quarta-feira

coisas que me apetecem, muito

menos gente a mentir, sobretudo a si própria .mais conforto financeiro, sobretudo em mês tremido. (ler)menos declarações de princípio, ou mesmo de amor infinito.mais prazer retribuido, sobretudo aquele que falha.mais ordem na agenda, sem tantos engulhos inesperados. castanhas assadas, porque já senti que mantêm o mesmo cheiro. menos trabalhos rotineiros e mais gente com histórias de espanto. mais música ao vivo. uma série de filmes no escurinho do cinema. passear sem rumo e desligar-me do lote especial tabaqueira. ler de enfiada os livros de cabeceira. alinhavar o tal projecto a valer.ter tempo para escrever o que preciso. cumprir esse compromisso. arranjar mais estantes. continuar a jardinar. acabar a bricolagem das gravuras, luzes e tal. dormir mais horas. andar mais alegre. desfazer-me de uma série de pessoas.[o pior cego é o que não quer ver e ainda por cima finge que tem olho de lince. 'cada vez gosto mais de menos gente'.] não há sabor tão amargo como o desencanto [não me iludir, porque a responsabilidade nunca é dos outros - só minha] acreditar que depois da tempestade vem sempre uma bonança.apanhar frio e humidade junto ao mar, e gostar. amealhar para as maurícias e regressar a porto santo...

suspender o blog, até que algo não totalmente irrelevante mereça ser contado



terça-feira

figuras tristes

a tristeza faz rugas. estica as emoções. cansa de mais. mata devagar, mais que a fome. e não há um 'banco alimentar' para remendar o problema. nenhum programa das nações unidas cuida da tristeza, que é uma forma de emagrecer a alma à força. uma espécie de anorexia do sentir.

a tristeza faz má figura na humanidade. ameaça a espécie como uma pandemia. cria alergias várias. torna as pessoas permeáveis a infecções de toda a ordem. principalmente aos vírus alheios. a tristeza pesa toneladas no corpo. debilita. abala os alicerces do espírito como um subtil sismo. põe-nos a cismar. não tem luz nenhuma.

a pior tristeza é a que não tem cura. só factos irrefutáveis. espelhos de representações sociais. coisas que não se explicam. nem com a (falta de) cultura. contagia quem 'é do bem'. não há imunização possível. são apenas vícios ancestrais de gente mimada. ou mal-amada.
o que vai dar no mesmo.

mais ou menos, assim


do melhor, por estes dias
(o cd andava lá por casa há tempos!)

segunda-feira

... do discreto feminismo

Forum de Mulheres para a Economia e a Sociedade 2007
Deauville, França, 11 a 13 de Outubro

tira teima

"o envelhecimento traz uma coisa muito boa: é teres aprendido imenso no caminho e teres mais ferramentas para poderes atrever-te a fazer outras coisas" - Manuela Azevedo, Time Out nº1

[novo albúm dos clã, ao vivo, 1 de dezembro na aula magna, lisboa]

outubro


foi o filme, o mês dos anos da minha avó, o das gabardines e guarda-chuvas, o mês das aulas, das folhas a cair e do frio nocturno, o de gerar e dos alfobres, das últimas vindimas, o da comemoração da república, do dia da poupança, o da mudança da hora, o mês outonal por excelência. um mês de viragem na voragem.

domingo

e a propósito...

da integridade. um post que subscreveria na íntegra. infelizmente.

autocrítica em teste

acabaram-se-me as acções pro bono !

sábado

happy birthday lesboa

imagino que uma boa festa seja assim: sem incómodos, nem monos, nem cromos. sem preconceitos e com boa onda. depois de um dia estafante e de jantar tardio, party para enganar tanta canseira. cocktail lesboa com travo acidulado para acordar os sentidos. cerveja a rodos. o local?...do mais lindo:-)boogie nights, bom para começar; de seguida, uma playlist expectável e divertida. serviços mínimos garantidos. dress code dispensável: é deixar as cores a cada um/a.
graçaS, a quem deu testemunho!

sexta-feira

não me importaria de ir


... ao tecto do mundo [afinal, tem tecto?!]
vinte dias de viagem, uma dúzia deles a pé! por aqui, a 20 de outubro...

as mulheres e a web

a quem interesse...

fórum 'o universo feminino na internet', dezembro, em paris.

quinta-feira

arrumar ideias

aprende-se imenso com os amigos/as.
basta degustar, conversar e esquecer a sobremesa. e as horas.

terça-feira

impulso(s)

andava eu à procura de informação sobre consumo e consumidores (!) e deu-me para a compra por impulso! felizmente estava num local de livros e discos. assim mesmo, por impulso, tímido embora, trouxe "mulher - uma geografia íntima" de Natalie Angier (Gradiva) - que tanto serve a homens como a mulheres, como a mulheres e...a mulheres. enfim, a quem seja realmente curios@. pelas primeiras leituras, em diagonal, vale mesmo a pena: aprende-se imenso, com humor, ironia e informação - e é raro estas coisas andarem juntas, não é?-.
é um livro sobre nós, a nossa biologia e os mitos criados à volta de... úteros, ovários, clitóris, estrogénio, testosterona, aleitamento materno, química, psicologia, mães, avós e outras grandes senhoras, em 19 capítulos e 400 páginas. uma grande empreitada!
(ou, como diz um dos comentadores "Um livro deliciosamente sacana, mas sério, sobre a biologia do corpo feminino. Sacana, na medida em que a ciência é interpretada em termos de feminismo moderno")

domingo

um dos sentidos do feminismo

o mundo está' globalizado', não está? a suazilândia é um dos países deste mundo. fica em áfrica, continente com o qual a europa vai fazer uma cimeira, não é?
lá, na suazilândia, o rei pode escolher uma mulher que veja na rua e torna-la sua concubina, sem lhe perguntar o que ela quer, nem sequer consultar a família da rapariga!o rei tem o direito (?!) a selecionar uma virgem entre milhares que anualmente participam na dança das virgens (!!!). escolhida uma, há que emprenha-la; se não o conseguir, será repudiada; se engravidar tem probabilidade de ir juntar-se ao harém de esposas do monarca, onde tudo se legitima pela poligamia.
estamos em 2007, século XXI?

