segunda-feira

somos sempre principiantes...

um filme que -dizem alguns - pode ser um dos premiados nos próximos óscares.
chama-se 'beginners' e em português é exibido nos cinemas como "assim é o amor". para mim é um grande filme - não pelo tamanho, nem pela carga dramática, não por estar especialmente bem filmado ou montado, não porque vive de uma espectacular história. é cinema terno, triste, optimista, cosmopolita. o cinema é um bocado da vida, que não é nem apoteótica nem suicidária. 'beginners', de mike mills, está classificado como drama-comédia. por aqui já se vê a indefinição. o que realmente interessa em "beginners" não é a moral da história, mas justamente a falta de moral na vida - nas grandes surpresas ou no início de qualquer coisa.

"when it comes to relationships, we’re all beginners."




sexta-feira

ponham o amor na constituição, gratuito e tendencialmente universal

é condiçao do amor ser
transitório
provisório
ilusório
peremptório
e, ao mesmo tempo, é tudo
fecha o mundo, dá-lhe um sentido que rima com sofrido

se não vivessemos a esperança do amor
definitivo, consumido, competitivo, restritivo
...não seríamos tão profetas de uma miraculosa miragem de felicidade

queria um amor para cada pessoa,
gratuito, talvez fortuito,
na crença de que os dias fossem mais toleráveis e aprazíveis

não sei se o amor é fodido, mas bem que podia ser!

quarta-feira

osculando atitudes

coisas que desgosto... sempre, ás vezes, um poucoxinho grande!... dita-duras, do pensamento, do pré-conceito, estreito e nhurro. falácias ditas com convicção, convicções cruzadas com despautério. e declarações de princípio, como se a plateia estivesse à beira do precípicio, em risco fatal, numa queda certeira, salva apenas pelo amén. e as tristezas várias quando lhes morre a esperança, na fluidez da crença, uma tremura insana, o antes assim. o prejuizo da não-desculpa, o esquecimento d'obrigado, os seres alheios à delicadeza do trato. e os favores, favorzinhos, vá lá, dê um jeitinho. a falta de atenção na repartição, a impaciência militante, o fulgor da inabilidade, o arrojo imaturo, a flacidez das ideias, e aquele gesto tenebroso do assentir com a cabeça, qual inerte cachorro de porcelana. e os pressentimentos tão fortes que vão direitinhos ao que queremos ver acontecer, porque se a realidade não se muda, altera-se a percepção que dela temos e o mundo molda-se como adivinhamos. é tudo tão mais fácil assim! com ultimatos, berros escritos, sussurros cuscuvilheiros e armadilhas rasteiras. e com rezas, de igreja ou de partido, mudam-se os símbolos intocáveis e continuamos carneiros num rebanho. e depois, há ainda a força das matilhas, das manadas, das tribos, um disparate de declarações e confusões, bicos-de-pés e desnorte. chiça! há quem não se enxergue como a poeira num pedaço de areia, nano-nano-dimensional face ao mundo real.

osculando palavras

coisas que gosto de gostar... aquela persistência tonta de não desistir e concretizar, tecnologicamente falando! a mania de não dar valor ao valor que outros dão, porque nada do que é dado é valorizado! a coragem de não ter limites no acreditar que é possível, por mais vozes que se façam ouvir num coro grego trágico, que é cómico sem o saber! a futilidade de não ver o perigo, muito menos medi-lo, pesem as experiências e as hordas de tolos que se levam demasiado a sério, como se o mundo cuidasse de temer fátuos poderes! a vida que golpeia o destino, que sisudo vira alegria, e soma prazeres e deambulações descomprometidas, ora tristes ora alegres, sempre vitais! e os seres de luz, luz parda por vezes, luz branca, luz laranja, ainda assim, luz que não se paga nem tem preço!
o medo é um complemento vazio para o verbo que ninguém sente. ter não é ser.
gracias a la vida, que me ha dado tanto!

domingo

desviadas e flor de lótus

entreabrem-se, matreiros e delicados, até que o desfiladeiro me toma de vertigem. são ténues as vontades racionais, somos infinitamente mais animais que gente - mesmo quando se trata de lábios ou genitais.


nesse instante, digitalmente equilibro-me entre o desejo e a necessidade de mergulhar num mar desconhecido e tortuoso, sem molhe de salvação. sou volvo em vulva.o toque leve dos dedos percorrre suavemente o franzido onde me perco. a cabeça mantém a distância prudente que impedirá a rendição do amor. é o mínimo de decência que meço. não posso apegar-me outra vez.


