quarta-feira

belo cenário, grande noite

2 de outubro, 23h30, lx. instituto superior de agronomia, lesboaparty 3ºaniversário

... a perfeita despedida do verão

terça-feira

a noite é o reverso do sol

a nasa vai estudar o sol. meta: saber de que forma o sol influencia as nossas vidas. infelizmente, a nave não é tripulada. [notícia i]

sexta-feira

'-)



ramones - baby, I love you

quarta-feira

:(



patti smith's - because the night

sábado

.. .. ..

« eras a parte boa da minha vida.
sem ti não há sol, 40 graus não se sentem no corpo, caminhar sem rumo não doi, mesmo sob o sol impiedoso. não vale a pena fugir para a sala de cinema, não há mar que me acalme. não há vontade de escrever, arrumar, olhar.

não há fome, nem sono. nunca. não há futuro algum, nenhum presente. não há sequer vaguear. não há sentidos. só há dor grande e sem fundo.
sempre disse que não há mundos perfeitos. nunca houve. agora não há nada de bom - só o que sinto, sem ser a troco da tua felicidade maior.
podíamos ir para lá dos pirinéus, podíamos ficar a resmungar diferenças. esperam por nós a escócia, florença, nova iorque. valeria sempre a pena. valia a pena ter cometido os erros que cometi, as ingenuidades todas, a perda nos afectos mais viscerais. não tinha importância a penúria da vida, a falta de escrúpulos, as chatices diárias. eu sabia que tu me acarinhavas. e completavas com a tua raiva e a tua fé as coisas mais baixas que acontecem. passou a paixão, é certo. passa sempre, sabias? comecei a desculpar tudo, mesmo as irracionalidades mais básicas, as birras mais infantis: todas as coisas que não são realmente importantes. pesava mais o que sobrava de bom. o optimismo pesa sempre mais quando o caminho se faz acompanhada. pessoas como nós têm obrigação de construir. ninguém é feliz a destruir, mesmo que se muna de argumentos lógicos. ninguém dá na medida exacta do que recebe, sei disso.

eu sei das letras e tu mostras-me as cores em todas as pautas. e assim faz sentido. para mim, nenhum conta-quilómetros me cansa se me levarem longe contigo, até ti. e perco-lhes a conta, não me importo. agora, simplesmente, não há momentos felizes para mim. e para ti?
és a (parte boa da) minha vida. ainda és? »

segunda-feira

um intervalo no zen

"bate com o murro no balcão: vai ver que és melhor e mais depressa atendida!"
recebi o conselho e passei à prática. comecei a negociar com o fornecedor de telemóvel, depois com o serviço de net+tv, e por aí fora. nalgumas coisas, há que "dar tempo ao tempo", noutras é melhor pôr logo tudo "em pratos limpos". um murro na mesa pode ser um método socialmente profilático. essa é que é essa! a mesa (ou o balcão) não se queixa, a gente sai do marasmo do tolo, e ninguém se aleija. bem hajas, m***, pelo conselho :-)

é todo um programa para a semana


gelado de bolo de coco*.
a fidelidade numa colherada.
sem remorsos, nem complicações.
espera por nós no fresquinho.
deixa-se comer. e pede mais.
fazemos a (nossa) vontade.
deguste-se o coco.
moderadamente doce.
suave e refrescante.
a fidelidade numa colherada.
sem pecado.
simples.

[*pingo doce]

sábado

economia de escala

poupar nas chatices, nos gastos, nas preocupações, no tempo. não poupar, também. nunca poupar no riso, no beijo, no ar livre, no sexo, nos abraços envolventes.

quinta-feira

cientificidades

cientistas, gosto muito de cientistas. são o sal do noticiário. tão depressa confirmam evidências, como elaboram as teses mais recambolescas. nos jornais sabe-se que dá muito jeito ter um cientista à mão. como aqueles que agora descobriram que, quem fuma, fá-lo mais ou menos em função da cor do maço de tabaco. contra factos?!
fumo porque gosto. melhor seria não gostar.
outros cientistas arranjam bons pretextos: muito mais de dois terços (76,5%) do que pagamos pelo tabaco são impostos.
contra factos, os argumentos esfumam-se...


ps - o humor, mesmo fraquinho, é um bom antídoto para a tristeza. e não faz mal à saúde, nem paga imposto.

quarta-feira

de_ver VER



...e ir aqui

[dirt estará à venda em setembro, nos eua]

segunda-feira

alter-ego da comunicação

poucos livros chamam por nós. de vez em quando, acontece. este* lê-se em cinco minutos. e relê-se espaçadamente, necessariamente. custa pouco mais de cinco euros. é como um remédio redentor cheio de contra-indicações. a cada leitura, pensamos num referente. a cada folheadela, coloca várias interrogações. aplica-se a múltiplos significantes. só podia ter sido escrito por um ilustre desconhecido japonês.

"Se a pessoa a quem atiramos uma bola
com toda a nossa alma a apanhar,
e se nós apanharmos a bola que essa pessoa
nos lança de volta, então
um acto de comunicação acontece
Há sempre infelizmente muitas tentativas
de comunicação que não chegam a concretizar-se.
Se há compreensão,
pode ter-se pensamentos diferentes, interesses
diferentes, sentimentos diferentes –
e ainda assim estar juntos."