sexta-feira

...

vou comprar-te uma árvore. tem de ser uma oliveira. razão óbvia. até gosto de buganvílias, jacarandás, acer japonicum ... cerejeira era o que nós merecíamos, bem sei.

hoje ofereceram-me um peixe. laranja. não sei o que come, nem como sobrevive. aflige-me vê-lo parado no aquário ou em sinuosas contorsões sem nexo. em tempos tive rouxinóis do japão. a felicidade de penas en_canto. os melhores chilreares domésticos. é pena precisarem de gaiola. desisti.
é por isso que te vou comprar uma árvore. nem que seja para medir a resistência ao abandono. prometo rega-la o suficiente para viver como tu. morro primeiro, eu sei, mas nessa altura já saberás que as árvores precisam de mimos e cuidados. e vais lembrar-te um pouquinho de quem teve a ideia de plantar uma oliveira numa varanda da cidade. contra o destino.


e uma nogueira do japão?

a normalidade existe?? pim!!!

há quem seja inteligente e não aproveite minimamente em esperteza...
e quem não seja tão inteligente assim, e o faça render em súmula esperteza.
ser esperto é como ser estúpido: não damos conta do que (nos) fazemos, mas enchemos a barriga de asneirada!

[para sinonímia é favor visitar: http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx]

quarta-feira

coisas do tempo

esta manhã, a minha vizinha não me deu um bom-dia. aliás, ela nem estendeu a toalha à janela. também pudera: começou a chover abruptamente! momentos depois, o sol irrompeu as nuvens e segurou esse lacrimejo celestial, absolutamente desproporcional para um dia de setembro.

o que me apetece dizer é, precisamente, que o tempo resolve(-se). há quem o arraste e com ele se arraste entre detritos e engulhos. e há quem o respeite. a minha mãe ensinou-me que o respeitinho (pela liberdade) é muito bonito. além disso, o tempo põe-nos no lugar.
temos todo o tempo do mundo. até ao dia em que, por alguma razão, o tempo se suspende ad eterno: deixamos de medi-lo nós, mas ele continua a reger as vidas que restam.
às vezes, vamos a tempo de emendar precipitações fora de tempo. outras vezes, não: a gaveta fechou-se. coisas do tempo.

* * * * *
[que sais je?
"la résilience est à la fois la capacité de résister à un traumatisme et celle de se reconstruire aprés lui".]

* * * * *

«Ay que pesado*, que pesado, siempre pensando en el pasado,
no te lo pienses demasiado
que la vida está esperando.
Cuanto tiempo hace falta
para que borres las heridas que te hiciste en el amor.
Cuantas veces te he dicho
que solo tu tienes la lleve que abre y cierra el dolor.
Mira que hemos hablado
que los recuerdos son mentiras y que inundan la razón.»

*ana torroja

domingo

never give up*

angela merkel manda muito mais que josé sócrates. por acaso, até é 'conservadora' enquanto ele é 'socialista'. ela, ao que li, vai receber o dalai lama; e a alemanha é um dos principais parceiros da china - que anexou o tibete, causa dele - em termos de negócios...
o dalai lama(1) é um ser humano comum que não segue um deus, o que me agrada. e desenvolve umas palavras sobre a compaixão, as emoções, a mente, o sofrimento, a dor, o amor, os amigos. há tempo que isso faz, para mim, muito sentido.

esta tarde, no pavilhão atlântico, em lisboa, milhares de pessoas ouviram-no falar de forma simples sobre os seres humanos e a felicidade. aposto que 3/4 do público eram mulheres. porque haveria tantas mulheres a ouvir um homem casto e nada sexy que, na fase de perguntas e respostas, se recusou a aconselhar como educar uma criança? (como disse, não tem experiência na matéria, portanto só pode recomendar mais e mais educação - contra a ignorância).
eu diria que é simples bom senso. e a gente gosta disso.

*tenho um fetiche com t-shirts: se elas dizem alguma coisa, certas coisas, ataca-me o impulso da compra. o alvo mais recente diz isto e mais.
(1)diz ele, e subscrevo: "qual o sentido da vida? ser feliz e ser útil."

sábado

"todos procuramos colo"(*)


(*)m.m. sintetizando a matriz dos relacionamentos...

quinta-feira

bcn

mais de três dias depois, acordas às três da manhã, para menos de três horas depois, esgotada, retomares um dia-a-dia... triplo?

dizes até já a três pessoas imprescindíveis da tua vida, após triplas viagens animadas e cansativas.
uma cidade diferente, que instiga à trangressão, espelha a loucura dos criadores, traduz todo o fascínio urbano - mar, rio, porto, serra, arquitectura, cosmopolitismo, o encanto da urbe.









.
.
.
seduzida e convencida - afinal, é o mesmo - hás-de voltar para passear nos espaços que desta vez não contaste.
contas até três, e ouves s.s. dalai lama dizer que mesmo quando temos curiosidade por outras filosofias, religiões, sabedorias, o que for... importa avaliar quanta confusão a mudança nos pode provocar...

e que o amor redime,
e o altruísmo é (o) infinito.
continuas a aprender.

segunda-feira

a mulher mais...

