quinta-feira

final (10)

os erros acontecem. os acidentes também. os erros são acidentes evitáveis. os enganos não têm garantia, nem apólice. as palavras valem pouco. os actos validam tudo.

um dia, uma mulher caiu embriagada na linha quando o metro se aproximava. dois automobilistas mediram mal a ultrapassagem. um atleta deambulou pelos carris à espera do comboio.
a noite é propícia a ideias sombrias. o dia também. qualquer hora faz sentir tristeza e vazio numa aparência normal.
as máquinas falham. as pessoas fraquejam. os acidentes acontecem. a morte espreita em cada precalço. num instante distraímo-nos. por uma vez sem engano, mas com visto de passagem.

quarta-feira

final (9)

time to be insane. viver é uma tremenda responsabilidade. tarefa pesada, gente frágil. existir é um pouco mais ligeiro. dispensa uma série de sentimentos que são, afinal, o que fazem do humano aquilo que somos. há o racional, dizem. mas, se analisarmos bem, não há nada de racional ou razoável nesta vida. só uma degustação constante, que inclui pitéus venenosos em paisagens de cortar a respiração.

chegamos ao mundo entre choro e berros, para entrar num caminho sem destino. mais tarde temos de lutar pela logística da caminhada. o caminheiro sente-se, de quando em vez, acompanhado. mas nasceu só e morre só.
existir é completamente prosaico. viver pode ser sublime.

uma amiga diz-me que há um por cento de pessoas que valem a pena. ela tem um sorriso pregado na cara, a energia da escuta, um coração largo e cicatrizes que não exibe. deve saber do que fala.

terça-feira

final (8)

o que nos faz sentir 'alive'?
uma pessoa pode sentir-se viva na medida do que bebe.
viver a testar os limites, diz ela.
a verdade da japonesa Kazu Makino:


segunda-feira

final (7)

o vazio preenche tudo quando não há mais esperança numa redenção.
entra-se e sai-se dos sítios, como se nunca tivéssemos experienciado a vontade de situar-nos. falham-se os mais elementares segundos em que é proibido mentir. e todavia prossegue-se a errância. e assim dámo-nos em passos falsetes de convicções. como se não existissemos como pessoas. é-se actor num cenário de horror. e não estamos no palco. nem se trata de interpretar personagens. é a própria personagem que domina o sujeito. um faz-de-conta pusilânime de soberba. um veneno que se espalha na terra como se o grande alquimista se tivesse distraido no momento vital. não é viável falar 'amor': o que não existe, não é nomeável.

domingo

final (6)

eu queria ter um radar para a essência das pessoas. cheguei a pensar que era a intuição, essa coisa indefinível a que chamam sexto sentido. podia também ser o coração, quando nos diz, no íntimo, que é verdade o que vivemos. a plenitude. enganei-me algumas vezes, mas nunca com as consequências de agora. só consigo adivinhar o trivial das mundanidades: se a é mais infantil, se b é emocionalmente dependente, se c é desmesuradamente ambicioso, se d é imaturo ou apenas um indingente.


ela diz que nunca amara assim. respira essa certeza como as almas gémeas que se encontraram algures na américa do sul, no tempo da arte nova e do tango.

foi só a primeira das tangas, provavelmente. uma peça do puzzle da mentira montada e consumida. o que interessa mesmo é alguém orientar-se neste mundo, como as hienas numa batalha na selva. pode haver prazer e paz e até bondade excessiva, tranquilidade e bem-querer - são 'detalhes' que uma alma demente nunca saberá pesar - sobrevive com a infelicidade diária. pode-se descambar numa dor infinita, descabelar o mais equilibrado dos seres... a arquitecta do sofrimento não tem palavras que o expliquem. dá-se conta e omite, não se dá conta e mente. vive e nega e vive e nega, o que experimenta em razão, emoção, corpo e espírito. nesse ponto, alguém se pergunta: meu deus, porquê eu?!


é preciso ir além para encontrar a resposta.

sábado

final (5)

não foi preciso muito para chegar a este estado de fenação.
colhi uma doença quando a adolescência chegou. escapei da morte ou da tetraplegia. penei pela salvação anos a fio. cuidei-me, cultivei-me. sobrevivi à entrada no mundo dos crescidos. arranjei trabalho. uma família. dispensei a vidinha. despedi-me do emprego. procurei um pouco de felicidade. paguei um preço. era um livro aberto para os outros. conselhos, ajudas, apoios. finei-me em tanta empatia.


ontem "não faças asneira". hoje, "se pudesses escolher, o que farias?" crianças, respondi. trabalhava para elas, com elas. foram os tempos mais felizes: fazer pinturas, rasgar revistas, fazer artefactos com jornais, teatro, bonecos de trapo e jogos de rua. quando chegar ao guichet de são pedro, vou perguntar onde é o infantário. um sítio com gente de verdade.