*[Quero falar-te dos meus sentimentos, de Mamoru Itoh; ilustração de Hiromi Isogawa; edição Padrões Culturais]

domingo

do_mar

o mar lava-me. jogo com ele na distância próxima, destemida face aos homens. é um manejo de forças que empurrram para a praia, uma qualquer, enquanto ameaçam engolir o corpo. o mar não me diz nada, mas com ele aprendo tudo. faz da minha cabeça um território vazio e deixa-me chorar sem que se note. quando descanso por instantes, leva-me num solavanco de pancadaria tonta. esfria a alma e incendeia o dorso. sacode, agita, rebola. esconde segredos, desnuda fraquezas. acalma e energiza. faz a melhor cama para uma vigília sem propósito algum.
o mar amansa e amassa. tudo.

sexta-feira

encantadora evidência

há concertos inolvidáveis. o de mr. cohen foi um desses. tocante. porque foi mr.cohen. porque é irrepetível.
ainda bem que as coisas únicas não se repetem.

quarta-feira

swing contra a crise


Caravan Palace - Suzy

a medição da irrelevância

se um tipo que manda diz a alguém que o esse alguém pensa, quer, deseja é irrelevante, está só a ser irrelevantemente tirano ou simplesmente estúpido?
entre números e factos, a relevância advém dos valores de quem julga ou do enquadramento dos dados. já a irrelevância como muleta de linguagem (o lugar primordial onde se exerce o poder) só (me) provoca um esgar de sorriso.

terça-feira

edite soeiro

ela corrigiu-me o meu primeiro trabalho. usava uma trança longa e preta e acho que não saía de frente da máquina de escrever. resmungava baixinho por vezes e impunha um respeito raro numa redacção de homens onde, pelo futebol, estava à vontade. por alguma razão todos, do imberbe estagiário ao camarada chefão, entregavam-lhe os textos para reler e editar como deve ser. ela, tinha o sorriso, contido e seguro, mais marcante que alguma vez encontrei. deu-me conselhos que tinham o preço da sua sinceridade e por isso foram à borla. usava quase nenhumas palavras para falar da vida alheia. era frontal e severa, meiga e maternal. tinha nostalgia de áfrica, saudades do seu próprio começo. era a mais popular entre os novatos. e fazia um arroz de balhacau divinal.
edite, acerto a minha dívida consigo depois.

domingo

veraneio de aforismos

em férias: definitivamente, não fazer planos, não garante aventuras mais excitantes. assegura imprevistos, o que não é o mesmo que um improviso imaginativo.

o tempo esvaindo-se sem um propósito é o mais saboroso do descanso.

a centenas de quilómetros de distância, ela detecta, pelo simples tom de voz que atravessa um telefone, o meu estado de alma. o instinto funciona tal qual um sinal de alarme. mãe é quem nos quer bem.

a moda, dizia a minha avó, está sempre a passar de moda.
porém, isso não chega para que se perceba a razão de usar slip debaixo de calções de praia - algo observável numa praia perto de si.

entender. é preciso entender para aceitar. até para contrariar. ou para desistir de entender. entender como alicerce primordial. se não entendo, perco-me.

diz-me ele: "com classe tudo se supera, ou tolera melhor". e remata assim: "gente inteligente é outra louça, não somos? LOL".

amar é uma sinfonia do entendimento - pelo humor, pela lógica, por outro ângulo qualquer.

tempo de verão

sexta-feira

coisa de mãe

"eu acredito no trabalho.
talento, toda a gente o tem!"

geraldine chaplin, yodona.com, 18.07.2009

terça-feira

o reencontro com a diva

dona amália. todos lhe falavam assim. dirigi-me a ela, a propósito de uma condecoração que ia receber. eu, uma miúda, ela uma senhora. entre a insegurança da repórter e a pose da diva fez-se um registo que passou na rádio. pensei-o perdido. voltou para mim, agora [obrigada!!!. são escassos minutos de conversa solta pela tarde, lá em casa. solta-me uma pontinha de orgulho e nostalgia: não há erro grave de quem entrevista, nem voz trémula, nem questão deslocada, sequer perguntas tontas - e o assunto era escasso, a experiência nenhuma.
por isso, o que sobreveio depois tornou-se francamente pouco relevante.

quinta-feira

a importância da literacia

saber ler: uma coisa que o tempo nos dá, se estivermos com vontade de aprender. se nos mantivermos acordados. virar a atenção sobre o exterior de nós. e aprender nos subtis movimentos do rosto, num olhar vagueante, na ausência de gestos e no desprendimento desatento, o fio final da história. admitir, ainda assim, que não pode haver muita severidade. nem sobre nós mesmos, nem sobre os outros. a vida são dois dias - vá lá, três... é sempre pouco quando se sonha muito.

quarta-feira

a pior violência vem de dentro

violência é violência. física ou psicológica, venha o diabo e escolha. a pior, mesmo, é a emocional. tanto pior quanto, na maior parte das vezes, é a vítima que a inflinge a si própria. dessa, não há lei, nem polícia, nem apav que nos livre. só nós mesmas.
uma mulher rasteja, chora, deambula, até que qualquer presente (envenenado) lhe devolve uma ilusão de futuro.
vem isto a propósito das cenas a que mulheres inteligentes, cultas, emancipadas e profissionalmente competentes, se 'condenam'. aceitam sustentar um ser simplório a troco de sexo ou para manter aparências de uma absurda normalidade com que formatam suas próprias cabecinhas. demasiado triste, exageradamente complexo. em certas ocasiões, bem gostava de ter um número de emergência para chamar uma brigada anti-mutilação. às vezes são tão escandalosos os desequilíbrios de atitude que chegamos a ter naúseas, como testemunhas, de tanta bipolaridade emocional. e que herança de respeito [autodeterminação] deixamos?
é certo que há fraquezas e recaídas em todos os seres, mas no que toca a comportamentos autodestrutivos e de negação ninguém chega aos calcanhares dessas mulheres: a auto-estima fica a preço de refugo, a dignidade segue para a reciclagem e todos os gestos são dignos de uma estação de tratamento de águas residuais... isso sim, justifica que vertamos lágrimas pela dignidade perdida.