...se escrevesse um livro, fizesse um filme ou uma peça de teatro, só ela poderia ser a protagonista

amira casar


[...qual angelina jolie?! qual scarlett johansson?! qual portia de rossi!? qual monica bellucci?! a não ser, talvez... maya sansa...]

domingo

um mundo em feminino plural

"La palavra de las hijas de Eva" (à venda pela Ed. Lumen - Espanha, a 14/09/007) abana o pensamento feminista, o que faz falta.
Ensaio da escritora galega Teresa Moure*, propõe uma terceira via, "um novo feminismo que defende a diferença e pede que nos devolvam a nossa voz. porque a linguagem, sim, pode mudar a realidade".

a antecipação de 12 tópicos deste ensaio, na Yo Dona deste fim-de-semana; a saber:
"hagamos frente común"
"la maternidad no es una carga ni un destino"
"recuperemos nuestra cultura" (as mulheres, ao incorporarem-se massivamente no mundo dos homens e empenharmo-nos em competir com eles, estão a seguir os valores da cultura patriacal: uma sexualidade hiperdesejada, uma competitividade máxima, protagonismo, economicismo e interesses de mercado (...) não podemos atirar pela borda fora a nossa cultura. a discriminação da mulher foi o modelo do domínio a partir do qual os homens aprenderam a discriminar e a dominar outros grupos étnicos e classes sociais: o inimigo era feminizado e assim assimilava a sua situação de ausência de direitos, como acontecia com a mulher. o processo inverso é também fazível. num momento como o actual ,de multiculturalismo e de exaltação das minorias, numa época em que nos toca coabitar com refugiados de países distantes, em que temos de resistir como nunca contra o colonialismo e os interesses de mercado, o melhor feminismo é o que nos ensina a não ter de ser iguais)
"negociemos, no conquistemos"
"la trampa de la igualdad"- (porque é que saber cuidar dos outros não é considerada uma forma superior de conhecimento? porque é que entre as habilitações mais tidas em conta nos seres humanos não consta a de saber consolar, património exclusivo tradicionalmente da cultura feminina? porque é que a intuição tem de valer menos que a tecnologia?)
"la trampa de las cuotas"
"el linguaje es poder"
"nuestra voz importa"
"la trampa del falso genérico"
"la trampa de la neutralidad"
"la palabra puede cambiar el mundo"
"renovemos el mundo en femenino" - (as mulheres inteiram-se entre mulheres da vida íntima, dos aspectos que caem fora da vida pública. e sso torna-as tolerantes, compreensivas e sábias(...) a palavra liberta é um um valor da cultura das mulheres que pode melhorar o mundo(...) por isso, a libertação da linguagem não será só uma libertação apenas das mulheres, mas também uma libertação dos homens e mulheres através da palavra (...)as mulheres devem lutar por libertar-se do corrocel da linguagem e empenhar-se em dizer precisamnete o que os homens não podem dizer)

*[num blog ela dizia: "Eu son unha feminista que non fai explotación da muller pola muller. Antes de vir á entrevista fixen unha hora de limpeza, tocaba fregar as escaleiras. Algo que non soporto das feministas da igualdade é que teñen grandes postos de traballo e servizo doméstico. Coido que é moi importante a ética dos coidados e compartir responsabilidades. As baixas por maternidade para homes son unha falacia. Que é iso de que teñen o mesmo dereito que a nai? Quen pariu é a muller. Quen ten que repoñerse e aprender a querer ao fillo, e aceptalo é a nai." ]

sábado

deixa-me rir...

"cambiarás la passión por la ternura"
diz-me esperanza, no seu horóscopo, da semana

[como dizia alguém: oh, god! make me good but not yet]

outubro

foi um filme, era o mês das aulas, o do dia da poupança, o das gabardines e guarda-chuvas, do frio e das folhas a cair, da mudança de hora, da comemoração da república, foi dos anos da minha avó. o mês outonal por excelência: a viragem na voragem

sexta-feira

ex_certo (I)

"há um 3º andar elevado, com uma vista sofrível, e pouco barulho à volta. um frigorífico de onde só sai chá gelado. o ópio queima na sala, a fluoxetina continua e o tabaco mata. tudo a 'dar as últimas'.
um 3º andar com varanda dá imensas ideias. consome tempo olhar o céu. acalma e desenterra inseguranças. não há uma ponta por onde se desatem os nós. se calhar nem há nós. só desconforto. é lixado tentar medi-lo. não há balança calibrada. apenas um fosso vazio e inúmeras hipóteses académicas
."

planos aquém da praia

a orquestra da miscigenação dos sons [ouvir aqui]: orchestra di piazza vittorio.hoje e amanhã, à noite, pelo ccb (21h30) e ... à borla?!

ou, cinema a céu aberto e grátis, coisa do mal, no príncipe real, esta noite (21h00)?

e a festa de aniversário do bacalhoeiro, no jardim do campo das cebolas, domingo, 1 de set (18h00)?

enquanto o verão não acaba, bem qu'esta cidade se agita!

quinta-feira

e depois não digam que aqui não se aprende nada*

"A verdadeira riqueza da alma da canceriana vem à luz de forma mais genuína após os trinta e cinco anos de idade. É um signo de maturação lenta. Caranguejos não correm como cães de caça. Eles se movem lentamente, de lado, nunca em frente. A mulher de Câncer, que mais parece uma ostra que um caranguejo, pode levar mais de meia vida para fazer sua pérola: a visão criativa, a sabedoria sobre a natureza humana e a profundidade de seu amor pelas pessoas e pela vida." - esta e outras preciosidades, sobre tudo e cada um(a), no www.astro.com

*expressão típica da rita , que só conheço na blogosfera e aprecio muito. e como se estará em berlim?

e já agora:

1 - espreitascutar a canção "tira a teima" do próximo disco dos Clã, aqui

2 - patti smith confirmada no coliseu de lisboa, concerto a 28 de outubro. parece que a dama traz o último disco, doze versões... e então os clássicos dela?!
e
rufus wainwright no mesmo coliseu a 6 de Novembro? então, a música nunca mais acaba... lisboa já entrou nos 'circuitos' ?