segundos de compasso sem espera.vejo que não vi um rosa-míscaro como o teu, imagem tão bela, um encantamento de olhar.



soerguo-me ante o despontar, concentrada no risco de asneira que me apetecia verbalizar.


ele, flor de lótus - é? - um anel concêntrico e vermelho pálido, saindo do esconderijo quando respiras ou resfolegas, quando te acaricío levemente. sem odor, dor, cor, nada mais interessa naquela fracção de tempo. quando gemes e me chamas com a crueza dos néscios, sigo na vontade de te fazer vir. percepciono o meu exterior concentrada em ti, como se esse fosse um momento único e superior.



coitados d@s amantes que se enganam com a realidade. e acordam com o desconforto dos equívocos.





[nada é mais frágil que a franqueza com que comungamos os prazeres, pensando que ninguém faz deles a sua própria contabilidade criativa. e não há agências de rating para os afectos. lixo mais que perfeito, diriam elas.]

terça-feira

a esteta

a tótó reclama direitos herdados de um desgoverno prazeiroso, ao mesmo tempo que o governo absolutamente maioritário do país dos chico-espertos VS otários aumenta os passes dos transportes em 25 por cento.
no mesmo cenário cosmopolita, uma bela esteticista, não tão jovem assim, mas artista até ao miolo, contava-me a história que me deixou sem fõlego:
nascida onde a europa e a ásia se juntam-ou-separam, foi primeiro vendida algures no tempo e no espaço e depois massacrada pelo marido luso. desejou ter filhos varões, e alá fez-lhe a vontade. antes assim, senhora, que as mulheres sofrem muito. pedi muito e alá concedeu-me, dois filhos homens queridos, que eduquei e me acarinham. orgulhosa da prole sem vícios, só tem um desejo: conhecer o dubai. de resto nem os filhos querem regressar ao irão natal, nem ela concebe outro país para viver que este nosso. a mulher com nome de ópera fala línguas estranhas: russo, árabe, turco, azeri, casaque, e português homologado pelo exame que fez. todo o seu dia começa sem uma hora de acabar, e quando regressa a casa só tem uma meta: recuperar forças para o dia seguinte. eu gosto de fazer bem o meu trabalho para a senhora sair daqui mais bonita,... ainda mais bonita. ....sim, a língua de camões é muito ardilosa. e ali mesmo no largo do dito, há quem fantasie e quem realize. a escolha afinal é sempre de cada um.

domingo

a dor e os amigos

num dia, há 40 graus para derreter em qualquer lugar. uma marcha de galdérias, um desfile de ciclistas nus, uma festa de gays e lésbicas. milhões de pessoas nas praias ao sol tórrido, transportes colectivos apinhados, carros de família em pára-arranca doloroso. num dia, há notícias que não vemos, nem lemos, nem queremos saber. a noite é do demo, na alegria e na bebedeira, no deve e haver de amor-sei-lá-se-é. num dia, somos felizes. no outro acordamos tristes de um sono leve e agitado, e nada do que possámos pensar nos alívia a dor. e como não há dores perfeitas, há alguém que nos liga 'do outro lado', e alguém que nos liga deste a falar do lado de lá da dor mais profunda. há um sms sem valor, meramente simbólico, a imperfeição dos pêsames, tão humana, descascada de pudor.
é nesse exacto momento que balançamos entre o que temos de menos e o que não teremos nunca mais, um dia. temos sempre de menos o transitório sem perceber o valor do que é incondicional. inventar problemas? eles mesmos entram na nossa vida com a armadura dos sérios e a censura devida aos levianos.
os amigos, dois amigos, tão diferentes e tão iguais, tão desprotegidos e tão fraternos. como compensar as dádivas e o amor incondicional que me dão?
como suspender-lhes a dor e resgatá-los do lugar onde manda o sofrimento?

sábado

(fora) do armário

O armário é um sítio amplo e devidamente naftalizado para que não entrem bichos. Todas as peças se arrumam devidamente num armário confortável. O grande inconveniente dos armários são as portas. De vez em quando, abrem-se! Entra uma brisa de ar fresco, sente-se um fôlego de liberdade. Cá fora, o oxigénio é mais respirável embora propício a focos de infecção. O habitante do armário, experimentando o ar público, teme represálias bacterianas. Mune-se de coragem para se fazer ao mundo; ou volta para dentro enquanto a porta está entreaberta.
Lá dentro, mais cedo do que tarde, sucumbe à assepsia dos armários, quando não à tristeza do isolamento.
Dentro dos armários, fica-se tendencialmente quadrado, como os paralelipípedos que se pisam na rua, o espaço público de todas as identidades. Fora do armário, há correntes de ar, chuvas e coriscos, poeiras e malvadezas várias. Mas também há sol, mar e boa gente. Não é o lusco-fusco dos armários bafientos, mas a vida a cores em todas as dimensões.