sexta-feira

final (4)

a linha que separa a loucura e a sanidade é tão ténue que ninguém vê. inventaram-se os psiquiatras para a régua e esquadro da marcação da fronteira. a franquia entre a vida e a morte é mais evidente. não sabemos porque nascemos, sabemos sempre porque morremos. a vida não se escolhe. aceita-se, apenas. a morte, sim. ou porque nos portámos mal em vida, com excessos que danificaram a saúde, ou porque a idade fez o seu desgaste, ou porque decidimos. a verdade é que ninguém pergunta ao óvulo e ao parceiro se quer tornar-se gente. mistério de deus: a coincidência. uma subtileza do eco-sistema, nada mais.
ninguém nos pergunta se queremos ser gente. e muito menos nos ensina a ser humanos - aquele nível a seguir ao animal, dizem.
ninguém devia interrogar-se "porque se morre". mas envolvemo-nos sempre em dúvidas meta-existenciais sobre "porque se mata". é bem mais explicável que o ter-se nascido. vida ou morte são fronteiras que não exigem passaporte. apenas vontade e sorte. talvez um pouco de coragem, talvez um pouco de loucura. na verdade, isto anda tudo enrolado. só as cabecinhas tontas querem encontrar um sentido. que não existe. nem para viver, nem para morrer.

quinta-feira

final (3)

este é o país onde funcionários públicos cantam em hino uma versão we are the world - patética. dizem que entram e saem às 9h e às 12h30 e depois às 14h e às 17h30. trabalham muito e ganham pouco e nunca têm excelente! (ide ver ao youtube, e pasmai!). eu nunca trabalhei nesse horário e nunca cantei um hino ao funcionário.
este não é portugal, ditosa pátria, minha amada, mas o país onde o pessoal se "orienta" chulando o estado e o parceiro do lado. "dê lá um jeitinho", tão pequenino, oh faz favor!
teria emigrado há uns anos não fosse a obsessão outra. agora, já é tarde para chegar aos antípodas.

todos os dias faço uma hora de transportes para atravessar a cidade. cada passageiro leva a sua história numa mochila ou num telemóvel. alguns pensam, como eu, o que faço aqui? e ficam, pendurados no varão conspurcado de suores vários até à paragem que lhes convém. saio sempre umas quantas paragens antes do destino. não é possível aguentar tanto tempo num autocarro, de cara encharcada. às vezes, preciso de ir comprar pão ou tabaco. olho para a loja e desvio a minha tristeza da mirada indiscreta dos empregados. fica para outro dia.

cumpro os mínimos em casa, porque há encargos e um rol de tarefas que ninguém me 'orienta', como sempre.
desorientada embora, faz-se o que é preciso no imediato. e chora-se compulsivamente e muito, e não se quer falar nada com absolutamente ninguém. como se passasse uma certidão de óbito ao exterior. como se entre as sete e as oito, o mundo fosse acabar num poço sem fundo. ninguém se queixava. talvez tivesse forças para bater uma palma seca, e pedir bis.

quarta-feira

final (2)

um dia, vários dias, a cabeça tem vida fora do corpo. pensa, vagueia, esvazia-se, de modo próprio. é a autodeterminação da mente. estás doente. mas disfarças bem, se não acordas com olheiras do tamanho do vício de viver.
e quando vais dormir, a cabeça vive o que lhe apetece. dá estímulos que fazem o corpo agonizar. pegas nos barbitúricos, um, dois, três para ires ter com morfeu. mas passas-lhe ao largo. uma, duas, três horas e tu vigilante. cinco da manhã e despertas de supetão do sono que não dormiste. um vulcão de imagens e memórias fazem-te chorar, tremer, encolher, fugir.
percebo que a linha está perto do fim. lá, não há precipício algum, nem tormenta, nem emoção, abraços, nada. não há linha de água, não há redenção. quer-se um cadáver bonito, mirado pela curiosidade de estranhos. os próximos vigiam o remorso da perda. os teus amores não perdoam a saudade impingida. são os danos colaterais das partidas.
depois do fim da linha, há paz. não há anúncios sobre produtos contra a queda do cabelo, nem medicamentos para reforçar as defesas. não há doenças, nem contas para pagar, nem compromissos. é uma terra de ninguém, possivelmente no espaço sideral. não me esperam impostos, nem trabalho, nem amigos, nem quinquilharia. é marcar o fim da linha. egoísmo con sentido, se passaste anos a viver para os outros. fazes desse o teu estandarte de liberdade. e a última atitude de bondade, também.


p.s. - a grande vantagem dos blogs é permitirem calendarizar a publicação de posts ad infinitum...

terça-feira

final (1)

sempre soube que morro cedo. agora, nada importa. há duas semanas que era suposto começar a ficar melhor. nada disso. cada dia é mais penoso. o descontrolo imbecil das emoções, para lá do corpo e do intelecto. três horas de terapia, em vez de uma, não chegaram para o efeito. não sei se consigo esperar os três meses necessários para estabilizar. tenho muitas dúvidas de que seja um projecto viável. agora, não sei nada. a doutora esforçou-se. e eu tenho-me portado como é suposto: tomo os medicamentos, trabalho certinho, vegeto. é o que é. nada.
hoje comecei a fazer a minha banda sonora final. terá o "funeral" todo, e mais uma dúzia de canções da minha vida. sei que quero ser cremada. e quero uma bandeira arco-íris, mais o símbolo feminista - tarefa que alguém acautelará.
antes disso, se nenhum veículo me apanhar sonâmbula junto a uma passadeira com sinal vermelho, tenho mensagens a escrever: três pedidos de perdão, incomensuráveis, que nunca serão concedidos. sei que vão sofrer injustamente.
a vida é madrasta? pode ser. mas é mais qualquer coisa. deselegante, injusta, perversa, torpe, sem bondade, sem lisura, sem sentido.
a obsessão do sentido perde-me. e não há sol.