segunda-feira

telelés

li ou tresli (sonhei?) que em breve haverá um telemóvel que automaticamente permitirá bloquear chamadas anónimas. grande progresso: adeus ao tilintar das chamadas de call centers do banco a, b ou c, idem da seguradora x, ou da empresa de crédito z.
a seguir só fica a faltar o telemóvel que rejeita automaticamente passatempos de toques e concursos das próprias operadoras. mais difícil, essa inovação: isso, sim, será um upgrade de civilização.

sexta-feira

solo i sogni sono veri

prendeu-me há dias quando passou na televisão.
'attimo', de gianna nannini, último álbum: só os sonhos são verdadeiros.

Gianna Nannini - Attimo

o amor é uma labuta

um tipo que tenho andado a ler diz-se um 'clandestino emocional'. põe-me a pensar nessa coisa que são as relações amorosas. uma merda, é o que é. em tudo semelhantes à bebedeira: uma sensação boa no início e uma mocada grande depois. na ressaca, há quem negue as evidências. comportamentos de negação só adiam o desfecho. entretanto, pena-se. a negação faz de nós seres selvagens, movidos por instintos básicos: [selvagens devem viver na selva, a civilização é para humanos. bem sei que se a gente não ocupasse tanto o espaço, ainda hoje tinhamos mais florestas virgens que arranha-céus]. a coisa, definitivamente, não tem solução. amar dá muito trabalho. na aritmética dos afectos é mais um custo que um investimento. isso, em tempos conturbados como estes, até pode ser mentira mas faz muita diferença.

terça-feira

(des)graçola

pior que uma segunda-feira, só duas segundas-feiras.
felizmente não são servidas aos pares.

segunda-feira

a pior parte

fim-de-semana e... acabou-se!
constatação que é mesmo como o glacé que estraga o bolo de um fim-de-semana que se estica ao máximo, (pre)enchendo-o com tudo a que temos direito. sol e mar, esplanada nocturna para conversa e riso solto, jantar em família com diálogos estimulantes, bom clima, bom cinema, mais o exercício de direitos cívicos. pelo meio, fazer um raide em countdown num centro comercial torna-se até aceitável - com hosanas ao (detestável) ar condicionado que nos salva da torreira a céu aberto.
[mas fazer render assim um fim-de-semana dá um trabalhão]
é por isso que reclamo um "alargamento de prazo" do fim-de-semana. é o mínimo. ao contrário do incrível ricardo semler, nem peço um fim-de- semana de sete dias, bastam-me três: um para dedicar só a mim, outro aos que me são queridos, o terceiro para não fazer nada.

terça-feira

fazer mudar

ferreira fernandes escreve hoje sobre a primeira revolução feminina, a propósito do que se está a passar no irão.
não sei se é a primeira revolução feminina, nem sequer se os factos reportam uma revolução. mas a crónica, bem escrita, chama a atenção para o que me tem impressionado: no meio daquelas multidões, perigosas como são todas as multidões, há imagens de algumas mulheres na rua, cara destapada,corajosas, destemidas, esclarecidas. e lindas. o regime iraniano pode cortar a internet e as telecomunicações com o exterior, como o tem feito largas horas, pode reprimir sem limites, mas a realidade começou a mudar.


e no sábado, noutro cenário, também nós podemos mudar qualquer coisa.

a igualdade já passa por aqui.

domingo

lida algures

pelo caminho, um gajo começa a ficar exigente e tolerante ao mesmo tempo

terça-feira

blogando

pergunto-me às vezes que sentido faz ter um blog. é impossível desfazer-me disto. fui espreitar blogs que costumava seguir. são mais de trinta, estão maioritariamente na lista ao lado. é incrível a quantidade deles que pura e simplesmente fecham, ou que deixaram de estar activos. outros resolveram reservar-se a leitores convidados sem o anunciar aos fãs, o que acho sempre estranho. há, no entanto meia dúzia, sim, uma boa meia dúzia, que continuam a ser boa companhia de deambulações naquelas horas em que a melancolia não deixa ânimo para mais nada. e há aqueles que, mais do que as mensagens que emitem militantemente, me comovem sempre, mesmo porque narram, com simplicidade desarmante, como (se vê o que) foi um bom casamento. há também os narcísicos, onde bisbilhoto a vida de amigos e conhecidos, sem a inconveniência de um telefonema. ou os que moldam a arte da ironia e da nostalgia, na boa escrita.

venha o que vier, redes virtuais ou vales de solidão, um blog é um grande conforto.

coisas assim-assim

...que me deixam um bocadinho infeliz: nunca mais haver um disco novo dos arcade fire.
em compensação, sempre que me enrolo nos meus pensamentos fico um pouco mais feliz, porque, na verdade, eles não são nada complexos.

