sexta-feira

cozinhar férias

primeiro, arruma-se a secretária de trabalho para que alguém possa abancar nela e vivenciar o ecossitema laboral daquele mesmo ângulo. depois, espreita-se o armário para que não restem perecíveis. então, desliga-se o pc e põem-se os neurónios em slow motion.
para férias levam-se livros, músicas, toalha de praia e uma conta bancária altamente deficitária, atrelada a um coração enorme...

espera-se desconfiadamente que os imprevistos previsíveis não aconteçam e dorme-se muito, mas só com autorização dos calores expectáveis. conduz-se moderadamente, bebe-se quanto apetecer e... espreguiça-se desmesuradamente.

diz ele e faz pensar

"a vocação de Portugal, como país, é ser um laboratório" - antónio câmara, ceo da ydreams

[por todas as razões, eu não podia estar mais de acordo. e com o resto também. mesmo porque ele é saudavelmente alucinante.]

quarta-feira

afinal não foi só ela*



the history women... apanhada no womenage a trois

*daniela mercury em "selinho" a alinne rosa, da banda cheiro de amor

terça-feira

e agora?!

e, prontoS, ela vem (en)cantar... no sudoeste, dia 9 - por sinal, o mais fraquinho de todos.
cartaz de boa onda musical - bjork, goldfrapp, franz ferdinand, rita redshoes, yael naim, fanfarlo, clã, arnaldo antunes, tindersticks... e, qual cereja no topo do bolo, a miúda de seattle: brandi carlile
adenda: a confirmação da vinda Portugal ainda não consta do site da cantora.

denúncia


"En Camerún las madres 'planchan' el pecho a sus hijas."

infelizmente não há link para a reportagem, "nem peito, nem paraiso", no yo dona [el mundo, 19.07.2008). chocante, perverso, costume atroz, o desse amor que leva as mães camaronesas a queimarem com pedras quentes o peito das filhas adolescentes, para que não sejam atração do desejo dos homens. um costume que se eterniza no segredo, marca e mutila milhões de mulheres, também nos países vizinhos...

segunda-feira

flashadas





muita kilometragem além do semanal exame de provação - designado i.s.a.m.i (incidentes sem a maior importância)

sábado

segunda-feira

lula pena


tem uma voz ímpar - me encanta! - e não se percebe porque não é mais apreciada.
tem concerto marcado para o Museu do Oriente (em Alcântara, Lisboa) a 15 de Agosto (19h). bilhetes a 5€, actuação intimista, auditório excelente.
antes do show vale a pena visitar o museu que, às sextas ao final da tarde, é grátis.



[lula pena em pásion]

domingo

aquela música

tenho uma amiga que sabe exactamente qual é A sua música. "encomendou", àqueles que gostam dela e lhe sobrevierem que A ponham a tocar no funeral. é uma tipa desassombrada!
eu, que sou mais velha, ainda não sei qual é A minha música. vicio-me narcóticamente em albuns e ouço-os à exaustão. e cada um tem um tempo de vida diferente como o meu. depois, só raramente volto a eles e sei o exacto momentum em que me preencheram a cabeça. é uma coisa sem explicação, porque de música só sei identificar a clave de sol. o que é certo é que não posso morrer, para já. tenho os motivos dos outros e mais este, que é só meu: procuro desesperadamente A minha música. e não A encontro, apesar da busca.

(ar)rumar

get a life

uma pessoa segue o seu caminho aos ziguezagues, à espera de encontrar o seu acerto com o zen de bem-estar numa bifurcação qualquer. primeiro, tarda a chegar ao entrocamento das vias possíveis e depois vacila mais que a conta. de seguida, segue o que a emoção, o coração ou outra poção qualquer lhe dita e... adiante. pensa que, apesar de espinhosa e sombria, a escolha vale a pena. crê que pode ser feliz - proclama baixinho que sempre será menos uma alminha a pesar no défice mundial de infelicidade latente, o tal que nunca vem nas estatísticas mas está nos rostos.