the fight song

segunda-feira

final

"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."

clarice lispector

some things...

everything must change

domingo

antónio sérgio

não há muito a dizer. cruzamo-nos na rádio, anos a fio, a horas tardias. escutei-o, e à mulher, em programas fantásticos. é nesse ofício alguém verdadeiramente insubstítuível. um tipo de aspecto duro e muito cavalheiro, ternurento de um modo próprio, simpático para os companheiros, uma enciclopédia humana da música do futuro - sem concessões. quem gosta, aprendeu muito com o que ele divulgava.
aos 59 anos,
morreu o antónio sérgio, a voz do lobo.
rip, as always

f**cking song

quinta-feira

wake up



arcade fire - há dois anos, em julho, junto ao trancão foram um enorme privilégio... a única banda que justificaria horas ao relento para conseguir bilhetes para um concerto, assim eles voltassem a reunir-se.

quarta-feira

tender forever...*



*pirateado do facebook

terça-feira

2


i hope i don't fall in love with you + no one knows i'm gone
[tom waits]

lágrimas de eros



... relação entre desejo sexual e morte, eros e tanatos, através da arte, mostra-se em madrid até final de janeiro 2010. os doze capítulos de "lágrimas de eros", incluindo as obras plásticas expostas, podem ser espreitadas no site do museu.

segunda-feira

'tá diferente

tampas com estilo

é já na quinta-feira, na sede da umar, o seguinte workshop utilitário:

Oficina: Tampas, dar e receber. Dizer "não" sempre que é preciso.
29 Out 20h Sede UMAR
Dizemos “não” sempre que queremos? Hmm, talvez não.. “Dizer não” é importante e vital, mas “dizer não” em todas as ocasiões necessárias é muitas vezes difícil. Há vários mecanismos que tornam o “dizer não” difícil, como por ex., o medo de não sermos aceites, pressão social, o medo de represálias, ou mesmo condicionalismos culturais de vários tipos.
O “dizer não” é importante quer em situações do dia a dia, no trabalho, família, relações, quer em situações perigosas para a integridade pessoal. Neste workshop não vai haver receitas mágicas, mas vai tentar-se expor o problema em termos simples, discuti-lo convosco, e fazer alguns exercícios em grupo que permitam a cada uma reflectir e encontrar a solução mais adequada.
A oficina é aberta a todxs, mas foi pensada para e com um contexto queer (ou queer-friendly) e feminista.Mais informações ou inscrições, contactar
antidote@imensis.net e dijk@walla.com.

domingo

rebelião

o mude inaugura quinta-feira,
29 de outubro, a exposição
'é proibido proibir' -
os anos 60 e 70 na moda e no design
(patente de 30.out.09 a 31.01.2010)

grátis

......
"aqui, desinteressadamente
tudo é de graça
a pele, o sexo, o travesseiro,
a ternura, o beijo, a água e o sono

movimentos perenes
falam línguas laicas
o olhar, o toque, o prazer
o tempo passa feito lava
o riso redime qualquer pecado

aqui,
o sonho é heroicamente sexy
o amor é sensualmente livre
o descanso é pagão, o espasmo é sagrado
e amar é grátis"

quarta-feira

passageir@

"somos uma espécie de passageiros.
não adianta dizer que a viagem nos aborrece.
podemos entreter-nos com a paisagem.
passar o tempo com as memórias.
sair abruptamente do veículo.
saltar dele em movimento.
chocar inadvertidamente.
sucumbir à imprudência do condutor.
podemos distrair-nos até à próxima estação.
experimentar descer em apeadeiros.
a viagem prossegue - independente do passageiro
."


sábado




lettie, 1ª parte do concerto de peter murphy em portugal [tb no myspace]

tudo é relativo

acordar com o nariz a sangrar. eis uma evolução muito positiva.

sexta-feira



the lodger [tb no myspace]

terapia

pode alguém montar o puzzle, se a caixa não foi aberta?

quarta-feira



dirty epics [tb no myspace]

muros

nunca gostei de muros. onde cresci, o topo dos muros estava cravejado de vidros. a ideia de trepá-los, arrepiava. ninguém se atrevia. lembro-me que preferia os portões de ferro, as cercas de arame ou as fragas - uma fraga galga-se.
agora dedico-me à construção de muros. estou ainda na fase das fundações. primeiro, esburaca-se para ver a consistência do terreno. é nesta fase que se pode encontrar o solo movediço. depois, vigas de aço e muito cimento.

como todos os muros, esse também será derrubado. mas até lá é um desperdício de betão armado. nada disto faz de mim uma expert em construção civil. de engenharias, não percebo nada.