domingo

traumas, é o que é

passei ao lado de uma grande carreira política. estava entretida a sobreviver à minha custa e claro que nem dei por ela (a carreira política). foi aí que os nossos destinos nunca se cruzaram... eu fiquei a tratar da vidinha e ela seguiu galopante pelo centrão. sempre pendi para o meu lado esquerdo, o que faz de mim estruturalmente uma... piegas. na hora de votar, porém, recolho tudo o que me resta de racionalidade e voto sempre: piegas. é por isso que esta noite apanhei um susto. temo que regressem os pesadelos que tive quando o dr. aníbal silva nos engoliu com uma inesperada segunda maioria absoluta. se a dra. manuela leite se prepara para um remake, não sei se sobrevivo aos suores frios.

quarta-feira

dias concentracionários

hoje há mais uma pessoa feliz na cidade à minha custa: vandalizou-me o carro (excepcionalmente resolvi prescindir do transporte público).
hoje também, um calor insuportável irrompeu pelo termómetro acima, e quando estava para lá dos trinta, quase que tive saudades da chuva.
hoje ainda, entraram-me amigos e conhecidos aos molhos no facebook, onde eu nunca tinha estado - mal entrei, a casa soou-me estranha e familiar, mas será mesmo?

terça-feira

ama y haz lo que quieras

"nenhum ser humano é igual à sua retórica"
"a importância de distinguir a identidade sexual psíquica de um indivíduo e o seu objecto de desejo sexual"
sobre o desejo, a analogia: "se estamos talhados para possuir uma linguagem, não estamos desenhados para uma linguagem particular"
"a diferença de ser humano face ao resto dos vertebrados significa ser capaz de escolher maior número de respostas face a um mesmo estímulo"
e a frase que faz sorrir: "o órgão sexual de maior extensão é a pele"
tudo envolto em "ama e faz o que quiseres" - princípio que deveria presidir a essa "revolução emocional pendente cuja primeira reivindicação é o direito à mutabilidade, o direito a estar, a sentir e sentirmo-nos, de diversas, variadas e novas maneiras"

["lesbofobias" é a tese de olga vinuales, uma antropologa catalã. o título do post é de um romance que ela cita no livro, no qual desenvolve o conceito de identidade como um processo.]

segunda-feira

still light, still night*

*um disco que é mais do mesmo, por isso, muito reconfortante. foi o meu mais recente meio-acto de "consumismo compulsivo". o outro meio é "tempos interessantes"- aprende-se muito com a história e ninguém guia a viagem como eric hobsbawn.

quinta-feira

taste me

a obsessão pela clareza. datas, como gosto de datas! decisões em datas. o melhor e o menos bom. cruzar personalidades, trocar papéis. aferir o que o lado esquerdo adivinha. só depois, o racional juízo lógico. ... a lógica é uma batata.

quarta-feira

you f***** it up...

(clicar para ouvir o resto)

sábado

testigos

DEPRAVADOS
DADME
AMOR

(bcn set.07)

HAY QUE
BESARSE MÁS!

(bcn abr.09)

quinta-feira

fraquezas

comovo-me com as declarações de amor inscritas nas paredes dos prédios.
"miguel= ana amo-te"
o amor concentrado numa equação simples. A declara-se a B. coisa linda, límpida, irrefutável. o bem-querer escarranchado no testemunho alheio. a paixão exposta como uma declaração de princípio. mudem-se os nomes, então. quem não gostaria de ver o seu, assim escrito, travar-se de razões para resistir ao tempo, numa parede da cidade?

segunda-feira

malgré tout

escolher o que se diz e o que se omite. falar claro. não ter medo. engavetar o que não está resolvido. calar as dúvidas e sossegar a ansiedade. esperar por um sol luminoso. aquecer as moléculas de água, todas. envolver o corpo por calor moderado. passar a limpo as ideias. passar a pano as nódoas. perfumar discretamente o som. sentir uma brisa que liberta a pressão. pôr uma cancela no lugar da porta blindada. abrir todas as janelas. sorver as correntes de ar. avançar prudentemente. saber reconhecer um precipício. cuidar da limpeza do caminho. dar uma volta sob o céu. tornear os relevos. caminhar.

sexta-feira

poemas de b. brecht

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.”

(...)

“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.”

sábado

tudo diferente, quase igual

o país de hoje não é muito diferente do que era em 24 de abril de 1974. porém, o país de hoje não seria o que é, se não tivesse acontecido o 25/4/74... por isso, portugal não tem nada a ver com o que era antes de 25 de abril de 74.
[não há confusão nenhuma, é assim mesmo].

o 25 de abril de 1974 e tudo o que depois ficou associado à data, incluindo o prec, só podem ser evocados pelo lado emocional. pouco do que era o mundo da política "sobrevive" nos dias que correm: herdamos a instituição da democracia parlamentar. mas espanha e grécia passaram também, na mesma altura da história, por processos de transição de ditaduras para democracias. havia, certamente, a inevitabilidade da mudança.
desses tempos resta a memória de um estado de alma - oposto ao actual: um 'estado de alma' cheio de devir, optimista, activista, radical, empenhado, e sobretudo muito fraterno, guiado por uma espécie de igualitarismo perseguido pela maioria. tudo em grandes doses, frequentemente excessivo. a deriva capitalista coloca-nos onde estavamos, com mais tecnologia em cima e uma outra liberdade de expressão. o que é pouco e muito.


