sexta-feira

'tais bem para o Taj Mahal

o que fazem quatro ou cinco mulheres numa noite de chuva?
coisa de mulheres: soltam conversa, riem, bebem, recordam, comem, discutem - uma memória comum, levemente apagada, por vezes púdica, por vezes escandalosa, muita 'joie de vivre' - exercitam o sentido crítico.
Ah! e fazem projectos para os próximos vinte anos.

quarta-feira

água e desigualdade


há sítios onde se faz muito bom jornalismo, sendo o conceito de bom ou mau subjectivo.

no El País, por exemplo ou na sua revista de domingo EP[S] - aí encontro algumas das mais interessantes entrevistas, perfis, reportagens...
além disso, o El País fala-me de coisas que por cá, mesmo os jornais 'de referência', ignoram ou reportam com atraso ou sem 'alma': como vivem os transexuais, as aventuras dos expatriados, ou "
O milagre da água", na revista El País, de 19/3/2006 .
O milagre da água antecipa o Dia Mundial da água que hoje passa e é uma reportagem sobre a Etiópia, "banhada pelo Nilo, onde 62% da população não tem acesso à água. Milhões de mulheres gastam cinco horas por dia para a ir buscar, ainda que seja insalubre e perigosa. A falta de infraestruturas condena à pobreza, à doença e à incultura muitas delas. (...) Parir no caminho não é o único perigo. As hienas estão por perto.(...) A distância da água agrava os problemas de desigualdade de género."

terça-feira

o choro

choro. choro muito. por tudo e por nada. completamente a despropósito. quando me rio com vontade. porque um filme me comove. com uma música que me afunda. quando a natureza se impõe. porque um gesto de ternura me desarma. porque estou triste. porque recordo. quando tenho saudades. numa situação em que percebo ser completamente impotente e indiferente. quando vejo corpos depois de massacres. ou áfrica paupérrima aparece nos telejornais, meninos órfãos vagueando, armas em mãos de adolescentes-soldados. quando as mulheres choram os filhos perdidos, no meio de uma 'tragédia natural' - um tremor de terra, a devastação da guerra - com os gritos dos que sobrevivem a um tufão ou ao pânico de um tsunami.
choro de raiva. sou traida pelo choro. choro muito. consolo-me a pensar que, pelo menos, não encho a vista com poeira. choro muito menos do que já chorei. às vezes, choro em silêncio, baixinho, segurando as lágrimas, ficando quase sem ver: cruzo-me na rua com uma mulher que chora, traz na mão um exame de ressonância magnética e todo o seu choro é desespero condenado.

hoje



La Primavera
1573
Giuseppe Arcimboldo













Primavera
Botticelli


segunda-feira

bin Laden


... qual deles justifica melhor que tenhámos medo?

[Wafa Yaslam ou Osama]

sábado

uma boa ideia (...)

A Holanda acaba de criar uma espécie de 'prova de admissão' para novos emigrantes, como relata o El País. Começa com a exibição de um filme sobre a sociedade holandesa, que inclui cenas de um casamento gay e mulheres a banharem-se nuas, entre outras cenas; consta também de um questionário com 100 perguntas sobre cultura do país e noções básicas de língua holandesa, para os candidatos.
À partida, parece-me uma ideia excelente: nínguém irá viver para a Holanda 'ao engano' e a abertura de espírito da sociedade passa a ser comungada pelos novos habitantes.

Mas tudo tem dois lados.
E se um país fechado e ditactorial ou particularmente misógino e chauvinista, impusesse o mesmo tipo de provas? Ninguém quereria ir viver para um país onde se sentisse assim 'mal tratado'.
Pergunto-me, por isso, até que ponto não ficaríamos todos a perder com esse segregacionismo, se fosse instituido entre povos e países.

sem vergonha

Um ex-jornalista, depois assessor de um Presidente da República (Jorge Sampaio)acha que agora, como ex-assessor, tem de ir direitinho para conselheiro de Imprensa de uma embaixada portuguesa... Porque o que não faria sentido era ser caixa num supermercado ou trabalhar na construção civil, percebem?
Coisas
destas só podem envergonhar-nos.

sexta-feira

sente-se


há almoços excelentes que são metáforas das relações entre as pessoas: boa conversa, vista espectacular e um frio cortante.

quinta-feira

...

"a minha vida, a mais verdadeira, é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique" - CL dixit

se assim não fosse,
escreveria sobre os meus amores,
os níveis de ambição
e a minha relação com a auto-estima.

embora, desses temas eu saiba apenas o básico,
muito básico mesmo:
tudo o que amo, se amo, porque amo, deixo ir...

e mesmo que o tempo passe,
não deixo de amar. infortúnio, eu sei.

confesso


... gosto muito delas.
Ok., sou suspeita!

... e aposto que haverá mais ingressos.


(sabiam que o linho também dá flor? afinal não são só bordados, nem rendas, nem lavores...)

quarta-feira

dia ganho

... é quando a pessoa mais improvável te diz "obrigada! gosto muito de ti", e a verdade manda que retribuas - mesmo que tudo tenha partido duma acção tua que a apanhou positivamente de surpresa.

porque sim

Daqui a alguns dias, talvez emigre - perdão, imigrei...
Mas o mais certo é nunca abandonar a casa-mãe.
Nós, os que nascemos sob este signo lunar, somos assim.
E tem estado lua cheia, não sei se já deram por isso.
Virá daí uma certa falta de paciência para o desperdício - de conversa, de comida, de tempo, de trabalho... ?
Pensando melhor, acho que não. Detesto mesmo o desperdício.
Quando for uma pessoa grande quero ser respigadora - colectar o que sobra desta sociedade de abundância e fazer um enorme ferro-velho, cheio de trastes e quinquilharias, coisas inúteis e supérfulas ao consumismo.
Eu sei... a respingar assim, feitio de velha rabujenta não me falta.

domingo

a primavera


Gosto muito dela. E, pelos sinais, a prima vera chegou. O Governo está contentinho com o seu primeiro aniversário. O Benfica dá ânimo ao povo e surpreendentes alegrias aos adeptos. O sol está aí e não me desmente.

