AS MULHERES TÊM TODAS UM PONTO DO CORPO, UM RECANTO DA CIDADE, UMA HORA DO DIA, QUE SÃO NELAS COMO QUE UMA PORTA SECRETA, PELA QUAL PODEM SAIR DE SI PRÓPRIAS, DA SUA TIMIDEZ, E PENETRAR EM TODA A ESPÉCIE DE LOUCURAS, GRAVES OU VENIAIS.[Erik Orsenna]
segunda-feira
somos sempre principiantes...
chama-se 'beginners' e em português é exibido nos cinemas como "assim é o amor". para mim é um grande filme - não pelo tamanho, nem pela carga dramática, não por estar especialmente bem filmado ou montado, não porque vive de uma espectacular história. é cinema terno, triste, optimista, cosmopolita. o cinema é um bocado da vida, que não é nem apoteótica nem suicidária. 'beginners', de mike mills, está classificado como drama-comédia. por aqui já se vê a indefinição. o que realmente interessa em "beginners" não é a moral da história, mas justamente a falta de moral na vida - nas grandes surpresas ou no início de qualquer coisa.
"when it comes to relationships, we’re all beginners."
sexta-feira
ponham o amor na constituição, gratuito e tendencialmente universal
transitório
provisório
ilusório
peremptório
e, ao mesmo tempo, é tudo
fecha o mundo, dá-lhe um sentido que rima com sofrido
se não vivessemos a esperança do amor
definitivo, consumido, competitivo, restritivo
...não seríamos tão profetas de uma miraculosa miragem de felicidade
queria um amor para cada pessoa,
gratuito, talvez fortuito,
na crença de que os dias fossem mais toleráveis e aprazíveis
não sei se o amor é fodido, mas bem que podia ser!
quarta-feira
osculando atitudes
osculando palavras
o medo é um complemento vazio para o verbo que ninguém sente. ter não é ser.
gracias a la vida, que me ha dado tanto!
domingo
desviadas e flor de lótus
entreabrem-se, matreiros e delicados, até que o desfiladeiro me toma de vertigem. são ténues as vontades racionais, somos infinitamente mais animais que gente - mesmo quando se trata de lábios ou genitais.
nesse instante, digitalmente equilibro-me entre o desejo e a necessidade de mergulhar num mar desconhecido e tortuoso, sem molhe de salvação. sou volvo em vulva.o toque leve dos dedos percorrre suavemente o franzido onde me perco. a cabeça mantém a distância prudente que impedirá a rendição do amor. é o mínimo de decência que meço. não posso apegar-me outra vez.
ele, flor de lótus - é? - um anel concêntrico e vermelho pálido, saindo do esconderijo quando respiras ou resfolegas, quando te acaricío levemente. sem odor, dor, cor, nada mais interessa naquela fracção de tempo. quando gemes e me chamas com a crueza dos néscios, sigo na vontade de te fazer vir. percepciono o meu exterior concentrada em ti, como se esse fosse um momento único e superior.
coitados d@s amantes que se enganam com a realidade. e acordam com o desconforto dos equívocos.
[nada é mais frágil que a franqueza com que comungamos os prazeres, pensando que ninguém faz deles a sua própria contabilidade criativa. e não há agências de rating para os afectos. lixo mais que perfeito, diriam elas.]
quinta-feira
terça-feira
a esteta
no mesmo cenário cosmopolita, uma bela esteticista, não tão jovem assim, mas artista até ao miolo, contava-me a história que me deixou sem fõlego:
nascida onde a europa e a ásia se juntam-ou-separam, foi primeiro vendida algures no tempo e no espaço e depois massacrada pelo marido luso. desejou ter filhos varões, e alá fez-lhe a vontade. antes assim, senhora, que as mulheres sofrem muito. pedi muito e alá concedeu-me, dois filhos homens queridos, que eduquei e me acarinham. orgulhosa da prole sem vícios, só tem um desejo: conhecer o dubai. de resto nem os filhos querem regressar ao irão natal, nem ela concebe outro país para viver que este nosso. a mulher com nome de ópera fala línguas estranhas: russo, árabe, turco, azeri, casaque, e português homologado pelo exame que fez. todo o seu dia começa sem uma hora de acabar, e quando regressa a casa só tem uma meta: recuperar forças para o dia seguinte. eu gosto de fazer bem o meu trabalho para a senhora sair daqui mais bonita,... ainda mais bonita. ....sim, a língua de camões é muito ardilosa. e ali mesmo no largo do dito, há quem fantasie e quem realize. a escolha afinal é sempre de cada um.
