num país de gente tão disciplinada e chico-esperta, discutir a hipótese de referendar o casamento entre homossexuais é mais um caso de "esperteza saloia".
uma ampla maioria de eleitores votaram em partidos que tinham o fim da discriminação no casamento no seu programa. comprometeram-se a legislar no sentido de acabar com essa desigualdade que, aliás, contraria a constituição da república. claro que o código civil diz que o casamento é uma instituição entre pessoas de sexos diferentes. mas a constituição é a lei máxima e, se algo há a mudar, é o artigo do código.
que dois gays ou duas lésbicas se casem é assunto que só a eles e a elas diz respeito. não interfere com estranhos ou terceiras convicções, a não ser no sentido em que passam a ter de tratados com a mesma dignidade de casal, no que diz respeito a ter filhos, a heranças, a apoio familiar e até a dívidas. só por isto, casar não prejudica ninguém, apenas beneficia a sociedade.
que se crie uma lei que admite o casamento entre pessoas do mesmo sexo mas se 'salvaguarde' o direito de gays e lésbicas adoptarem é uma bizarria. se casais heteronormativos podem adoptar, dentro de certas condições e burocracias, os homonormativos não podem, porquê?
inventar uma lei que reconhece dignidade do casamento mas exclui direitos é um contrasenso - e uma ilegalidade.
mais, o que acontecerá num casal gl em que há crianças e jovens que um ou os dois membros do casal já têm a seu cargo, porque filhos de anteriores relações, adoptados, nascidos por inseminação, etc.?
voltamos a ter dois tipos de filhos? os filhos legítimos e uma espécie de filhos, agora talvez filhos (anti) naturais?
como não está provado que casais gl tenham menos competência para o serem, também não está provado que sejam menos habilitados a serem pais ou mães. exercer o poder parental é essencialmente um acto de generosidade e grande responsabilidade. acresce que muitos casais gl têm poder de compra acima da média e condições socio-culturais vantajosas para educar e criar filhos. é essa a tendência lá fora, já que, cá dentro, não há dados...
por tudo isto, se um casal de gays ou de lésbicas decidir casar deve poder faze-lo com plenos direitos e deveres. o facto de optarem por casar, não melindra a dignidade do casamento de terceiros, seja civil ou religioso. não melindra uma sociedade onde não somos todos padronizados - graças a deus! pode ainda chocar algumas alminhas... sinal de que andavam a dormir.
posto isto, nunca fui fã de casamento mas também nunca fui contra. acho apenas que, quem quiser, casa. e ninguém tem nada a ver com isso. o assunto em voga não é para armar debates, é pura questão de bom senso.
AS MULHERES TÊM TODAS UM PONTO DO CORPO, UM RECANTO DA CIDADE, UMA HORA DO DIA, QUE SÃO NELAS COMO QUE UMA PORTA SECRETA, PELA QUAL PODEM SAIR DE SI PRÓPRIAS, DA SUA TIMIDEZ, E PENETRAR EM TODA A ESPÉCIE DE LOUCURAS, GRAVES OU VENIAIS.[Erik Orsenna]
domingo
sábado
final (19)
o segundo encontro durou metade do tempo do primeiro. falámos demais do 'assunto'. tenho de esperar, continuar 'paciente', mas não apetece. a questão agora, para mim, está no foro da justiça - algo de que, desde que me conheço, nunca abri mão.
o 'assunto' até parece arrumado. não sei da chave, agora que tenho recomendação para resolver e livrar-me disso. não tolero que alguém me diabolize e, como púdica meretriz, se vitimize prenha de maldade. se me atiram às cordas, vai haver KO
é grande a diferença entre distúrbio e doença, disse. entende-lo nada muda. porque não se trata de uma equação matemática, nem de negócio empresarial. é, só, uma despudorada ausência de decência.
no dia seguinte acordei à hora em que devia sair de casa. culpa da constipação fortíssima e do cansaço. uma hora é uma hora e o meu respeito pelo tempo mantém-se. cumpro horários.
diverti-me sim, S. sobretudo com os que as duas disseram. a C. tem uma maneira desarmante de expôr as coisas. claro que os blogues são maioritariamente anónimos - infelizmente, este não é tão anónimo como isso -, e bem que gostaria de pespegar aqui o vosso 'manifesto' desassombrado. aprendi boas histórias e apreendi pequenos egotismos. nada de estranho, pois. foi um dia cinzento sob arco-iris. o caminho é feito por quem dá passos. a imensa maioria é sempre e só espectadora. em tudo.
saí dos carris para o BA. a converseta driblou assuntos triviais. a rapariga do bar ofereceu-me uma cerveja.
o dia está, como dizem os meus patrícios, de 'morriña'. um estado que agrava a inacção. urge encher caixotes.
o 'assunto' até parece arrumado. não sei da chave, agora que tenho recomendação para resolver e livrar-me disso. não tolero que alguém me diabolize e, como púdica meretriz, se vitimize prenha de maldade. se me atiram às cordas, vai haver KO
é grande a diferença entre distúrbio e doença, disse. entende-lo nada muda. porque não se trata de uma equação matemática, nem de negócio empresarial. é, só, uma despudorada ausência de decência.
no dia seguinte acordei à hora em que devia sair de casa. culpa da constipação fortíssima e do cansaço. uma hora é uma hora e o meu respeito pelo tempo mantém-se. cumpro horários.
diverti-me sim, S. sobretudo com os que as duas disseram. a C. tem uma maneira desarmante de expôr as coisas. claro que os blogues são maioritariamente anónimos - infelizmente, este não é tão anónimo como isso -, e bem que gostaria de pespegar aqui o vosso 'manifesto' desassombrado. aprendi boas histórias e apreendi pequenos egotismos. nada de estranho, pois. foi um dia cinzento sob arco-iris. o caminho é feito por quem dá passos. a imensa maioria é sempre e só espectadora. em tudo.
saí dos carris para o BA. a converseta driblou assuntos triviais. a rapariga do bar ofereceu-me uma cerveja.
o dia está, como dizem os meus patrícios, de 'morriña'. um estado que agrava a inacção. urge encher caixotes.
sexta-feira
final (18)
um dia, dou-me conta da repetição dos pensamentos: penso em ti quando acordo, penso em ti quando me deito. penso como fui infinitamente feliz. e aí páro de pensar ou, pelo menos, tento.não consigo deslindar o nó que se deu, quando se deu, como se deu. o porquê, raramente me interessa. precisava perceber como foi viver uma contradição permanente.depois, descansava desta tortura mental, anuladas que estão as sensações. 'não queiras perceber o que não te explicam' violentou-me sempre a natureza do ser. nunca me conformo.
é certo que ganhei outra consciência. mas isso são contas que não te conto. o mundo lá fora prega-nos partidas e um dia destes dei comigo no terraço de onde costumava falar-te a dar um murro no ar: yes! há telefonemas que nos despegam do fundo e nos fazem sentir desejadas como esquecera ser possível. pode ser uma coisa trivial, mas a vida é o que fazemos dela, a cada momento. e, sim, se for preciso correr riscos, voltarei a corre-los, bem medidos, bem arriscados, com proveito garantido.
continuo a não acreditar no euromilhões, mas acredito na pessoa que sou e disponho dela sem subterfúgios. não perdi a esperança de ter uma casa com lareira e vista para a foz, nem de fazer a viagem às maurícias. um passo atrás do outro, nas contas do presente. irei fazer a road trip que sempre sonhei mais cedo do que esperava... um dia destes, com uma pontinha de sorte, posso até ir viver para barcelona, nova iorque, who knows?
conjugo cidadania sem epifania e versejo cumplicidade com amizade.
sei que todos os caminhos bifurcam. não me encolho, escolho.
é certo que ganhei outra consciência. mas isso são contas que não te conto. o mundo lá fora prega-nos partidas e um dia destes dei comigo no terraço de onde costumava falar-te a dar um murro no ar: yes! há telefonemas que nos despegam do fundo e nos fazem sentir desejadas como esquecera ser possível. pode ser uma coisa trivial, mas a vida é o que fazemos dela, a cada momento. e, sim, se for preciso correr riscos, voltarei a corre-los, bem medidos, bem arriscados, com proveito garantido.
continuo a não acreditar no euromilhões, mas acredito na pessoa que sou e disponho dela sem subterfúgios. não perdi a esperança de ter uma casa com lareira e vista para a foz, nem de fazer a viagem às maurícias. um passo atrás do outro, nas contas do presente. irei fazer a road trip que sempre sonhei mais cedo do que esperava... um dia destes, com uma pontinha de sorte, posso até ir viver para barcelona, nova iorque, who knows?
conjugo cidadania sem epifania e versejo cumplicidade com amizade.
sei que todos os caminhos bifurcam. não me encolho, escolho.
quinta-feira
final (17)
um destes dias dei com a notícia do site holandês de apoio ao suicídio. se tivesse capacidade para pensar nas motivações de quem o criou, tê-lo-ia feito. assim foi só a estranheza: alguém que vive preocupa-se em apoiar quem projecta suicidar-se... neste mundo, de facto, a realidade ultrapassa sempre a ficção.
a maneira mais prosaica de a gente se suicidar é andar por aí. uma aglomeração de gente faz maravilhas a quem esteja deprimido. acentua a tristeza e dá logo vontade de fugir, se entretanto não se desmaiar com a clautrofobia social. o cenário mais típico e mais procurado é, em portugal, um centro comercial agora decorado com apelos natalícios.