terça-feira

maria carolina

...é o amor em pessoa_inha. foi feita com/por amor, é alimentada de amor.
nunca vai poder ser uma pessoa preconceituosa, e com isso transporta uma grande vantagem.
ela vai ser aquilo que quiser. atrás dessa liberdade, durante e depois, está o amor delas(- -), mais um grupo de amigos e tias.
a maria carolina tem o fascínio dos olhos sorridentes e vivos, que miram as coisas, a comida, os animais, os outros, de forma pura. sei que tem uma estrela que a ilumina e nunca será uma má pessoa - embora possa ter os seus momentos de revolta, porque ninguém cresce sem eles. mas como o amor é uma constante da vida desta criança, mesmo quando faz traquinices que levam ao quase desespero materno, ela é uma miúda feliz. recebe uma repreensãozita como recebe mil abracinhos, milhares de beijos e distribui, ela própria, milhões de sorrisos. e se adora cócegas na barriguita, retribui com risos em cascata que arrepiam de alegria qualquer alma dorida. e cada sorriso dela, ou vergonhita infantil, é espontânea - não serve para medir o efeito ou a dimensão dos afectos.
a maria carolina é a prova de que os sonhos, todos os sonhos, têm de ser consistentes e trabalhados para criar uma realidade optimista.

segunda-feira

the sweetest thing *



* camera obscura
...mas quando temos um concerto desta banda em portugal?!

domingo

trocar as voltas ao sono

entre as boas das coisas assim-assim pode estar um filme daqueles que nos faz pôr vida e morte na perspectiva real [my sister's keeper] e uma conversa confidencialmente amistosa.
é por isso que aos amigos - e a toda a gente, incluindo-me - desejo sempre a mesma coisa: que recebam a dobrar aquilo que fazem. bem-[h]ajam.

sábado

amplos

...este sábado à tarde, apresentaçao pública em lisboa: foi bom ver tantas organizaçoes a apoiarem a "amplos". a associação de mães e pais pela liberdade de orientação sexual poderá ajudar doravante muitas famílias (entre os testemunhos, o dos dois transsexuais presentes foi dos actos de coragem mais marcantes que já presenciei).

sexta-feira

don't look back


o título deste post pode ser, espreitando o google, um jogo de computador, um documentário, títulos de músicas de vários grupos ou até uma ficção, no caso 'ne te retourne pas' - título de um dos filmes da festa do cinema francês, este ano em várias cidades do país. pela sinopse e pelas actrizes - sophie marceau e monica bellucci - este filme de marina de van parece-me um dos mais apetecíveis. o melhor é consultar a programação e desfrutar as fitas.

quarta-feira

democratizemos o código de barras

o google lembra: hoje faz anos que nasceu o código de barras.
eu só peço que se googlize o código de barras. sonho com o dia em que o código de barras me simplifique a vida. por exemplo, vemos uma pessoa e nada sabemos dela, só as primeiras impressões. e como não há uma segunda vez para causar uma primeira impressão - já dizia alguém - é por aí que nos orientamos. está mal. um código de barras simplificava tudo: mostrava-nos a proveniência e a natureza do ser, a sua durabilidade e até o local apropriado para o armazenar. nunca se correria o risco de encaixar conteúdos pela aparência, ou de sermos seduzid@s por aparências de conteúdo diverso do que se intuiu.
com código de barras, o mundo podia ser mais parecido com uma manada de zebras mas, convenhámos, seria incrivelmente mais simples.

sexta-feira

msg para o fds e para os outros dias



[bela mensagem, simples, evidente - vídeo sacado do facebook]

terça-feira

green day

há muito tempo que não me entravam tantos decibéis pelos tímpanos, nem havia tanta gente tão perto... e eu lá atrás, 25 anos antes - talvez - noutro pavilhão, com outra banda punk, outro amor comigo e o mesmo espírito de sempre.

p.s. - 'odeio' as segundas-feiras que são o dia verde para semanas lixadas...

domingo

everything with you

The Pains of Being Pure At Heart "Everything With You" from Slumberland Records on Vimeo.

das eleições

...com quase 40% de abstenção, quem não vota, não merece a cidadania.
...com certas mudanças no programa eleitoral, o ps em maioria-não-absoluta pode ser finalmente coerente com a esquerda que reclama ser.
...em maioria-não-absoluta, voltaremos a ter legislativas antes do prazo?
...e, agora, a arrogância vai estar disseminada em várias bancadas.
...em quem terá votado, afinal, aníbal antónio cavaco silva?
[intuo que fez campanha para se reeleger]

terça-feira

to my brother



the organ - Grab that Gun (2004)

quinta-feira

lido ali

"sinto-me uma folha sobre um lago: mantenho-me á tona, e sei como o equilíbrio é frágil".

sábado

terça-feira

same-sex marriage

não é preciso ser a favor, basta entender [o que é hoje o casamento] e aceitar [que haja quem queira optar]. o documentário 'tying the knot' é exemplar e está disponível na net (+- 01h30).

cinema aí

falta pouco para o queer lisboa festival. é de 18 a 26 de setembro, no sítio habitual. a programação está disponível dentro de uma semana.
p.s. - a minha agenda (a)guarda sacanas sem lei, o novo tarantino. depois ainda estreiam abraços desfeitos, o mais recente almodovar

domingo

sem eira, nem beira

...ou "sans toit ni loi", título de um dos filmes de agnés varda, que a própria evoca no espantoso "as praias de agnès"(ver ípsilon). se abríssemos as pessoas, encontravamos paisagens - diz ela. no caso da cineasta belga, porém, encontraríamos 'praias' - e como são fantásticas as imagens e os enquadramentos que ela filma em praias... mas este não é um filme balnear, mas o revisitar de um percurso pessoal, político, musical, cinematográfico, artístico. um filme autobiográfico, feito a respigar memórias.
um conforto esta história.

