sexta-feira

no 25 de abril

"há uns anos resolvi fazer uma daquelas coisas que uma pessoa acha que tem de fazer uma vez. peguei em dois miúdos e levei-os à manif do 25 de abril. pronto, fiz, e está feito. mesmo com o meu horror a multidões, resolvi dar-lhes um banho de multidão, entre o festivo e o panfletário, só para experimentarem. foi uma chatice monumental para as pobres crianças que, arrastadas e contrariadas, ainda assim, foram fazendo as perguntas que se (lhes) impunham. pela minha parte, sou capaz de ter dado mais uma seca. coisa de gente de "ideias fixas". as minhas advêm da memória vivida. lembro-me do antes e do depois do 25 de abril de 1974 (...). tento não ter nostalgia.
tantos anos depois, há sinais que sinto como presságios – só não sei de quê. nessa altura também os houve e a vida esteve presa por um fio.
hoje dei-me conta, outra vez, do quanto a revolução foi incompleta. e sê-lo-á por gerações. pode ser que pessoas de "ideias fixas" não desistam do seu inconformismo diário. às vezes com um gesto, outras vezes com uma atitude, outras com a integridade. fazer isso é incrivelmente mais fácil porque houve um 25 de abril."
tudo, nele, teria sido inevitável?... foi elementar.

quinta-feira

coisas que mexem comigo

um choro específico de criança
o desespero de uma rapariga
a amargura numa mulher

e tantas outras, incluindo o sofrimento por amor, em qualquer um

a injustiça de critérios de avaliação
a não-paridade
a desmesura da censura
a solidão
a vaidade sem travão
a presunção
o arrivismo sem sentido
falta de brio, prepotência
e os males do coração

segunda-feira

quinta-feira

dois tempos

não são os passos em frente que me assustam. nunca me assustaram. custa-me a dor que eles implicam. a dor dos outros. não ver meio de atenuar esse sofrimento. muito mais que não ter certezas em relação ao caminho. o único consolo é a certeza de que nada do que vem é previsível. nada do que existe é imutável.

não são só os corpos que são precários. também o universo de afectos que os envolve, os problemas, os êxitos, as emoções.
por isso, que andamos aqui a fazer?

terça-feira

o lixo vai desaparecer das ruas

berlusconi vai governar itália com maioria absoluta. nunca conheci italiano/a que apreciasse o cavalieri, sequer admitisse ter votado nele. também é verdade que entre artistas, jornalistas, pensadores, turistas, não conheço assim tantos italianos. mas sempre e só ouvi palavras de vergonha sobre o dito e os seus desmandos legitimados pelas urnas. é por isso que não sei quem, afinal, elege berlusconi. provavelmente, quem se demite de votar.

pois se gosta de fardas

e até está gravidíssima, que carmen chácon seja, em espanha, a primeira ministra da defesa, também me parece dentro da normalidade (feministicamente falando...)

a pergunta que, há anos, me persegue é: na sociedade que desejo há espaço para 'defesa' e 'forças armadas'?
não há.

segunda-feira

desculpem repetir-me

mas quando se está assim com uma impressão de que isto tudo podia ser melhor, mais honesto, mais limpinho, mais pacífico, sei lá!... a mim só me apetece
always the sun

[e com esta é a terceira vez que a evoco o 'hino' dos stranglers!]

quarta-feira

amar faz o hábito?

stephen covey, um tipo que praticamente mudou a minha vida, diz que amar é um verbo, é algo que se realiza (...). di-lo em the seven habits of highly effective people. o livro já vendeu mais de 25 milhões de exemplares - por cá, está esgotado.
mas parece que pouca gente o leu.

segunda-feira

amargo leve e doce profundo

assim é caramel, de nadine labaki - primeiro filme de uma bela e genial contadora de histórias. quatro personagens e mais algumas, um salão de cabeleireira, beirute e a sua diversidade cultural. uma fita comovente, séria, cómica, terna, feminina - soberba banda sonora (de mouzanar, companheiro da realizador/actriz).

sexta-feira

lut@ contra o degredo

ninguém tem o direito de matar e ninguém pode morrer assim - por mais testamentos de argumentação que se produzam, com muitos caracteres a falar de revolução.
sob sequestro há mais de seis anos, refém na selva amazônica, em degradação total, ingrid betancourt - agora em greve de fome?- é ela mesma a morte por esquecimento. ...e logo com uma pacifista?!

em vários países realiza-se esta sexta-feira um protesto geral pela libertação dos sequestrados pelas farc

quinta-feira

remorsos para quê

é no que dá a gente trabalhar sem óculos, em stress mesmo que moderado, depois de subir várias escadarias do metro a pé e, mesmo ao cimo, com os bofes de fora, perceber que o sol e o calor pediam tudo, tudo, esplanada, praia, vaguear, meu deus!, e porquê eu?!... a jornada acaba então no reverso de há quinze dias, reavendo o tlm sem os números pessoais e profissionais acumulados no último ano, mas deus lá sabe por que tinha de acontecer! nem tudo está perdido. sente-se a cabeça zonza e surge então a vontade de mergulhar, mergulhar sim..., mas ocorre que pode-se faze-lo na banheira;) antes disso, sucumbe-se ao cansaço, no sofá! e mais vale um sofá nosso amigo que perder a cabeça, mesmo que doa. o melhor vem depois, quando me ligo e encontro uns quantos blogs que me fazem rir ALTO. saltitar de blog em blog pode ser muito relaxante...

terça-feira

se arde também queima

amores perfeitos não aguentam temperaturas elevadas

tentativa e erro

se não fizesse o que faço, seria respigadora, faria artesanato, talvez fotografasse algo de jeito.
assim, há anos que ensaio.