domingo

hard core...

... é uma reportagem da EPS, a revista do El País (18/02/07), sobre
onde se garante que "La culpa por experimentar deseo ha muerto y en su lugar se ha instalado el hedonismo. Amor y pasión se han divorciado".
[Assim, de repente, não podia estar mais de acordo...]

sábado

ella



[bebe]

o braço de ferro entre a humanidade e a natureza

uma grande mulher escreveu um acutilante post, sobre o que está a desgraçar-nos a vida sem darmos conta. este aqui

quinta-feira

this is how it works
you're young until you're not
you love until you don't
you try until you can't
you laugh until you cry
you cry until you laugh
and everyone must breathe
until their dying breath
this is how it works
you peer inside yourself
you take the things you like
and try to love the things you took
and then you take that love you made
and stick it into some--
someone else's heart
pumping someone else's blood
and walking arm in arm
you hope it don't get harmed
but even if it does
you'll just do it all again

[on the radio]

quarta-feira

as Oscar Wilde said
I love talk about nothing. It's the only thing I know anything about.

terça-feira

segunda-feira

o dia seguinte




vazio*

(...)sei como isto se cura. porque para todas as maleitas há um remédio - a questão é acertar com ele; às vezes nem é dispendioso, nem está longe, nem é assim tão surpreendente. mas um remédio, quando se sofre, é o bálsamo que qualquer alma merece. pode cozinhar-se com pouca coisa: dias de solidão extrema, um silêncio sepulcral, uma névoa dos céus, o vazio no pensamento, parcas rações, menor disposição para o trabalho e vagas utopias. conquanto isso resolva o problema, de forma rápida e tão indolor quanto possível, ... até que há quem passe bem pior! alegremo-nos pois!, nem com programas de tevê, nem com romances dos que nos sequestram na leitura até ao fim, mas com o vazio absoluto, o não ter nada, não desejar nada, não pensar nada se possível.
é, todavia, difícil sobreviver assim porque nenhum capítulo desta bula nos diz como se doseiam as emoções, afinal o princípio e o fim de tudo.
no ar fica a sensação do início do caminho. fazes apelo ao positivismo, dizes que será algo melhor - até porque vivemos com pouco, desejamos pouco, consumimos pouco, mas temos muitos sonhos, e não trapaceamos nada...
[os que não acreditam que um ente superior determina a sua vida só podem crer em si, pelo que amanhã será o que começares hoje]

* in
//icebergueaderiva.blogspot.com

sábado

porque hoje é sábado*

Charo Izquierdo é a directora de Yo Donna del Siglo XXI, revista do jornal El Mundo. O sr. António é quem me vende o jornal com a revista todos os sábados, e faz do seu estabelecimento um pequeno mundo de 'intangíveis' que negoceia como se só tivesse produtos de valor acrescentado - que é o que são os jornais e as revistas. Charo escreve editoriais como nenhuma directora - devo acrescentar, adjunta? - em Portugal escreve: relaciona assuntos, documenta-se, pega num tema pelo lado menos óbvio e mais 'lúdico', e nunca se esquece de fazer o ponto da situação da violência sobre as mulheres.
Charo e António não se conhecem, mas são provavelmente os dois óptimas pessoas. Fazem o que gostam. E fazem-no bem. Acrescentam o meu sábado.

(Yo Donna traz hoje uma entrevista com a refugiada africana que é hoje ministra sueca da Integração, realizada por uma enviada especial da revista. A capa é a bela Kate Winslet (na foto) e o editorial parte da peça Closer para falar dos Casais Sec. XXI...)


*título emprestado de um belo texto do grande Vinicius de Moraes.

quarta-feira

a campanha

sobre o referendo pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas já tudo se disse.
a começar pela ideia completamente tonta que é fazer um referendo sobre um assunto íntimo e frágil. não devia sequer haver referendo. é tão-só mais um sinal de cobardia da máscula classe política.
mas, se não nos deixam alternativa, há que votar no dito referendo.
votar SIM! porque um embrião não é gente, é uma massa com vida, a mesma que têm as células que nascem e morrem a toda a hora. até às dez semanas nenhuma amostra de ser sobrevive de per si; pelas 26 talvez sobreviva, graças à tecnologia... e só mesmo pelas trinta e tal semanas é que há um bebé dentro do útero com hipóteses de sobrevivência. além disto, quando morre uma grávida, diz-se que morreu uma mulher - não se diz que morreram duas pessoas.
depois, porque, como já disse alguém, sempre houve abortos, sempre os haverá. então que se façam em segurança, porque nenhuma lei impõe que se aborte - apenas consente, não penaliza.
finalmente, porque fazer um aborto não é decidir se se vai ao futebol ou às putas. é uma coisa que mexe com qualquer mulher, é uma decisão desesperada, circunstancial, última. é um acto profundamente solitário, apesar de uma fecundação não o ser - por isso, vejo tantos homens a sugerirem às companheiras que, para não estragarem a boa vida ou os planos pessoais, melhor seria que abortassem - é real, não invento. e elas pesam e sofrem e, muitas vezes à revelia de convenções e conveniências machistas, até decidem levar a gravidez solitária avante.
por último, a religião tem a mania de ajuizar sobre o que não sabe e até condena. e que razão assiste a quem fez e faz essa censura, em vez de cuidar das almas?

segunda-feira

terra de ninguém*

[É o texto mais difícil de parir. Não tens ‘ângulo de ataque’, não tens ponto de vista, a protagonista, essa, conheces tu de ginjeira, não te encanta, não te seduz, andas até um pouco zangada com ela… mas é um texto necessário, no entanto. E não pode esperar mais.]