desde os nove, dez anos que não acredito no menino jesus, que era como chamavamos ao pai natal. por essa altura, duas existências marcaram o fim do natal: a morte do meu avô josé o nascimento da minha irmã. um e outro são, ainda hoje, mistérios encantatórios para mim. o natal é uma época de exageros e falsidades. passo bem sem eles. gasta-se o que não se tem para fazer vista, pensa-se nos tristes egoisticamente, no meio da ceia e bem-estar de que se goza. um dia, vou isolar-me, sem relógio nem bússola, num sítio ermo. alhear-me do mundo, só para ver se no regresso confirmo os piores prognósticos: não há emenda para a multidão insolente.
a maneira mais prosaica de a gente se suicidar é andar por aí. uma aglomeração de gente faz maravilhas a quem esteja deprimido. acentua a tristeza e dá logo vontade de fugir, se entretanto não se desmaiar com a clautrofobia social. o cenário mais típico e mais procurado é, em portugal, um centro comercial agora decorado com apelos natalícios.
desde os nove, dez anos que não acredito no menino jesus, que era como chamavamos ao pai natal. por essa altura, duas existências marcaram o fim do natal: a morte do meu avô josé o nascimento da minha irmã. um e outro são, ainda hoje, mistérios encantatórios para mim. o natal é uma época de exageros e falsidades. passo bem sem eles. gasta-se o que não se tem para fazer vista, pensa-se nos tristes egoisticamente, no meio da ceia e bem-estar de que se goza. um dia, vou isolar-me, sem relógio nem bússola, num sítio ermo. alhear-me do mundo, só para ver se no regresso confirmo os piores prognósticos: não há emenda para a multidão insolente.
quarta-feira
final (16)
correr riscos. aventurar-me.
em miúda, trepava à árvores, subia pedregulhos, estampava-me de bicicleta, rachava os joelhos, andava à porrada pelo meu irmão e desmentia quem amesquinhava as aventuras do 'tigre da malásia'.
tom sawyer, h. finn, sandokan, os cavaleiros da távola redonda, e uma série de fábulas muito impróprias para crianças, encheram-me a imaginação. nunca apreciei 'o principezinho'. preferia a louca da 'alice no país das maravilhas'. depois vieram os russos e os franceses e, com a leitura, a escrita ganhou refinamento, o pensamento soltou-se pelas estepes, entre cossacos e samovares. envolvi-me no desatroso império romano, apaixonada pelos gladiadores.
a coisa sedimentou-se uns tempos por volta de 1917, e saltou depois para os anos trinta e a segunda guerra, com os partisans e a resistência de tito. chorei com o holocausto. diverti-me com o prec.
o risco atravessa-se-me à frente e vou no seu encalço. o medo, qualquer medo, é coisa de gente fraca. tenho medo de ter medo, mas passa-me logo.
peso cada decisão friamente e integralmente fora dos estribos. até uma égua sem albarda montei a galope naquele desfiladeiro beirão...
cair, nunca me assustou. o mundo não é para quem fica a lamentar-se como calimero incompreendido, quem se contenta com o horariozinho, do empregozinho e do salariozinho, uma liliputiana medida da indignidade.
vale a pena existir num faz-de-conta de afectos que nunca se entregam?
onde está o risco se nos escondemos da vida? como se sair da exposição nos apagasse da memória ou dispensasse o quotidiano deprimente...
enquanto estamos aqui levamos pancada e ripostamos, seja com o desdém, a indiferença ou a chapada. mais do que pão para a boca, há quem precise de acordar da infelicidade militante.
uma 'enorme gargalhada de desprezo', como dizia o cómico brasileiro, é só o primeiro passo. não me interessa o futuro. o segredo é 'correr' no presente.
em miúda, trepava à árvores, subia pedregulhos, estampava-me de bicicleta, rachava os joelhos, andava à porrada pelo meu irmão e desmentia quem amesquinhava as aventuras do 'tigre da malásia'.
tom sawyer, h. finn, sandokan, os cavaleiros da távola redonda, e uma série de fábulas muito impróprias para crianças, encheram-me a imaginação. nunca apreciei 'o principezinho'. preferia a louca da 'alice no país das maravilhas'. depois vieram os russos e os franceses e, com a leitura, a escrita ganhou refinamento, o pensamento soltou-se pelas estepes, entre cossacos e samovares. envolvi-me no desatroso império romano, apaixonada pelos gladiadores.
a coisa sedimentou-se uns tempos por volta de 1917, e saltou depois para os anos trinta e a segunda guerra, com os partisans e a resistência de tito. chorei com o holocausto. diverti-me com o prec.
o risco atravessa-se-me à frente e vou no seu encalço. o medo, qualquer medo, é coisa de gente fraca. tenho medo de ter medo, mas passa-me logo.
peso cada decisão friamente e integralmente fora dos estribos. até uma égua sem albarda montei a galope naquele desfiladeiro beirão...
cair, nunca me assustou. o mundo não é para quem fica a lamentar-se como calimero incompreendido, quem se contenta com o horariozinho, do empregozinho e do salariozinho, uma liliputiana medida da indignidade.
vale a pena existir num faz-de-conta de afectos que nunca se entregam?
onde está o risco se nos escondemos da vida? como se sair da exposição nos apagasse da memória ou dispensasse o quotidiano deprimente...
enquanto estamos aqui levamos pancada e ripostamos, seja com o desdém, a indiferença ou a chapada. mais do que pão para a boca, há quem precise de acordar da infelicidade militante.
uma 'enorme gargalhada de desprezo', como dizia o cómico brasileiro, é só o primeiro passo. não me interessa o futuro. o segredo é 'correr' no presente.
terça-feira
final (15)
21 dias. tempo para reverter um vício. voltarei à dra. porque me faltam os químicos. espero os serviços mínimos de justiça.
a verdade é que não há certezas absolutas. só um mar de dúvidas, sombras que abafam a serotonina, muita lucidez, e uma clareza metódica e a prazo. não é o discurso mas a praxis do método, que produz resultados.
não entendo a falta de remorso, não aceito a falta de responsabilidade. quase tudo é perdoável se houver sentido de decência. coragem de mirar o espelho. colocarmo-nos no lugar do outro - gente de bem, que erra.
nunca gostei de centros comerciais. agora é praticamente impossível imergir num desses espaços, sem que um ataque de pânico me atinja escassos minutos depois de entrar. o peito sufoca, o calor transforma-se num suor avassalador, a cabeça despega-se, treme-se sem compaixão, a desorientação é exaustiva. para sair dali tenho de amparar-me a fim de não cair. só lá entro com razões funcionais. ali, outra vez, o velho método salva-me: gasto os cinco ou dez minutos estritamente necessários numa espiral de mal-estar para resolver uma situação específica.
já em pleno bairro, apinhado, sujo e barulhento, não perco o norte. conheço cada rua e cada bar sem perdição. as pessoas não me sufocam embora entupam as ruas. o meu lado judio sobrevém cada sexta-feira, em excessos que antecedem o dia santo. e tenho tanta tralha para arrumar, devia começar quanto antes...
o tempo não é elástico, é titanium.
a verdade é que não há certezas absolutas. só um mar de dúvidas, sombras que abafam a serotonina, muita lucidez, e uma clareza metódica e a prazo. não é o discurso mas a praxis do método, que produz resultados.
não entendo a falta de remorso, não aceito a falta de responsabilidade. quase tudo é perdoável se houver sentido de decência. coragem de mirar o espelho. colocarmo-nos no lugar do outro - gente de bem, que erra.
nunca gostei de centros comerciais. agora é praticamente impossível imergir num desses espaços, sem que um ataque de pânico me atinja escassos minutos depois de entrar. o peito sufoca, o calor transforma-se num suor avassalador, a cabeça despega-se, treme-se sem compaixão, a desorientação é exaustiva. para sair dali tenho de amparar-me a fim de não cair. só lá entro com razões funcionais. ali, outra vez, o velho método salva-me: gasto os cinco ou dez minutos estritamente necessários numa espiral de mal-estar para resolver uma situação específica.
já em pleno bairro, apinhado, sujo e barulhento, não perco o norte. conheço cada rua e cada bar sem perdição. as pessoas não me sufocam embora entupam as ruas. o meu lado judio sobrevém cada sexta-feira, em excessos que antecedem o dia santo. e tenho tanta tralha para arrumar, devia começar quanto antes...
o tempo não é elástico, é titanium.
segunda-feira
final (14)
a lucidez é uma arma de dois gumes. magoa para dentro, fere para fora.
a lucidez é essencialmente incorrecta.
a lucidez é uma senhora inconveniente, na maioria das situações.
a lucidez é imprópria para socializar, com ou sem diálogo.
a lucidez não tem diagnóstico, nem tratamento. é uma rara doença pessoal.
a lucidez é título de livro e milhão e meio de entradas no google.
a lucidez é o condimento mais impróprio para o sucesso da esperteza.
a lucidez não é polida, nem pode ser retocada. é a antítese da cirurgia estética, qualquer que ela seja.
a lucidez é um pau de dois bicos, que não verga mas quebra. e destroi certezas.
a lucidez é a postura dos duros e valentes.
a lucidez desarma.
a lucidez é essencialmente incorrecta.
a lucidez é uma senhora inconveniente, na maioria das situações.