Eu gosto muito de fazer redacções - de preferência pequeninas, não daquelas que me fazem ter vontade de fugir para uma sala de cinema num dia tão lindo. É o que vou fazer agora.


P.S. - "Prime - Terapia do Amor" (com Uma Thurman e Meryl Streep) é leve e divertido, como aquela gargalhada que se solta inadvertidamente quando alguém nos fala das coisas mais importantes da vida.

ontem...

fez dois anos sobre os atentados de Madrid.
subitamente dezenas de pessoas não chegaram ao destino.
o terror explodiu aqui tão perto.

a presidente do Chile, Michele Bachelet, foi empossada.
o que terá passado pela cabeça daquela mulher nesse instante?
perdoar o que está para trás?
cumprir a promessa de estar com as pessoas. fazer diferente, e melhor.

num auditório cheio e bem sentado em poltronas confortáveis, o primeiro-ministro de Portugal anunciou medidas sociais para os velhos e os novos - mais creches, lares, investimentos,...

[...só me ocorre que amanhã é bem capaz de ser Valparaíso]

sábado

sobreviver

é uma infelicidade sob controlo ultrapassar os 40 mil caracteres de transcrição pura, enquanto as horas se esvaem.
sentir o chão fugir-te é apenas detalhe.
não há determinismo no cansaço, acredita.

dúvida de existência

acontece. um rosto, primeiro. um sorriso, um olhar.
depois a imagem que não sai da cabeça. quase obsessão. instala-se lentamente e toma conta de tudo o que fazemos. olha-se o infinito e a imagem está lá. olha-se o próximo e a imagem impõe-se: o rosto, o sorriso, o olhar.
é o formato da paranóia ou da paixão?

o tempo confirma. querer tudo, não ter nada. é quando se sente o alçapão que ameaça tragar-nos. os sonhos tornam-se mais turbulentos, os dias inquietos. temos medo do que as palavras deixam escapar. há o risco sério de auto-traição, como se fosse possível um hara-kiri de afectos.
e a imagem sempre lá. subitamente ou não tanto, surge o corpo: é preciso saber tudo sobre. a obsessão cresce e a vida sente-se terminal. nada nos sacia a distância.
o poeta dizia: "é urgente o amor".
como se sobrevive a esse naufrágio emocional?

[valem-nos as perguntas retóricas]

sexta-feira

recomendável


tentavam prolongar a ilusão de que o vício de um outro corpo é incurável.
...
sabes? daqui a vinte anos vamos continuar a viver nesta guerra. alguma vez conseguiste separar o amor do combate? alguma vez foste capaz de amar sem te ferires?

[Romance fotográfico metade texto e metade fotografia, com uma imagem a negro e vermelho em cada página, o livro analisa as emoções dum casal que se separa de vez, sem apelo... e volta a reunir-se, e separar-se, e reunir-se. É uma reflexão sobre a inevitabilidade da vida em estado de guerra, e sobre o amor nas entrelinhas das batalhas.]

quinta-feira

declaro que...

não fui convidada para o jantar do Palácio da Ajuda (estão lá 2000 bocas...!) e não reporto, comento ou ignoro a entronização republicana de Cavaco Silva.
.
.
.
"Dão-nos um lírio e um canivete/e uma alma para ir à escola/mais um letreiro que promete/raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário/que tem a forma de uma cidade/mais um relógio e um calendário/onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim/para dar corda à nossa ausência/Dão-nos um prémio de ser assim/sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu/para tirarmos o retrato/Dão-nos bilhetes para o céu/levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos/com as cabeleiras das avós/para jamais nos parecermos/connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história/da nossa historia sem enredo/e não nos soa na memória/outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados/que adormecemos no seu ombro/somos vazios despovoados/de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho/e um pacote de tabaco/dão-nos um pente e um espelho/pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça/e uma cabeça presa à cintura/para que o corpo não pareça/a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro/com embutidos de diamante/para organizar já o enterro/do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal/um avião e um violino/mas não nos dão o animal/que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão/com carimbo no passaporte/por isso a nossa dimensão/não é a vida, nem é a morte"


'Queixa das almas jovens censuradas' - Natália Correia

[um dos poemas que ,de vez em quando,sabe-se lá porquê, tenho imperativamente de ler e reler, até...]

quarta-feira

vómito

é o que se chama 'um dia em cheio':
começa com um braço-de-ferro verbal sem qualquer interesse; ameniza com um e-mail bem-disposto, de alguém de quem gostas muito; passam pelos teus olhos as misérias do 'fingir que se faz' com muito empenho e convicção; alguém que te conhece bem, e estimas, faz-te ver o quanto és transparente em demasia; seguem-se mais umas horas com oo pessoal a enrolar, enrolar, fazer-que-faz, e tu à espera da intervenção superior do chico-esperto; tinhas a ideia de que podias ir celebrar qualquer coisa, logo à noite, num sítio interessante e bonito, com amigos que não vês há muitos anos - mas, como sabes, nem mesmo as agendas electrónicas mais sofisticadas lembram os seus proprietários daquilo que não lhes interessa; tu, que nunca confiaste muito na tecnologia, sabes que ela não resolve problemas, só os cria...