e a pessoa pensa, e analisa, e faz silêncio, e percebe que espalha motivos para outros serem infelizes. sente-se desconfortável e perde-se: conta as infelicidades que semeou... uma grande, outra pequena, outra assim-assim,... e mais outra. e o farrapo de sentimentos em que se tornou sente-se mais responsável que um chefe de estado de uma grande potência. a pessoa, então, resolve deixar de matutar. é apenas uma pessoazinha, não vale nada. mas não consegue. a dor dos outros foi sempre o seu ponto fraco.

são terrivelmente irritantes estas pessoas. carregam o karma do mundo como se fosse esse o sentido da vida que têm: perfecionistas, preocupadas e provavelmente sem amor-próprio.



quinta-feira

plano a prazo imediato

comprar um colete à prova de gaffes
ou um airbag contra tiro-nos-pés

os oráculos

a entrevista de antónio barreto no diário económico - ou proença de carvalho no mesmo jornal - é sintomática do que há de mais triste (?) em portugal. no meio de algumas críticas justas, sobressai um chocante miserabilismo na leitura da realidade.
os oráculos da sociedade e da política alternam entre dois pontos de observação: "tudo é mau, mau, mau e exemplos não faltam"; ou o "não faltam exemplos de que tudo é mau, mau, mau".
os oráculos ganham grandes dinheiritos a comentar (não com entrevistas, é certo). as nossas cabecitas pequenas, pequeninitas, formatam-se com os pensamentos sábios deles - por isso são oráculos.
é confortável demitirmo-nos de pensar. e é tão bom termos de que nos queixar, não é?

quarta-feira

the story

no cinema, o spot enfeitiçou-me. comentei isso com a m.. os meandros do encantamento levam a brandi carlile - tem feito 1ª parte dos concertos das indigo girls [myspace]. o que interessa é que ela conta uma história como nós.



p.s. - álbum recomendável; balada a atirar para o rock; muitas das letras são dela.
"sometimes seeming happy can be self-destructive even when you're sane"

terça-feira

por estes dias


o chaveiro múltiplo e pesado
faz de mim uma carcereira... confiável

segunda-feira

domingo

uma questão de miolos

a t., que só tem 12 anos, diz que: "os rapazes não têm miolos". orientada para resultados, disse-me a m.m., faço meu o juízo da t. para nem sequer discutir ou linkar o chorrilho de disparates que mst soltou numa crónica, a propósito do congresso feminista - ele é só mais um, mau-grado o peso do mediatismo que tem para a opinião pública... de resto, é sabido, para essa gente as mulheres ou são "galinhas" ou "pensam de mais". não há razoabilidade que se nos reconheça.
a discussão, entretanto, alargou-se nos blogs,
aqui e ali e noutros, sobre a pertinência do feminismo, o uso do véu, a excisão, etc.
para mim, saltando os
porquês e indo directamente aos como, sempre foi no acto quotidiano mais simples e trivial (dar um beijo no espaço público porque apetece, fazer uma carícia e acreditar na fraternidade, não calar os meus pontos de vista, não ter medo, olhar com olhos de ver, parar no silêncio para pensar um pouquinho) que a gente faz um caminho diferente. ser feminista talvez queira dizer que se identifica uma realidade de desigualdades entre sexos, injustificadas à luz do que é ser humano
, e se batalha por muda-la.
posso ser feminista aqui ou na nigéria, com uns motivos aqui e os mesmos mais outros na nigéria. há aspectos em que a sociedade me admite paridade com os homens, do ponto de vista legal mas não informalmente. e vice-versa. e isso não tem nada a ver com o facto de sermos pessoas distintas fisionomicamente. porque não são as características "biológicas" que ditam a diferença de papéis, certo?
a religião e a cultura ancestral nunca foram boas conselheiras. nada, mas nada - voltando à questão do véu, da excisão ou do casamento para procriação - justifica que alguém nos imponha um devir no qual a minha/nossa vontade não conta. só isso.