domingo
a dor e os amigos
é nesse exacto momento que balançamos entre o que temos de menos e o que não teremos nunca mais, um dia. temos sempre de menos o transitório sem perceber o valor do que é incondicional. inventar problemas? eles mesmos entram na nossa vida com a armadura dos sérios e a censura devida aos levianos.
os amigos, dois amigos, tão diferentes e tão iguais, tão desprotegidos e tão fraternos. como compensar as dádivas e o amor incondicional que me dão?
como suspender-lhes a dor e resgatá-los do lugar onde manda o sofrimento?
sábado
(fora) do armário
Lá dentro, mais cedo do que tarde, sucumbe à assepsia dos armários, quando não à tristeza do isolamento.
Dentro dos armários, fica-se tendencialmente quadrado, como os paralelipípedos que se pisam na rua, o espaço público de todas as identidades. Fora do armário, há correntes de ar, chuvas e coriscos, poeiras e malvadezas várias. Mas também há sol, mar e boa gente. Não é o lusco-fusco dos armários bafientos, mas a vida a cores em todas as dimensões.
Moral da história:
Ninguém é inteiro, enquanto esconde ou contradiz uma parte de si mesm@.
Ninguém consegue iludir-se o tempo todo.
Ninguém é feliz escondendo-se.
Ninguém é feliz sozinho.
Ninguém pode fazer por outrem, aquilo que esse outro recusa.
E se, quem pode, não quer mudar, nada adianta escudar-se em terceiros.
sexta-feira
lua nova
quinta-feira
saravá
os meus amores-perfeitos são de uma inusitada ética
murcham, arrebitam, sorriem e nunca mais acabam
do amor desastrado, e dos golpes de sorte, aporto num cais
ela entra de mansinho, quero até nunca mais
tenho o escrúpulo do ralenti, jeito de amadora, toque de veludo
sou absolutamente exclusivista, introspectiva, devotada
ninguém mais entende este gostar de alguém
há uma estética parva a atirar para o arco-íris
festejo um dia de chuva e todo o sol escaldante
queimo o cérebro em conjecturas, risco lembranças a traço de lápis
a estética das amantes é antagónica ao que supõem delas
e toda a pressa resulta em precipício
um princípio apenas, para um voo divino
peço proteção aos planetas e aos mares
tudo me revolve as entranhas
mas a alegria é mesmo um destino
sexta-feira
decisões que custam horrores. horrores decididos sem custo.
a vida dá voltas e encaixa, dois passos adiante, mais perto do mar - falta tempo para o contemplar.
domingo
imenso rima com feliz?
o beijo mais que perfeito,
a multa mais pesada
e um passado imperfeito
na nuca o peso de soco suave,
neurónios em modo hibernado,
preguiça que é entrave,
no dia mais perdulário
há ontens que pesam, e alegram,... e amanhã redentores.
segunda-feira
segunda-feira
raispartaisto
clube Safo_uma 2.ª oportunidade
a mensagem é simples:
Se estiveres disponível contacta-nos no grupo do facebook
“Pessoas que não querem deixar morrer o Clube Safo” https://www.facebook.com/group.php?gid=327740996119&ref=ts ou 965449148 ou para o endereço de e-mail amigascsafo@gmail.com
domingo
visita @ amigas
há coisas que não se pedem. ou se oferecem ou não.
por exemplo, a amizade, numa forma ou noutra, constante ou singular, longa ou efémera.
há pessoas que não conhecemos, mas que visitamos, e é bom na mesma.
há tempo que isso acontece com o blog alma gémea, que um dia destes escreveu uma coisa provavelmente 'vulgar', simples mas muito bonita:
Um passo de cada vez,
Um alento de cada vez,
Um degrau de cada vez,
Uma palavra de cada vez,
Um dia de cada vez.
quarta-feira
domingo
sexta-feira
quinta-feira
quarta-feira
terça-feira
domingo
sexta-feira
quinta-feira
terça-feira
segunda-feira
sexta-feira
sir elton john disse que vai ser o novo hino lgbt.