a lucidez é imprópria para socializar, com ou sem diálogo.
a lucidez não tem diagnóstico, nem tratamento. é uma rara doença pessoal.
a lucidez é título de livro e milhão e meio de entradas no google.
a lucidez é o condimento mais impróprio para o sucesso da esperteza.
a lucidez não é polida, nem pode ser retocada. é a antítese da cirurgia estética, qualquer que ela seja.
a lucidez é um pau de dois bicos, que não verga mas quebra. e destroi certezas.
a lucidez é a postura dos duros e valentes.
a lucidez desarma.
domingo
final (13)
deus, magnânimo, está inconformado. supõe-se que possa padecer de uma depressão profunda, o que para alguém tão poderoso deve ser absurdamente aceitável.
deus isolou-se do mundo. é a profilaxia com que trata o problema. não se conforma com o descalabro a que a terra chegou. não entende como seguem rumo as suas gentes, criadas por ele, segundo a sua imagem, à sua semelhança.
era suposto serem boas pessoas, nem sempre alegres, porém humanamente decentes. mas nada disso acontece, desde há muito tempo. deus resigna-se a ser ignorado, ostracizado e vilipendiado.
deus gostou que tivessem descoberto água na lua. ele sabe que a água, tão desbaratada, é o bem mais precioso para os humanos.
deus descansa das tarefas que não pediu para ter: regular casamentos, nascimentos e mortes, pecado e absolvição, o perdão a torto e a direito.
deus, em suma, não aceita que falem em nome dele. e que jurem que o creem como se não houvesse agora.
deus isolou-se do mundo. é a profilaxia com que trata o problema. não se conforma com o descalabro a que a terra chegou. não entende como seguem rumo as suas gentes, criadas por ele, segundo a sua imagem, à sua semelhança.
era suposto serem boas pessoas, nem sempre alegres, porém humanamente decentes. mas nada disso acontece, desde há muito tempo. deus resigna-se a ser ignorado, ostracizado e vilipendiado.
deus gostou que tivessem descoberto água na lua. ele sabe que a água, tão desbaratada, é o bem mais precioso para os humanos.
deus descansa das tarefas que não pediu para ter: regular casamentos, nascimentos e mortes, pecado e absolvição, o perdão a torto e a direito.
deus, em suma, não aceita que falem em nome dele. e que jurem que o creem como se não houvesse agora.
sábado
final (12)
sim, já fui feliz.
não, não me lembro de ter medo.
sim, coragem não me falta.
não, não me arrependo de nada.
sim, desconheço o futuro.
não, não descortino o passado.
sim, é difícil o presente.
sim, posso ser egoísta.
sim, revolta-me a injustiça.
sim, não conheço limites.
não... é, demasiadas vezes, sofrimento.
não, não me lembro de ter medo.
sim, coragem não me falta.
não, não me arrependo de nada.
sim, desconheço o futuro.
não, não descortino o passado.
sim, é difícil o presente.
sim, posso ser egoísta.
sim, revolta-me a injustiça.
sim, não conheço limites.
não... é, demasiadas vezes, sofrimento.
sexta-feira
final (11)
perdi a conta ao que me preocupa: nada. não traço objectivos, tento manter-me atenta ao pequeno deslize: não esquecer tomar banho, colocar o leite no frigorífico, engolir os comprimidos, responder aos telefonemas que, nos últimos dias, começam pelas oito da manhã e acabam noite dentro - é trabalho, importa manter uma normalidade de competência.
a inacção não dura sempre. um dia, o sufoco acaba com um esgar único.
nenhuma crise é eterna, reinventa-se como a água que corre nos rios... e as margens que violentam o curso, antes que desague.
não me apetece falar com pessoas e passo o dia a fazer isso, profissionalmente.
pensei adoptar um animal (já me é 'autorizado') para garantir a macieza da carícia e o afecto sem cobrança. pedem cem euros que eu obviamente não tenho. estou para lá da conta-ordenado, mais a amortização necessária do empréstimo contraído na derrocada (em que me afoguei sob mãos azeiteiras).
ainda assim, atendo sempre amigos e a tríade que amo. posso não falar nada, pergunto, estou lá.
talvez seja a primeira sexta-feira sem as copinchas habituais. mas estarei a beber, no bar do costume. há a surpresa de um concerto para recordar e, talvez, cinema. se o sol não fugir volto à praia.
o mal-estar alastra. há uma constipação que espreita, uma série de exames médicos a marcar, o desalento - sempre. urge ultrapassar o tempo.
a inacção não dura sempre. um dia, o sufoco acaba com um esgar único.
nenhuma crise é eterna, reinventa-se como a água que corre nos rios... e as margens que violentam o curso, antes que desague.
não me apetece falar com pessoas e passo o dia a fazer isso, profissionalmente.
pensei adoptar um animal (já me é 'autorizado') para garantir a macieza da carícia e o afecto sem cobrança. pedem cem euros que eu obviamente não tenho. estou para lá da conta-ordenado, mais a amortização necessária do empréstimo contraído na derrocada (em que me afoguei sob mãos azeiteiras).
ainda assim, atendo sempre amigos e a tríade que amo. posso não falar nada, pergunto, estou lá.
talvez seja a primeira sexta-feira sem as copinchas habituais. mas estarei a beber, no bar do costume. há a surpresa de um concerto para recordar e, talvez, cinema. se o sol não fugir volto à praia.
o mal-estar alastra. há uma constipação que espreita, uma série de exames médicos a marcar, o desalento - sempre. urge ultrapassar o tempo.
quinta-feira
final (10)
os erros acontecem. os acidentes também. os erros são acidentes evitáveis. os enganos não têm garantia, nem apólice. as palavras valem pouco. os actos validam tudo.
um dia, uma mulher caiu embriagada na linha quando o metro se aproximava. dois automobilistas mediram mal a ultrapassagem. um atleta deambulou pelos carris à espera do comboio.
a noite é propícia a ideias sombrias. o dia também. qualquer hora faz sentir tristeza e vazio numa aparência normal.
as máquinas falham. as pessoas fraquejam. os acidentes acontecem. a morte espreita em cada precalço. num instante distraímo-nos. por uma vez sem engano, mas com visto de passagem.
um dia, uma mulher caiu embriagada na linha quando o metro se aproximava. dois automobilistas mediram mal a ultrapassagem. um atleta deambulou pelos carris à espera do comboio.
a noite é propícia a ideias sombrias. o dia também. qualquer hora faz sentir tristeza e vazio numa aparência normal.
as máquinas falham. as pessoas fraquejam. os acidentes acontecem. a morte espreita em cada precalço. num instante distraímo-nos. por uma vez sem engano, mas com visto de passagem.
quarta-feira
final (9)
time to be insane. viver é uma tremenda responsabilidade. tarefa pesada, gente frágil. existir é um pouco mais ligeiro. dispensa uma série de sentimentos que são, afinal, o que fazem do humano aquilo que somos. há o racional, dizem. mas, se analisarmos bem, não há nada de racional ou razoável nesta vida. só uma degustação constante, que inclui pitéus venenosos em paisagens de cortar a respiração.
chegamos ao mundo entre choro e berros, para entrar num caminho sem destino. mais tarde temos de lutar pela logística da caminhada. o caminheiro sente-se, de quando em vez, acompanhado. mas nasceu só e morre só.
existir é completamente prosaico. viver pode ser sublime.
uma amiga diz-me que há um por cento de pessoas que valem a pena. ela tem um sorriso pregado na cara, a energia da escuta, um coração largo e cicatrizes que não exibe. deve saber do que fala.
chegamos ao mundo entre choro e berros, para entrar num caminho sem destino. mais tarde temos de lutar pela logística da caminhada. o caminheiro sente-se, de quando em vez, acompanhado. mas nasceu só e morre só.
existir é completamente prosaico. viver pode ser sublime.
uma amiga diz-me que há um por cento de pessoas que valem a pena. ela tem um sorriso pregado na cara, a energia da escuta, um coração largo e cicatrizes que não exibe. deve saber do que fala.
terça-feira
final (8)
o que nos faz sentir 'alive'?
uma pessoa pode sentir-se viva na medida do que bebe.
viver a testar os limites, diz ela.
a verdade da japonesa Kazu Makino:
uma pessoa pode sentir-se viva na medida do que bebe.
viver a testar os limites, diz ela.
a verdade da japonesa Kazu Makino:
segunda-feira
final (7)
o vazio preenche tudo quando não há mais esperança numa redenção.
entra-se e sai-se dos sítios, como se nunca tivéssemos experienciado a vontade de situar-nos. falham-se os mais elementares segundos em que é proibido mentir. e todavia prossegue-se a errância. e assim dámo-nos em passos falsetes de convicções. como se não existissemos como pessoas. é-se actor num cenário de horror. e não estamos no palco. nem se trata de interpretar personagens. é a própria personagem que domina o sujeito. um faz-de-conta pusilânime de soberba. um veneno que se espalha na terra como se o grande alquimista se tivesse distraido no momento vital. não é viável falar 'amor': o que não existe, não é nomeável.
entra-se e sai-se dos sítios, como se nunca tivéssemos experienciado a vontade de situar-nos. falham-se os mais elementares segundos em que é proibido mentir. e todavia prossegue-se a errância. e assim dámo-nos em passos falsetes de convicções. como se não existissemos como pessoas. é-se actor num cenário de horror. e não estamos no palco. nem se trata de interpretar personagens. é a própria personagem que domina o sujeito. um faz-de-conta pusilânime de soberba. um veneno que se espalha na terra como se o grande alquimista se tivesse distraido no momento vital. não é viável falar 'amor': o que não existe, não é nomeável.
