sexta-feira

final (11)

perdi a conta ao que me preocupa: nada. não traço objectivos, tento manter-me atenta ao pequeno deslize: não esquecer tomar banho, colocar o leite no frigorífico, engolir os comprimidos, responder aos telefonemas que, nos últimos dias, começam pelas oito da manhã e acabam noite dentro - é trabalho, importa manter uma normalidade de competência.
a inacção não dura sempre. um dia, o sufoco acaba com um esgar único.
nenhuma crise é eterna, reinventa-se como a água que corre nos rios... e as margens que violentam o curso, antes que desague.
não me apetece falar com pessoas e passo o dia a fazer isso, profissionalmente.

pensei adoptar um animal (já me é 'autorizado') para garantir a macieza da carícia e o afecto sem cobrança. pedem cem euros que eu obviamente não tenho. estou para lá da conta-ordenado, mais a amortização necessária do empréstimo contraído na derrocada (em que me afoguei sob mãos azeiteiras).
ainda assim, atendo sempre amigos e a tríade que amo. posso não falar nada, pergunto, estou lá.

talvez seja a primeira sexta-feira sem as copinchas habituais. mas estarei a beber, no bar do costume. há a surpresa de um concerto para recordar e, talvez, cinema. se o sol não fugir volto à praia.
o mal-estar alastra. há uma constipação que espreita, uma série de exames médicos a marcar, o desalento - sempre. urge ultrapassar o tempo.

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