senhoras e senhores, eis BORN THIS WAY de lady gaga:
Lady Gaga - Born This Way (Radio Version) by AnimalMon
quinta-feira
quarta-feira
terça-feira
segunda-feira
sexta-feira
love or leave me (nina simone)... ama-me ou deixa-me
p.s. - maravilhoso este texto do m.v.a. sobre os relacionamentos. indispensável ler.
quinta-feira
domingo
sábado
sexta-feira
quinta-feira
terça-feira
segunda-feira
domingo
sexta-feira
um pouco piegas, talvez
terça-feira
segunda-feira
sábado
qualquer projecto merece um plano.
e cada plano exige trabalho de concretização.
algumas vezes, não vemos a realidade apenas porque não queremos ver.
um dia o sol mostra-nos que é possível outra vida. basta sermos rij@s para aguentar a chuva e as tormentas até esse sol nascer.
segunda-feira
recuso-me a acatar esse chove-não-molha das relações sem confiança. não, não e não aos rodriguinhos, mistérios, meias verdades-ditas-a-brincar, meias-mentiras-ditas-a-sorrir, como se a convição do que é sério fosse um lançamento de dados...
ainda que fique demasiadas vezes no pelotão dos últimos, com muita dor à mistura, sei, pelo menos, que não tudo ou nada que me for retribuido, pode ser em dobro...
fuck them!
por outro lado, um coração assim seria mais um na multidão, incólume à dor, à alegria, à emoção.
há, neste mundo, demasiada assepsia! ainda assim, continuamos a precisar de uma boa faxina, como a que antecede os dias festivos.
dizem que o sr. que fez estourar o escandalo wikileaks é o grande inimigo público do século XXI. fabuloso! disseminou-se a informação pela internet e... era o advento de uma nova era, quiça o triunfo do 'mundo livre'...
alguém, alguma vez, em algum lugar sonhou que mesmo assim podia ter tudo sob controlo?
a esta hora, os velhos anarquistas rebolam a rir nas catacumbas.
sexta-feira
quinta-feira
finalmente, quando o novo espaço começa a fazer sentido por si, o cidadão pensa no resto.
por exemplo, actualizar a morada do cartão do cidadão, que tem cinco números da nossa relação com o estado. tudo dentro da lei. qual quê?! informam-me do número verde que é preciso saber onde pára a carta-pin do cartão do cidadão. depois, ir a um balcão, mostrar os dois. a seguir, esperar que enviem um novo pin para casa. finalmente, regressar com ele à loja para só então actualizar o registo de morada. a isto chama-se e-government - o governo digital: pelo menos duas deslocaões físicas para actualizar a morada. simplex!!
e-portugal no seu melhor!
quarta-feira
hugues cuénod foi um tenor suiço, que dizia nunca ter tido uma grande voz (?!). o 'público' faz-lhe o obituário, onde tudo é surpreendente. o homem foi-se com 108 anos, tendo-se retirado dos palcos quando já tinha 92.
"não é culpa minha, eu não fiz nada por isso! tenho saúde, sou preguiçoso e tenho um querido amigo para cuidar de mim." - dizia.
aos 104 anos casou-se com o companheiro de décadas, 40 anos mais novo - quando a lei suiça passou a autorizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
[há vidas discretamente heróicas]
terça-feira
o assumidamente encerrou há poucas semanas. R.I.P.
gravo a frase perfeita para mim:
"Tenho este péssimo hábito de deixar as coisas subsistirem de alguma forma, perfeitamente consciente de que elas morreram, mas teimando continuar a carregá-las às costas já depois de mortas."
é! às vezes, finalmente, desisto.
pode soar a astrologia, dizem eles, mas não é: é biologia sazonal - o relógio biológico é regulado pela estação de nascimento, pela exposição à luz, pela duração dos dias… isso explicaria haver doentes diagnosticados com sintomas de desordem afectiva sazonal, também conhecida por blues de inverno.