domingo
final (6)
eu queria ter um radar para a essência das pessoas. cheguei a pensar que era a intuição, essa coisa indefinível a que chamam sexto sentido. podia também ser o coração, quando nos diz, no íntimo, que é verdade o que vivemos. a plenitude. enganei-me algumas vezes, mas nunca com as consequências de agora. só consigo adivinhar o trivial das mundanidades: se a é mais infantil, se b é emocionalmente dependente, se c é desmesuradamente ambicioso, se d é imaturo ou apenas um indingente.
ela diz que nunca amara assim. respira essa certeza como as almas gémeas que se encontraram algures na américa do sul, no tempo da arte nova e do tango.
foi só a primeira das tangas, provavelmente. uma peça do puzzle da mentira montada e consumida. o que interessa mesmo é alguém orientar-se neste mundo, como as hienas numa batalha na selva. pode haver prazer e paz e até bondade excessiva, tranquilidade e bem-querer - são 'detalhes' que uma alma demente nunca saberá pesar - sobrevive com a infelicidade diária. pode-se descambar numa dor infinita, descabelar o mais equilibrado dos seres... a arquitecta do sofrimento não tem palavras que o expliquem. dá-se conta e omite, não se dá conta e mente. vive e nega e vive e nega, o que experimenta em razão, emoção, corpo e espírito. nesse ponto, alguém se pergunta: meu deus, porquê eu?!
é preciso ir além para encontrar a resposta.
sábado
final (5)
não foi preciso muito para chegar a este estado de fenação.
colhi uma doença quando a adolescência chegou. escapei da morte ou da tetraplegia. penei pela salvação anos a fio. cuidei-me, cultivei-me. sobrevivi à entrada no mundo dos crescidos. arranjei trabalho. uma família. dispensei a vidinha. despedi-me do emprego. procurei um pouco de felicidade. paguei um preço. era um livro aberto para os outros. conselhos, ajudas, apoios. finei-me em tanta empatia.
ontem "não faças asneira". hoje, "se pudesses escolher, o que farias?" crianças, respondi. trabalhava para elas, com elas. foram os tempos mais felizes: fazer pinturas, rasgar revistas, fazer artefactos com jornais, teatro, bonecos de trapo e jogos de rua. quando chegar ao guichet de são pedro, vou perguntar onde é o infantário. um sítio com gente de verdade.
colhi uma doença quando a adolescência chegou. escapei da morte ou da tetraplegia. penei pela salvação anos a fio. cuidei-me, cultivei-me. sobrevivi à entrada no mundo dos crescidos. arranjei trabalho. uma família. dispensei a vidinha. despedi-me do emprego. procurei um pouco de felicidade. paguei um preço. era um livro aberto para os outros. conselhos, ajudas, apoios. finei-me em tanta empatia.
ontem "não faças asneira". hoje, "se pudesses escolher, o que farias?" crianças, respondi. trabalhava para elas, com elas. foram os tempos mais felizes: fazer pinturas, rasgar revistas, fazer artefactos com jornais, teatro, bonecos de trapo e jogos de rua. quando chegar ao guichet de são pedro, vou perguntar onde é o infantário. um sítio com gente de verdade.
sexta-feira
final (4)
a linha que separa a loucura e a sanidade é tão ténue que ninguém vê. inventaram-se os psiquiatras para a régua e esquadro da marcação da fronteira. a franquia entre a vida e a morte é mais evidente. não sabemos porque nascemos, sabemos sempre porque morremos. a vida não se escolhe. aceita-se, apenas. a morte, sim. ou porque nos portámos mal em vida, com excessos que danificaram a saúde, ou porque a idade fez o seu desgaste, ou porque decidimos. a verdade é que ninguém pergunta ao óvulo e ao parceiro se quer tornar-se gente. mistério de deus: a coincidência. uma subtileza do eco-sistema, nada mais.
ninguém nos pergunta se queremos ser gente. e muito menos nos ensina a ser humanos - aquele nível a seguir ao animal, dizem.
ninguém devia interrogar-se "porque se morre". mas envolvemo-nos sempre em dúvidas meta-existenciais sobre "porque se mata". é bem mais explicável que o ter-se nascido. vida ou morte são fronteiras que não exigem passaporte. apenas vontade e sorte. talvez um pouco de coragem, talvez um pouco de loucura. na verdade, isto anda tudo enrolado. só as cabecinhas tontas querem encontrar um sentido. que não existe. nem para viver, nem para morrer.
ninguém nos pergunta se queremos ser gente. e muito menos nos ensina a ser humanos - aquele nível a seguir ao animal, dizem.
ninguém devia interrogar-se "porque se morre". mas envolvemo-nos sempre em dúvidas meta-existenciais sobre "porque se mata". é bem mais explicável que o ter-se nascido. vida ou morte são fronteiras que não exigem passaporte. apenas vontade e sorte. talvez um pouco de coragem, talvez um pouco de loucura. na verdade, isto anda tudo enrolado. só as cabecinhas tontas querem encontrar um sentido. que não existe. nem para viver, nem para morrer.
quinta-feira
final (3)
este é o país onde funcionários públicos cantam em hino uma versão we are the world - patética. dizem que entram e saem às 9h e às 12h30 e depois às 14h e às 17h30. trabalham muito e ganham pouco e nunca têm excelente! (ide ver ao youtube, e pasmai!). eu nunca trabalhei nesse horário e nunca cantei um hino ao funcionário.
este não é portugal, ditosa pátria, minha amada, mas o país onde o pessoal se "orienta" chulando o estado e o parceiro do lado. "dê lá um jeitinho", tão pequenino, oh faz favor!
teria emigrado há uns anos não fosse a obsessão outra. agora, já é tarde para chegar aos antípodas.
todos os dias faço uma hora de transportes para atravessar a cidade. cada passageiro leva a sua história numa mochila ou num telemóvel. alguns pensam, como eu, o que faço aqui? e ficam, pendurados no varão conspurcado de suores vários até à paragem que lhes convém. saio sempre umas quantas paragens antes do destino. não é possível aguentar tanto tempo num autocarro, de cara encharcada. às vezes, preciso de ir comprar pão ou tabaco. olho para a loja e desvio a minha tristeza da mirada indiscreta dos empregados. fica para outro dia.
cumpro os mínimos em casa, porque há encargos e um rol de tarefas que ninguém me 'orienta', como sempre.
desorientada embora, faz-se o que é preciso no imediato. e chora-se compulsivamente e muito, e não se quer falar nada com absolutamente ninguém. como se passasse uma certidão de óbito ao exterior. como se entre as sete e as oito, o mundo fosse acabar num poço sem fundo. ninguém se queixava. talvez tivesse forças para bater uma palma seca, e pedir bis.
este não é portugal, ditosa pátria, minha amada, mas o país onde o pessoal se "orienta" chulando o estado e o parceiro do lado. "dê lá um jeitinho", tão pequenino, oh faz favor!
teria emigrado há uns anos não fosse a obsessão outra. agora, já é tarde para chegar aos antípodas.
todos os dias faço uma hora de transportes para atravessar a cidade. cada passageiro leva a sua história numa mochila ou num telemóvel. alguns pensam, como eu, o que faço aqui? e ficam, pendurados no varão conspurcado de suores vários até à paragem que lhes convém. saio sempre umas quantas paragens antes do destino. não é possível aguentar tanto tempo num autocarro, de cara encharcada. às vezes, preciso de ir comprar pão ou tabaco. olho para a loja e desvio a minha tristeza da mirada indiscreta dos empregados. fica para outro dia.
cumpro os mínimos em casa, porque há encargos e um rol de tarefas que ninguém me 'orienta', como sempre.
desorientada embora, faz-se o que é preciso no imediato. e chora-se compulsivamente e muito, e não se quer falar nada com absolutamente ninguém. como se passasse uma certidão de óbito ao exterior. como se entre as sete e as oito, o mundo fosse acabar num poço sem fundo. ninguém se queixava. talvez tivesse forças para bater uma palma seca, e pedir bis.
quarta-feira
final (2)
um dia, vários dias, a cabeça tem vida fora do corpo. pensa, vagueia, esvazia-se, de modo próprio. é a autodeterminação da mente. estás doente. mas disfarças bem, se não acordas com olheiras do tamanho do vício de viver.
e quando vais dormir, a cabeça vive o que lhe apetece. dá estímulos que fazem o corpo agonizar. pegas nos barbitúricos, um, dois, três para ires ter com morfeu. mas passas-lhe ao largo. uma, duas, três horas e tu vigilante. cinco da manhã e despertas de supetão do sono que não dormiste. um vulcão de imagens e memórias fazem-te chorar, tremer, encolher, fugir.
percebo que a linha está perto do fim. lá, não há precipício algum, nem tormenta, nem emoção, abraços, nada. não há linha de água, não há redenção. quer-se um cadáver bonito, mirado pela curiosidade de estranhos. os próximos vigiam o remorso da perda. os teus amores não perdoam a saudade impingida. são os danos colaterais das partidas.