afinal, Maria, qual é o teu lugar e o que queres fazer da vida?...

contradições reais


"Género salarial
As mulheres britânicas são as que mais sofrem com a diferença salarial homem mulher em todo a União europeia, segundo um estudo do Governo de Tony Blair. As mulheres que trabalham a tempo inteiro ganham até 17% menos que os homens na mesma situação. No estudo descobre-se que muitas mulheres com crianças a seu cargo são forçadas a trabalhar a tempo parcial em funções para as quais estão sobrequalificadas."
-revista Pública, nº510, 5.março.006 pág. 73

"Los hombres cobran de media un 40% más que las mujeres em Espana
Cada ano, 380 000 trabajadoras dejan su empleo por razones familiares frente a 14 500 varones. Los hombres ganan un 40,6% más que las mujeres em Espana. La vantaja salarial masculina se regista en todas las ocupaciones, según un estudio elaborado por el Instituto Nacional de Estadística. Ni siquiera la formacion blinda a las mujeres contra la discriminacion salarial."
- El País, pág. 35, 3.marzo.2006

"Estudo do Centre for Economic Policy Research conclui
Mulheres portuguesas têm um salário 20% inferior aos homens
As diferenças salariais entre homens e mulheres em Portugal estão longe dos níveis norte-americano e britânico mas, ainda assim, chegam a um quinto da remuneração. Os casos mais graves acontecem nos trabalhos com baixas exigências de qualificação".
- Semanário Económico, nº 998, pág.45, 24.fevereiro.006

agenda

Stop violence against women
se melhores ideias não houver, podemos começar por aqui ou

questionar o mito da inevitável maternidade

descriminalizar o direito a decidir sobre o seu corpo
acabar com a discriminação com base religiosa, pelos ayatolah, talibãs e demais fundamentalistas

eliminar as práticas de
excisão



terça-feira

todas diferentes no mesmo barco

tal como eva, também não preciso de um dia 8 de março para que me lembre que houve tempos em que não podíamos sequer dar um passo sem autorização expressa do pai ou do marido, e isso era não só legitimado socialmente, como era legal, e por aí fora.....
mas não tenho nada, absolutamente nada!, contra existir um dia internacional da mulher que me recorde o simbolismo desse 8/3/1857 e, sobretudo, me faça pensar que ainda hoje - e o que é pior, amanhã também - milhões de mulheres por todo o mundo, incluindo países ricos e supostamente democráticos, continuam a não poder dar um passo sem autorização do pai ou do marido, e sobre elas pesa uma quantidade imensa de segregações e discriminações que, só de pensar nisso, me envergonho na condição de ser humano.
tenham paciência!
olhem para vós próprias, ou para amigas, ou conhecidas, no dia-a-dia, no local de trabalho, nos transportes públicos, nas ruas:
quem trabalha mais horas, incluindo em casa?
quem é mais mal pago?
quem, tendo estudado mais e tendo mais competências, é inexplicavelmente preterido?

quem, desdobrando-se em múltiplas tarefas e funções, tem de estar sempre a fazer escolhas - sempre a fazer escolhas, já pensaram nisso? - a preterir A para ter B?
quem é alvo de preconceito e de explicações piadéticas (tipo: se a mulher não casa, fica "encalhada" - ao passo que se um homem não casa, é "bon vivant"; se a mulher está irritada, está com a "lua" - mas se for um homem, o mais certo é ser stress, excesso de trabalho, etc.)
abolimos o dia internacional da mulher porque o nosso primeiro-ministro, tão vanguardista nas causas!, concedeu ter duas ministras?!

porque já não está em vigor nem a constituição nem o código civil salazaristas?
ou, porque nos mais variados sectores de actividade, há um número absolutamente irrelevante de mulheres em lugares de decisão, apesar de estudarem mais, serem melhores profissionais e terem até a capacidade de, a cada solicitação, esticarem as 24 horas do dia?
há paridade no tratamento? há respeito igual? há meritocracia?



PMR*


Pode-se pensar dele o que se quiser, mas não lhe falta capacidade de iniciativa. (Re)inventou o Amo.te.
Arrisca e petisca.

Lança hoje a LOVE.E-MAG, uma revista on-line sobre novas tendências, quinzenal e gratuita, por subscrição através de www.lovee-mag.com [Messages From The Heart]
Como de costume, faz coisas bonitas e - porque não? - vanguardistas.

*Pedro Miguel Ramos, apresentador de tv, fã de moda, comunicador, esteta e marketeer.

segunda-feira

...melhor filme*, vai para...


um dos meus filmes.

felizmente disponível...
no circuito de aluguer,
em reposição no cinema,
por aí...

(*votação pessoalíssima)

domingo

a importância da boa disposição

D. perguntou-lhe: "Há quantos anos vocês estão juntos?"
Ela riu-se da pergunta e aconselhou:"Vai perguntar ao teu pai."
Ele foi. E regressou com a resposta (22) e com a justificação que ele próprio desencantou:"Já sei!...E é porque vocês riem-se das mesmas coisas."

sábado

a vida nos eixos



vou finalmente poder arruma-la...
corri 'seca e meca' à procura de solução. encontrei a possível, não a que idealizara.
pergunto-me como pode um objecto tão insignificante ordenar o meu quotidiano...
vou passar as próximas horas a pô-lo em dia.