[sim, mesmos os cientistas acabam por dar 'a mão à palmatória', confirmando um saber com milhares de anos.]
sexta-feira
all the lovers
julho arromba as portas com uma música que não sai da cabeça e vai directamente para o top dos clips [http://www.youtube.com/watch?v=zixQYDeRtzI] que mais me impressionam as retinas...
não sei bem o que se passa, se é do calor, do amor, se é do ar, do mar, respira-se assim:
All The Lovers by kylieminogue
quarta-feira
se tens olhos páras?
não tem semáforos, nem sinaleiros.
levas o pé ao acelerador como se a via estivesse livre.
mas há sempre um condutor espertalhaço ou imprudente
que não cuida de si nem da vida dos outros.
há sempre alguém que toma o encalço da dianteira
sem imaginar o estampanço fatal dos ferros retorcidos.
podes até ter uma condução desabrida,
a verdade, porém, é que não é isso que te faz louca
apenas permissiva e um pouco mais fantasiosa que o habitual.
as regras, desde que te conheces, são para infringir
sem mal ao alheio e muito menos ao bem-querer.
e se tu o consegues, entre vacilações de eros e tanatos,
insistes que outros devem ter o mesmo equilíbrio,
porque realmente nada morre, a não ser quando decidimos não sentir
e isso, é uma infíma probabilidade e uma infinita oportunidade
de viver.
segunda-feira
17 de Maio_dia mundial de luta contra a homofobia...
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
[Sophia de Mello Breyner Andresen]
quinta-feira
terça-feira
quarta-feira
perdoai-lhes, senhor, porque sabem o que fazem
mas respeito as crenças alheias.
é legitimo esperar que me respeitem a laicidade.
estou farta de ver o papa benedito nos media e por todo o lado.
sei que o pior ainda está para vir: um país falsamente santo a fazer de manso, num maio impiedoso, em devota submissão às cúpulas eclesiásticas.
este papa faz-me lembrar inquisição. mas depois, as manchetes lembram-me que ele também me faz lembrar censura, conivência com a pedofilia e tudo sob o manto diáfano da santíssima hipocrisia.
agora sim: eu fazia bem um intervalo no calendário e emigrava para terras pagãs.
além disso, trabalho nos dias papais! não me faltam motivos para o ateísmo.
banais como os outros
reportagem de Pedro Coelho, emitida na sic
p.s. - o chefe de estado não gostou que o tribunal constitucional não tenha dado razão às suas 'dúvidas' sobre a lei do casamento (entre pessoas do mesmo sexo); o papa vem e vai-se e cavaco silva -diz-se - vetará politicamente o diploma. a lei regressa ao parlamento e voltará a ser aprovada. lá para o pino do verão, com um bocado de sorte, sai a boda...
sexta-feira
quinta-feira
ninguém é obrigado a casar, mas pode
podia ser um fait-divers.
podia ser uma questão fraturante.
podia ser um campo de batalha.
podia ser um braço de ferro.
podia ser uma crise política.
mas, não, não era a mesma coisa...
o t.c. não leu* inconstitucionalidade no direito ao casamento (entre pessoas do mesmo sexo)
*(11 votos a favor e 2 contra)
terça-feira
tu
não há dramas maiores, só a tua rabujice entremeada com a doçura dos olhos verdes
nunca falta aquele toque terno do carinho que partilhamos, nem o dolce fare niente dos dias simples e cheios
digam o que disserem, a idade pesa a relatividade do que é grave ou tolerável, na cadência das cedências que não o são
não há longe nem distância, nem frio que não se aqueça, nem fome inultrapassável, só o tempo arrastado em delongas
e assim, modestas embora, cumprimos os dias sem pressões de amanhãs que - sabemos - não cantarão milagrosamente
o único segredo é mesmo o do sono a esvair-se súbito porque te apetece dançar
ou nos apetece fazer amor, ou apenas sentir os corpos e o cheiro deles, vagarosamente...
segunda-feira
desasadados de todo o mundo, uni-vos
alto é o voo e maior ainda a queda, mas se não se descola, onde está o gozo de voar?
p.s. - o t.c. deve pronunciar-se até 8 de abril sobre a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. por que não?
clip via nascidos do mar
terça-feira
explain
sarah blasko, australiana, 33 anos
revelação de sonoras emoções
sábado
terça-feira
twice
dois erros.
depois. o conserto.
completamente estúpida a constatação evitável.
corrigem-se rotas mas repetem-se enganos.
faz-se a peregrinação do costume, penosamente.