depois do fim da linha, há paz. não há anúncios sobre produtos contra a queda do cabelo, nem medicamentos para reforçar as defesas. não há doenças, nem contas para pagar, nem compromissos. é uma terra de ninguém, possivelmente no espaço sideral. não me esperam impostos, nem trabalho, nem amigos, nem quinquilharia. é marcar o fim da linha. egoísmo con sentido, se passaste anos a viver para os outros. fazes desse o teu estandarte de liberdade. e a última atitude de bondade, também.
p.s. - a grande vantagem dos blogs é permitirem calendarizar a publicação de posts ad infinitum...
e quando vais dormir, a cabeça vive o que lhe apetece. dá estímulos que fazem o corpo agonizar. pegas nos barbitúricos, um, dois, três para ires ter com morfeu. mas passas-lhe ao largo. uma, duas, três horas e tu vigilante. cinco da manhã e despertas de supetão do sono que não dormiste. um vulcão de imagens e memórias fazem-te chorar, tremer, encolher, fugir.
percebo que a linha está perto do fim. lá, não há precipício algum, nem tormenta, nem emoção, abraços, nada. não há linha de água, não há redenção. quer-se um cadáver bonito, mirado pela curiosidade de estranhos. os próximos vigiam o remorso da perda. os teus amores não perdoam a saudade impingida. são os danos colaterais das partidas.
depois do fim da linha, há paz. não há anúncios sobre produtos contra a queda do cabelo, nem medicamentos para reforçar as defesas. não há doenças, nem contas para pagar, nem compromissos. é uma terra de ninguém, possivelmente no espaço sideral. não me esperam impostos, nem trabalho, nem amigos, nem quinquilharia. é marcar o fim da linha. egoísmo con sentido, se passaste anos a viver para os outros. fazes desse o teu estandarte de liberdade. e a última atitude de bondade, também.
p.s. - a grande vantagem dos blogs é permitirem calendarizar a publicação de posts ad infinitum...
terça-feira
final (1)
sempre soube que morro cedo. agora, nada importa. há duas semanas que era suposto começar a ficar melhor. nada disso. cada dia é mais penoso. o descontrolo imbecil das emoções, para lá do corpo e do intelecto. três horas de terapia, em vez de uma, não chegaram para o efeito. não sei se consigo esperar os três meses necessários para estabilizar. tenho muitas dúvidas de que seja um projecto viável. agora, não sei nada. a doutora esforçou-se. e eu tenho-me portado como é suposto: tomo os medicamentos, trabalho certinho, vegeto. é o que é. nada.
hoje comecei a fazer a minha banda sonora final. terá o "funeral" todo, e mais uma dúzia de canções da minha vida. sei que quero ser cremada. e quero uma bandeira arco-íris, mais o símbolo feminista - tarefa que alguém acautelará.
antes disso, se nenhum veículo me apanhar sonâmbula junto a uma passadeira com sinal vermelho, tenho mensagens a escrever: três pedidos de perdão, incomensuráveis, que nunca serão concedidos. sei que vão sofrer injustamente.
a vida é madrasta? pode ser. mas é mais qualquer coisa. deselegante, injusta, perversa, torpe, sem bondade, sem lisura, sem sentido. a obsessão do sentido perde-me. e não há sol.
hoje comecei a fazer a minha banda sonora final. terá o "funeral" todo, e mais uma dúzia de canções da minha vida. sei que quero ser cremada. e quero uma bandeira arco-íris, mais o símbolo feminista - tarefa que alguém acautelará.
antes disso, se nenhum veículo me apanhar sonâmbula junto a uma passadeira com sinal vermelho, tenho mensagens a escrever: três pedidos de perdão, incomensuráveis, que nunca serão concedidos. sei que vão sofrer injustamente.
a vida é madrasta? pode ser. mas é mais qualquer coisa. deselegante, injusta, perversa, torpe, sem bondade, sem lisura, sem sentido. a obsessão do sentido perde-me. e não há sol.
segunda-feira
final
"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."<>
clarice lispector
clarice lispector
domingo
antónio sérgio
não há muito a dizer. cruzamo-nos na rádio, anos a fio, a horas tardias. escutei-o, e à mulher, em programas fantásticos. é nesse ofício alguém verdadeiramente insubstítuível. um tipo de aspecto duro e muito cavalheiro, ternurento de um modo próprio, simpático para os companheiros, uma enciclopédia humana da música do futuro - sem concessões. quem gosta, aprendeu muito com o que ele divulgava.
aos 59 anos, morreu o antónio sérgio, a voz do lobo.
rip, as always
aos 59 anos, morreu o antónio sérgio, a voz do lobo.
rip, as always
sábado
quinta-feira
wake up
arcade fire - há dois anos, em julho, junto ao trancão foram um enorme privilégio... a única banda que justificaria horas ao relento para conseguir bilhetes para um concerto, assim eles voltassem a reunir-se.
quarta-feira
terça-feira
lágrimas de eros

... relação entre desejo sexual e morte, eros e tanatos, através da arte, mostra-se em madrid até final de janeiro 2010. os doze capítulos de "lágrimas de eros", incluindo as obras plásticas expostas, podem ser espreitadas no site do museu.
segunda-feira
tampas com estilo
é já na quinta-feira, na sede da umar, o seguinte workshop utilitário:
Oficina: Tampas, dar e receber. Dizer "não" sempre que é preciso.
29 Out 20h Sede UMAR
Dizemos “não” sempre que queremos? Hmm, talvez não.. “Dizer não” é importante e vital, mas “dizer não” em todas as ocasiões necessárias é muitas vezes difícil. Há vários mecanismos que tornam o “dizer não” difícil, como por ex., o medo de não sermos aceites, pressão social, o medo de represálias, ou mesmo condicionalismos culturais de vários tipos.
O “dizer não” é importante quer em situações do dia a dia, no trabalho, família, relações, quer em situações perigosas para a integridade pessoal. Neste workshop não vai haver receitas mágicas, mas vai tentar-se expor o problema em termos simples, discuti-lo convosco, e fazer alguns exercícios em grupo que permitam a cada uma reflectir e encontrar a solução mais adequada.
A oficina é aberta a todxs, mas foi pensada para e com um contexto queer (ou queer-friendly) e feminista.Mais informações ou inscrições, contactar antidote@imensis.net e dijk@walla.com.
Oficina: Tampas, dar e receber. Dizer "não" sempre que é preciso.
29 Out 20h Sede UMAR
Dizemos “não” sempre que queremos? Hmm, talvez não.. “Dizer não” é importante e vital, mas “dizer não” em todas as ocasiões necessárias é muitas vezes difícil. Há vários mecanismos que tornam o “dizer não” difícil, como por ex., o medo de não sermos aceites, pressão social, o medo de represálias, ou mesmo condicionalismos culturais de vários tipos.
O “dizer não” é importante quer em situações do dia a dia, no trabalho, família, relações, quer em situações perigosas para a integridade pessoal. Neste workshop não vai haver receitas mágicas, mas vai tentar-se expor o problema em termos simples, discuti-lo convosco, e fazer alguns exercícios em grupo que permitam a cada uma reflectir e encontrar a solução mais adequada.
A oficina é aberta a todxs, mas foi pensada para e com um contexto queer (ou queer-friendly) e feminista.Mais informações ou inscrições, contactar antidote@imensis.net e dijk@walla.com.
domingo
grátis
......
"aqui, desinteressadamente
tudo é de graça
a pele, o sexo, o travesseiro,
a ternura, o beijo, a água e o sono
movimentos perenes
falam línguas laicas
o olhar, o toque, o prazer
o tempo passa feito lava
o riso redime qualquer pecado
aqui,
o sonho é heroicamente sexy
o amor é sensualmente livre
o descanso é pagão, o espasmo é sagrado
e amar é grátis"
"aqui, desinteressadamente
tudo é de graça
a pele, o sexo, o travesseiro,
a ternura, o beijo, a água e o sono
movimentos perenes
falam línguas laicas
o olhar, o toque, o prazer
o tempo passa feito lava
o riso redime qualquer pecado
aqui,
o sonho é heroicamente sexy
o amor é sensualmente livre
o descanso é pagão, o espasmo é sagrado
e amar é grátis"
sexta-feira
quarta-feira
passageir@
"somos uma espécie de passageiros.
não adianta dizer que a viagem nos aborrece.
podemos entreter-nos com a paisagem.
passar o tempo com as memórias.
sair abruptamente do veículo.
saltar dele em movimento.
chocar inadvertidamente.
sucumbir à imprudência do condutor.
podemos distrair-nos até à próxima estação.
experimentar descer em apeadeiros.
a viagem prossegue - independente do passageiro."
não adianta dizer que a viagem nos aborrece.
podemos entreter-nos com a paisagem.
passar o tempo com as memórias.
sair abruptamente do veículo.
saltar dele em movimento.
chocar inadvertidamente.
sucumbir à imprudência do condutor.
podemos distrair-nos até à próxima estação.
experimentar descer em apeadeiros.
a viagem prossegue - independente do passageiro."
sábado
sexta-feira
quarta-feira
muros
nunca gostei de muros. onde cresci, o topo dos muros estava cravejado de vidros. a ideia de trepá-los, arrepiava. ninguém se atrevia. lembro-me que preferia os portões de ferro, as cercas de arame ou as fragas - uma fraga galga-se.
agora dedico-me à construção de muros. estou ainda na fase das fundações. primeiro, esburaca-se para ver a consistência do terreno. é nesta fase que se pode encontrar o solo movediço. depois, vigas de aço e muito cimento.
