quarta-feira

dias concentracionários

hoje há mais uma pessoa feliz na cidade à minha custa: vandalizou-me o carro (excepcionalmente resolvi prescindir do transporte público).
hoje também, um calor insuportável irrompeu pelo termómetro acima, e quando estava para lá dos trinta, quase que tive saudades da chuva.
hoje ainda, entraram-me amigos e conhecidos aos molhos no facebook, onde eu nunca tinha estado - mal entrei, a casa soou-me estranha e familiar, mas será mesmo?

terça-feira

ama y haz lo que quieras

"nenhum ser humano é igual à sua retórica"
"a importância de distinguir a identidade sexual psíquica de um indivíduo e o seu objecto de desejo sexual"
sobre o desejo, a analogia: "se estamos talhados para possuir uma linguagem, não estamos desenhados para uma linguagem particular"
"a diferença de ser humano face ao resto dos vertebrados significa ser capaz de escolher maior número de respostas face a um mesmo estímulo"
e a frase que faz sorrir: "o órgão sexual de maior extensão é a pele"
tudo envolto em "ama e faz o que quiseres" - princípio que deveria presidir a essa "revolução emocional pendente cuja primeira reivindicação é o direito à mutabilidade, o direito a estar, a sentir e sentirmo-nos, de diversas, variadas e novas maneiras"

["lesbofobias" é a tese de olga vinuales, uma antropologa catalã. o título do post é de um romance que ela cita no livro, no qual desenvolve o conceito de identidade como um processo.]

segunda-feira

still light, still night*

*um disco que é mais do mesmo, por isso, muito reconfortante. foi o meu mais recente meio-acto de "consumismo compulsivo". o outro meio é "tempos interessantes"- aprende-se muito com a história e ninguém guia a viagem como eric hobsbawn.

quinta-feira

taste me

a obsessão pela clareza. datas, como gosto de datas! decisões em datas. o melhor e o menos bom. cruzar personalidades, trocar papéis. aferir o que o lado esquerdo adivinha. só depois, o racional juízo lógico. ... a lógica é uma batata.

quarta-feira

you f***** it up...

(clicar para ouvir o resto)

sábado

testigos

DEPRAVADOS
DADME
AMOR

(bcn set.07)

HAY QUE
BESARSE MÁS!

(bcn abr.09)

quinta-feira

fraquezas

comovo-me com as declarações de amor inscritas nas paredes dos prédios.
"miguel= ana amo-te"
o amor concentrado numa equação simples. A declara-se a B. coisa linda, límpida, irrefutável. o bem-querer escarranchado no testemunho alheio. a paixão exposta como uma declaração de princípio. mudem-se os nomes, então. quem não gostaria de ver o seu, assim escrito, travar-se de razões para resistir ao tempo, numa parede da cidade?

segunda-feira

malgré tout

escolher o que se diz e o que se omite. falar claro. não ter medo. engavetar o que não está resolvido. calar as dúvidas e sossegar a ansiedade. esperar por um sol luminoso. aquecer as moléculas de água, todas. envolver o corpo por calor moderado. passar a limpo as ideias. passar a pano as nódoas. perfumar discretamente o som. sentir uma brisa que liberta a pressão. pôr uma cancela no lugar da porta blindada. abrir todas as janelas. sorver as correntes de ar. avançar prudentemente. saber reconhecer um precipício. cuidar da limpeza do caminho. dar uma volta sob o céu. tornear os relevos. caminhar.

sexta-feira

poemas de b. brecht

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.”

(...)

“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.”

sábado

tudo diferente, quase igual

o país de hoje não é muito diferente do que era em 24 de abril de 1974. porém, o país de hoje não seria o que é, se não tivesse acontecido o 25/4/74... por isso, portugal não tem nada a ver com o que era antes de 25 de abril de 74.
[não há confusão nenhuma, é assim mesmo].

o 25 de abril de 1974 e tudo o que depois ficou associado à data, incluindo o prec, só podem ser evocados pelo lado emocional. pouco do que era o mundo da política "sobrevive" nos dias que correm: herdamos a instituição da democracia parlamentar. mas espanha e grécia passaram também, na mesma altura da história, por processos de transição de ditaduras para democracias. havia, certamente, a inevitabilidade da mudança.
desses tempos resta a memória de um estado de alma - oposto ao actual: um 'estado de alma' cheio de devir, optimista, activista, radical, empenhado, e sobretudo muito fraterno, guiado por uma espécie de igualitarismo perseguido pela maioria. tudo em grandes doses, frequentemente excessivo. a deriva capitalista coloca-nos onde estavamos, com mais tecnologia em cima e uma outra liberdade de expressão. o que é pouco e muito.


terça-feira

trabalho de campo para banda sonora

se não tivésse de trabalhar, se a vida fossem quinze dias, se eu fosse rica... por uma vez, ia lá, onde les femmes s'en mêlent, para uma fartura de música.

sexta-feira



the long blondes - weekend without makeup

domingo

da condição humana

violam-se e matam-se mulheres na africa do sul. não importa se são ídolos do desporto ou jovens anónimas. é a violência extrema e o silêncio da justiça. o estado fecha os olhos à barbárie:
Lesbians subjected to "corrective rape" in South Africa
Lesbians living in South Africa are being subjected to "corrective rape" and severe violence by men trying to "cure" them of their sexual orientation, human rights groups have said.

segunda-feira

casamentos, hierarquia de género e instituição familiar*

teresa pizarro beleza, professora da faculdade de direito da unl, explica no 'público' (sem link - pág. 29) que "o casamento foi, até hoje, se excluirmos a prática da escravatura, a forma mais perfeita de domesticação e subordinação das mulheres" e que "a democracia levada a sério implica a capacidade de aceitação da igualdade na diversidade",... para concluir que "a abertura do casamento a casais do mesmo sexo é também uma via da sua manutenção. e de reforço da instituição familiar, tão cara a tanto discurso e a tanta doutrina"... confusos? então vão ler o artigo, que é limpinho como água.

*título do artigo, com o antetítulo: "a hierarquia de género é das mais profundas razões para a resistência à abertura do casamento a casais do mesmo sexo"

domingo

again


é uma das estreias prometidas para os cinemas. já vi e voltarei a ver. ela, patti smith, mulher, artista, activista. documentário cheio de vida, que não pode passar desapercebido [trailer]

terça-feira

prémio justo



sean penn, óscar para melhor actor/2009

quinta-feira

de volta aos retratos





foi(-me) difícil conseguir colocar aqui o link, para a primeirissima música do novo disco do grupo de glasgow - sai em abril! os camera obscura estão agora na mítica editora 4AD. gozem

segunda-feira

amor é amor

nunca fui adepta do casamento, mas também nunca tive de ponderar tal projecto
no entanto, e dentro da igualdade de direitos, porque a de deveres já existe (excepto a da procriação e essa apenas à luz da santa madre igreja...) seria de elementar justiça admitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. a proposta dos activistas lgbt na argentina é um picnic para todos no dia dos namorad@s [aqui]