terça-feira

trabalho de campo para banda sonora

se não tivésse de trabalhar, se a vida fossem quinze dias, se eu fosse rica... por uma vez, ia lá, onde les femmes s'en mêlent, para uma fartura de música.

sexta-feira



the long blondes - weekend without makeup

domingo

da condição humana

violam-se e matam-se mulheres na africa do sul. não importa se são ídolos do desporto ou jovens anónimas. é a violência extrema e o silêncio da justiça. o estado fecha os olhos à barbárie:
Lesbians subjected to "corrective rape" in South Africa
Lesbians living in South Africa are being subjected to "corrective rape" and severe violence by men trying to "cure" them of their sexual orientation, human rights groups have said.

segunda-feira

casamentos, hierarquia de género e instituição familiar*

teresa pizarro beleza, professora da faculdade de direito da unl, explica no 'público' (sem link - pág. 29) que "o casamento foi, até hoje, se excluirmos a prática da escravatura, a forma mais perfeita de domesticação e subordinação das mulheres" e que "a democracia levada a sério implica a capacidade de aceitação da igualdade na diversidade",... para concluir que "a abertura do casamento a casais do mesmo sexo é também uma via da sua manutenção. e de reforço da instituição familiar, tão cara a tanto discurso e a tanta doutrina"... confusos? então vão ler o artigo, que é limpinho como água.

*título do artigo, com o antetítulo: "a hierarquia de género é das mais profundas razões para a resistência à abertura do casamento a casais do mesmo sexo"

domingo

again


é uma das estreias prometidas para os cinemas. já vi e voltarei a ver. ela, patti smith, mulher, artista, activista. documentário cheio de vida, que não pode passar desapercebido [trailer]

terça-feira

prémio justo



sean penn, óscar para melhor actor/2009

quinta-feira

de volta aos retratos





foi(-me) difícil conseguir colocar aqui o link, para a primeirissima música do novo disco do grupo de glasgow - sai em abril! os camera obscura estão agora na mítica editora 4AD. gozem

segunda-feira

amor é amor

nunca fui adepta do casamento, mas também nunca tive de ponderar tal projecto
no entanto, e dentro da igualdade de direitos, porque a de deveres já existe (excepto a da procriação e essa apenas à luz da santa madre igreja...) seria de elementar justiça admitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. a proposta dos activistas lgbt na argentina é um picnic para todos no dia dos namorad@s [aqui]

easy come, easy go*



* by marianne faithfull - how many worlds... do soberbo disco 'easy come, easy go'

sábado

simples, não?

Love is passion, obsession, someone you can't live without. If you don't start with that, what are you going to end up with? Fall head over heels. I say find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back.

pensamento recorrente - fica o link.

dúvida

ver livros, ler filmes.
habitualmente é ao contrário. suspeito que é engano. vemos livros, talvez nunca cheguemos a entrar neles totalmente. lemos filmes, porque o que se passa diante do olhar é só matéria para interpretações.

'doubt', com a maravilhosa e camaleónica meryl streep, viola davis e philip seymour hoffman tem sequências que ficam para sempre, como o sermão do padre sobre as 'penas' ou o diálogo entre a reitora e a mãe de um aluno. fala da culpa, da suspeição, da 'natureza do ser', da igreja, da família, da escola e do amor, evidenciando dúvidas e pensamentos para digerir depois. um filme garantido.

quinta-feira

dance mother

'pescadas' no imprescindível sound-vision, blog de consulta obrigatória sobre música e cinema, esta dupla pop de brooklyn, ...so fine, do album de estreia:
[gosto particularemente da profusão :-) que vai naquela casa]


quarta-feira

"my time will come"

a islândia tem uma primeira-ministra. é, curiosamente, a política mais popular do país. johanna sigurdardottir foi sindicalista, activista social, e recentemente ministra dos assuntos sociais.
na islândia em bancarrota, não se fala do facto de johanna, de 66 anos, ser casada com uma mulher. lá, a vida privada dos políticos não é do interesse público, o que ajuda a perceber que o facto de a primeira-ministra ser lésbica assumida não ser 'notícia' .
em 1979/1980 portugal também teve uma primeira-ministra.

por cá, jamais um político assumiu a sua orientação sexual não normativa. se a assumissem com naturalidade choveriam certamente alguns 'petardos' homofóbicos. mas talvez fosse o carácter da pessoa e a sua acção política a determinar boa parte da opinião pública, conferino ao direito à diferença uma naturalidade igualitária. o exemplo vem de cima.

domingo

joana da islândia

não sei se a islândia tem salvação. mas Johanna Sigurdardottir [Johanna Sigurdardottir, world's first openly gay leader, to take power in Iceland] conseguiu o que nenhuma outra fez. e, bem vistas as coisas, da bancarrota já estamos perto. só nos falta o resto.

sábado

fotosíntese

quero sol! um sol. escasso que seja. breve. descolorido. quente. fugitivo, quase a pôr-se, brilhante. sol. não é a crise que nos afecta, é só a falta de sol e este dilúvio castigador que nos forra com melancolia. um pouco de sol, por favor.

quinta-feira

o anónimo gay que virou líder político

sean penn tem um desempenho extraordinário num filme-quase-documentário, muito bem realizado.
para lá disso, há questões cruciais que a história do activismo de harvey milk 'expõe'
- até onde as minorias podem esperar ver reconhecido o seu espaço?
- de que forma, minoritários grupos de pressão conseguem atingir os seus propósitos continuadamente pela mobilização de rua?