como todos os muros, esse também será derrubado. mas até lá é um desperdício de betão armado. nada disto faz de mim uma expert em construção civil. de engenharias, não percebo nada.
agora dedico-me à construção de muros. estou ainda na fase das fundações. primeiro, esburaca-se para ver a consistência do terreno. é nesta fase que se pode encontrar o solo movediço. depois, vigas de aço e muito cimento.
como todos os muros, esse também será derrubado. mas até lá é um desperdício de betão armado. nada disto faz de mim uma expert em construção civil. de engenharias, não percebo nada.
terça-feira
maria carolina
...é o amor em pessoa_inha. foi feita com/por amor, é alimentada de amor.
nunca vai poder ser uma pessoa preconceituosa, e com isso transporta uma grande vantagem.
ela vai ser aquilo que quiser. atrás dessa liberdade, durante e depois, está o amor delas(- -), mais um grupo de amigos e tias.
a maria carolina tem o fascínio dos olhos sorridentes e vivos, que miram as coisas, a comida, os animais, os outros, de forma pura. sei que tem uma estrela que a ilumina e nunca será uma má pessoa - embora possa ter os seus momentos de revolta, porque ninguém cresce sem eles. mas como o amor é uma constante da vida desta criança, mesmo quando faz traquinices que levam ao quase desespero materno, ela é uma miúda feliz. recebe uma repreensãozita como recebe mil abracinhos, milhares de beijos e distribui, ela própria, milhões de sorrisos. e se adora cócegas na barriguita, retribui com risos em cascata que arrepiam de alegria qualquer alma dorida. e cada sorriso dela, ou vergonhita infantil, é espontânea - não serve para medir o efeito ou a dimensão dos afectos.
a maria carolina é a prova de que os sonhos, todos os sonhos, têm de ser consistentes e trabalhados para criar uma realidade optimista.
nunca vai poder ser uma pessoa preconceituosa, e com isso transporta uma grande vantagem.
ela vai ser aquilo que quiser. atrás dessa liberdade, durante e depois, está o amor delas(- -), mais um grupo de amigos e tias.
a maria carolina tem o fascínio dos olhos sorridentes e vivos, que miram as coisas, a comida, os animais, os outros, de forma pura. sei que tem uma estrela que a ilumina e nunca será uma má pessoa - embora possa ter os seus momentos de revolta, porque ninguém cresce sem eles. mas como o amor é uma constante da vida desta criança, mesmo quando faz traquinices que levam ao quase desespero materno, ela é uma miúda feliz. recebe uma repreensãozita como recebe mil abracinhos, milhares de beijos e distribui, ela própria, milhões de sorrisos. e se adora cócegas na barriguita, retribui com risos em cascata que arrepiam de alegria qualquer alma dorida. e cada sorriso dela, ou vergonhita infantil, é espontânea - não serve para medir o efeito ou a dimensão dos afectos.
a maria carolina é a prova de que os sonhos, todos os sonhos, têm de ser consistentes e trabalhados para criar uma realidade optimista.
segunda-feira
domingo
trocar as voltas ao sono
entre as boas das coisas assim-assim pode estar um filme daqueles que nos faz pôr vida e morte na perspectiva real [my sister's keeper] e uma conversa confidencialmente amistosa.
é por isso que aos amigos - e a toda a gente, incluindo-me - desejo sempre a mesma coisa: que recebam a dobrar aquilo que fazem. bem-[h]ajam.
é por isso que aos amigos - e a toda a gente, incluindo-me - desejo sempre a mesma coisa: que recebam a dobrar aquilo que fazem. bem-[h]ajam.
sábado
amplos
...este sábado à tarde, apresentaçao pública em lisboa: foi bom ver tantas organizaçoes a apoiarem a "amplos". a associação de mães e pais pela liberdade de orientação sexual poderá ajudar doravante muitas famílias (entre os testemunhos, o dos dois transsexuais presentes foi dos actos de coragem mais marcantes que já presenciei).
sexta-feira
don't look back

o título deste post pode ser, espreitando o google, um jogo de computador, um documentário, títulos de músicas de vários grupos ou até uma ficção, no caso 'ne te retourne pas' - título de um dos filmes da festa do cinema francês, este ano em várias cidades do país. pela sinopse e pelas actrizes - sophie marceau e monica bellucci - este filme de marina de van parece-me um dos mais apetecíveis. o melhor é consultar a programação e desfrutar as fitas.
quarta-feira
democratizemos o código de barras
o google lembra: hoje faz anos que nasceu o código de barras.eu só peço que se googlize o código de barras. sonho com o dia em que o código de barras me simplifique a vida. por exemplo, vemos uma pessoa e nada sabemos dela, só as primeiras impressões. e como não há uma segunda vez para causar uma primeira impressão - já dizia alguém - é por aí que nos orientamos. está mal. um código de barras simplificava tudo: mostrava-nos a proveniência e a natureza do ser, a sua durabilidade e até o local apropriado para o armazenar. nunca se correria o risco de encaixar conteúdos pela aparência, ou de sermos seduzid@s por aparências de conteúdo diverso do que se intuiu.
com código de barras, o mundo podia ser mais parecido com uma manada de zebras mas, convenhámos, seria incrivelmente mais simples.
sexta-feira
terça-feira
green day
há muito tempo que não me entravam tantos decibéis pelos tímpanos, nem havia tanta gente tão perto... e eu lá atrás, 25 anos antes - talvez - noutro pavilhão, com outra banda punk, outro amor comigo e o mesmo espírito de sempre.p.s. - 'odeio' as segundas-feiras que são o dia verde para semanas lixadas...
domingo
das eleições
...com quase 40% de abstenção, quem não vota, não merece a cidadania.
...com certas mudanças no programa eleitoral, o ps em maioria-não-absoluta pode ser finalmente coerente com a esquerda que reclama ser.
...em maioria-não-absoluta, voltaremos a ter legislativas antes do prazo?
...e, agora, a arrogância vai estar disseminada em várias bancadas.
...em quem terá votado, afinal, aníbal antónio cavaco silva?
[intuo que fez campanha para se reeleger]
...com certas mudanças no programa eleitoral, o ps em maioria-não-absoluta pode ser finalmente coerente com a esquerda que reclama ser.
...em maioria-não-absoluta, voltaremos a ter legislativas antes do prazo?
...e, agora, a arrogância vai estar disseminada em várias bancadas.
...em quem terá votado, afinal, aníbal antónio cavaco silva?
[intuo que fez campanha para se reeleger]
terça-feira
quinta-feira
quarta-feira
terça-feira
terça-feira
same-sex marriage
não é preciso ser a favor, basta entender [o que é hoje o casamento] e aceitar [que haja quem queira optar]. o documentário 'tying the knot' é exemplar e está disponível na net (+- 01h30).
cinema aí
falta pouco para o queer lisboa festival. é de 18 a 26 de setembro, no sítio habitual. a programação está disponível dentro de uma semana.
p.s. - a minha agenda (a)guarda sacanas sem lei, o novo tarantino. depois ainda estreiam abraços desfeitos, o mais recente almodovar
p.s. - a minha agenda (a)guarda sacanas sem lei, o novo tarantino. depois ainda estreiam abraços desfeitos, o mais recente almodovar
domingo
sem eira, nem beira
...ou "sans toit ni loi", título de um dos filmes de agnés varda, que a própria evoca no espantoso "as praias de agnès"(ver ípsilon). se abríssemos as pessoas, encontravamos paisagens - diz ela. no caso da cineasta belga, porém, encontraríamos 'praias' - e como são fantásticas as imagens e os enquadramentos que ela filma em praias... mas este não é um filme balnear, mas o revisitar de um percurso pessoal, político, musical, cinematográfico, artístico. um filme autobiográfico, feito a respigar memórias.um conforto esta história.
sexta-feira
quarta-feira
belo cenário, grande noite
2 de outubro, 23h30, lx. instituto superior de agronomia, lesboaparty 3ºaniversário
... a perfeita despedida do verão
... a perfeita despedida do verão
terça-feira
a noite é o reverso do sol
a nasa vai estudar o sol. meta: saber de que forma o sol influencia as nossas vidas. infelizmente, a nave não é tripulada. [notícia i]
sábado
.. .. ..
« eras a parte boa da minha vida.
sem ti não há sol, 40 graus não se sentem no corpo, caminhar sem rumo não doi, mesmo sob o sol impiedoso. não vale a pena fugir para a sala de cinema, não há mar que me acalme. não há vontade de escrever, arrumar, olhar.
não há fome, nem sono. nunca. não há futuro algum, nenhum presente. não há sequer vaguear. não há sentidos. só há dor grande e sem fundo.
sempre disse que não há mundos perfeitos. nunca houve. agora não há nada de bom - só o que sinto, sem ser a troco da tua felicidade maior.
podíamos ir para lá dos pirinéus, podíamos ficar a resmungar diferenças. esperam por nós a escócia, florença, nova iorque. valeria sempre a pena. valia a pena ter cometido os erros que cometi, as ingenuidades todas, a perda nos afectos mais viscerais. não tinha importância a penúria da vida, a falta de escrúpulos, as chatices diárias. eu sabia que tu me acarinhavas. e completavas com a tua raiva e a tua fé as coisas mais baixas que acontecem. passou a paixão, é certo. passa sempre, sabias? comecei a desculpar tudo, mesmo as irracionalidades mais básicas, as birras mais infantis: todas as coisas que não são realmente importantes. pesava mais o que sobrava de bom. o optimismo pesa sempre mais quando o caminho se faz acompanhada. pessoas como nós têm obrigação de construir. ninguém é feliz a destruir, mesmo que se muna de argumentos lógicos. ninguém dá na medida exacta do que recebe, sei disso.
eu sei das letras e tu mostras-me as cores em todas as pautas. e assim faz sentido. para mim, nenhum conta-quilómetros me cansa se me levarem longe contigo, até ti. e perco-lhes a conta, não me importo. agora, simplesmente, não há momentos felizes para mim. e para ti?