sexta-feira

fade into you



mazzy star

campos magnéticos

pela primeira vez, acredita, a iminência de mais um aniversário perturba-a. há certamente anos de viragem e esse talvez seja o que pesa mais. não sabe porquê, nem quer saber. sente-se como que empurrada a poucos metros do precipício. segura-se ao chão com a força do corpo que, de resto, não lhe pesa. o mesmo não pode dizer dos dias. sem rumo, no sabor dos apelos e dos episódios mais ou menos caricatos. tem vontade de coisas duráveis. quer recuperar o espaço seu - calmo, provável, sem engulhos da sorte.

quarta-feira

resgatada

Ingrid Betancourt estava sequestrada desde fevereiro de 2002, na selva da Colômbia. (21h30)

a verdade ao contrário

num relacionamento, a gente gosta de gostar. gosta-se do outro todo. do mimo, da atenção, da surpresa. camuflam-se detalhes menos agradáveis, perdoam-se 'pecados e omissões', aligeira-se o drama. assim, verdadeiramente, talvez nunca se deixe de gostar. mas, na rua, no espaço público, a generalidade das pessoas está-se nas tintas para os outros. só por isso não gostamos de toda a gente.

galeria de heróis (VIII)

rita lee jones
artista, rockeira, pantomineira... adorável mulher de 60, mais jovem que nunca!
concerto (cheio) de vida e irreverência, no coliseu de lisboa-boa, onde esteve o pic nic tour - para lavar a mente e energizar o corpo.

"uma vida cheia de aventura e muito amor"


terça-feira

impressões do congresso feminista (IV)

apesar da boa-vontade da mesa, realmente não houve tempo suficiente para pôr a nú tudo o que pedia para ser despido de preconceitos no painel "feminsmo, lesbianismo e movimentos lgbt".
ninguém se encolheu no auditório. alguém comentou para o lado que "o movimento lgbt era e é sobretudo misógino".
houve na plateia quem sentisse necessidade de dar o seu testemunho pessoal, contra os estudos que os oradores apresentaram - se cada um dos presentes falasse da sua história, as actas do congresso viravam bestseller...
pertinente a dúvida espalhada: "se calhar, há mais depressa solidariedade das lésbicas em relação às hetero, do que o contrário"
e que responderiam as várias gerações de feministas à interjeição: "as questões lésbicas nunca foram prioritárias para a agenda feminista"?

[bi e trangéneros não marcaram agenda. como em tempos alguém disse - provavelmente quando mirava no espelho o seu subconsciente - o preconceito surge de onde menos se espera...]

lesviana

os habitantes de lesbos, na grécia, querem patentear a exclusividade da designação das suas autóctones...
em espanha, a red feminista ajuda a acabar com a polémica.
em nome da Visibilidade, por que não lesviana ?

impressões do congresso feminista (III)

acuse-se de tudo a organização menos que não foi abrangente.
marta rebelo, pois bem, também lá esteve. a comentar "feminismos e poder político". a jovem deputada é uma espécie de coqueluche da nova esquerda socialista, seja lá isso o que for. entrava ela na gulkbenkian e fez os executivos da casa torcerem o pescoço na miragem de barbie - não invento, vi.

o painel foi muito estimulante, com testemunhos e pontos de vista variados que até incluiam o vanguardismo do partido os verdes na guarda das crianças durante as reuniões políticas (?!)

agora a sério: apreciei particularmente paula teixeira da cruz - e não, não concordo com ela em tudo. retenho a ideia de que realmente educar de forma diferenciada filhos e filhas é perpectuar a situação das mulheres. foi isso que fez a desigualdade, é isso que a alimenta.

muito aplaudida, helena roseta falou da importância da gestão do tempo e disse que as mulheres no poder têm um relacionamento diferente com os cidadãos - mas não explicou como é que ela própia trata disso...

quem defende as quotas esgrimiu os seus argumentos, quem é contra também e não sei se tese de sónia fertuzinhos convence alguém: que se boicotem os partidos que não respeitarem a paridade nas eleições do próximo ano. conhecendo a nossa lei e os seus 33% (que nem sequer são impostos ao executivo, "lá é que doí", como disse alguém) não sei onde está a paridade. adiante...

será do julho?

os blondie saltaram da caixa de música
e agora só me apetecem estes, outra vez...