- onde estavam, nesses anos, as mulheres lésbicas e/ou feministas?

será que aprendemos qualquer coisa com a História?

p.s. - para contextualizar, leia-se o artigo de miguel vale de almeida

quarta-feira

sobreviver à crise deste inverno

a receita é simples, nada de decisões drásticas, tudo muito chave-na-mão:

- deixar de andar de volvo e passar a andar de mercedes (os autocarros mudaram de fornecedor)

- comprar um ou outro tapete para evitar gastar muito em aquecimento

-ligar o aquecedor à vez, apenas na divisão que estiver a ser usada

-recuperar o saco-de-água-quente, pelo menos quando se dorme sem companhia

- esquecer cartões de crédito; multibanco só para listas de gastos programados

- levantar dinheiro para a semana e limitar as despesas ao que se tem na carteira

- ter sempre uns snacks, fruta e iogurtes bem perto, evitando cenas esfomeadas em cafés

- o tabaco racionado, algo como: 'enquanto não deixo de fumar, um maço tem de dar para 2 dias'


- olhar, só olhar, as montras dos saldos de inverno a preços tentadores
e
pensar que a primavera está quase aí a rebentar

- escolher criteriosamente os filmes que se vêem no escurinho do cinema

- ouvir música no youtube e depois pedir a alguém que nos arranje uma cópia

- ler os jornais... on-line

- sair para a rua, mesmo sem intuito definido, se o sol aparecer no fim-de-semana

terça-feira

desditas

há uns anos quase não se encontrava ninguém que, nos media, assumisse como de direita. Os jornais, dizia-se, estavam tomados por 'esquerdalhos'; às administrações ninguém questionava a ideologia - no máximo, se eram gestores públicos lá vinha a conversa do estado 'que isto', do estado mais aquilo...
agora, os jornalistas parecem imunes ao comprometimento social, enquanto as direcções fazem gala em distribuir as despesas da ideologia pelos comentadores.
o mais interessante, porém, é ter surgido uma série de escribas a assumirem-se da direita pura e dura, marialva e convencida, clerical e monárquica... une-os um grande desprezo pela liberdade e autonomia dos cidadãos, como se tivessem engolido todas as teorias da pura superioridade da igreja católica apostólica romana, sem cuidar do contraditório.
felizmente (só) escrevem... em blogs.

segunda-feira

o mundo é muito injusto, pois

sócrates* mete o casamento entre pessoas do mesmo sexo nas prioridades para a igualdade, mas nem falar em adopção...[mais vale as criancinhas estarem ao cuidado da assistência social, seja lá isso o que for]
nos eua, começou a ser emitida, no fim-de-semana, a 6ª série l-word, porém... a última.

* na moção ao congresso do ps

domingo

do transístor ao digital

talvez mais que qualquer sonho ou objectivo, o que nos forma num ofício é o começo - e o quanto ele dure em paixão. o meu foi ali, onde a palavra tinha de ser comedida, clara, cativante.
toda a economia de meios ao serviço da informação. todo o prazer do instante, o pico de stress no segundo, nada de figuras de estilo ou floreados, zero notoriedade do sujeito, um puzzle de vozes recolhidas, fôlego para a notícia concentrada e, depois, respirar fundo.

sábado

o mundo (de bobby sands) bi-color

há mais de vinte anos, o mundo era muito diferente. havia reagan e tatcher, o muro de berlim e dois blocos, e os terroristas eramos nós. quer dizer, estavam do lado de cá: em movimentos anarquistas, nos guerrilheiros do ira, nos independentistas bascos, nos activistas de extrema esquerda que havia na alemanha, em itália, em portugal. por essa altura, era fácil saber contra quem se lutava. e ninguém questionava se valia a pena lutar... havia heróis e bestas, uma simplicidade de leitura que desapareceu. mandela, julgava-se então, iria morrer prisioneiro do apartheid. e a memória de gandhi era tão distante no tempo e na geografia, que poucos admitiam a validade das teses da não-violência.
nesse tempo, era fácil manifestarmo-nos por heróis. eles existiam mesmo.bobby sands foi um dos meus heróis.

'hunger'

a história dos últimos meses de bobby sands é a história de "hunger", o filme mais duro que já vi *.
cada fotograma existiu mesmo, não há fantasia nem biografia romanceada, só crueza. bobby sands era um prisioneiro do ira-exército republicano irlandês, que morreu na cadeia ao cabo de 66 dias de greve de fome. o filme é o dia-a-dia dessa luta-de-morte.
como é possível deixar morrer alguém em greve de fome?
como é possível alguém deixar-se morrer em greve de fome?!
nesses tempos, gente de esquerda vinha para a rua todas as semanas manifestar-se junto da embaixada britânica, na esperança de que a senhora tatcher aceitasse a exigência dos prisioneiros irlandeses: queriam ser reconhecidos como 'presos políticos', ela dizia que eram apenas criminosos.
a violência dos presos, a violência dos guardas prisionais, a auto-violência de todos em 'hunger' fazem voltar a sentir a revolta interior desses tempos. impossível não chorar, não fechar os olhos a tanta brutalidade, não sentir que um tornado nos varre a alma e torce o corpo. filmes assim são um caleidoscópio de emoções na memória. um pedaço de cinema para gente preparada para receber um longo soco. um ajuste de contas com a história.