és a (parte boa da) minha vida. ainda és? »
sem ti não há sol, 40 graus não se sentem no corpo, caminhar sem rumo não doi, mesmo sob o sol impiedoso. não vale a pena fugir para a sala de cinema, não há mar que me acalme. não há vontade de escrever, arrumar, olhar.
não há fome, nem sono. nunca. não há futuro algum, nenhum presente. não há sequer vaguear. não há sentidos. só há dor grande e sem fundo.
sempre disse que não há mundos perfeitos. nunca houve. agora não há nada de bom - só o que sinto, sem ser a troco da tua felicidade maior.
podíamos ir para lá dos pirinéus, podíamos ficar a resmungar diferenças. esperam por nós a escócia, florença, nova iorque. valeria sempre a pena. valia a pena ter cometido os erros que cometi, as ingenuidades todas, a perda nos afectos mais viscerais. não tinha importância a penúria da vida, a falta de escrúpulos, as chatices diárias. eu sabia que tu me acarinhavas. e completavas com a tua raiva e a tua fé as coisas mais baixas que acontecem. passou a paixão, é certo. passa sempre, sabias? comecei a desculpar tudo, mesmo as irracionalidades mais básicas, as birras mais infantis: todas as coisas que não são realmente importantes. pesava mais o que sobrava de bom. o optimismo pesa sempre mais quando o caminho se faz acompanhada. pessoas como nós têm obrigação de construir. ninguém é feliz a destruir, mesmo que se muna de argumentos lógicos. ninguém dá na medida exacta do que recebe, sei disso.
eu sei das letras e tu mostras-me as cores em todas as pautas. e assim faz sentido. para mim, nenhum conta-quilómetros me cansa se me levarem longe contigo, até ti. e perco-lhes a conta, não me importo. agora, simplesmente, não há momentos felizes para mim. e para ti?
és a (parte boa da) minha vida. ainda és? »
segunda-feira
um intervalo no zen
"bate com o murro no balcão: vai ver que és melhor e mais depressa atendida!"
recebi o conselho e passei à prática. comecei a negociar com o fornecedor de telemóvel, depois com o serviço de net+tv, e por aí fora. nalgumas coisas, há que "dar tempo ao tempo", noutras é melhor pôr logo tudo "em pratos limpos". um murro na mesa pode ser um método socialmente profilático. essa é que é essa! a mesa (ou o balcão) não se queixa, a gente sai do marasmo do tolo, e ninguém se aleija. bem hajas, m***, pelo conselho :-)
recebi o conselho e passei à prática. comecei a negociar com o fornecedor de telemóvel, depois com o serviço de net+tv, e por aí fora. nalgumas coisas, há que "dar tempo ao tempo", noutras é melhor pôr logo tudo "em pratos limpos". um murro na mesa pode ser um método socialmente profilático. essa é que é essa! a mesa (ou o balcão) não se queixa, a gente sai do marasmo do tolo, e ninguém se aleija. bem hajas, m***, pelo conselho :-)
é todo um programa para a semana
domingo
sábado
economia de escala
poupar nas chatices, nos gastos, nas preocupações, no tempo. não poupar, também. nunca poupar no riso, no beijo, no ar livre, no sexo, nos abraços envolventes.
quinta-feira
cientificidades
cientistas, gosto muito de cientistas. são o sal do noticiário. tão depressa confirmam evidências, como elaboram as teses mais recambolescas. nos jornais sabe-se que dá muito jeito ter um cientista à mão. como aqueles que agora descobriram que, quem fuma, fá-lo mais ou menos em função da cor do maço de tabaco. contra factos?!
fumo porque gosto. melhor seria não gostar.
outros cientistas arranjam bons pretextos: muito mais de dois terços (76,5%) do que pagamos pelo tabaco são impostos.
contra factos, os argumentos esfumam-se...
ps - o humor, mesmo fraquinho, é um bom antídoto para a tristeza. e não faz mal à saúde, nem paga imposto.
fumo porque gosto. melhor seria não gostar.
outros cientistas arranjam bons pretextos: muito mais de dois terços (76,5%) do que pagamos pelo tabaco são impostos.
contra factos, os argumentos esfumam-se...
ps - o humor, mesmo fraquinho, é um bom antídoto para a tristeza. e não faz mal à saúde, nem paga imposto.
quarta-feira
segunda-feira
alter-ego da comunicação
poucos livros chamam por nós. de vez em quando, acontece. este* lê-se em cinco minutos. e relê-se espaçadamente, necessariamente. custa pouco mais de cinco euros. é como um remédio redentor cheio de contra-indicações. a cada leitura, pensamos num referente. a cada folheadela, coloca várias interrogações. aplica-se a múltiplos significantes. só podia ter sido escrito por um ilustre desconhecido japonês.
"Se a pessoa a quem atiramos uma bola
com toda a nossa alma a apanhar,
e se nós apanharmos a bola que essa pessoa
nos lança de volta, então
um acto de comunicação acontece
Há sempre infelizmente muitas tentativas
de comunicação que não chegam a concretizar-se.
Se há compreensão,
pode ter-se pensamentos diferentes, interesses
diferentes, sentimentos diferentes –
e ainda assim estar juntos."
*[Quero falar-te dos meus sentimentos, de Mamoru Itoh; ilustração de Hiromi Isogawa; edição Padrões Culturais]
"Se a pessoa a quem atiramos uma bola com toda a nossa alma a apanhar,
e se nós apanharmos a bola que essa pessoa
nos lança de volta, então
um acto de comunicação acontece
Há sempre infelizmente muitas tentativas
de comunicação que não chegam a concretizar-se.
Se há compreensão,
pode ter-se pensamentos diferentes, interesses
diferentes, sentimentos diferentes –
e ainda assim estar juntos."
*[Quero falar-te dos meus sentimentos, de Mamoru Itoh; ilustração de Hiromi Isogawa; edição Padrões Culturais]
domingo
do_mar
o mar lava-me. jogo com ele na distância próxima, destemida face aos homens. é um manejo de forças que empurrram para a praia, uma qualquer, enquanto ameaçam engolir o corpo. o mar não me diz nada, mas com ele aprendo tudo. faz da minha cabeça um território vazio e deixa-me chorar sem que se note. quando descanso por instantes, leva-me num solavanco de pancadaria tonta. esfria a alma e incendeia o dorso. sacode, agita, rebola. esconde segredos, desnuda fraquezas. acalma e energiza. faz a melhor cama para uma vigília sem propósito algum.
o mar amansa e amassa. tudo.
o mar amansa e amassa. tudo.
sexta-feira
encantadora evidência
há concertos inolvidáveis. o de mr. cohen foi um desses. tocante. porque foi mr.cohen. porque é irrepetível.
ainda bem que as coisas únicas não se repetem.
quarta-feira
a medição da irrelevância
se um tipo que manda diz a alguém que o esse alguém pensa, quer, deseja é irrelevante, está só a ser irrelevantemente tirano ou simplesmente estúpido?
entre números e factos, a relevância advém dos valores de quem julga ou do enquadramento dos dados. já a irrelevância como muleta de linguagem (o lugar primordial onde se exerce o poder) só (me) provoca um esgar de sorriso.
entre números e factos, a relevância advém dos valores de quem julga ou do enquadramento dos dados. já a irrelevância como muleta de linguagem (o lugar primordial onde se exerce o poder) só (me) provoca um esgar de sorriso.
terça-feira
edite soeiro
ela corrigiu-me o meu primeiro trabalho. usava uma trança longa e preta e acho que não saía de frente da máquina de escrever. resmungava baixinho por vezes e impunha um respeito raro numa redacção de homens onde, pelo futebol, estava à vontade. por alguma razão todos, do imberbe estagiário ao camarada chefão, entregavam-lhe os textos para reler e editar como deve ser. ela, tinha o sorriso, contido e seguro, mais marcante que alguma vez encontrei. deu-me conselhos que tinham o preço da sua sinceridade e por isso foram à borla. usava quase nenhumas palavras para falar da vida alheia. era frontal e severa, meiga e maternal. tinha nostalgia de áfrica, saudades do seu próprio começo. era a mais popular entre os novatos. e fazia um arroz de balhacau divinal.
edite, acerto a minha dívida consigo depois.
edite, acerto a minha dívida consigo depois.
domingo
veraneio de aforismos
em férias: definitivamente, não fazer planos, não garante aventuras mais excitantes. assegura imprevistos, o que não é o mesmo que um improviso imaginativo.
o tempo esvaindo-se sem um propósito é o mais saboroso do descanso.
a centenas de quilómetros de distância, ela detecta, pelo simples tom de voz que atravessa um telefone, o meu estado de alma. o instinto funciona tal qual um sinal de alarme. mãe é quem nos quer bem.