3 - junto à coluna dos assuntos XX (ao lado) há outros sítios 'descobertos' entretanto

quarta-feira

opps!

[sorry, este post seguiu por correio azul]

terça-feira

sem água

as violetas dos meus amores continuam mais perfeitas do que nunca.

- e os signos falavam duma quinzena em que nos dávamos mal! pois;-)

segunda-feira

do melhor das férias

... o esforço para perdoar, recompôr desavenças, mesmo sob protocolo

... o tempo e o espaço das crias com 3 c's - contingências, críticas, carinhos

... ana: tu, ela, mas também a ana do f., a aca; o abracinho da m.,os encontros de praia, os doces da mãe, os recados dele - enfim, certas pessoas

... a quantidade imensa de ideias loucas que nos surgiram, para mudar de vida

... o verde à volta, o som dos pássaros, os jactos de água, o barulho das árvores, até os foguetórios em concorrência com o céu estrelado

... o mar azul, verde, prateado cinza, whatever: revolto e poderoso, com cheiro a iodo e algas; bruto e enrolado impondo respeitosa distância; apaziguador ao final da tarde para aquele banho impúdico; o barulho das gaivotas

... o supérfluo lavar as vistas em passeios, esplanadas, até com bolos; continuar a baixar size

... não decidir nada: dar tempo ao tempo. só

... tratar depois de resolver o menos bom, com paciência e parcimónia

... as próximas [férias] que se antevêem curtas, austeras, inovadoras e intensas

domingo

talvez nostalgia...

... do tempo em que havia amor e uma cabana

e(m) noites de lua cheia [procurem-na, que a encontram]

mães e pediatras [com dedicatória]

os grandes pediatras são homens - Benjamin Spock, Berry Brazelton..., que nunca foram mães! (acompanharam e estudaram milhares de criancinhas mas não pariram, nem viveram meses de gravidez). suponho que nada se equipara a essa experiência. não há receitas de sucesso no desempenho, em nenhuma idade das crias. não há livros de instruções, não há aconselhamento pré-maternal, não há regras prévias universais, não há sequer consenso sobre como agir ou como interpretar sintomas. como coisa da condição humana, o melhor é deitar mão à experiência, ao bom-senso e à intuição instintiva. estilo tentativa e erro...
pode surpreender dizê-lo, sobretudo de uma feminista: mas mulher que é mãe é mais completa. e isso apesar das inseguranças todas, já que nenhum livro resolve as dúvidas, dissipa os receios, anula os medos ou equipara as emoções dessa responsabilidade concreta.



[anoto: nada disto é a defesa do regresso à passividade da maternidade. apenas o assumir que há uma condição singular de quem se sente responsável por outro ser - sempre mais importante que nós mesmas. toda a intranquilidade é, por isso, natural.]


sábado

aforismos (3)

o altruísmo pode ser uma doença suicidária. um hara kiri emocional.

já o egotismo é maleita civilizacional. todos perdem, mas ninguém se dá conta...



* * * *


apontamos sempre para a lua porque, se falharmos, acabamos entre as estrelas (1)


o meu copo está sempre meio cheio, nunca está meio vazio (2)



(1) paulo maló - médico e empresário
(2) simonetta luz afonso - gestora cultural



sexta-feira

dream on girl

'copianço' de um sonho - uma canção belíssima! - da rapariga de sapatos encarnados, de que nunca ouvira falar... mea culpa!; tudo raptado de um blog que dá música aos meus ouvidos. thanks pela descoberta :-)

quinta-feira

instantâneos

era noite e ouvi-te dizer baixinho: liga-me, preciso falar contigo. estavas ao tlm, mas eu dormia.
(n)os sonhos mandam-me recados que não sei decifrar!

d. constata que estas são umas férias quase só com mulheres - sorri, maroto, ao dizê-lo.

m. retoma o seu último blog, com avassaladora produção de posts e algumas gralhas.

e avisam-me que se uso "querida/o" ou "amorzinho" não sou levada a sério quando ralho.

* * *

o sol não queima, o mar não chama, os meus apelos são outros.
self-control, please. incorro em excesso de preocupação. qual a diferença entre cuidar e amar?

o regresso vai ter de me devolver o pragmatismo.

terça-feira

"porque não fazer a escolha errada?"

"você só pode entender uma obsessão quando respirar doí. você precisa estar contaminado para compreender"(...)"nada é pior do que não entender"

"lembranças são como plantas carnívoras. não é você que alimenta suas lembranças, são elas que se alimentam de você"

"há beijos que valem qualquer investimento"(...) "eu poderia perguntar aos deuses por que nós, mulheres, somos tão suscetíveis a um beijo. mas há horas em que até os deuses querem ser deixados em paz"


[in Filmes Proibidos, de Bruna Lombardi, Ed. Quasi]

sábado

só sono :-(



















[ver post anterior]

sexta-feira

dos livros

"Nada justifica meu mau humor, exceto a vida em suspenso que levo e a sua inutilidade"
...
"Tudo o que preciso é um bom SOS: Sexo, Orgasmo e Sono"
[1]

...