sexta-feira

fiery furnaces



no ípsilon/público apresenta-se o novo disco "i'm going away"

quinta-feira


quarta-feira

belo cenário, grande noite

2 de outubro, 23h30, lx. instituto superior de agronomia, lesboaparty 3ºaniversário

... a perfeita despedida do verão

terça-feira

a noite é o reverso do sol

a nasa vai estudar o sol. meta: saber de que forma o sol influencia as nossas vidas. infelizmente, a nave não é tripulada. [notícia i]

sexta-feira

'-)



ramones - baby, I love you

quarta-feira

:(



patti smith's - because the night

sábado

.. .. ..

« eras a parte boa da minha vida.
sem ti não há sol, 40 graus não se sentem no corpo, caminhar sem rumo não doi, mesmo sob o sol impiedoso. não vale a pena fugir para a sala de cinema, não há mar que me acalme. não há vontade de escrever, arrumar, olhar.

não há fome, nem sono. nunca. não há futuro algum, nenhum presente. não há sequer vaguear. não há sentidos. só há dor grande e sem fundo.
sempre disse que não há mundos perfeitos. nunca houve. agora não há nada de bom - só o que sinto, sem ser a troco da tua felicidade maior.
podíamos ir para lá dos pirinéus, podíamos ficar a resmungar diferenças. esperam por nós a escócia, florença, nova iorque. valeria sempre a pena. valia a pena ter cometido os erros que cometi, as ingenuidades todas, a perda nos afectos mais viscerais. não tinha importância a penúria da vida, a falta de escrúpulos, as chatices diárias. eu sabia que tu me acarinhavas. e completavas com a tua raiva e a tua fé as coisas mais baixas que acontecem. passou a paixão, é certo. passa sempre, sabias? comecei a desculpar tudo, mesmo as irracionalidades mais básicas, as birras mais infantis: todas as coisas que não são realmente importantes. pesava mais o que sobrava de bom. o optimismo pesa sempre mais quando o caminho se faz acompanhada. pessoas como nós têm obrigação de construir. ninguém é feliz a destruir, mesmo que se muna de argumentos lógicos. ninguém dá na medida exacta do que recebe, sei disso.

eu sei das letras e tu mostras-me as cores em todas as pautas. e assim faz sentido. para mim, nenhum conta-quilómetros me cansa se me levarem longe contigo, até ti. e perco-lhes a conta, não me importo. agora, simplesmente, não há momentos felizes para mim. e para ti?
és a (parte boa da) minha vida. ainda és? »

segunda-feira

um intervalo no zen

"bate com o murro no balcão: vai ver que és melhor e mais depressa atendida!"
recebi o conselho e passei à prática. comecei a negociar com o fornecedor de telemóvel, depois com o serviço de net+tv, e por aí fora. nalgumas coisas, há que "dar tempo ao tempo", noutras é melhor pôr logo tudo "em pratos limpos". um murro na mesa pode ser um método socialmente profilático. essa é que é essa! a mesa (ou o balcão) não se queixa, a gente sai do marasmo do tolo, e ninguém se aleija. bem hajas, m***, pelo conselho :-)

é todo um programa para a semana


gelado de bolo de coco*.
a fidelidade numa colherada.
sem remorsos, nem complicações.
espera por nós no fresquinho.
deixa-se comer. e pede mais.
fazemos a (nossa) vontade.
deguste-se o coco.
moderadamente doce.
suave e refrescante.
a fidelidade numa colherada.
sem pecado.
simples.

[*pingo doce]

sábado

economia de escala

poupar nas chatices, nos gastos, nas preocupações, no tempo. não poupar, também. nunca poupar no riso, no beijo, no ar livre, no sexo, nos abraços envolventes.

quinta-feira

cientificidades

cientistas, gosto muito de cientistas. são o sal do noticiário. tão depressa confirmam evidências, como elaboram as teses mais recambolescas. nos jornais sabe-se que dá muito jeito ter um cientista à mão. como aqueles que agora descobriram que, quem fuma, fá-lo mais ou menos em função da cor do maço de tabaco. contra factos?!
fumo porque gosto. melhor seria não gostar.
outros cientistas arranjam bons pretextos: muito mais de dois terços (76,5%) do que pagamos pelo tabaco são impostos.
contra factos, os argumentos esfumam-se...


ps - o humor, mesmo fraquinho, é um bom antídoto para a tristeza. e não faz mal à saúde, nem paga imposto.

quarta-feira

de_ver VER



...e ir aqui

[dirt estará à venda em setembro, nos eua]

segunda-feira

alter-ego da comunicação

poucos livros chamam por nós. de vez em quando, acontece. este* lê-se em cinco minutos. e relê-se espaçadamente, necessariamente. custa pouco mais de cinco euros. é como um remédio redentor cheio de contra-indicações. a cada leitura, pensamos num referente. a cada folheadela, coloca várias interrogações. aplica-se a múltiplos significantes. só podia ter sido escrito por um ilustre desconhecido japonês.