Não tenho certezas. Nunca as tive. Não acredito no amor. Não sei se alguma vez acreditei. Experimentei a paixão, já me senti enamorada – que é o lado doce do amor, suponho. Tenho saudades de voltar a viver essas emoções. Mas o destino não está comigo. E desabituei-me das regras da atracção. Deixei de saber como se faz. E sinto falta disso - muito mais do que qualquer outra coisa...

Tenho 44 anos partidos ao meio. Um antes e um depois de ti. E o vazio, agora – construído de forma muda, paulatina e muito dolorosa. Tenho um medo insano da solidão. Sempre o tive. Tenho pavor de não sobreviver. Tenho medo de ter medo. E de morrer devagarinho de tristeza. Tenho medo de magoar, mas também de ser usada e deitada fora. É uma ideia tão repetida que não consigo escapar-lhe. Sinto, repetidamente, que chego perto de qualquer coisa que podia ser boa, no exacto instante em que me diz(em) adeus.

Somo dúvidas e mais dúvidas a cada minuto que passa. Penso muito, sempre o fiz. Pondero, peso, avalio e aguento-me de pé. Pelo meio choro bem fundo e sofro uma eternidade.
Abano mas não quebro – digo-o para mim mesma, há tantos anos, que começo a acreditar nessa frase feita.

Não sei o que vai acontecer. Possivelmente nada de altamente recomendável. Mas tal como não comandamos o que vai na cabeça dos outros, nem as emoções que nos envolvem, o que vem a seguir nunca depende só do ‘eu’.
A única coisa que sei é que só tenho hipótese de sobreviver com um hiato, um espaço de nada sem ninguém, à espera de qualquer coisa... Que pode não chegar, por muito que procure.
E de que me vale ser disponível ou determinada?!
Ficar refém da terra de ninguém será a suprema condenação.(Antes a morte que tal sorte)

*in
http://iceberguederiva.blogspot.com/

plagiando



Sous aucun prétexte je ne veux
Avoir de réflexes malheureux
Il faut que tu m'expliques un peu mieux
Comment te dire adieu


[Gainsbourg, by Hardy]

sábado

i wish i knew how to quit you

o amor é como a felicidade, e outras coisas boas - ou será melhor dizer raras?
...só se usufrui por instantes.

estados d'alma (II)

"Na natureza... nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

...haverá algo que escape à natureza?
não creio.
e quem não crê tem a vida mais difícil.
o mundo não está feito para os não crentes. são os refractários da razão vigente. os que teimam em ter opinião e, o que é pior, obstinação. é que tudo se acomoda pelas crenças: que o salário chega até ao fim do mês, que a vacina protege da gripe, que o cartão de crédito compra tudo, que o que parece é, que se nos portarmos bem somos recompensados no além - e se, por descuido, prevaricarmos basta penitenciar, e temos novamente alma limpa. como se, lá no alto, algures no vazio, perdido no firmamento, sem responsabilidades, um deus orquestrasse as nossas pequenas perversões e grandes asneiras.
por isso, não crer em promessas, arrependimentos, declarações de amor, amanhãs que cantam, golpes de asa, taludas, estalar de dedos, milagres redentores, boa-vontade universal, consciências sãs, ou nos valores da abstinência!... deixa um enorme embaraço e a medida exacta de como (sobre)viver pode ser complicado. mas tem mais colorido, sabor e emoção.
ou não?

quinta-feira

amplitude dos interesses de gajas

...vai deste blog-montra (bijuterias) a este blog-manifesto (ni putes, ni soumises), passando por este blog-festeiro (lesboa party3)

...inclui reler aquele que profetizou: "a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer" (stig dagerman escrevia muito bem).

domingo

4 de novembro de 2008


podemos mudar a nossa ideia sobre a América? podem os States ter um protagonismo diferente? pode a grande potência ser mais solidária, consciente, humana?

Hillary Rodham Clinton e Barack Obama, senadores democratas, querem liderar essa mudança, que respeite o ambiente, as pessoas, a diversidade e a paz.
Hillary's in! - leia-se a declaração dela. acredito que pode fazer a diferença.
We can do it!

quarta-feira

estado deste blog

entre stand by e bye bye

domingo

queria ser estrela do mar


conversa da m., a explicar que na escola estava a dar "os espermatozóides e os óvulos", como se juntam, como se formam os gémeos verdadeiros e os gémeos falsos, e como os espermatozóides mais rápidos são os mais bem sucedidos.
o diálogo prossegue com exemplos de mamíferos e outros especímes.
fico a saber que os ouriços não copulam, 'porque senão picavam-se'.
a certa altura, m. - conta - foi apanhada 'em falso' pela professora.
"a menina queria ser estrela do mar?! então não sabe que as estrelas do mar são assexuadas?"

[não sei se são...]

mas o que retenho é a capacidade de se regenarem (perdes um braço, por deficiente manuseamento, ganhas outro...); agrada-me este estilo do ensino de hoje ser tão optimista.