"O fenómeno do mommy brain pode constituir parte da nossa experiência social moderna, em que as mulheres tentam mais do que nunca manter a atenção em várias coisas ao mesmo tempo."
...
"A maternidade - tal como a puberdade - pode muito bem desequilibrar-nos por uns tempos, apenas para nos voltar a pôr no lugar, frequentemente mais fortes do que antes."
[2]

[1] in Filmes Proibidos
[2] in Super mães, super mulheres

quarta-feira

10 coisas que as férias também permitem

... andar sempre despenteada -:) e não ser controlada (pela agenda)
... tomar banhos de jacto termal, de onde saio num estado 'naif' para-orgásmico; ou mergulhar no mar no estado em que vim ao mundo, sob o pôr-do-sol
... deambular por sítios onde o artesanato popular cativa e toda a gente fala muito alto (!)
... cozinhar, uma maneira de dar prazer tendo prazer
... ler e não parar de me surpreender com o que se escreve em português
... dormir e sonhar quase todos os dias, sem lembrar os detalhes só as personagens
... conduzir kms infindos, em nevoeiro cerrado nocturno ou com mar encrespado em tarde chuvosa
... voltar a sítios há muito não visitados, hoje diferentes, iguais nas memórias
... pensar na 'vida tripla', como desfazer-lhe os nós e voltar a medir as escolhas
... estudar os projectos de grupo que têm de avançar, porque há riscos a correr, oportunos e inadiáveis

segunda-feira

injustiça, é o que é

e se/quando tudo corre como se deseja, tranquilo e variado, terno e caloroso - a vida reconstroi-se...e voltamos a ficar em paz - a tristeza impoe-se subitamente, isso é?

domingo

400 kms


...ao som dos clã, tudo faz sentido...
no meu 'lado esquerdo'

sexta-feira

eu cá quero é festinhas

com muita pena nossa, em trio não faremos o regresso aos 80's na maria lisboa d.- amanhã -mas pode ser que haja festarola divertida mais para setembro, nem que seja no final do mês, na tapada da ajuda. há um grupo de desarmados da escrita a planear uma peregrinação no primeiro aniversário da lesboa party, aí vão seis, na última sexta de setembro - a mais apurada de todas, está prometido.


entretanto, o que não faltam são romarias, e feiras, contrafacção, marralhar, cavaquear e passarinhos a cantar - eu sei lá... - por estas bandas. e, gajas pobretanas, toda a gente sabe, adoram saldos, e pechinchas, e artesanato popular, comidinha da boa,... que o mais são bolos!

[eis um post totalmente silly season, resultando do inconveniente da Internet sem fios]

quarta-feira

sem inspiração

há uns dias que me sinto de férias. nada a a anotar, portanto. seriam só inconfidências públicas.

'na verdade tudo é bobagem. toda arte uma indiscrição. as grandes histórias de amor não saem de dentro dos quartos. as que se contam são medíocres'

'para escrever é preciso expor sem pudor coisas particulares. não se escreve um romance sem ferir mortalmente alguém. o terrível é que a arte desmascara. liberta, mas desmascara'.

é. filmes proibidos - dela - anda a revelar-se um excelente diagnóstico do estado de alma. lá também se se diz que 'esquecer é uma grande virtude', 'a gente passa a vida esperando que alguma coisa de espectacular aconteça.todos acreditam nisso. um dia a gente descobre que não vai acontecer mais nada e para de esperar. pára de acreditar.só isso. envelhecer é só isso'.
ou então: ' a paixão intoxica, é corrosiva, mas o doente de amor não quer se curar'(...) "um bom relacionamento sexual não basta. é preciso fazer o céu lampejar"

o verde -todas as matizes de verde - é a minha cor favorita.
não me lembro de onde exactamente estava há um ano, sei com quem estava e havia verde e era relaxante certamente.
agora não sei nada de notícias - só vejo espaço, ares, moods e que 'nada vence o avanço do tempo'.

sexta-feira

vetos

tive o meu esta semana. o primeiro, singular, implausível, cínico, escandaloso, maquiavélico, temerário, autofágico.
agora, o Presidente da República vetou o novo estatuto dos jornalistas (vou ter de reconsiderar a apreciação da figura...).
o que não é suficiente para pressupôr que os jornalistas sejam uma classe recomendável.
eu, pelo menos, sei de uns quantos que poderiam estar a semear batatas - se, pelo menos, para isso tivessem engenho e arte. assim, são apenas umas figurinhas do faz-de-conta, com uma sorte do caraças a guiar-lhes o caminho até ao precipício fatal.

(ou, como dizia a senhora do meu último trabalho antes de férias: há ou não há um saber de experiência (e aprendizagem) feito.)

(a normalidade e) o medo

medo da solidão
contrariá-lo numa aprendizagem diária, na partilha de solidariedade

o medo do escuro
não tenho, nunca tive, mexo-me às claras, como o animal que vê nas trevas

o medo dos outros
não conheço, acredito, espeto-me de frente, e continuo a acreditar... até um dia

o medo do poder
não sinto, nunca senti, não reconheço, vivo na distância

o medo de ser menos, de estar áquem
só creio na autoridade de experiência feita, e tudo vale o esforço para ser-se melhor

o medo de arriscar o desconhecido
100% assumido, dois passos em frente um passo à rectaguarda e um plano b se possível

o medo do roubo, dum assalto
não experimento, nem me lembro dessa possibilidade, às vezes acontece, esqueço novamente

o medo da doença fatal
tento não pensar nisso, receio pelos que me são queridos, evito sofrer por antecipação imaginária

o medo da intolerância, do preconceito
sim, já teve a forma das cruzadas, da santa inquisição, do lápiz azul, do ku klux klan, do fanatismo islâmico, agora veste-se de censura descaradamente disfarçada der mentira e excesso de zelo

o medo de ser frontal
ignoro, não seio que é, nunca soube, nunca saberei

o medo do sofrimento
não é o medo que tolhe, é o próprio sofrer que doi. só isso.