*pancadaria, excrementos, nudez gélida

será mesmo?

um sábado de sol.
finalmente...

terça-feira

pensamento frio

um dia, os pc's vão ter incorporado uma espécie de aquecedor que anime os dedos sobre as teclas.

quinta-feira

boas intenções

a rita - que não conheço mas cujo blogue sigo com gosto - deseja que em 2009 haja menos blogues a fazerem copy-paste do youtube. até posso concordar que há blogues tão imagéticos e tão sonoros que só sobrevivem a copy-paste. temos o direito de não apreciar o estilo. mas também temos o direito de fazer copy-paste do youtube e sei lá de que mais... quando visito o blogue dela aprecio as histórias do quotidiano, as vivências de berlim e as leis de rita. como ela nunca faz copy-paste, é tudo em silêncio... até ao (sor)riso final: os remates dos postes dela são sempre brilhantes.

onde a ministra não manda nada

voltaram as constipações, a política, a guerra ao médio oriente, o frio, e até santana lopes...
mas o meu blog de culto VOLTOU!!!

[sniff, sniff,.... as saudades que tinha delas]

terça-feira

nem israelitas, nem islâmicos

há onze dias reacendeu-se a guerra entre o exército israelita e as forças do hamas (movimento de resistência islâmico, que governa a palestina).
tentar explicar o ponto de vista de um lado ou do outro acaba sempre por nos dar uma volta aos miolos e, pelo meio, ainda ganhamos epítetos de sionistas ou de apologistas do terrorismo.
neste assunto insolúvel, nunca perceberei a 'pouca' inteligência dos governantes israelitas. como nunca perceberei a miserável desumanidade dos extremistas islâmicos.

crises destas, que matam centenas de almas inocentes em poucos dias e tornam indigentes populações já miseráveis, geram atitudes que, mais tarde ou mais cedo, levam a atentados noutras partes do mundo, como os de set.2001. ou fazem disparar os preços do petróleo, com as consequências que todos adivinham. ou geram uma onda de simpatia pelos civis indefesos e de ódio face ao poderio bélico orquestrado por um estado contra um outro para-estado. e ajudam ao descrédito da civilização, da política, das pessoas.

só um milagre resolveria tudo: por exemplo, um movimento das placas tectónicas que afundasse a costa oriental do mediterrânico, da noite para o dia - seria, assim, a natureza a devolver à sua verdadeira dimensão temporal a acção dos homens.

sexta-feira

"meninas bonitas são chatas"

que tal começar com visita à vida desta mulher?
três dvd's autografitados por rita lee, de 'ovelha negra' a 'baila comigo', e a 'cor de rosa choque'. este sobre a(s) mulher(es) - ela, as personagens de canções mas também a família, ídolas e amigas, incluindo cássia eller e elis.
melhor presente não há.

"Nunca fui santa /Nunca fui boba /Entro num mantra /Caio de boca (...) Sou nova demais pra velhos comícios /Sou velha demais pra novos vícios"

quarta-feira

balanço

não voei
em compensação, nunca fiz tantos quilómetros

terça-feira

balancete de razão

este ano? não podia acabar melhor.
depois de "um salto mortal sem rede", a excitação da "missão impossível"

segunda-feira

será metáfora?

O ano de 2009 vai começar oficialmente um segundo mais tarde, depois de todos os relógios do mundo se ajustarem à rotação cada vez mais lenta do eixo da terra.

não oficialmente nunca sabemos qual o relógio acertado.
'do mal, o menos': há a certeza científica de que a pirueta terrestre está cada vez mais lenta.
quando cairá a terra para o lado?

as simple as that

há pessoas que têm chama
e pessoas que não têm

sábado

suprema liberdade

muito simples: não me apetece escrever aqui. nem preciso de escrever em nenhum lado. simples, não é? e haveria tanto para contar.


divertido, inteligente e estimulante. profissional. assertivo. incógnita.

o taxista que abandonou o emprego certinho para trabalhar por conta própria. não se queixa do preço do gasóleo, nem da falta de fregueses, nem da escassez de procura. e estabelece planos pessoais quinquenais de viagens. quer ir à nova zelândia. irá.

as raparigas que se juntam ao almoço para falarem do blog, do trabalho, das tricas. a propósito de ter filhos concluem que "somos mesmo discriminadas". surpresa?!

parece que o natal está aí e é suposto comprar-se muito e dar-se presentes. não há lista. descuro inexplicável, este.

segunda-feira

françaises folles

estão há anos na estrada mas não têm album publicado... procuram mesmo ajuda na escolha da capa do dito, no site. no myspace há uma série de músicas deste trio musical-estético-político algures, de um território rock/grunge/gótica/anarquista...
anatomie bousculaire

je ne connaissais pas, et vous?
et les
chimères [quimeras]?...também já acabaram.

quinta-feira

vagabond ways



[marianne faithfull]

terça-feira

jogo de cintura



barack obama, esperto, convidou-a para secretária de estado - o cargo mais mediático do governo dos e.u.a. - mas terá sido inteligente, da parte de hillary clinton, aceitar?

segunda-feira

começar de novo

uma semana para aterrar. recolher os trastes, fazer a limpeza, mudar outra página. uma semana para recuperar do desperdício de energia, do 'suganço' dos últimos tempos, anos. uma semana para a amizade, para a casa, para mim.

decisões que custam horrores


uma sentimentalóide como ela verte lágrimas sem dificuldade. nos momentos mais impróprios. como se uma represa de emoção se soltasse por gestos de sol inesperados. uma piegas é o que é. mesmo no fechar de portas, onde não volta, não há maneira de segurar a dor. fez 25 anos. e adeus.



