sábado

tudo diferente, quase igual

o país de hoje não é muito diferente do que era em 24 de abril de 1974. porém, o país de hoje não seria o que é, se não tivesse acontecido o 25/4/74... por isso, portugal não tem nada a ver com o que era antes de 25 de abril de 74.
[não há confusão nenhuma, é assim mesmo].

o 25 de abril de 1974 e tudo o que depois ficou associado à data, incluindo o prec, só podem ser evocados pelo lado emocional. pouco do que era o mundo da política "sobrevive" nos dias que correm: herdamos a instituição da democracia parlamentar. mas espanha e grécia passaram também, na mesma altura da história, por processos de transição de ditaduras para democracias. havia, certamente, a inevitabilidade da mudança.
desses tempos resta a memória de um estado de alma - oposto ao actual: um 'estado de alma' cheio de devir, optimista, activista, radical, empenhado, e sobretudo muito fraterno, guiado por uma espécie de igualitarismo perseguido pela maioria. tudo em grandes doses, frequentemente excessivo. a deriva capitalista coloca-nos onde estavamos, com mais tecnologia em cima e uma outra liberdade de expressão. o que é pouco e muito.


terça-feira

trabalho de campo para banda sonora

se não tivésse de trabalhar, se a vida fossem quinze dias, se eu fosse rica... por uma vez, ia lá, onde les femmes s'en mêlent, para uma fartura de música.

sexta-feira



the long blondes - weekend without makeup

domingo

da condição humana

violam-se e matam-se mulheres na africa do sul. não importa se são ídolos do desporto ou jovens anónimas. é a violência extrema e o silêncio da justiça. o estado fecha os olhos à barbárie:
Lesbians subjected to "corrective rape" in South Africa
Lesbians living in South Africa are being subjected to "corrective rape" and severe violence by men trying to "cure" them of their sexual orientation, human rights groups have said.

segunda-feira

casamentos, hierarquia de género e instituição familiar*

teresa pizarro beleza, professora da faculdade de direito da unl, explica no 'público' (sem link - pág. 29) que "o casamento foi, até hoje, se excluirmos a prática da escravatura, a forma mais perfeita de domesticação e subordinação das mulheres" e que "a democracia levada a sério implica a capacidade de aceitação da igualdade na diversidade",... para concluir que "a abertura do casamento a casais do mesmo sexo é também uma via da sua manutenção. e de reforço da instituição familiar, tão cara a tanto discurso e a tanta doutrina"... confusos? então vão ler o artigo, que é limpinho como água.

*título do artigo, com o antetítulo: "a hierarquia de género é das mais profundas razões para a resistência à abertura do casamento a casais do mesmo sexo"

domingo

again


é uma das estreias prometidas para os cinemas. já vi e voltarei a ver. ela, patti smith, mulher, artista, activista. documentário cheio de vida, que não pode passar desapercebido [trailer]

terça-feira

prémio justo



sean penn, óscar para melhor actor/2009

quinta-feira

de volta aos retratos





foi(-me) difícil conseguir colocar aqui o link, para a primeirissima música do novo disco do grupo de glasgow - sai em abril! os camera obscura estão agora na mítica editora 4AD. gozem

segunda-feira

amor é amor

nunca fui adepta do casamento, mas também nunca tive de ponderar tal projecto
no entanto, e dentro da igualdade de direitos, porque a de deveres já existe (excepto a da procriação e essa apenas à luz da santa madre igreja...) seria de elementar justiça admitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. a proposta dos activistas lgbt na argentina é um picnic para todos no dia dos namorad@s [aqui]

easy come, easy go*



* by marianne faithfull - how many worlds... do soberbo disco 'easy come, easy go'

sábado

simples, não?

Love is passion, obsession, someone you can't live without. If you don't start with that, what are you going to end up with? Fall head over heels. I say find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back.

pensamento recorrente - fica o link.

dúvida

ver livros, ler filmes.
habitualmente é ao contrário. suspeito que é engano. vemos livros, talvez nunca cheguemos a entrar neles totalmente. lemos filmes, porque o que se passa diante do olhar é só matéria para interpretações.

'doubt', com a maravilhosa e camaleónica meryl streep, viola davis e philip seymour hoffman tem sequências que ficam para sempre, como o sermão do padre sobre as 'penas' ou o diálogo entre a reitora e a mãe de um aluno. fala da culpa, da suspeição, da 'natureza do ser', da igreja, da família, da escola e do amor, evidenciando dúvidas e pensamentos para digerir depois. um filme garantido.

quinta-feira

dance mother

'pescadas' no imprescindível sound-vision, blog de consulta obrigatória sobre música e cinema, esta dupla pop de brooklyn, ...so fine, do album de estreia:
[gosto particularemente da profusão :-) que vai naquela casa]


quarta-feira

"my time will come"

a islândia tem uma primeira-ministra. é, curiosamente, a política mais popular do país. johanna sigurdardottir foi sindicalista, activista social, e recentemente ministra dos assuntos sociais.
na islândia em bancarrota, não se fala do facto de johanna, de 66 anos, ser casada com uma mulher. lá, a vida privada dos políticos não é do interesse público, o que ajuda a perceber que o facto de a primeira-ministra ser lésbica assumida não ser 'notícia' .
em 1979/1980 portugal também teve uma primeira-ministra.

por cá, jamais um político assumiu a sua orientação sexual não normativa. se a assumissem com naturalidade choveriam certamente alguns 'petardos' homofóbicos. mas talvez fosse o carácter da pessoa e a sua acção política a determinar boa parte da opinião pública, conferino ao direito à diferença uma naturalidade igualitária. o exemplo vem de cima.

domingo

joana da islândia

não sei se a islândia tem salvação. mas Johanna Sigurdardottir [Johanna Sigurdardottir, world's first openly gay leader, to take power in Iceland] conseguiu o que nenhuma outra fez. e, bem vistas as coisas, da bancarrota já estamos perto. só nos falta o resto.

sábado

fotosíntese

quero sol! um sol. escasso que seja. breve. descolorido. quente. fugitivo, quase a pôr-se, brilhante. sol. não é a crise que nos afecta, é só a falta de sol e este dilúvio castigador que nos forra com melancolia. um pouco de sol, por favor.

quinta-feira

o anónimo gay que virou líder político

sean penn tem um desempenho extraordinário num filme-quase-documentário, muito bem realizado.
para lá disso, há questões cruciais que a história do activismo de harvey milk 'expõe'
- até onde as minorias podem esperar ver reconhecido o seu espaço?
- de que forma, minoritários grupos de pressão conseguem atingir os seus propósitos continuadamente pela mobilização de rua?

- onde estavam, nesses anos, as mulheres lésbicas e/ou feministas?

será que aprendemos qualquer coisa com a História?

p.s. - para contextualizar, leia-se o artigo de miguel vale de almeida