isto tudo mete medo a alguma gente.

quinta-feira

do estatuto dos jornalistas

Direitos e deveres
Artigo 7.º
Liberdade de expressão e de criação
1 - A liberdade de expressão e de criação dos jornalistas não está sujeita a impedimentos ou discriminações nem subordinada a qualquer forma de censura.
2 - Os jornalistas têm o direito de assinar, ou fazer identificar com o respectivo nome profissional registado na Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, os trabalhos da sua criação individual ou em que tenham colaborado.
3 - Os jornalistas têm o direito à protecção dos textos, imagens, sons ou desenhos resultantes do exercício da liberdade de expressão e criação, nos termos das disposições legais aplicáveis


Artigo 13.º
Direito de participação
1 - Os jornalistas têm direito a participar na orientação editorial do órgão de comunicação social para que trabalhem, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou confessional, bem como a pronunciar-se sobre todos os aspectos que digam respeito à sua actividade profissional, não podendo ser objecto de sanções disciplinares pelo exercício desses direitos.


Artigo 14.º
Deveres
Independentemente do disposto no respectivo código deontológico, constituem deveres fundamentais dos jornalistas:
a) Exercer a actividade com respeito pela ética profissional, informando com rigor e isenção;
b) Respeitar a orientação e os objectivos definidos no estatuto editorial do órgão de comunicação social para que trabalhem;
c) Abster-se de formular acusações sem provas e respeitar a presunção de inocência;
d) Não identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual, bem como os menores que tiverem sido objecto de medidas tutelares sancionatórias;
e) Não tratar discriminatoriamente as pessoas, designadamente em função da cor, raça, religião, nacionalidade ou sexo;
f) Abster-se de recolher declarações ou imagens que atinjam a dignidade das pessoas;
g) Respeitar a privacidade de acordo com a natureza do caso e a condição das pessoas;
h) Não falsificar ou encenar situações com intuitos de abusar da boa fé do público;
i) Não recolher imagens e sons com o recurso a meios não autorizados a não ser que se verifique um estado de necessidade para a segurança das pessoas envolvidas e o interesse público o justifique.

quarta-feira

esqueçam qu' existo

nunca me senti tão mal como hoje, por motivos idênticos. e até já devia estar de férias!
acho que se calhar um blog também serve para dizer só isso: o buraco enorme que me espetaram na dignidade como profissional.
ou como tu escreveste, p., o preconceito vem de onde menos se espera! e a cobardia de braço dado com o novo-riquismo. fodam-se!!!
não há pior, no trabalho, que a dor de corno, a rasteira, a prepotência: 'sim, como é que não me lembrei eu disto?!'
e há pessoas que deitam mãos a todos os meios para 'virar o bico ao prego', desmentir o evidente, negar o público, mentir descaradamente, inventar sofismas.
desprezo-as? mas se eu não desprezo ninguém... não posso retribuir.
é impossível descrever como me doí profundamente.
não sei se tem inversão possível, se há emenda para a terraplanagem de tanto trabalho, se há reconstrução para as ruínas dos valores.

só me apetece chorar e ficar só.

terça-feira

Michelangelo Antonioni

[1912-2007]
ele fez o 'meu' filme - identificação de uma mulher.
nem sei já o enredo de cor, só sei que foi 'o filme!"
acabou por fazer também um filme que tem um título belíssimo: profissão repórter

... o que só é mesmo possível nos filmes.

segunda-feira

famílias e cactos

só dá amor, quem tem amor para dar. a gente só dá o que quer, dentro do que pode. para mim, tornou-se numa evidência incontestável - como a lua que marca a noite. e quanto mais generosos somos, mais temos para dar.
a família deveria ser um mundo de afectividade e solidariedades. muitas vezes é ‘o que se vê!' . gosto que os afectos sejam a minha família, e nesse mundo meto todos que me são mais queridos/as. todos tão diferentes e todos tão iguais quando olho com o coração. podemos ter uma família enorme recheada de solidão; podemos ter uma família pequena, a transbordar de carinho; e podemos ter várias famílias, uma espécie de rede tecida ao sabor dos tempos e dos afectos, e daquele-não-sei-quê espiritual 'sagrado' que nos faz ser – independentemente de como pensamos, do que fazemos na vida, ou da aparência física.
um dia o mundo vai estar preenchido com estas “famílias” - são como cactos: resistem à adversidade, com pouca água armazenam muita, aguentam-se e saciam a sede dos outros.

fossemos todos assim e provavelmente havia muito mais gente feliz .

quinta-feira

amei, mulher!

"tens muito dinheiro, mas não consegues (pagar) um caminho livre"
you got a lot of money,but you can't affort a free way *


[*do próximo album de aimée mann, em janeiro de 2008;
ontem ela foi fidelissíma! só a voz, cristalina e literal na expressão, chegavam... mas esta é também a loira mais linda da música que me consola. ai_mé, (wo)man!]

terça-feira

sabura



mi-go


dexa


mundo

papiá*








* não me importa... que o mundo fale [grafitti em escola da Cova da Moura]

sexta-feira

je t'aime... moi non plus



"tout le monde dit et répète 'je t'aime'. il faut faire attention aux mots. ne pas les répéter à tout bout de champ. ni les employer a tort et à travers, les uns pour les autres, en racontant des mensonges. autrement, les mots s'usent. et parfois, il est trop tard pour les sauver."