Moral da história:
Ninguém é inteiro, enquanto esconde ou contradiz uma parte de si mesm@.
Ninguém consegue iludir-se o tempo todo.
Ninguém é feliz escondendo-se.
Ninguém é feliz sozinho.
Ninguém pode fazer por outrem, aquilo que esse outro recusa.
E se, quem pode, não quer mudar, nada adianta escudar-se em terceiros.

sexta-feira

lua nova

gostar é simples, descomprometido, gostoso, malvado. havia umas escadas que trepamos de mão dada. fomos dar a um sítio escuro e vazio que enchemos com pressa. exteriorizamos a pele, com os trapos para o chão. não estava frio, nem dia, ainda não era verão. não foi brusco, nem suave aquele abraço em que nos mergulhámos. um beijo longo espalhou-se com sofreguidão. humedecemos para lá dos lábios juntos e logo ali me tomaste inteira. tentei não machucar a frágil textura do teu corpo. em cada milímetro da tua pele deslizava o meu desejo. eu não sabia como te tomar. nunca sei. nesse preciso instante, desliguei o complexómetro e entrei em comando remoto. algures afrodite havia de me guiar. tudo o que se passou depois surtiu efeito. suor, músculos, insónia e aconchego. um disparate de fluidos e gestos sem plafond. e cada vez que me lembro de ti, oscilo. entre a ternura da delicada figura e a dimensão do rombo no meu coração.

quinta-feira

saravá

a gente passa a vida a repetir-se
os meus amores-perfeitos são de uma inusitada ética
murcham, arrebitam, sorriem e nunca mais acabam

do amor desastrado, e dos golpes de sorte, aporto num cais
ela entra de mansinho, quero até nunca mais
tenho o escrúpulo do ralenti, jeito de amadora, toque de veludo

sou absolutamente exclusivista, introspectiva, devotada
ninguém mais entende este gostar de alguém
há uma estética parva a atirar para o arco-íris
festejo um dia de chuva e todo o sol escaldante
queimo o cérebro em conjecturas, risco lembranças a traço de lápis

a estética das amantes é antagónica ao que supõem delas
e toda a pressa resulta em precipício
um princípio apenas, para um voo divino
peço proteção aos planetas e aos mares
tudo me revolve as entranhas
mas a alegria é mesmo um destino

sexta-feira

dois anos, cinco meses, uns dias e algumas horas depois.


tudo mudou de forma muda, mais perto do antes, mais perto do que sou.
decisões que custam horrores. horrores decididos sem custo.
a vida dá voltas e encaixa, dois passos adiante, mais perto do mar -
falta tempo para o contemplar.


de resto, se arrependimento matasse a vida era eterna.

domingo

imenso rima com feliz?

as palavras desejadas,
o beijo mais que perfeito,
a multa mais pesada
e um passado imperfeito

na nuca o peso de soco suave,
neurónios em modo hibernado,
preguiça que é entrave,
no dia mais perdulário


há ontens que pesam, e alegram,... e amanhã redentores.

segunda-feira



te valorizo [tiê]

lonely can be sweet [ursula rucker]

domingo



comme un boomerang [serge gainsbourg]
uma semana em que a vida leva uma volta.
nada visível, nada exterior, tanto melhor.

segunda-feira

raispartaisto

há dias em que acordo quase extraordinariamente bem disposta e depois alguém - sempre quis escrever isto... - fode tudo! e por essas e por outras que começo a ficar farta de gente, não só de gentinha, mas de pessoas no geral e de sonsos em particular. sonsos e sonsas, que nisso não há diferenças entre os géneros. parece que tiraram o dia para treinar tiro ao alvo com arco e flecha, na maçã que está em cima da minha cabeça. eu sei que não está lá nenhuma maçã, nem uma auréola santa, apenas algum cabelo. só cá por coisas, se pudesse, cortava a cabeça e lá se iam os tiros. assim, aguenta-se e 'prá frente'... que atrás vem gente. logo, quando esta tortura de sonsice tiver um intervalo, vou tentar adormecer como se mergulhasse no oceano profundo, negro, frio, salgado, ameaçador. sem medos.

