, no príncipe real, esta noite (21h00)?

e a festa de aniversário do bacalhoeiro, no jardim do campo das cebolas, domingo, 1 de set (18h00)?

enquanto o verão não acaba, bem qu'esta cidade se agita!

quinta-feira

e depois não digam que aqui não se aprende nada*

"A verdadeira riqueza da alma da canceriana vem à luz de forma mais genuína após os trinta e cinco anos de idade. É um signo de maturação lenta. Caranguejos não correm como cães de caça. Eles se movem lentamente, de lado, nunca em frente. A mulher de Câncer, que mais parece uma ostra que um caranguejo, pode levar mais de meia vida para fazer sua pérola: a visão criativa, a sabedoria sobre a natureza humana e a profundidade de seu amor pelas pessoas e pela vida." - esta e outras preciosidades, sobre tudo e cada um(a), no www.astro.com

*expressão típica da rita , que só conheço na blogosfera e aprecio muito. e como se estará em berlim?

e já agora:

1 - espreitascutar a canção "tira a teima" do próximo disco dos Clã, aqui

2 - patti smith confirmada no coliseu de lisboa, concerto a 28 de outubro. parece que a dama traz o último disco, doze versões... e então os clássicos dela?!
e
rufus wainwright no mesmo coliseu a 6 de Novembro? então, a música nunca mais acaba... lisboa já entrou nos 'circuitos' ?

3 - junto à coluna dos assuntos XX (ao lado) há outros sítios 'descobertos' entretanto

quarta-feira

opps!

[sorry, este post seguiu por correio azul]

terça-feira

sem água

as violetas dos meus amores continuam mais perfeitas do que nunca.

- e os signos falavam duma quinzena em que nos dávamos mal! pois;-)

segunda-feira

do melhor das férias

... o esforço para perdoar, recompôr desavenças, mesmo sob protocolo

... o tempo e o espaço das crias com 3 c's - contingências, críticas, carinhos

... ana: tu, ela, mas também a ana do f., a aca; o abracinho da m.,os encontros de praia, os doces da mãe, os recados dele - enfim, certas pessoas

... a quantidade imensa de ideias loucas que nos surgiram, para mudar de vida

... o verde à volta, o som dos pássaros, os jactos de água, o barulho das árvores, até os foguetórios em concorrência com o céu estrelado

... o mar azul, verde, prateado cinza, whatever: revolto e poderoso, com cheiro a iodo e algas; bruto e enrolado impondo respeitosa distância; apaziguador ao final da tarde para aquele banho impúdico; o barulho das gaivotas

... o supérfluo lavar as vistas em passeios, esplanadas, até com bolos; continuar a baixar size

... não decidir nada: dar tempo ao tempo. só

... tratar depois de resolver o menos bom, com paciência e parcimónia

... as próximas [férias] que se antevêem curtas, austeras, inovadoras e intensas

domingo

talvez nostalgia...

... do tempo em que havia amor e uma cabana

e(m) noites de lua cheia [procurem-na, que a encontram]

mães e pediatras [com dedicatória]

os grandes pediatras são homens - Benjamin Spock, Berry Brazelton..., que nunca foram mães! (acompanharam e estudaram milhares de criancinhas mas não pariram, nem viveram meses de gravidez). suponho que nada se equipara a essa experiência. não há receitas de sucesso no desempenho, em nenhuma idade das crias. não há livros de instruções, não há aconselhamento pré-maternal, não há regras prévias universais, não há sequer consenso sobre como agir ou como interpretar sintomas. como coisa da condição humana, o melhor é deitar mão à experiência, ao bom-senso e à intuição instintiva. estilo tentativa e erro...
pode surpreender dizê-lo, sobretudo de uma feminista: mas mulher que é mãe é mais completa. e isso apesar das inseguranças todas, já que nenhum livro resolve as dúvidas, dissipa os receios, anula os medos ou equipara as emoções dessa responsabilidade concreta.