[há anos e anos que não vivo sem ela... já foi pequena, de bolso, oferta de merchandising; foi de secretária, capa dura, cheia de mapas e moradas; depois foi pessoalizada, em dossiê de argolas; passou a filofax pequeno e preto, depois castanho Ballenciaga, permanecendo assim anos e anos, até que cresceu em elegância para o tamanho A5, num carinho que me fizeram.
chegaram os moleskines, práticos com o elástico, capa dura e a textura do papel... maneirinhos, como convém.
2006 trouxe-me a ideia peregrina de que uma página por dia seria preferível para tantas anotações. o moleskine ganhou espessura e perdeu utilidade. confesso: preciso de arrumar a vida à semana e há afazeres que ficam pendurados para a seguinte. comecei o ano com mais espaço para escrever e nenhum sentido de orientação. o engano ia sendo fatal. a minha vida ficou à mercê de traições da memória]

e assim, a partir de hoje, vou poder alinhavar a semana numa minimalista agenda de bolso portuguesa. que me sirva de lição!...

sexta-feira

Malato

só falo dele porque, ao vaguear por blogs, dei algures com um mea culpa sobre ele que reza assim: "a partir de agora vou evitar embarcar em implicâncias com gente que não conheço pessoalmente, a menos que tenham posições públicas descaradamente preconceituosas. Sim, sim, deveria morder a língua no que toca ao Malato".
Lembrei-me do que tinha lido por aí, em apreciações sumárias e insinuantes sobre o José Carlos Malato, enquanto apresentador de um concurso da RTP chamado A Herança. Achei estapafúrdias as bocas, como se fosse ele o responsável pelo programa! E, conhecendo o círculo de onde saiam esses comentários - que agora seria trabalhoso localizar - tudo me soava ainda mais estranho... de tão preconceituoso. Chega agora a emenda. Antes assim.
O Malato é um tipo de cultura vasta, sempre foi um trabalhador, é uma pessoa divertida, com grande sentido de humor e auto-ironia, profundamente humano. É um grande profissional da comunicação. Não somos amigos, só fomos colegas. Mas as pessoas conhecem-se no dia-a-dia, pelo que fazem, pela forma como se comportam, pensam e sentem, muito mais do que delas vemos ou ouvimos dizer.
O Malato é uma das melhores pessoas que conheço. Merece a boa sorte que tem.

relativizar a violência

a violência é condenável. alguma pode até ser compreensível... mas quase toda é evitável.

não há crimes sofríveis, nem barbaridades toleráveis.

mas nem toda a violência é igual.
há a que é extraordinariamente desproporcional, pelos meios empregues sobre outrém,
uma violência desprezível, indizível, inqualificável, ignóbil.
acontece todos os dias, e não gera os empenhados debates justificados por outros crimes.
acontece, por exemplo, sobre crianças, crianças quase bébés, bebés mesmo.
não é violência feita de medo psicológico, de falta de amor, ou carências de alimento ou cuidado sanitário - é feita disso tudo e de uma bestialidade inexplicável, que nos deve envergonhar e revoltar!

[tem de revoltar-nos! não é tudo a mesma coisa.]

quinta-feira

snobisme

é gostar de revistas - e sucumbir à tentação de comprar, quando os temas de capa convencem.
esta é uma das melhores. confio tanto na edição que a revista vem ter a casa todos os meses. e consegue surpreender-me. este mês com um dossier sobre todos os ângulos d'a autoridade em crise - onde cabe mesmo o artigo "Eloge de la transgression - Les transgressions progressent et l'absence de toute limite favorise le retour de l'autoritarisme. Mais c'est souvent en brisant les tabous que l'on fait avancer l'humanité".

pois!, os franceses são snobs mas atrevem-se a pensar.

no que dá, não saber biologia

porque é que nós, humanos, por exemplo,... não hibernamos?

[seria assim tão disparatado?...também andamos em manadas, somos mamíferos, omnívoros e primatas, seguimos os focos de luz,_ _ _ _ _ etc.]

quarta-feira

o segredo do negócio


depois de, há uns anos, ter havido uma onda de personagens com variadas deficiências(?), a indústria cinematográfica descobriu, mais recentemente, o filão dos filmes sobre a identidade de género. é uma moda.
como moda, a noite dos óscares reflectirá isso mesmo - desde logo, com "O segredo de Brokeback Mountain". nos cinemas portugueses passam ainda "Capote" e "Transamerica", depois de "Odete", e antes de chegar o novo de Neil Jordan, "Breakfast on Pluto" (na imagem).

pergunto se a estas vagas de exibição cinematográfica corresponde maior respeito/aceitação da diferença?

os segredos sufocam...


... é o que me ocorre dizer a propósito de O Segredo de Brokeback Mountain.