clube Safo_uma 2.ª oportunidade

morte anunciada da associação clube safo pode não acontecer, se as mulheres que não desejam esse fim se mobilizarem. há já um grupo animado com esse propósito que tentará, na assembleia-geral marcada para sábado, 26 de março, 14h30, em lisboa, iniciar o relançamento da actividade. há uma declaração de intenções e, para já, basta que sócias e não sócias se expressem.
a mensagem é simples:

Se estiveres disponível contacta-nos no grupo do facebook
“Pessoas que não querem deixar morrer o Clube Safo” https://www.facebook.com/group.php?gid=327740996119&ref=ts ou 965449148 ou para o endereço de e-mail amigascsafo@gmail.com

domingo

visita @ amigas

a riqueza da vida também passa pelos amigos.
há coisas que não se pedem. ou se oferecem ou não.
por exemplo, a amizade, numa forma ou noutra, constante ou singular, longa ou efémera.
há pessoas que não conhecemos, mas que visitamos, e é bom na mesma.
há tempo que isso acontece com o blog alma gémea, que um dia destes escreveu uma coisa provavelmente 'vulgar', simples mas muito bonita:

Um passo de cada vez,
Um alento de cada vez,
Um degrau de cada vez,
Uma palavra de cada vez,
Um dia de cada vez.

quarta-feira

uma das mais belas canções



fade into you [mazzy star]
...dedicatória COMSENTIDO

domingo

segurem-se e enlouqueçam


listen to your love [mona]

sexta-feira



assim, como quem vai ali e volta de alma cheia,... a partir de 19 de março, vive la france!


I don't love anyone [belle & sebastian]

quinta-feira



working class hero [john lennon]

quarta-feira

(penso que) os seres humanos têm de crescer. a violência é um estado primitivo. A discussão permite-nos crescer.” [entrevista ao d.n. - ingrid betancourt, franco-colombiana que passou 2321 sequestrada na selva pelas farc]

terça-feira

a leveza da vida quotidiana não sabe nada do soco que levamos na despedida... [série aforismos caseiros]

domingo



And I Love Her [the beatles]

sexta-feira



ignore-moi (acoustique) [mélanie pain]


travessia [milton nascimento]

quinta-feira

cool



loving strangers [russian red]

terça-feira

hot



te amo [rihanna] ...concerto, em lisboa, em dezembro de 2011

segunda-feira



a culpa [maria gadú e varandistas]

sexta-feira

era o 'segredo' da cultura pop mais bem guardado, até há pouco.
sir elton john disse que vai ser o novo hino lgbt.
senhoras e senhores, eis BORN THIS WAY de lady gaga:


Lady Gaga - Born This Way (Radio Version) by AnimalMon

quinta-feira


altar particular [maria gadú]

quarta-feira



sempre!...

terça-feira


tudo diferente [maria gadú]

... melodia quase perfeita

segunda-feira


always the sun [the stranglers]
22.2.2.2011
um bloco de trauma

sexta-feira


love or leave me (nina simone)... ama-me ou deixa-me

p.s. - maravilhoso este texto do m.v.a. sobre os relacionamentos. indispensável ler.

quinta-feira



todo cambia (mercedes sosa)

domingo


no me importa nada (luz casal)

sábado



...'tô aprendendo a viver sem você. (detonautas)

sexta-feira



fine (clara luzia)


quem sabe isso quer dizer amor (milton nascimento)

quinta-feira

e ao sétimo dia depois do ano velho, declaro-me exausta!
esmagada pelo sono, derrotada pela tristeza, arrasada pelo cansaço geral, submersa pelo mau tempo, porém, infinitamente livre!


entre o sim e o não (simone)

quarta-feira



onde estará o meu amor (chico césar + maria bethânia)

...pode haver beleza na tristeza?

terça-feira


vambora (adriana calcanhoto)

segunda-feira



meu coração ateu (maria bethânia)

domingo


fácil de entender...(the gift)

sexta-feira

um pouco piegas, talvez

lembro-me bem de como foi há um ano. e depois. tudo o que recebi, tudo o que melhorou a vida. estou grata por isso. sem coragem e generosidade, nada seria possível. sem afectos, o ar seria irrespirável. sem compaixão, haveria mais sofrimento. sem alegria, haveria menos sol. estou grata à mãe natureza e aos seres de luz. agradeço ao universo a persistência da vida, em detrimento do negativismo e do desespero. o que não nos mata, torna-nos mais fortes - é bem verdade. sinto enorme gratidão pela capacidade de prosseguir com valores, refém dos afectos que nunca morrem, curiosa pelo presente. salvé 2011!

terça-feira

é isso aí...