[anoto: nada disto é a defesa do regresso à passividade da maternidade. apenas o assumir que há uma condição singular de quem se sente responsável por outro ser - sempre mais importante que nós mesmas. toda a intranquilidade é, por isso, natural.]


sábado

aforismos (3)

o altruísmo pode ser uma doença suicidária. um hara kiri emocional.

já o egotismo é maleita civilizacional. todos perdem, mas ninguém se dá conta...



* * * *


apontamos sempre para a lua porque, se falharmos, acabamos entre as estrelas (1)


o meu copo está sempre meio cheio, nunca está meio vazio (2)



(1) paulo maló - médico e empresário
(2) simonetta luz afonso - gestora cultural



sexta-feira

dream on girl

'copianço' de um sonho - uma canção belíssima! - da rapariga de sapatos encarnados, de que nunca ouvira falar... mea culpa!; tudo raptado de um blog que dá música aos meus ouvidos. thanks pela descoberta :-)

quinta-feira

instantâneos

era noite e ouvi-te dizer baixinho: liga-me, preciso falar contigo. estavas ao tlm, mas eu dormia.
(n)os sonhos mandam-me recados que não sei decifrar!

d. constata que estas são umas férias quase só com mulheres - sorri, maroto, ao dizê-lo.

m. retoma o seu último blog, com avassaladora produção de posts e algumas gralhas.

e avisam-me que se uso "querida/o" ou "amorzinho" não sou levada a sério quando ralho.

* * *

o sol não queima, o mar não chama, os meus apelos são outros.
self-control, please. incorro em excesso de preocupação. qual a diferença entre cuidar e amar?

o regresso vai ter de me devolver o pragmatismo.

terça-feira

"porque não fazer a escolha errada?"

"você só pode entender uma obsessão quando respirar doí. você precisa estar contaminado para compreender"(...)"nada é pior do que não entender"

"lembranças são como plantas carnívoras. não é você que alimenta suas lembranças, são elas que se alimentam de você"

"há beijos que valem qualquer investimento"(...) "eu poderia perguntar aos deuses por que nós, mulheres, somos tão suscetíveis a um beijo. mas há horas em que até os deuses querem ser deixados em paz"


[in Filmes Proibidos, de Bruna Lombardi, Ed. Quasi]

sexta-feira

dos livros

"Nada justifica meu mau humor, exceto a vida em suspenso que levo e a sua inutilidade"
...
"Tudo o que preciso é um bom SOS: Sexo, Orgasmo e Sono"
[1]

...

"O fenómeno do mommy brain pode constituir parte da nossa experiência social moderna, em que as mulheres tentam mais do que nunca manter a atenção em várias coisas ao mesmo tempo."
...
"A maternidade - tal como a puberdade - pode muito bem desequilibrar-nos por uns tempos, apenas para nos voltar a pôr no lugar, frequentemente mais fortes do que antes."
[2]

[1] in Filmes Proibidos
[2] in Super mães, super mulheres

quarta-feira

10 coisas que as férias também permitem

... andar sempre despenteada -:) e não ser controlada (pela agenda)
... tomar banhos de jacto termal, de onde saio num estado 'naif' para-orgásmico; ou mergulhar no mar no estado em que vim ao mundo, sob o pôr-do-sol
... deambular por sítios onde o artesanato popular cativa e toda a gente fala muito alto (!)
... cozinhar, uma maneira de dar prazer tendo prazer
... ler e não parar de me surpreender com o que se escreve em português
... dormir e sonhar quase todos os dias, sem lembrar os detalhes só as personagens
... conduzir kms infindos, em nevoeiro cerrado nocturno ou com mar encrespado em tarde chuvosa
... voltar a sítios há muito não visitados, hoje diferentes, iguais nas memórias
... pensar na 'vida tripla', como desfazer-lhe os nós e voltar a medir as escolhas
... estudar os projectos de grupo que têm de avançar, porque há riscos a correr, oportunos e inadiáveis

segunda-feira

injustiça, é o que é

e se/quando tudo corre como se deseja, tranquilo e variado, terno e caloroso - a vida reconstroi-se...e voltamos a ficar em paz - a tristeza impoe-se subitamente, isso é?