Ah! ...e as paisagens do Wyoming são de cortar a respiração. Justificam qualquer viagem.

terça-feira

antónio lobo antunes (2)

"As crónicas. É evidente que, como desenhos à margem dos livros, elas acabam por conter tudo."
"As crónicas são textos muito mais imediatos, são escritas muito depressa, sem qualquer ideia ou plano preconcebidos. Vem a primeira palavra e são as próprias palavras que se engendram umas às outras."
"Não acredito no êxito porque é efémero, só acredito no trabalho persistente e humilde."
"Os bons escritores são pessoas que não mentem no seu trabalho."
"Quando falamos de mau gosto, estamos normalmente a falar em relação àquilo que achamos que é o bom-gosto. Sempre me confundiu que houvesse árbitros de elegância e de bom-gosto."
"Não é muito difícil, se formos atentos, penetrar na intimidade de outras pessoas..."

antónio lobo antunes (1)

não sou propriamente uma grande fã de antónio lobo antunes. nem sei se merece o nobel... fiquei-me pelos seus primeiros livros: 'memória de elefante, 'os cus de judas' e pouco mais. espreito-lhe as crónicas, que publica há anos, e uma ou outra entrevista, quando parece fazer sentido... - como à Visão, a 23 Fevereiro 2006, entrevistado por sara belo luís a propósito do Terceiro Livro de Crónicas.
confesso: gosto muito de crónicas.

segunda-feira

dias com mais de 24 horas

...num fim de semana com dois dias.

não sei se é assim com eles, mas algumas mulheres conseguem esticar um fim de semana ao ponto de meterem nele quase tudo: horas de aulas, trabalho para adiantar em casa, compras inevitáveis, pequenos compromissos, confeccionar refeições, tratar de roupas, fazer arrumações, um pouco de cinema, leituras avulsas, e até as pequenas crises familiares.
sobreviver a um fim de semana assim, onde até choveu copiosamente todo o sábado, é... memorável!

[mas é claro que não há super-mulheres]

sexta-feira

meu instinto básico...

...é ver os outros felizes.
e, apesar da desconfiança metódica a que voto as loiras (!), amigos e amigas:
esta loira está de volta (Basic Instinct 2)!
catherine tramell faz regressar ms. sharon stone no esplendor dos seus quarentas e muitos, e sem o canastrão do michael douglas.

juro que não dei pelo erro

juro que não é do fim de semana estar aí... e prever-se complicado e trabalhoso.
juro que não é do inverno nem do frio, nem de olhar à volta e ver tanto esforço inglório e tanta 'balda' premiada.

há dias em que saímos para o trabalho a pensar na história fascinante que vamos desencantar e regressamos a casa ainda mais desencantadas - a pensar que, nalgum momento, algures num passado impreciso, errámos!... pois se o guião era o mesmo, tal como os ingredientes etc. e tal, o desfecho da história não podia ser mais oposto.

Ilona



o fenómeno,inusitado, começou em março de 2005 com "un monde parfait" e já vendeu milhões de discos.
Ilona Mitrecey é a adolescente real por trás da bonequinha animada em 3D - que encanta e enerva, crianças e adultos - nos clips musicais franceses. Ilona já tem dvd com os clips reunidos e em outubro de 2006 será espectáculo musical.

quinta-feira

ler o Segredo...



O livro de Annie Proulx, que deu origem ao filme O Segredo de Brokeback Mountain, acaba de ser editado em Portugal.

Ingrid





Ingrid Betancourt, senadora e ex-candidata à Presidência da Colômbia pelo Partido Verde Oxygeno. Faz hoje 4 anos (!) que foi sequestrada juntamente com Clara Rojas, pela guerrilha das FARC..
Esquecer os sequestrados é condená-los.

quarta-feira

viva o hiperrealismo!


Mother and Baby (2001)"is the most unflinchingly affectionate portrait of childbirth you'll probably ever see" - diz a crítica
Ron Mueck (nasc.1958), australiano, ex-construtor de brinquedos, expõe em Paris.

o gesto é (quase) tudo?

nada como 'testar' o que sabemos sobre gestualidade e expressão corporal

os mitos da igualdade de género


é este o tema de capa da Newsweek-Europe desta semana.
o pressuposto é naturalmente americano: "Esqueça os mitos da igualdade de oportunidades. As mulheres europeias conseguem ter um emprego - mas não uma carreira"
mesmo assim, vale a pena uma leitura atenta

terça-feira

na ordem sff

tem razão o paulo baldaia. e para que se metam os jornalistas na ordem, faça-se como nas outras Ordens: exija-se-lhes uma licenciatura e provas profissionais; a seguir, de preferência, que (os jornalistas) sejam tornados profissionais liberais.
depois, com os jornalistas já na ordem - uns, porque outros serão 'chumbados' na admissão - criem-se os conselhos de especialidade: os jornalistas de economia, os de política, os de desporto, os da cultura, etc. ... ou então, os dos copos, os especiais de corrida, os portistas, os ex-assessores, os amigos dos amigos d...
mas não é tudo o mesmo?!

0845 124 PINK*

começam a circular na próxima sexta-feira, segundo noticia a imprensa internacional, os taxis cor-de-rosa. taxis apenas para mulheres e menores de doze anos: garantem segurança e paz de espírito aos passageiros.
para já, os primeiros 15 pink ladies só vão circular em Londres, mas as empreendedoras admitem espalhar o conceito através de franchising.

* nº de telefone para chamar um pink cab

faz sentido?

... no Ocidente - o da tolerância, da liberdade, do direito à opinião - alguém ser condenado à cadeia por escrever um livro em que nega o Holocausto?
David Irving, escritor e historiador britânico, eventualmente um grande mentiroso ou um perfeito louco, foi condenado por um tribunal de Viena a três anos de cadeia por defender aquela tese.