Damien Rice - The Blower's Daughter - Official Video

sábado

gostar não basta.
qualquer projecto merece um plano.
e cada plano exige trabalho de concretização.

algumas vezes, não vemos a realidade apenas porque não queremos ver.
um dia o sol mostra-nos que é possível outra vida. basta sermos
rij@s para aguentar a chuva e as tormentas até esse sol nascer.
nem a idade, nem um canudo, nem os laços de sangue justificam juízos insensatos e dor aos outros

ter experiência de vida, conhecimento bibliográfico ou afinidade familiar deveriam, ao invés, tornar-nos mais compassivos e afectuosos

segunda-feira

poucas coisas me danam tanto como aquelas atitudes em que nos tomam por parv@s ou por tans@s ... posso até não ter humor, imaginação, criatividade, esperteza... whatever! mas um pouco de rectidão e decência, essa rara limpeza de alma, ... faço questão de ter.
recuso-me a acatar esse chove-não-molha das relações sem confiança. não, não e não aos rodriguinhos, mistérios, meias verdades-ditas-a-brincar, meias-mentiras-ditas-a-sorrir, como se a convição do que é sério fosse um lançamento de dados...
ainda que fique demasiadas vezes no pelotão dos últimos, com muita dor à mistura, sei, pelo menos, que não tudo ou nada que me for retribuido, pode ser em dobro...
fuck them!


[Bethânia e Calcanhoto - Show 35 anos Depois de ter você]
... questão de crença...
um coração mais duro, mais rijo, garante-nos melhor saúde. é um coração mais seco e mais saudável, certamente.
por outro lado, um coração assim seria mais um na multidão, incólume à dor, à alegria, à emoção.

há, neste mundo, demasiada assepsia! ainda assim, continuamos a precisar de uma boa faxina, como a que antecede os dias festivos.

as revelações do sítio de julian assange estão a fazer tremer o mundo da política & finança.

dizem que o sr. que fez estourar o escandalo wikileaks é o grande inimigo público do século XXI. fabuloso! disseminou-se a informação pela internet e... era o advento de uma nova era, quiça o triunfo do 'mundo livre'...
alguém, alguma vez, em algum lugar sonhou que mesmo assim podia ter tudo sob controlo?

a esta hora, os velhos anarquistas rebolam a rir nas catacumbas.

sexta-feira

produto de marketing, arrivista musical, talento do showbiz, ícone dos tempos modernos, destrambelhada social, ARTISTA e tudo - o que for!... - Lady G sobe ao palco do pavilhão atlântico para um show que nenhum dos presentes vai esquecer.
hereges, comungai!

quinta-feira

muda-se de casa: movem-se os trastes, os vestígios passados, o espaço vivido e vários camiões tir de emoções.
finalmente, quando o novo espaço começa a fazer sentido por si, o cidadão pensa no resto.
por exemplo, actualizar a morada do cartão do cidadão, que tem cinco números da nossa relação com o estado. tudo dentro da lei. qual quê?! informam-me do número verde que é preciso saber onde pára a carta-pin do cartão do cidadão. depois, ir a um balcão, mostrar os dois. a seguir, esperar que enviem um novo pin para casa. finalmente, regressar com ele à loja para só então actualizar o registo de morada. a isto chama-se e-government - o governo digital: pelo menos duas deslocaões físicas para actualizar a morada. simplex!!
e-portugal no seu melhor!

quarta-feira

hugues cuénod foi um tenor suiço, que dizia nunca ter tido uma grande voz (?!). o 'público' faz-lhe o obituário, onde tudo é surpreendente.
o homem foi-se com 108 anos, tendo-se retirado dos palcos quando já tinha 92.
"não é culpa minha, eu não fiz nada por isso! tenho saúde, sou preguiçoso e tenho um querido amigo para cuidar de mim." - dizia.
aos 104 anos casou-se com o companheiro de décadas, 40 anos mais novo - quando a lei suiça passou a autorizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