domingo

400 kms


...ao som dos clã, tudo faz sentido...
no meu 'lado esquerdo'

sexta-feira

eu cá quero é festinhas

com muita pena nossa, em trio não faremos o regresso aos 80's na maria lisboa d.- amanhã -mas pode ser que haja festarola divertida mais para setembro, nem que seja no final do mês, na tapada da ajuda. há um grupo de desarmados da escrita a planear uma peregrinação no primeiro aniversário da lesboa party, aí vão seis, na última sexta de setembro - a mais apurada de todas, está prometido.


entretanto, o que não faltam são romarias, e feiras, contrafacção, marralhar, cavaquear e passarinhos a cantar - eu sei lá... - por estas bandas. e, gajas pobretanas, toda a gente sabe, adoram saldos, e pechinchas, e artesanato popular, comidinha da boa,... que o mais são bolos!

[eis um post totalmente silly season, resultando do inconveniente da Internet sem fios]

quarta-feira

sem inspiração

há uns dias que me sinto de férias. nada a a anotar, portanto. seriam só inconfidências públicas.

'na verdade tudo é bobagem. toda arte uma indiscrição. as grandes histórias de amor não saem de dentro dos quartos. as que se contam são medíocres'

'para escrever é preciso expor sem pudor coisas particulares. não se escreve um romance sem ferir mortalmente alguém. o terrível é que a arte desmascara. liberta, mas desmascara'.

é. filmes proibidos - dela - anda a revelar-se um excelente diagnóstico do estado de alma. lá também se se diz que 'esquecer é uma grande virtude', 'a gente passa a vida esperando que alguma coisa de espectacular aconteça.todos acreditam nisso. um dia a gente descobre que não vai acontecer mais nada e para de esperar. pára de acreditar.só isso. envelhecer é só isso'.
ou então: ' a paixão intoxica, é corrosiva, mas o doente de amor não quer se curar'(...) "um bom relacionamento sexual não basta. é preciso fazer o céu lampejar"

o verde -todas as matizes de verde - é a minha cor favorita.
não me lembro de onde exactamente estava há um ano, sei com quem estava e havia verde e era relaxante certamente.
agora não sei nada de notícias - só vejo espaço, ares, moods e que 'nada vence o avanço do tempo'.

sexta-feira

vetos

tive o meu esta semana. o primeiro, singular, implausível, cínico, escandaloso, maquiavélico, temerário, autofágico.
agora, o Presidente da República vetou o novo estatuto dos jornalistas (vou ter de reconsiderar a apreciação da figura...).
o que não é suficiente para pressupôr que os jornalistas sejam uma classe recomendável.
eu, pelo menos, sei de uns quantos que poderiam estar a semear batatas - se, pelo menos, para isso tivessem engenho e arte. assim, são apenas umas figurinhas do faz-de-conta, com uma sorte do caraças a guiar-lhes o caminho até ao precipício fatal.

(ou, como dizia a senhora do meu último trabalho antes de férias: há ou não há um saber de experiência (e aprendizagem) feito.)

