domingo

uma questão de miolos

a t., que só tem 12 anos, diz que: "os rapazes não têm miolos". orientada para resultados, disse-me a m.m., faço meu o juízo da t. para nem sequer discutir ou linkar o chorrilho de disparates que mst soltou numa crónica, a propósito do congresso feminista - ele é só mais um, mau-grado o peso do mediatismo que tem para a opinião pública... de resto, é sabido, para essa gente as mulheres ou são "galinhas" ou "pensam de mais". não há razoabilidade que se nos reconheça.
a discussão, entretanto, alargou-se nos blogs,
aqui e ali e noutros, sobre a pertinência do feminismo, o uso do véu, a excisão, etc.
para mim, saltando os
porquês e indo directamente aos como, sempre foi no acto quotidiano mais simples e trivial (dar um beijo no espaço público porque apetece, fazer uma carícia e acreditar na fraternidade, não calar os meus pontos de vista, não ter medo, olhar com olhos de ver, parar no silêncio para pensar um pouquinho) que a gente faz um caminho diferente. ser feminista talvez queira dizer que se identifica uma realidade de desigualdades entre sexos, injustificadas à luz do que é ser humano
, e se batalha por muda-la.
posso ser feminista aqui ou na nigéria, com uns motivos aqui e os mesmos mais outros na nigéria. há aspectos em que a sociedade me admite paridade com os homens, do ponto de vista legal mas não informalmente. e vice-versa. e isso não tem nada a ver com o facto de sermos pessoas distintas fisionomicamente. porque não são as características "biológicas" que ditam a diferença de papéis, certo?
a religião e a cultura ancestral nunca foram boas conselheiras. nada, mas nada - voltando à questão do véu, da excisão ou do casamento para procriação - justifica que alguém nos imponha um devir no qual a minha/nossa vontade não conta. só isso.

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