"Se a pessoa a quem atiramos uma bola
com toda a nossa alma a apanhar,
e se nós apanharmos a bola que essa pessoa
nos lança de volta, então
um acto de comunicação acontece
Há sempre infelizmente muitas tentativas
de comunicação que não chegam a concretizar-se.
Se há compreensão,
pode ter-se pensamentos diferentes, interesses
diferentes, sentimentos diferentes –
e ainda assim estar juntos."


*[Quero falar-te dos meus sentimentos, de Mamoru Itoh; ilustração de Hiromi Isogawa; edição Padrões Culturais]

domingo

do_mar

o mar lava-me. jogo com ele na distância próxima, destemida face aos homens. é um manejo de forças que empurrram para a praia, uma qualquer, enquanto ameaçam engolir o corpo. o mar não me diz nada, mas com ele aprendo tudo. faz da minha cabeça um território vazio e deixa-me chorar sem que se note. quando descanso por instantes, leva-me num solavanco de pancadaria tonta. esfria a alma e incendeia o dorso. sacode, agita, rebola. esconde segredos, desnuda fraquezas. acalma e energiza. faz a melhor cama para uma vigília sem propósito algum.
o mar amansa e amassa. tudo.

sexta-feira

encantadora evidência

há concertos inolvidáveis. o de mr. cohen foi um desses. tocante. porque foi mr.cohen. porque é irrepetível.
ainda bem que as coisas únicas não se repetem.

quarta-feira

swing contra a crise


Caravan Palace - Suzy

a medição da irrelevância

se um tipo que manda diz a alguém que o esse alguém pensa, quer, deseja é irrelevante, está só a ser irrelevantemente tirano ou simplesmente estúpido?
entre números e factos, a relevância advém dos valores de quem julga ou do enquadramento dos dados. já a irrelevância como muleta de linguagem (o lugar primordial onde se exerce o poder) só (me) provoca um esgar de sorriso.

terça-feira

edite soeiro

ela corrigiu-me o meu primeiro trabalho. usava uma trança longa e preta e acho que não saía de frente da máquina de escrever. resmungava baixinho por vezes e impunha um respeito raro numa redacção de homens onde, pelo futebol, estava à vontade. por alguma razão todos, do imberbe estagiário ao camarada chefão, entregavam-lhe os textos para reler e editar como deve ser. ela, tinha o sorriso, contido e seguro, mais marcante que alguma vez encontrei. deu-me conselhos que tinham o preço da sua sinceridade e por isso foram à borla. usava quase nenhumas palavras para falar da vida alheia. era frontal e severa, meiga e maternal. tinha nostalgia de áfrica, saudades do seu próprio começo. era a mais popular entre os novatos. e fazia um arroz de balhacau divinal.
edite, acerto a minha dívida consigo depois.

domingo

veraneio de aforismos

em férias: definitivamente, não fazer planos, não garante aventuras mais excitantes. assegura imprevistos, o que não é o mesmo que um improviso imaginativo.

o tempo esvaindo-se sem um propósito é o mais saboroso do descanso.

a centenas de quilómetros de distância, ela detecta, pelo simples tom de voz que atravessa um telefone, o meu estado de alma. o instinto funciona tal qual um sinal de alarme. mãe é quem nos quer bem.

a moda, dizia a minha avó, está sempre a passar de moda.
porém, isso não chega para que se perceba a razão de usar slip debaixo de calções de praia - algo observável numa praia perto de si.

entender. é preciso entender para aceitar. até para contrariar. ou para desistir de entender. entender como alicerce primordial. se não entendo, perco-me.

diz-me ele: "com classe tudo se supera, ou tolera melhor". e remata assim: "gente inteligente é outra louça, não somos? LOL".

amar é uma sinfonia do entendimento - pelo humor, pela lógica, por outro ângulo qualquer.

tempo de verão

sexta-feira

coisa de mãe

"eu acredito no trabalho.
talento, toda a gente o tem!"

geraldine chaplin, yodona.com, 18.07.2009

terça-feira

o reencontro com a diva

dona amália. todos lhe falavam assim. dirigi-me a ela, a propósito de uma condecoração que ia receber. eu, uma miúda, ela uma senhora. entre a insegurança da repórter e a pose da diva fez-se um registo que passou na rádio. pensei-o perdido. voltou para mim, agora [obrigada!!!. são escassos minutos de conversa solta pela tarde, lá em casa. solta-me uma pontinha de orgulho e nostalgia: não há erro grave de quem entrevista, nem voz trémula, nem questão deslocada, sequer perguntas tontas - e o assunto era escasso, a experiência nenhuma.
por isso, o que sobreveio depois tornou-se francamente pouco relevante.

quinta-feira

a importância da literacia

saber ler: uma coisa que o tempo nos dá, se estivermos com vontade de aprender. se nos mantivermos acordados. virar a atenção sobre o exterior de nós. e aprender nos subtis movimentos do rosto, num olhar vagueante, na ausência de gestos e no desprendimento desatento, o fio final da história. admitir, ainda assim, que não pode haver muita severidade. nem sobre nós mesmos, nem sobre os outros. a vida são dois dias - vá lá, três... é sempre pouco quando se sonha muito.