[há vidas discretamente heróicas]

terça-feira

espreito os blogs da coluna ao lado. um a um, vai demorar dias...
o assumidamente encerrou há poucas semanas. R.I.P.
gravo a frase perfeita para mim:
"Tenho este péssimo hábito de deixar as coisas subsistirem de alguma forma, perfeitamente consciente de que elas morreram, mas teimando continuar a carregá-las às costas já depois de mortas."
é! às vezes, finalmente, desisto.












sábado,11 dez. 18h00
relançamento histórico:
"as novas cartas portuguesas" na livraria leya na barata, lisboa. há textos que nunca passam de moda porque são a nossa vida.
personalidades de inverno são mais complexas – leio no jornal ‘i’, que cita investigadores de uma universidade norte-americana.
pode soar a astrologia, dizem eles, mas não é: é biologia sazonal - o relógio biológico é regulado pela estação de nascimento, pela exposição à luz, pela duração dos dias… isso explicaria haver doentes diagnosticados com sintomas de desordem afectiva sazonal, também conhecida por blues de inverno.

[sim, mesmos os cientistas acabam por dar 'a mão à palmatória', confirmando um saber com milhares de anos.]
ontem voltou o sol, durante um bocadinho. (…)é só um intervalo, mas é muito melhor que nada. (…)assim se aprende a andar, de intervalo em intervalo.
MEC – Público – 07.12.2010

sexta-feira

all the lovers

saltei junho, que teve casamento, marcha, arraial e uma data de coisas sem importância nenhuma...
julho arromba as portas com uma música que não sai da cabeça e vai directamente para o top dos clips [http://www.youtube.com/watch?v=zixQYDeRtzI] que mais me impressionam as retinas...
não sei bem o que se passa, se é do calor, do amor, se é do ar, do mar, respira-se assim:


All The Lovers by kylieminogue

quarta-feira

se tens olhos páras?

como se detecta um amor impossível?
não tem semáforos, nem sinaleiros.
levas o pé ao acelerador como se a via estivesse livre.
mas há sempre um condutor espertalhaço ou imprudente
que não cuida de si nem da vida dos outros.

há sempre alguém que toma o encalço da dianteira
sem imaginar o estampanço fatal dos ferros retorcidos.

podes até ter uma condução desabrida,
a verdade, porém, é que não é isso que te faz louca
apenas permissiva e um pouco mais fantasiosa que o habitual.

as regras, desde que te conheces, são para infringir
sem mal ao alheio e muito menos ao bem-querer.

e se tu o consegues, entre vacilações de eros e tanatos,
insistes que outros devem ter o mesmo equilíbrio,
porque realmente nada morre, a não ser quando decidimos não sentir
e isso, é uma infíma probabilidade e uma infinita oportunidade
de viver.

segunda-feira

tempo de acabar com os armários

promulgada a lei da igualdade no casamento



[artesanato numa loja de Viana do Castelo]

17 de Maio_dia mundial de luta contra a homofobia...

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas
.

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

quinta-feira

la boutique de lolita

garanto que não conhecia, mas cheira mesmo bem...
Lolita Lempicka m'echante... comme toi!

terça-feira

beijar no porto, e em lisboa?

todo o beijo é legítimo

qualquer beijo deve ser bom

beijar nunca é de mais!


quarta-feira

perdoai-lhes, senhor, porque sabem o que fazem

não gosto do papa, nem do país beato.
mas respeito as crenças alheias.
é legitimo esperar que me respeitem a laicidade.
estou farta de ver o papa benedito nos media e por todo o lado.
sei que o pior ainda está para vir: um país falsamente santo a fazer de manso, num maio impiedoso, em devota submissão às cúpulas eclesiásticas.

este papa faz-me lembrar inquisição. mas depois, as manchetes lembram-me que ele também me faz lembrar censura, conivência com a pedofilia e tudo sob o manto diáfano da santíssima hipocrisia.
agora sim: eu fazia bem um intervalo no calendário e emigrava para terras pagãs.
além disso, trabalho nos dias papais! não me faltam motivos para o ateísmo.