a persistência juntou-se à inflexibilidade, e foi-lhe difícil sossegar as certezas. a mentira galopa, a presunção faz lei e a arrogância não tem freio: momentos de claustrofobia social tornam pessoas vulgares em desumanos seres. e há gente que guarda memórias na medida da sinceridade do que se faz e se diz. gente que nos dá alento e amor, de todas as formas. e vale a pena. porque quando se está perto do passamento, conta-se, só lamentamos o que não amamos e o que não arriscamos.

quinta-feira

uma história de livros

aquele dito da tsf, ...por uma boa história vamos ao fim da rua... , sempre me pareceu lindo, lírico e limpo. é muito semelhante à minha relação com certos livros, coisa quase irracional, intuitiva.
há uns anos que 'persigo' um livro - mais um! lembro-me que começou quando o vi nas mãos de maria de lurdes pintasilgo. o título seduziu-me - pecado meu, o fascínio por certos títulos - e tratei de saber do que falava. há anos que procuro esse livro até que, sendo impossível adquiri-lo de forma 'normal', procurei na net e fui ter ao brasil. o problema surgiu finalmente com o pagamento do livro. a coisa processou-se através de um portal, que publicita livros usados disponíveis. nada de cartão de crédito, nem transferência, nem depósito. esta semana recebi do outro lado do atlântico um email de um senhor a oferecer-me 'flores raras e banalissímas' na condição de, em troca, lhe arranjar um de dois títulos específicos editados cá. fácil, disse eu, e qual dos dois prefere? começou assim uma proposta de negócio, para mim, original: ele sugere que lhe envie os dois, e oferece-me três (o que procuro e dois títulos que deverá ter achado do meu agardo). que sim, fazemos negócio, disse-lhe (afinal o euro é muito mais forte que o real). agora, versão quase final, ele garante-me que dentro de dias recebo os três títulos e mais um, de bónus. os dele, seguem amanhã para são paulo.

terça-feira

totalmente a despropósito

... ocorreu-me que a (nossa) democracia ainda não saiu daqui:


segunda-feira

urbanismos

quando à exiguidade do tempo se junta a falta de dinheiro, com tempo desperdiçado à toa e não há maneira de o evitar, tem-se uma vida da treta.

domingo

algoritmo

amy mcdonald_ nx269_ uh huh her = 366 (-2 5ªs)

terça-feira

uma vida inventada

o último livro de maitê proença agarrou-me pelos colarinhos antes mesmo de lhe pôr a vista em cima. foi quando, na semana passada, li umas duas ou três entrevistas da autora sobre este romance (?), agora lançado em portugal. ontem, corri 'seca e meca' para encontrar uma vida inventada na livraria do costume, com o desconto a que tinha direito. tentativas goradas, deitei-lhe a mão num continente, por 13,5 euros.
poucas coisas me põem tão fora de mim como a perseguição inexplicável a que me impelem alguns livros. resultado: comecei a leitura de imediato, como uma criança que come chocolates às escondidadas. dum trago engoli um quarto, no quarto, escondendo o sono. não sei do que estou a gostar mais - se do despojamento da narrativa, da crueza da história, do terra-a-terra da autora, tudo preto no branco, uma ternura desmedida, uma desfaçatez face ao destino, a confissão sem fim. capa fracota, narrativa superior. uma vida inventada tem frases como esta: 'quando faço tudo certo, ainda assim faço errado'.
na literatura destas "memórias trocadas e outras histórias" cabe tudo.
a realidade ultrapassa sempre a ficção.

p.s. - com humor e ironia

segunda-feira

forever young

não sei qual foi a ordem dos factores. ele ofereceu-me 'porrada' em jeito de piada, para lembrar os velhos tempos. e disse que eu estava com ar anos 80, tipo dexy's...
ele já escreveu um livro, aliás, fez melhor: desenhou-o.
nos anos 80 eu acreditava que o mundo era um sítio interessante para explorar com curiosidade. e, ao mesmo tempo, era tranquilo.
era outro, o tempo.

terça-feira

entre_vírgulas

não sei quando começaram a festa . apeteceu-me simplesmente divulgar. acredito que algo se muda com pequenos passos (tenho até uma bela história à volta do que foi escrito sobre...)
a festa repetiu-se e tornou-se grande. com virtudes e falhas, como tudo. volta agora para uma grande despedida de um ano fraquinho. outra vez num dos mais belos pavilhões de lisboa.
so, keep making a difference

nada de profundo

este blog anda cheio de 'economês': tretas!
não me apetecem as eleições nos states,
nem a vidinha do trabalho,
nem pensar muito,
férias, pode ser?

domingo

do outro lado

há argumentos que são mesmo uma grande história. o deste filme, de fatih akin, é dessas.
"do outro lado" continua nos cinemas - imperdível, para quem gosta de histórias humanas. tem pais e filhos, o preço da liberdade, surpresas atrás de surpresas, o sentido da vida de cada um, alemanha e turquia, a impotência, o sentimento de culpa, a dor e o amor. intenso sem ser dramático. imponderáveis a rodos. banda sonora q.b.

pergunto-me

como é que um banco que está com problemas sérios há vários meses justifica que o governo reuna em conselho de ministros num domingo, para anunciar que tenciona tomar conta do dito banco? não podia faze-lo na segunda-feira?!

ps= está tudo doido?