quarta-feira

a pior violência vem de dentro

violência é violência. física ou psicológica, venha o diabo e escolha. a pior, mesmo, é a emocional. tanto pior quanto, na maior parte das vezes, é a vítima que a inflinge a si própria. dessa, não há lei, nem polícia, nem apav que nos livre. só nós mesmas.
uma mulher rasteja, chora, deambula, até que qualquer presente (envenenado) lhe devolve uma ilusão de futuro.
vem isto a propósito das cenas a que mulheres inteligentes, cultas, emancipadas e profissionalmente competentes, se 'condenam'. aceitam sustentar um ser simplório a troco de sexo ou para manter aparências de uma absurda normalidade com que formatam suas próprias cabecinhas. demasiado triste, exageradamente complexo. em certas ocasiões, bem gostava de ter um número de emergência para chamar uma brigada anti-mutilação. às vezes são tão escandalosos os desequilíbrios de atitude que chegamos a ter naúseas, como testemunhas, de tanta bipolaridade emocional. e que herança de respeito [autodeterminação] deixamos?
é certo que há fraquezas e recaídas em todos os seres, mas no que toca a comportamentos autodestrutivos e de negação ninguém chega aos calcanhares dessas mulheres: a auto-estima fica a preço de refugo, a dignidade segue para a reciclagem e todos os gestos são dignos de uma estação de tratamento de águas residuais... isso sim, justifica que vertamos lágrimas pela dignidade perdida.

segunda-feira

telelés

li ou tresli (sonhei?) que em breve haverá um telemóvel que automaticamente permitirá bloquear chamadas anónimas. grande progresso: adeus ao tilintar das chamadas de call centers do banco a, b ou c, idem da seguradora x, ou da empresa de crédito z.
a seguir só fica a faltar o telemóvel que rejeita automaticamente passatempos de toques e concursos das próprias operadoras. mais difícil, essa inovação: isso, sim, será um upgrade de civilização.

sexta-feira

solo i sogni sono veri

prendeu-me há dias quando passou na televisão.
'attimo', de gianna nannini, último álbum: só os sonhos são verdadeiros.

Gianna Nannini - Attimo

o amor é uma labuta

um tipo que tenho andado a ler diz-se um 'clandestino emocional'. põe-me a pensar nessa coisa que são as relações amorosas. uma merda, é o que é. em tudo semelhantes à bebedeira: uma sensação boa no início e uma mocada grande depois. na ressaca, há quem negue as evidências. comportamentos de negação só adiam o desfecho. entretanto, pena-se. a negação faz de nós seres selvagens, movidos por instintos básicos: [selvagens devem viver na selva, a civilização é para humanos. bem sei que se a gente não ocupasse tanto o espaço, ainda hoje tinhamos mais florestas virgens que arranha-céus]. a coisa, definitivamente, não tem solução. amar dá muito trabalho. na aritmética dos afectos é mais um custo que um investimento. isso, em tempos conturbados como estes, até pode ser mentira mas faz muita diferença.

terça-feira

(des)graçola

pior que uma segunda-feira, só duas segundas-feiras.
felizmente não são servidas aos pares.

segunda-feira

a pior parte

fim-de-semana e... acabou-se!
constatação que é mesmo como o glacé que estraga o bolo de um fim-de-semana que se estica ao máximo, (pre)enchendo-o com tudo a que temos direito. sol e mar, esplanada nocturna para conversa e riso solto, jantar em família com diálogos estimulantes, bom clima, bom cinema, mais o exercício de direitos cívicos. pelo meio, fazer um raide em countdown num centro comercial torna-se até aceitável - com hosanas ao (detestável) ar condicionado que nos salva da torreira a céu aberto.
[mas fazer render assim um fim-de-semana dá um trabalhão]
é por isso que reclamo um "alargamento de prazo" do fim-de-semana. é o mínimo. ao contrário do incrível ricardo semler, nem peço um fim-de- semana de sete dias, bastam-me três: um para dedicar só a mim, outro aos que me são queridos, o terceiro para não fazer nada.

terça-feira

fazer mudar

ferreira fernandes escreve hoje sobre a primeira revolução feminina, a propósito do que se está a passar no irão.
não sei se é a primeira revolução feminina, nem sequer se os factos reportam uma revolução. mas a crónica, bem escrita, chama a atenção para o que me tem impressionado: no meio daquelas multidões, perigosas como são todas as multidões, há imagens de algumas mulheres na rua, cara destapada,corajosas, destemidas, esclarecidas. e lindas. o regime iraniano pode cortar a internet e as telecomunicações com o exterior, como o tem feito largas horas, pode reprimir sem limites, mas a realidade começou a mudar.


e no sábado, noutro cenário, também nós podemos mudar qualquer coisa.

a igualdade já passa por aqui.