banais como os outros



reportagem de Pedro Coelho, emitida na sic

p.s. - o chefe de estado não gostou que o tribunal constitucional não tenha dado razão às suas 'dúvidas' sobre a lei do casamento (entre pessoas do mesmo sexo); o papa vem e vai-se e cavaco silva -diz-se - vetará politicamente o diploma. a lei regressa ao parlamento e voltará a ser aprovada. lá para o pino do verão, com um bocado de sorte, sai a boda...

sexta-feira

... sabor do gesto



Pelo Sabor do Gesto - Zélia Duncan

quinta-feira

ninguém é obrigado a casar, mas pode

podia até não ser comigo.
podia ser um fait-divers.
podia ser uma questão fraturante.
podia ser um campo de batalha.
podia ser um braço de ferro.
podia ser uma crise política.
mas, não, não era a mesma coisa...
o t.c. não leu* inconstitucionalidade no direito ao casamento (entre pessoas do mesmo sexo)


*(11 votos a favor e 2 contra)

terça-feira

tu

digam o que disserem, há coisas que só se encontram na idade.
não há dramas maiores, só a tua rabujice entremeada com a doçura dos olhos verdes
nunca falta aquele toque terno do carinho que partilhamos, nem o dolce fare niente dos dias simples e cheios

digam o que disserem, a idade pesa a relatividade do que é grave ou tolerável, na cadência das cedências que não o são
não há longe nem distância, nem frio que não se aqueça, nem fome inultrapassável, só o tempo arrastado em delongas
e assim, modestas embora, cumprimos os dias sem pressões de amanhãs que - sabemos - não cantarão milagrosamente
o único segredo é mesmo o do sono a esvair-se súbito porque te apetece dançar
ou nos apetece fazer amor, ou apenas sentir os corpos e o cheiro deles, vagarosamente...

segunda-feira

desasadados de todo o mundo, uni-vos

desandei daqui para me encontrar num sítio desconhecido. a busca faz-se apaixonadamente com um roteiro em xarada. sobrevem um medo ténue com o risco de falhar. algo nos diz que cometemos sempre os mesmos erros, com colorações diferentes de negro. de futuro, não sei nada - apenas que no exacto momento em que o usufruo ele se torna presente e logo, logo, passado. não adianta fazer contas de somar nem refinados cálculos de probabilidades. a permanência dos afectos é só uma subtileza de linguagem, e 'todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades'.
alto é o voo e maior ainda a queda, mas se não se descola, onde está o gozo de voar?


p.s. - o t.c. deve pronunciar-se até 8 de abril sobre a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. por que não?



clip via nascidos do mar

terça-feira

explain

[explain] Vídeo por Sarah Blasko - Vídeos do MySpace

sarah blasko, australiana, 33 anos
revelação de sonoras emoções


sábado

ary - homenagem

viviane - projecto "rua da saudade" - coliseu de lx.

terça-feira

twice

eis-me de volta aos planos iniciais.
dois erros.
depois. o conserto.
completamente estúpida a constatação evitável.
corrigem-se rotas mas repetem-se enganos.
faz-se a peregrinação do costume, penosamente.
como diz uma amiga minha, os gémeos puxam em sentidos contrários.
amigo não empata amigo.
se o tal 1% existe, um dia meto-me a caminho...

segunda-feira

evidências

suporto mal a estupidez alheia, mas ainda menos a minha própria

quinta-feira

+ de 30 anos à espera

joan baez_coliseu lx.

domingo

eu, tu e tudo

hoje é diferente. isso basta.
o teu corpo sabe a tudo o que preciso.
o tempo chega para saborear cada instante contigo.
amo-te inteira.
o futuro do passado é este agora.

quarta-feira

também

Quero ficar com você
E é tão fundo
Que eu posso dizer
Que o fim do mundo
Não vai chegar mais

Quero ficar com você
E é a glória do saber querer
Com longa história
Pra frente e pra trás

Não quero que o nosso amor
Seja um buraco no não
Mas sinal na trajetória
Da vida e da canção
Marca de queda e vitória
Na palma da mão
Sombra, memória e porvir do coração

Não deixe que o nosso amor
Seja um corisco no caos
Mas passos da liberdade
Pisando seus degraus
Feito de momentos bons
E de momentos maus
De descobertas, de ventos, velas, naus


[Maria Bethânia - composição de Caetano Veloso]

terça-feira

"em manutenção"



pásion - rodrigo leão ensemble

heaven can wait




charlotte gainsbourg - esta mulher merece um óscar [antichrist]!

domingo

still black

os meses sucedem-se e ela no fio da navalha


segunda-feira

domingo

where the wild things are...