[felizmente, no meio de tanto debate sobre a liberdade de expressão, os cartoons e a alegada necessidade de uma ordem dos jornalistas, há quem pergunte: faz sentido?]

segunda-feira

inovação é...


ter ideias destas.
renova red - o mais recente lançamento da marca portuguesa.
depois do papel higiénico preto, a renova inova outra vez.
quem mais se lembraria de dar este uso ao "vermelho paixão"?

domingo

'cotas' & quotas no jornalismo

um post no glória fácil, lamentando a ausência de homens em reportagem no parlamento e sugerindo quotas de géneros no jornalismo, reforça a oportunidade da leitura atenta de um estudo global, noticiado esta semana:
"Quem faz as notícias" - projecto de monitorização dos media,envolvendo 76 países e, em Portugal, realizado pelo Instituto de Estudos Jornalísticos da Universidade de Coimbra.Aí se revela que há, cada vez mais, mulheres jornalistas, mas há poucas mulheres nas notícias.
Partindo do princípio de que ser notícia não é linearmente positivo, o "elas" não serem notícia até podia não ser má notícia...
Mas a investigadora portuguesa responsável pelo estudo, Maria João Silveirinha, justifica: "os editores, na sua maioria homens, é que têm poder para decidir a agenda e não as mulheres"; "os homens são sobretudo chamados ao lugar de comentadores e as mulheres a dar a sua própria experiência, a vox populi" (...)"As notícias são uma janela para o mundo, mas este projecto mostra que não é bem assim. As mulheres são invisíveis neste mundo. Há cinco notícias de homens para uma de mulheres, quando mais de 50% da população mundial são mulheres".

Voltemos às quotas: jph sugere e f. contrapõe/questiona se se trata de "cotas".
Ambos têm razão: seria interessante analisar porque é que as redacções estão a perder a experiência e a memória dos "cotas" e a quem isso interessa; e poderia ser interessante ensaiar "quotas" nos media para facilitar a paridade de géneros.
Como os bons exemplos devem vir do topo, que tal começar-se pelos cargos de direcção?

concidadãos da Net

quem sabe, sabe.
e para sabermos um pouco mais sobre 'isto' da blogolândia, nasceu em França uma revista dedicada. agora só falta assinar NETIZEN: será possível? e quanto tempo irá durar ela?

sábado

nascimento de um gigante

le nouvel obs (na capa, uma das belas filhas de Ravi Shankar)traz esta semana um 'especial' com quase tudo o que ignoramos sobre a India.

fascínio intemporal

O Taj Mahal é, porventura, o grande símbolo de um (outro) país que me fascina: a India, o segundo mais populoso do mundo, o quarto maior PIB e, ao que dizem, mais de 300 milhões de "ricos" - mais que toda a União Europeia.
E o Ocidente que continua tão (pre)ocupado com o desenvolvimento económico da China...

sexta-feira

o Chile vale a pena...



... por outras (todas as) razões.

Llama looking thoughtful on shores of Lago Chungara, northern Chile
(Photographer: Chris Beall)
All images © Lonely Planet Images

paridade é...

"O Governo de Michelle Bachelet, que toma posse a 11 de Março, será composto por dez mulheres e dez homens. A nova Presidente «cumpriu a sua promessa de paridade», constata La Nacón. Para o Ministério da Defesa - posto que ela própria ocupou - escolheu Viviane Blanlot; a pasta da Economia foi entregue a Ingrid Antonijevich."

[in Courrier Internacional - Ed. portuguesa nº46, 17.Fev.2006
"CHILE - O que Bachelet aprendeu na RDA", por Roberto Ampuero]

...elas e eles correrem os mesmos riscos de 'asneirar'.Isso, sim, é paridade.

quinta-feira

a rusga

confesso que apreciei a rusga de ontem da PJ, juizes e procuradores, ao entrarem de rompante pelo jornal 24 horas: os jornalistas portugueses tornaram-se mais importantes.

anseio pelo dia em que uma equipa de igual gabarito entre, de rompante, pela reunião do Conselho de Ministros adentro, para investigar, por exemplo, a legitimidade do parque de viaturas ou os cartões de crédito, arrebanhando para investigação os portáteis com que o governo foi equipado...

ou o momento em que outra equipa irrompa pela reunião do conselho de administração da PT ou do "board" da Sonae, para tirar a limpo os investimentos de cada um dos grupos, levando, para inquirir, os "cérebros" das empresas, os seus palm tops, telemóveis e demais tecnologia

aguardo também a ocasião em que o ministro Freitas do Amaral e o embaixador do Irão em Lisboa são interrompidos num pequeno almoço de trabalho, quando os agentes, juizes e procuradores resolvem dar ordem aos empregados de mesa do hotel: "nínguém toca mais num prato", e toca de levar as agendas electrónicas dos ditos políticos...

então sim, a coisa fica séria. não sei é se se acabam as fugas de informação...

[mas não vale incluir almoços de árbitros com dirigentes desportivos, condutores prevaricadores à conversa com agentes da BT, reuniões de autarcas com construtores civis, and so on...]

quarta-feira

humor negro

amante, muito doente, em casa.
telefonar-lhe, a perguntar se se aguenta
ou se já se pode enviar as flores.

desnorte

uma tal josefa w. enviou-me um email a avisar:
"My Friend, You are in Trouble"
que devo pensar?
alguém sabe onde fica Trouble?

terça-feira

o amor é...

... fodido.

[sic MEC]

sonhos e lembranças (fim)

agenda do dia:
inventariar os amores passados (!)
analisar a situação presente (!)
fazer projectos para o futuro (!)

os resultados não serão sempre... inconclusivos?

sonhos e lembranças

... é disso que se pode fazer um dia de são valentim.
não pela santidade da data mas pelo enamoramento.