[erik orsenna]

quinta-feira

até ver...

li um um dia uma frase que me marcou para sempre e como qualquer memória selectiva se gravou assim: "como deus não podia estar em toda a parte, então inventou a mãe" [quando encontrar a citação exacta, num dos livros de eduardo sá*, reproduzo-a aqui...]

lembrei-me disto porque o mundo, apesar de ninguém acreditar nisso, é mesmo quase perfeito. haja mãe(s)!
a vida dá, tira e devolve, e a única coisa que custa é entender os meandros desses ciclos. [isto é filosofia barata, eu sei. mas também posso desenjoar das coisas sérias que me ocupam horas e horas do dias que correm, ou onde eu corro - que é mais próximo da verdade.]

será que temos uma 'missão' colectiva? há quem acredite nisso. metade do mundo acreditava nisso até 1989. e uma estratégia pessoal? a outra metade sublinhava quão imprescindível isso era. e há os que acreditam nos pequenos passos, nos momentos, no instante que passa, tudo passa, na qualidade de vida que favorecemos, na solidariedade, na 'maternidade'...
falo por mim: não tenho uma estratégia pessoal, falta-me a ambição que sempre faz a diferença nas relações de poder. andamos cá para quê? para ir vivendo, e desenrascando, e pagando impostos, um cineminha hoje, uma jantarada amanhã, férias à maneira, um cartão de crédito a desejar plafond eterno, andamos para procriar, chatear o chefe, sacar o fim do mês, estoirar demais nos saldos, resmungar com tudo o que nos desagrada sem saber bem quanto somos responsáveis, apanhar banhos de multidão ou de sol, conforme os gostos?

[ ? ? ? ? ? ? ?]

cada um sabe de si. a vida é curta e simples, umas vezes triste, outras alegre. pode ser útil, ser interesseira, ou ser conveniente. pode ser a 'vidinha', a pensar na promoção, na reforma; pode ser 'por uma causa', e esquecer os afectos dos que são próximos; pode ser só apenas ser como somos. e ser é uma grande bem-aventurança: arruma o ter a um canto e dá muito mais espaço ao espírito para gozar o tempo.

cruzamo-nos com muita gente na vida e umas pessoas são-nos indiferentes, outras fazem-nos bem, outras fazem-nos menos bem. e nós, como queremos ficar, ténues ou vincadas, nas memórias de todas?
quando nos olhamos - e pode bem ser a um espelho de água - vemos o quê?
eu gosto de ver liberdade e fraternidade, porque a igualdade não depende de mim. e gosto de ver gente que olha com a mesma luz e ama com a mesma intensidade. só isso.

[talvez como Lanza del Vasto, Mahatma Gandhi, Teresa de Calcutá, Abbé Pierre, Nelson Mandela e mais uns quantos anónimos...]

*que diz "talvez nunca sejamos naturalmente belos, mas o amor dos outros torna-nos belos".

segunda-feira

[nouvelle vague ao vivo]

noite refrescante, em todos os sentidos..bonita a partilha de momentos de puro gozo
"Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again
Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve
Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility
Like an apparition
You don't seem real at all
Like a premonition
Of curses on my soul"

domingo

helena de lisboa

pois, todos já sabiam que antónio costa iria ser o novo presidente da câmara de lisboa. conheço-o há imensos anos, e até lhe tenho apreço - e na lista dele há imensa gente competentíssima. mas não votei nele, nem votaria, tendo melhor escolha.e aqui desta freguesia onde me encontro só estranho o segundo lugar de carmona rodrigues, que também pode ser um bom homem, mas sinceramente... não foi ele que deixou lisboa em pantanas? quanto ao mais, os comunistas e os independentes 'zé' sá fernandes e helena roseta, mais os que dessas listas conseguirem ser eleitos, devem dar uma maioria confortável para reconstruir lisboa, a tal que parece que sofreu um terramoto nos últimos anos - sem o estrondo, nem as medidas de emergência que surgem depois das catástrofes... por isso, só espero que deitem mãos à obra e encham de orgulho os poucochinhos lisboetas que, como eu, foram votar pelo acto cívico que assumiram. tenho dito.

p.s. - sim, memorável o chumbo de telmo's pp

pecado capital (2)

a inveja é uma coisa terrível, bem sei. parece até que é um pecado capital, o segundo - mas não sou entendida nessas coisas.
só que ocorreu-me a inveja que eu sentiria de mim, se não tivesse as amigas que tenho.
porque valem pelo que são, diferentes, abertas, positivas, disponíveis, com pontos de vista contrários, numa onda de liberdade que dá segurança.

as boas surpresas nascem daí: dos programas imprevistos, das experiências inesperadas, sem horas marcadas.

sexta-feira

lisboa a votos

domingo pode acontecer alguma coisa por lisboa e pelos cidadãos. as sondagens ajudam a perceber que não haverá maioria absoluta - graças!!! -, muito provavelmente António Costa será o presidente da autarquia, mas também que as candidaturas mais 'pequenas' (não as pequeninas ou invisíveis) podem ajudar a fazer a diferença, quando é preciso uma maioria para trabalhar.
acredito que ajudem a denunciar o que vai mal, quando for mal, ou o propor o que se pode melhorar na cidade pontualmente e com escassos meios, típicos da gestão doméstica. a minha escolha de eleitora anda por aqui - mesmo que vá a banhos. os lisboetas podem (re)voltar por lisboa. escolham também, se for esse o vosso caso. só mesmo inconscientes é que vamos premiar quem deixou a cidade neste estado...
e que (re)viva lisboa!

quinta-feira

gay & lésbico em brincadeiras inocentes

é um dos mais deliciosos posts dos últimos tempos. claro que conhecer o contexto ajuda à ironia da verdade, ou vice-versa. independentemente disso, não deixa de fazer sorrir - bem escasso nos dias que correm...