...uma banda sonora encantadora [o sítio das coisas selvagens] - filme (muito pouco) infantil

quinta-feira

RTP - LINHA DA FRENTE [clicar]

S.O.S. - SÓS [reportagem sobre Helena e Teresa, quatro anos depois]

domingo

sapiência

"Não digas tudo o que sabes
Não faças tudo o que podes
Não acredites em tudo o que ouves
Não gastes tudo o que tens


Porque
Quem diz tudo o que sabe,
Quem faz tudo o que pode,
Quem acredita em tudo o que ouve,
Quem gasta tudo o que tem;

Muitas vezes
Diz o que não convém,
Faz o que não deve,
Julga o que não vê,
Gasta o que não pode."


[provérbio árabe]

sexta-feira

casa comum

colecciono sono, desenganos e sentidos únicos. junto diversidade, abertura e franqueza. misturo tudo, em doses medidas de cansaço. pincelo com sol e lua cheia - grande, brilhante, redonda. somo-lhe dois copos de tinto bom e uns shots de fruta tropical. um pouco de fumo e muitas histórias loucas nas vidas dos outros. meto-me num taxi e vou dormir no meu ninho. os filhotes são crescidos e, da ninhada, a mais irresponsável sou eu mesma: não posso fumar e prevarico. esquerd@ sempre foi o meu lado fraco, porque haveria de ser diferente agora?
sorrio ao destino traiçoeiro e comovo-me com pouco. não quero sexo sem nexo, nem nexo sem pretexto. porto-me bem, faço tudo direitinho. consigo resultados e a vida escorre simpática. há sustos que me apanham de repente e atemorizada sacudo as penas. troco salário por mil encargos... nada é meu, só eu.




post scriptum: perguntar sempre como vais? pois se há coisa menos humana é manifestarmos atenção com alguém que só vê o seu mundo e nem se lembra de nos ripostar: 'e essa saúde?' ou 'o trabalho, corre bem?' 'e a família?' ou apenas 'como vai a tua vida?'. não se perde nada, é certo. acontece que o noss@ interlocutor@ pode estar a falar com alguém subitamente milionário, alguém aterrorizad@ pela doença, ou uma alma à beira da redenção...
o remorso do 'nem quero saber', mais tarde ou mais cedo, tilinta-nos na cabeça quando nos encontramos a sós, connosco.

quarta-feira

queer, antes do tempo

Annemarie Schwarzenbach - uma exposição sobre esta mulher andrógina, perturbadora, belissíma, abre no CCB a partir de 22 de fevereiro.
não a conhecia mas depois da S.S. me ter dado dicas sobre ela pelo gmail e mais recentemente pelo facebook, fiquei hipnotizada pela figura! claro que há alturas na nossa vida em que somos mais sensíveis a certas personalidades. e é muito provavelmente o caso. ao ponto de já estar a devorar o 'Morte na Pérsia', um fantástico livro de viagens e dilemas editado pela Tinta da China.
Annemarie Schwarzenbach nasceu em 1908 e morreu aos 34 anos. anjo louco e inconsolável, como nós.



domingo

hereges (2)

ÁGORA, uma história perfeita para feministas, humanistas e crentes de todas as latitudes. maravilhosa personagem aquela que raquel weisz desempenha, Hypatia - uma mulher ateia que procura conquistar o seu lugar na sociedade de Alexandria.
um filme europeu muito bem executado, em que é impossível não sentir o arrepio das turbas, e se percebe que desde sempre houve mulheres que não se recataram no amor e obediência que ele presupõe, e menos ainda aceitaram sucumbir às multidões de crentes acríticos, qual alcateia...


NINE,... uma homenagem ao cinema, dos tempos aúreos da cinecittá. uma coleção de mulheres extraordinariamente belas - ah...a sedutora marion cotillard! - e um Daniel Day-Lewis atormentado e controverso, como eram os realizadores neo-realistas europeus. eis um musical comestível mesmo para quem não aprecia musicais: é uma festa de ritmo, feita de sensibilidade sentida pela arte do cinema.

sábado

hereges




- trailer do documentário sobre feministas

sexta-feira

désormais

não dar crédito a quem alimenta o felino a gourmet
e foge de 'dar uma mão' a alguém caído na rua...

- e... se o haiti fosse aqui?!?!


quinta-feira