[adenda: o amor capitalista pós-moderno]

segunda-feira

(des)blogueador(a) de afectos

uma das razões é poder escrever, sem que me paguem.
usar todas as palavras inventadas e outras tantas, como explicou o jph.
mas, quem se mete nisto, não sabe no que se mete.
[pergunto se não terá chegado o tempo de recolher.]

junta-se curiosidade, um pouco de raciocínio e alguma intuição.
descobrem-se sítios privados de conhecidos
num mundo com muito poucos limites...
e também há momentos felizes - como reencontrar pessoas amigas.
[obrigada, MM]

sinais esquivos

nunca entenderei as lágrimas furtivas, como as respostas furtivas.
umas, porque sublinham a emoção,
outras, porque furticam a inteligência

[furticar - v. tr., Minho, furtar aos poucos]

toda a nudez... sem pudor, sem pecado

encontrar num jornal uma ideia original ou, pelo menos, diferente, que dá uma boa história, não é muito comum.
acontece hoje na secção cidades do dê éne, à página 31
"a mulher que retrata sem pecado toda a íntima nudez maternal"

domingo

always the sun

How many times have you woken up and prayed for the rain?
How many times have you seen the papers apportion the blame?
Who gets to say, who gets the work and gets to play?
I was always told at school, everybody should get the same

How many times have you been told, if you don't ask you don't get?
How many liars have taken your money, your mother said you shouldn't bet?
And who has the fun, is it always the man with the gun?
Someone must have told him, if you work too hard you can sweat

There's always the sun
There's always the sun
Always, always, always the sun

How many times have the weathermen told you stories that made you laugh?You know it's not unlike the politician and the leaders
When they do things by half
And who gets the job, of pushing the knob
That sort of responsibility you draw straws for, if you're mad enough

There's always the sun
There's always the sun
Always, always, always the sun


- The Stranglers, 1986

[a privação gera descompensação...
J. resgatou-a da net, porque ela não me sai da cabeça.
M. comentou que é uma música do meu tempo(!?).
D. admite que é gira.]

máquina zero

Por ser sobre a Guerra do Golfo - recordo bem a investida 'cirúrgica' -e por ser do realizador Sam Mendes, que fez "Beleza Americana", concedi ver "Jarhead - máquina zero". É, de facto, um filme sobre o fim da inocência face à guerra e sobre os tempos de espera dos seus obreiros, quando a guerra deixa de ser 'convencional'.
Lá se diz que "as guerras são todas iguais e são todas diferentes". Confesso o meu preconceito em relação à guerra, a quem a faz, a quem vive da sua plausibilidade.
Mesmo quando 'limpas', as guerras são todas cruéis e patéticas.

sábado

ao acaso...

... dei com a pequena que tem um blog com uma das frases mais engraçadas: "Les femmes qui veulent être les égales des hommes manquent sérieusement d'ambition."

país relativo

"País engravatado todo o ano
e a assoar-se na gravata por engano.[...]
País do cibinho mastigado
devagarinho.[...]
País do eufemismo, à morte dia a dia
pergunta mesureiro: - Como vai a vida?[...]
Nhurro país que nunca se desdiz.[...]
A Santa Paciência, país, a tua padroeira
já perde a paciência à nossa cabeceira."


[Alexandre O'Neill, 1965]

país em inho

"Não é possível suportar tanta água benta
tantos infernos tantos paraísos
tanta alma a salvar-se. Não é possível
tanto salvador vestido de absoluto.
Neste país do pouco. Neste país do muito. […]

Não é possível suportar tanta ideia cinzenta
tanto bolor de caserna e de convento
lajes lírios lágrimas. E os círios.
Tanto 1º de Novembro e tanto Império.
Neste país tão sério. Neste país tão sério.. […]

E já não posso suportar tanta doença
tanta cebola a fazer de flor tanta mezinha
tanta Zita Santa Zita tanto rito
tanto guisado e catecismo. Tantas coisas em inho.
Neste país quietinho (...)"


[Manuel Alegre,1981]

país

"Oh, minha senhora!... dê lá um jeitinho,
é só para facilitar.
se der um jeitinho, a gente desenrasca(-se)
...temos de facilitar."

Depois deste monólogo-dialogado, lembrei-me do país em inho relativo.

sexta-feira

d(r)ama vip

uma das minhas máximas é que...
a realidade ultrapassa (sempre) a ficção
por mim, já não precisava de provas.
quem as quiser, veja o crime, em lux, no correio da manha

[ascensões fulgurantes, fragilidades não assumidas e a realidade brutal
... para quê ficcionar?]

quinta-feira

como na vida

o sentido gregário das pessoas ganha uma dimensão muito interessante na blogosfera.
blogs assumidamente de gays e de lésbicas linkam-se e comentam-se, concedendo dialogar com simpatizantes da causa; outros, do mesmo universo mas nada militantes, não linkam os primeiros, embora o inverso aconteça; blogs de jornalistas e comentadores (a grande instituição da sociedade do espectáculo) linkam-se e comentam-se, mutuamente; linkam-se blogs de amigos e amigas e recebe-se uma atençãozinha. é um universo quase circular com conjuntos que se intersectam. o ser humano é mesmo um animal gregário.

[eu só sou exibicionista, não tenho amigos/amigas bloguistas e tenho imenso tempo livre]

podia ser pior...


"um terço das mulheres tem dificuldade em atingir o orgasmo"

[aprende-se na escola:
a televisão mostra, mas a imprensa explica]

quarta-feira

última hora!!!

"um estudo exaustivo revela TUDO sobre a sexualidade das mulheres portuguesas."
- Jornal da Noite, sic, na SIC.

[finalmente!]