(a normalidade e) o medo

medo da solidão
contrariá-lo numa aprendizagem diária, na partilha de solidariedade

o medo do escuro
não tenho, nunca tive, mexo-me às claras, como o animal que vê nas trevas

o medo dos outros
não conheço, acredito, espeto-me de frente, e continuo a acreditar... até um dia

o medo do poder
não sinto, nunca senti, não reconheço, vivo na distância

o medo de ser menos, de estar áquem
só creio na autoridade de experiência feita, e tudo vale o esforço para ser-se melhor

o medo de arriscar o desconhecido
100% assumido, dois passos em frente um passo à rectaguarda e um plano b se possível

o medo do roubo, dum assalto
não experimento, nem me lembro dessa possibilidade, às vezes acontece, esqueço novamente

o medo da doença fatal
tento não pensar nisso, receio pelos que me são queridos, evito sofrer por antecipação imaginária

o medo da intolerância, do preconceito
sim, já teve a forma das cruzadas, da santa inquisição, do lápiz azul, do ku klux klan, do fanatismo islâmico, agora veste-se de censura descaradamente disfarçada der mentira e excesso de zelo

o medo de ser frontal
ignoro, não seio que é, nunca soube, nunca saberei

o medo do sofrimento
não é o medo que tolhe, é o próprio sofrer que doi. só isso.


isto tudo mete medo a alguma gente.

quinta-feira

do estatuto dos jornalistas

Direitos e deveres
Artigo 7.º
Liberdade de expressão e de criação
1 - A liberdade de expressão e de criação dos jornalistas não está sujeita a impedimentos ou discriminações nem subordinada a qualquer forma de censura.
2 - Os jornalistas têm o direito de assinar, ou fazer identificar com o respectivo nome profissional registado na Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, os trabalhos da sua criação individual ou em que tenham colaborado.
3 - Os jornalistas têm o direito à protecção dos textos, imagens, sons ou desenhos resultantes do exercício da liberdade de expressão e criação, nos termos das disposições legais aplicáveis


Artigo 13.º
Direito de participação
1 - Os jornalistas têm direito a participar na orientação editorial do órgão de comunicação social para que trabalhem, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou confessional, bem como a pronunciar-se sobre todos os aspectos que digam respeito à sua actividade profissional, não podendo ser objecto de sanções disciplinares pelo exercício desses direitos.


Artigo 14.º
Deveres
Independentemente do disposto no respectivo código deontológico, constituem deveres fundamentais dos jornalistas:
a) Exercer a actividade com respeito pela ética profissional, informando com rigor e isenção;
b) Respeitar a orientação e os objectivos definidos no estatuto editorial do órgão de comunicação social para que trabalhem;
c) Abster-se de formular acusações sem provas e respeitar a presunção de inocência;
d) Não identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual, bem como os menores que tiverem sido objecto de medidas tutelares sancionatórias;
e) Não tratar discriminatoriamente as pessoas, designadamente em função da cor, raça, religião, nacionalidade ou sexo;
f) Abster-se de recolher declarações ou imagens que atinjam a dignidade das pessoas;
g) Respeitar a privacidade de acordo com a natureza do caso e a condição das pessoas;
h) Não falsificar ou encenar situações com intuitos de abusar da boa fé do público;
i) Não recolher imagens e sons com o recurso a meios não autorizados a não ser que se verifique um estado de necessidade para a segurança das pessoas envolvidas e o interesse público o justifique.

quarta-feira

esqueçam qu' existo

nunca me senti tão mal como hoje, por motivos idênticos. e até já devia estar de férias!
acho que se calhar um blog também serve para dizer só isso: o buraco enorme que me espetaram na dignidade como profissional.
ou como tu escreveste, p., o preconceito vem de onde menos se espera! e a cobardia de braço dado com o novo-riquismo. fodam-se!!!
não há pior, no trabalho, que a dor de corno, a rasteira, a prepotência: 'sim, como é que não me lembrei eu disto?!'
e há pessoas que deitam mãos a todos os meios para 'virar o bico ao prego', desmentir o evidente, negar o público, mentir descaradamente, inventar sofismas.
desprezo-as? mas se eu não desprezo ninguém... não posso retribuir.
é impossível descrever como me doí profundamente.
não sei se tem inversão possível, se há emenda para a terraplanagem de tanto trabalho, se há reconstrução para as ruínas dos valores.

só me apetece chorar e ficar só.