como não tenho o mesmo 'engenho e arte', limito-me a deixar aqui um mau retrato da montra de uma loja, num bairro tradicional lisboeta.que não seja por falta de 'cereja' no cimo do bolo que os casamentos homossexuais (masculinos) não se realizam...


tal como no tempo da santa inquisição Galileu ,"ao sair do tribunal após sua condenação, disse uma frase célebre: "Eppur si Muove!", ou seja, "contudo, ela se move", referindo-se à Terra".

quarta-feira

Bruna no desafio ao pessimismo

Bruna Lombardi, actriz e escritora brasileira, foi entrevistada no Sol. Bruna foi uma 'musa' em anos que já lá vão. Mas as fotos da revista Tabu mostram uma mulher invejável nos seus 55 anos de vida, com um filho já adulto, e uma cabeça sadia como há poucas. Procurem a revista e leiam o que Bruna diz sem presunção. Descubram como a vida vale pelo caminho e não pelo fim.
Citações avulsas, da entrevista de Vladimiro Nunes:


«As relações, como as amizades, são uma lotaria, uma questão de sorte. E um trabalho também. Nenhuma relação vem pronta. Não existe a mulher ou o homem ideal, nem sei o que isso será. Nunca se trata da busca de uma perfeição, mas de um melhor uso daquilo que a gente tem: o humor, o amor, o jardim, a comida, o tentar não perder o momento. O resto é um dia de cada vez»

"Interesso-me mais pelo processo que pelo resultado. Sou assim em tudo. Quando chega o resultado, já não estou tão interessada naquilo"
"O humano é humano (...) O verdadeiro humano é universal".


"O maior legado que o meu pai me deixou foi um profundo respeito pela liberdade, a minha e a dos outros".

[sobre o companheiro de 30 anos, o actor Carlos Alberto Riccelli]
"A liberdade tem de ser primordial na vida de uma pessoa. Se ele quiser outra mulher, tem de resolver isso e eu não posso prende-lo"

[Perdoava-lhe, se ele se relacionasse com outra mulher?]
"Não tenho de perdoar, tenho de compreender".

[Adere a alguma forma organizada de religião?]
"Não uso esses intermediários. Para mim, é um processo íntimo, mas de grande religiosidade"

"O amor é uma forma de oração. E há a gratidão. Todos os dias agradeço ao Universo. Isso também é uma oração"

terça-feira

so(bre o) real

cada um colecciona a seu modo - selos, artesanato, pintura, bibelôs, letras, sons, imagens ténues e memórias frouxas
ela, com a mania de ser diferente, vagamente solitária, socialmente atípica, colecciona 'desaparecimentos': aquele que deixou de ver, aquela que deixou de sentir, o outro que deixou de viver, aqueloutra que se fez ao largo, mais o outro a que ninguém põe os olhos em cima, e por aí fora.
a este pacote XL de 'desaparecidos' junta-lhe o seu próprio código de barras: sinalizam-na como gente que, a cada receita, indica 'medicamento que faz bem=pessoa descartável' . assim, a colecção dela cresce exponencialmente à custa do rótulo. certo dia, porém, dá-se conta que não vale a pena pensar mais na importância disso tudo, por mais esmerada coleccionadora que se seja. coleccionador vira peça de colecção no lote dos 'desaparecimentos'. e nem adianta falar de saudade. são coisas da vida.

segunda-feira

blue monday...or green or rainbow

dia memorável de surpresas
flores, discos, livros, mensagens, massagens e mil mimos
...não há nada melhor que ter certa gente de presente


domingo

se os dias se reduzissem a pó, seria assim...

o mar continua a ser um digníssimo bálsamo
uma pessoa comunica-te que tem cancro
há sol e calor e, mesmo assim, há quem se embrulhe em lamúrias
alguém que fossilizou desenterra-se por sms
fodes, fodes e gostas.... mesmo se roubas ao sono
há uma criança que morre aos seis meses!
existe o desejo, vive-se o real e, eventualmente, há um 'caminho do meio'
toda a correria do quotidiano alucinado te exaure
a tua pequena paixão conta sete dias
não sabes nada de nada, mas não há desorientação
olhas um país de cócoras com um especulador pretenso mecenas
o tempo some-se no momento mais inoportuno

quase só o tele-entretainment e os soundbites fazem notícias
regressa a nostalgia não-se-sabe-bem-do-quê...


e a única coisa lixada é a impossibilidade de desatarraxar o cérebro

sábado

para pensar



Stop the Clash of Civilizations

sexta-feira

em podendo...como se dizia antigamente


o fim-de-semana chega solarengo e disponível e a gente instala-se nele para limpar a mente, lavar a alma nas águas do mar, e banhar o corpo nos raios de sol.

e os dias que ficaram para trás, com um novo e terno 'amorzinho', a alegria de um concerto inolvidável, o stresse dispensável do trabalho mais o gozo de pessoas luminosas que se conhecem assim, as primeiras saudades dos que me são queridos e os choques vitais que fizeram a tristeza dos amigos,... tudo isso, isso tudo ganhará a dimensão do trivial.
o que importa mesmo é a alegria dos dias que passam por julho, o meu mês das cerejas.

quarta-feira

[arcade fire ao vivo]

irresistível cantar, pular, explodir ...
com amigos à volta e (um)a grande banda em palco.
gostei especialmente da percursionista-teclista-sei-lá-que-mais...



serve como aperitivo?

[quero mais!]

segunda-feira

[little break]

das coisas finitas, fazer amor é a melhor...
porque não se lhe conhecem contra-indicações.