5 manias

graçinha requisitou conhecer cinco manias minhas...
tarefa ingrata, pois se elas são tantas - como escolher só cinco?!

pensar nos outros, antes de pensar em mim
meditar, prós e contras, antes de tomar decisões
dizer sempre o que penso
emocionar-me por "dá cá aquela palha"
pensar que anda posso surpreender(-me)

(sniff!! estarão as respostas à altura do desafio?)

terça-feira

um homem in continente


quem é o homem mais rico de Portugal?
quem é? quem é?
e o mais esperto?
quem é?
quem é?

... e, então, Belmiro Mendes de Azevedo foi às compras.

segunda-feira

malandragens

"só peço a Deus um pouco de malandragem,
pois sou criança e não conheço a verdade,
eu sou poeta e não aprendi a amar,
eu sou poeta e não aprendi a amar
- quem sabe, eu 'inda sou uma garotinha..."

ironias de cássia eller (espreitar-ouvir aqui).

1. objecto de culto



... o samovar.
nunca lhe toquei, mas sei reconhece-lo,graças a Gorki e Dostoievski.

[vai um chá?]

uma mãe aprende que...

os filhos estão sempre* à frente,
não adianta contrariar a realidade
- quando factos já são factos .
o melhor é passar à fase seguinte:
desconstruir o problema,
evitar a ansiedade

*a dimensão do sempre é difícil de determinar

[ilustração de William-Adolphe Bouguereau, aqui]

domingo

em Roma, sê romano


com mais dúvidas sobre as virtudes da religião que certezas sobre a inevitabilidade de Deus, vivo entre um ateísmo estrutural e um agnosticismo intermitente. não entendo, por isso, que a publicação da caricatura de uma figura religiosa de outra 'geografia cultural' possa alimentar tanta polémica. não há, nisso, seguramente nada de racional.

que uma ocidental coloque um véu ou não use minisaia, quando está num país muçulmano com um protocolo do vestuário próprio, é perfeitamente compreensível. que não se faça uma caricatura de Maomé num país que lhe professa a fé, é natural. mas generalizar preceitos de uma religião ao mundo inteiro não tem qualquer sentido.
ainda assim, qualquer acto que possa ser sentido como provocação por uma comunidade, deveria ser sempre ponderado, mesmo sob liberdade de imprensa. em vez de passarmos o tempo a tentar resolver problemas, porque não evitá-los?
[na religião, nunca há bons ou maus simplisticamente identificados.]

das caricaturas...

há assuntos, já o disse, sobre os quais não tenho opinião formada,
e há polémicas que simplesmente não me interessam o suficiente.
mesmo assim, se pensar um pouco, quase nada me é indiferente.

o caso das caricaturas publicadas há uns meses na Dinamarca e replicadas noutros media, de vários países, com as manifestações de indignação posteriores pelo mundo islâmico, é dos tais assuntos sobre os quais preferia não ter que me pronunciar, no sentido em que acho que bem se podia ter evitado tanta trapalhada e confusão... mas, perante factos, o melhor mesmo é reflectir no assunto.

Friedman, Betty


(1921-2006/02/04)
American feminist writer, psychologist and social researcher. Her 1963 Feminine Mystique, which exposed the desparate position of housewives in 1950s USA who had achieved the “American Dream”, and were imprisoned in their automated suburban homes with little to do but visit the hairdresser in order to look her best when hubby came home, marked the beginning of the women's movement in the U.S.. (daqui)

Dizia ela, agora: "A mulher conquistou seu lugar na sociedade e deve, agora, unir-se aos homens contra a crise económica que afeta a ambos. O inimigo não é o homem e sim um sistema económico injusto, que explora igualmente os dois sexos e os joga um contra o outro."

sinais da idade

o segundo filme do neo-londrino W.Allen, com a sua nova musa, Ms. Scarlett Johansson está a caminho (parece que se chamará "Scoop").
visto "Match Point" - bem feitinho, gente bonita, enredo engraçado, tiques à Woody Allen mais para o fim - dão-me as saudades de Annie Hall, Manhatan ou Zelig - e este é um filme tão actual...

sexta-feira

desobediência civil

.


sobre o pedido de casamento de duas lésbicas portuguesas e o alegado conflito entre o que diz o Código Civil e a Constituição da República.
ocorre-me um caso: Rosa Parks (1913-2005), a mulher que há 50 anos recusou entregar o seu lugar no autocarro a um um cidadão 'branco'.
o episódio também foi mediático. as coisas começaram a mudar.
às vezes, tem de ser assim.

sobre o euromilhões...

"...e aqui, em são pedro de rates, os animos estão, cada vez mais,... em suspenso!". [repórter da TVI esta manhã]

bom motivo para não jogar: o que diriam depois do meu ânimo?

quinta-feira

The heart is a lonely hunter


soubesse eu pôr música nisto e agora escutava-se 'a love song for Bobby Long'.
John Travolta, comovedor;
Scarlett Johansson, magnética;
New Orleans em fundo.


[sim, estou a 'ressacar' do trabalho]

mudança de visual...



acabou-se a rosácea pintura...
umas vezes fica melhor,
outras,... fica só diferente.

quarta-feira

procura-se

...

porque não falo da condecoração...

...de Bill Gates, atribuída pelo Estado português, através de Jorge Sampaio?

por pudor... e porque o Sr. PR não tem feito outra coisa, nos últimos tempos.


já agora, Gates foi já condecorado por George Bush (pai) e pela Rainha de Inglaterra. Lá está...

[nota: fotos dos posts anteriores disponibilizadas pelo site da Microsoft]