domingo

lida algures

pelo caminho, um gajo começa a ficar exigente e tolerante ao mesmo tempo

terça-feira

blogando

pergunto-me às vezes que sentido faz ter um blog. é impossível desfazer-me disto. fui espreitar blogs que costumava seguir. são mais de trinta, estão maioritariamente na lista ao lado. é incrível a quantidade deles que pura e simplesmente fecham, ou que deixaram de estar activos. outros resolveram reservar-se a leitores convidados sem o anunciar aos fãs, o que acho sempre estranho. há, no entanto meia dúzia, sim, uma boa meia dúzia, que continuam a ser boa companhia de deambulações naquelas horas em que a melancolia não deixa ânimo para mais nada. e há aqueles que, mais do que as mensagens que emitem militantemente, me comovem sempre, mesmo porque narram, com simplicidade desarmante, como (se vê o que) foi um bom casamento. há também os narcísicos, onde bisbilhoto a vida de amigos e conhecidos, sem a inconveniência de um telefonema. ou os que moldam a arte da ironia e da nostalgia, na boa escrita.

venha o que vier, redes virtuais ou vales de solidão, um blog é um grande conforto.

coisas assim-assim

...que me deixam um bocadinho infeliz: nunca mais haver um disco novo dos arcade fire.
em compensação, sempre que me enrolo nos meus pensamentos fico um pouco mais feliz, porque, na verdade, eles não são nada complexos.

domingo

traumas, é o que é

passei ao lado de uma grande carreira política. estava entretida a sobreviver à minha custa e claro que nem dei por ela (a carreira política). foi aí que os nossos destinos nunca se cruzaram... eu fiquei a tratar da vidinha e ela seguiu galopante pelo centrão. sempre pendi para o meu lado esquerdo, o que faz de mim estruturalmente uma... piegas. na hora de votar, porém, recolho tudo o que me resta de racionalidade e voto sempre: piegas. é por isso que esta noite apanhei um susto. temo que regressem os pesadelos que tive quando o dr. aníbal silva nos engoliu com uma inesperada segunda maioria absoluta. se a dra. manuela leite se prepara para um remake, não sei se sobrevivo aos suores frios.

quarta-feira

dias concentracionários

hoje há mais uma pessoa feliz na cidade à minha custa: vandalizou-me o carro (excepcionalmente resolvi prescindir do transporte público).
hoje também, um calor insuportável irrompeu pelo termómetro acima, e quando estava para lá dos trinta, quase que tive saudades da chuva.
hoje ainda, entraram-me amigos e conhecidos aos molhos no facebook, onde eu nunca tinha estado - mal entrei, a casa soou-me estranha e familiar, mas será mesmo?

terça-feira

ama y haz lo que quieras

"nenhum ser humano é igual à sua retórica"
"a importância de distinguir a identidade sexual psíquica de um indivíduo e o seu objecto de desejo sexual"
sobre o desejo, a analogia: "se estamos talhados para possuir uma linguagem, não estamos desenhados para uma linguagem particular"
"a diferença de ser humano face ao resto dos vertebrados significa ser capaz de escolher maior número de respostas face a um mesmo estímulo"
e a frase que faz sorrir: "o órgão sexual de maior extensão é a pele"
tudo envolto em "ama e faz o que quiseres" - princípio que deveria presidir a essa "revolução emocional pendente cuja primeira reivindicação é o direito à mutabilidade, o direito a estar, a sentir e sentirmo-nos, de diversas, variadas e novas maneiras"

["lesbofobias" é a tese de olga vinuales, uma antropologa catalã. o título do post é de um romance que ela cita no livro, no qual desenvolve o conceito de identidade como um processo.]

segunda-feira

still light, still night*

*um disco que é mais do mesmo, por isso, muito reconfortante. foi o meu mais recente meio-acto de "consumismo compulsivo". o outro meio é "tempos interessantes"- aprende-se muito com a história e ninguém guia a viagem como eric hobsbawn.

quinta-feira

taste me

a obsessão pela clareza. datas, como gosto de datas! decisões em datas. o melhor e o menos bom. cruzar personalidades, trocar papéis. aferir o que o lado esquerdo adivinha. só depois, o racional juízo lógico. ... a lógica é uma batata.

quarta-feira

you f***** it up...

(clicar para ouvir o resto)

sábado

testigos

DEPRAVADOS
DADME
AMOR

(bcn set.07)

HAY QUE
BESARSE MÁS!

(bcn abr.09)

quinta-feira

fraquezas

comovo-me com as declarações de amor inscritas nas paredes dos prédios.
"miguel= ana amo-te"
o amor concentrado numa equação simples. A declara-se a B. coisa linda, límpida, irrefutável. o bem-querer escarranchado no testemunho alheio. a paixão exposta como uma declaração de princípio. mudem-se os nomes, então. quem não gostaria de ver o seu, assim escrito, travar-se de razões para resistir ao tempo, numa parede da cidade?

segunda-feira

malgré tout

escolher o que se diz e o que se omite. falar claro. não ter medo. engavetar o que não está resolvido. calar as dúvidas e sossegar a ansiedade. esperar por um sol luminoso. aquecer as moléculas de água, todas. envolver o corpo por calor moderado. passar a limpo as ideias. passar a pano as nódoas. perfumar discretamente o som. sentir uma brisa que liberta a pressão. pôr uma cancela no lugar da porta blindada. abrir todas as janelas. sorver as correntes de ar. avançar prudentemente. saber reconhecer um precipício. cuidar da limpeza do caminho. dar uma volta sob o céu. tornear os relevos. caminhar.

sexta-feira

poemas de b. brecht

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.”

(...)

“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.”