como diz uma amiga minha, os gémeos puxam em sentidos contrários.
amigo não empata amigo.
se o tal 1% existe, um dia meto-me a caminho...
segunda-feira
quinta-feira
domingo
eu, tu e tudo
o teu corpo sabe a tudo o que preciso.
o tempo chega para saborear cada instante contigo.
amo-te inteira.
o futuro do passado é este agora.
quarta-feira
também
E é tão fundo
Que eu posso dizer
Que o fim do mundo
Não vai chegar mais
Quero ficar com você
E é a glória do saber querer
Com longa história
Pra frente e pra trás
Não quero que o nosso amor
Seja um buraco no não
Mas sinal na trajetória
Da vida e da canção
Marca de queda e vitória
Na palma da mão
Sombra, memória e porvir do coração
Não deixe que o nosso amor
Seja um corisco no caos
Mas passos da liberdade
Pisando seus degraus
Feito de momentos bons
E de momentos maus
De descobertas, de ventos, velas, naus
[Maria Bethânia - composição de Caetano Veloso]
terça-feira
domingo
segunda-feira
domingo
where the wild things are...
...uma banda sonora encantadora [o sítio das coisas selvagens] - filme (muito pouco) infantil
domingo
sapiência
Não faças tudo o que podes
Não acredites em tudo o que ouves
Não gastes tudo o que tens
Porque
Quem diz tudo o que sabe,
Quem faz tudo o que pode,
Quem acredita em tudo o que ouve,
Quem gasta tudo o que tem;
Muitas vezes
Diz o que não convém,
Faz o que não deve,
Julga o que não vê,
Gasta o que não pode."
[provérbio árabe]
sexta-feira
casa comum
sorrio ao destino traiçoeiro e comovo-me com pouco. não quero sexo sem nexo, nem nexo sem pretexto. porto-me bem, faço tudo direitinho. consigo resultados e a vida escorre simpática. há sustos que me apanham de repente e atemorizada sacudo as penas. troco salário por mil encargos... nada é meu, só eu.
post scriptum: perguntar sempre como vais? pois se há coisa menos humana é manifestarmos atenção com alguém que só vê o seu mundo e nem se lembra de nos ripostar: 'e essa saúde?' ou 'o trabalho, corre bem?' 'e a família?' ou apenas 'como vai a tua vida?'. não se perde nada, é certo. acontece que o noss@ interlocutor@ pode estar a falar com alguém subitamente milionário, alguém aterrorizad@ pela doença, ou uma alma à beira da redenção...
o remorso do 'nem quero saber', mais tarde ou mais cedo, tilinta-nos na cabeça quando nos encontramos a sós, connosco.
quarta-feira
queer, antes do tempo
Annemarie Schwarzenbach - uma exposição sobre esta mulher andrógina, perturbadora, belissíma, abre no CCB a partir de 22 de fevereiro. não a conhecia mas depois da S.S. me ter dado dicas sobre ela pelo gmail e mais recentemente pelo facebook, fiquei hipnotizada pela figura! claro que há alturas na nossa vida em que somos mais sensíveis a certas personalidades. e é muito provavelmente o caso. ao ponto de já estar a devorar o 'Morte na Pérsia', um fantástico livro de viagens e dilemas editado pela Tinta da China.
Annemarie Schwarzenbach nasceu em 1908 e morreu aos 34 anos. anjo louco e inconsolável, como nós.
segunda-feira
domingo
hereges (2)
um filme europeu muito bem executado, em que é impossível não sentir o arrepio das turbas, e se percebe que desde sempre houve mulheres que não se recataram no amor e obediência que ele presupõe, e menos ainda aceitaram sucumbir às multidões de crentes acríticos, qual alcateia...
NINE,... uma homenagem ao cinema, dos tempos aúreos da cinecittá. uma coleção de mulheres extraordinariamente belas - ah...a sedutora marion cotillard! - e um Daniel Day-Lewis atormentado e controverso, como eram os realizadores neo-realistas europeus. eis um musical comestível mesmo para quem não aprecia musicais: é uma festa de ritmo, feita de sensibilidade sentida pela arte do cinema.
sábado
sexta-feira
désormais
e foge de 'dar uma mão' a alguém caído na rua...
- e... se o haiti fosse aqui?!?!




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