a moda, dizia a minha avó, está sempre a passar de moda.
porém, isso não chega para que se perceba a razão de usar slip debaixo de calções de praia - algo observável numa praia perto de si.
entender. é preciso entender para aceitar. até para contrariar. ou para desistir de entender. entender como alicerce primordial. se não entendo, perco-me.
diz-me ele: "com classe tudo se supera, ou tolera melhor". e remata assim: "gente inteligente é outra louça, não somos? LOL".
amar é uma sinfonia do entendimento - pelo humor, pela lógica, por outro ângulo qualquer.
o tempo esvaindo-se sem um propósito é o mais saboroso do descanso.
a centenas de quilómetros de distância, ela detecta, pelo simples tom de voz que atravessa um telefone, o meu estado de alma. o instinto funciona tal qual um sinal de alarme. mãe é quem nos quer bem.
a moda, dizia a minha avó, está sempre a passar de moda.
porém, isso não chega para que se perceba a razão de usar slip debaixo de calções de praia - algo observável numa praia perto de si.
entender. é preciso entender para aceitar. até para contrariar. ou para desistir de entender. entender como alicerce primordial. se não entendo, perco-me.
diz-me ele: "com classe tudo se supera, ou tolera melhor". e remata assim: "gente inteligente é outra louça, não somos? LOL".
amar é uma sinfonia do entendimento - pelo humor, pela lógica, por outro ângulo qualquer.
sexta-feira
terça-feira
o reencontro com a diva
dona amália. todos lhe falavam assim. dirigi-me a ela, a propósito de uma condecoração que ia receber. eu, uma miúda, ela uma senhora. entre a insegurança da repórter e a pose da diva fez-se um registo que passou na rádio. pensei-o perdido. voltou para mim, agora [obrigada!!!. são escassos minutos de conversa solta pela tarde, lá em casa. solta-me uma pontinha de orgulho e nostalgia: não há erro grave de quem entrevista, nem voz trémula, nem questão deslocada, sequer perguntas tontas - e o assunto era escasso, a experiência nenhuma.
por isso, o que sobreveio depois tornou-se francamente pouco relevante.
por isso, o que sobreveio depois tornou-se francamente pouco relevante.
quinta-feira
a importância da literacia
saber ler: uma coisa que o tempo nos dá, se estivermos com vontade de aprender. se nos mantivermos acordados. virar a atenção sobre o exterior de nós. e aprender nos subtis movimentos do rosto, num olhar vagueante, na ausência de gestos e no desprendimento desatento, o fio final da história. admitir, ainda assim, que não pode haver muita severidade. nem sobre nós mesmos, nem sobre os outros. a vida são dois dias - vá lá, três... é sempre pouco quando se sonha muito.
quarta-feira
a pior violência vem de dentro
violência é violência. física ou psicológica, venha o diabo e escolha. a pior, mesmo, é a emocional. tanto pior quanto, na maior parte das vezes, é a vítima que a inflinge a si própria. dessa, não há lei, nem polícia, nem apav que nos livre. só nós mesmas.
uma mulher rasteja, chora, deambula, até que qualquer presente (envenenado) lhe devolve uma ilusão de futuro.
vem isto a propósito das cenas a que mulheres inteligentes, cultas, emancipadas e profissionalmente competentes, se 'condenam'. aceitam sustentar um ser simplório a troco de sexo ou para manter aparências de uma absurda normalidade com que formatam suas próprias cabecinhas. demasiado triste, exageradamente complexo. em certas ocasiões, bem gostava de ter um número de emergência para chamar uma brigada anti-mutilação. às vezes são tão escandalosos os desequilíbrios de atitude que chegamos a ter naúseas, como testemunhas, de tanta bipolaridade emocional. e que herança de respeito [autodeterminação] deixamos?
é certo que há fraquezas e recaídas em todos os seres, mas no que toca a comportamentos autodestrutivos e de negação ninguém chega aos calcanhares dessas mulheres: a auto-estima fica a preço de refugo, a dignidade segue para a reciclagem e todos os gestos são dignos de uma estação de tratamento de águas residuais... isso sim, justifica que vertamos lágrimas pela dignidade perdida.
uma mulher rasteja, chora, deambula, até que qualquer presente (envenenado) lhe devolve uma ilusão de futuro.
vem isto a propósito das cenas a que mulheres inteligentes, cultas, emancipadas e profissionalmente competentes, se 'condenam'. aceitam sustentar um ser simplório a troco de sexo ou para manter aparências de uma absurda normalidade com que formatam suas próprias cabecinhas. demasiado triste, exageradamente complexo. em certas ocasiões, bem gostava de ter um número de emergência para chamar uma brigada anti-mutilação. às vezes são tão escandalosos os desequilíbrios de atitude que chegamos a ter naúseas, como testemunhas, de tanta bipolaridade emocional. e que herança de respeito [autodeterminação] deixamos?
é certo que há fraquezas e recaídas em todos os seres, mas no que toca a comportamentos autodestrutivos e de negação ninguém chega aos calcanhares dessas mulheres: a auto-estima fica a preço de refugo, a dignidade segue para a reciclagem e todos os gestos são dignos de uma estação de tratamento de águas residuais... isso sim, justifica que vertamos lágrimas pela dignidade perdida.
segunda-feira
telelés
li ou tresli (sonhei?) que em breve haverá um telemóvel que automaticamente permitirá bloquear chamadas anónimas. grande progresso: adeus ao tilintar das chamadas de call centers do banco a, b ou c, idem da seguradora x, ou da empresa de crédito z.
a seguir só fica a faltar o telemóvel que rejeita automaticamente passatempos de toques e concursos das próprias operadoras. mais difícil, essa inovação: isso, sim, será um upgrade de civilização.
a seguir só fica a faltar o telemóvel que rejeita automaticamente passatempos de toques e concursos das próprias operadoras. mais difícil, essa inovação: isso, sim, será um upgrade de civilização.
sexta-feira
solo i sogni sono veri
prendeu-me há dias quando passou na televisão.
'attimo', de gianna nannini, último álbum: só os sonhos são verdadeiros.
Gianna Nannini - Attimo
'attimo', de gianna nannini, último álbum: só os sonhos são verdadeiros.
Gianna Nannini - Attimo
o amor é uma labuta
um tipo que tenho andado a ler diz-se um 'clandestino emocional'. põe-me a pensar nessa coisa que são as relações amorosas. uma merda, é o que é. em tudo semelhantes à bebedeira: uma sensação boa no início e uma mocada grande depois. na ressaca, há quem negue as evidências. comportamentos de negação só adiam o desfecho. entretanto, pena-se. a negação faz de nós seres selvagens, movidos por instintos básicos: [selvagens devem viver na selva, a civilização é para humanos. bem sei que se a gente não ocupasse tanto o espaço, ainda hoje tinhamos mais florestas virgens que arranha-céus]. a coisa, definitivamente, não tem solução. amar dá muito trabalho. na aritmética dos afectos é mais um custo que um investimento. isso, em tempos conturbados como estes, até pode ser mentira mas faz muita diferença.
terça-feira
(des)graçola
pior que uma segunda-feira, só duas segundas-feiras.
felizmente não são servidas aos pares.
felizmente não são servidas aos pares.
segunda-feira
a pior parte
fim-de-semana e... acabou-se!constatação que é mesmo como o glacé que estraga o bolo de um fim-de-semana que se estica ao máximo, (pre)enchendo-o com tudo a que temos direito. sol e mar, esplanada nocturna para conversa e riso solto, jantar em família com diálogos estimulantes, bom clima, bom cinema, mais o exercício de direitos cívicos. pelo meio, fazer um raide em countdown num centro comercial torna-se até aceitável - com hosanas ao (detestável) ar condicionado que nos salva da torreira a céu aberto.
[mas fazer render assim um fim-de-semana dá um trabalhão]
é por isso que reclamo um "alargamento de prazo" do fim-de-semana. é o mínimo. ao contrário do incrível ricardo semler, nem peço um fim-de- semana de sete dias, bastam-me três: um para dedicar só a mim, outro aos que me são queridos, o terceiro para não fazer nada.
domingo
terça-feira
fazer mudar
ferreira fernandes escreve hoje sobre a primeira revolução feminina, a propósito do que se está a passar no irão.
não sei se é a primeira revolução feminina, nem sequer se os factos reportam uma revolução. mas a crónica, bem escrita, chama a atenção para o que me tem impressionado: no meio daquelas multidões, perigosas como são todas as multidões, há imagens de algumas mulheres na rua, cara destapada,corajosas, destemidas, esclarecidas. e lindas. o regime iraniano pode cortar a internet e as telecomunicações com o exterior, como o tem feito largas horas, pode reprimir sem limites, mas a realidade começou a mudar.
não sei se é a primeira revolução feminina, nem sequer se os factos reportam uma revolução. mas a crónica, bem escrita, chama a atenção para o que me tem impressionado: no meio daquelas multidões, perigosas como são todas as multidões, há imagens de algumas mulheres na rua, cara destapada,corajosas, destemidas, esclarecidas. e lindas. o regime iraniano pode cortar a internet e as telecomunicações com o exterior, como o tem feito largas horas, pode reprimir sem limites, mas a realidade começou a mudar.
e no sábado, noutro cenário, também nós podemos mudar qualquer coisa.
a igualdade já passa por aqui.
domingo
terça-feira
blogando
pergunto-me às vezes que sentido faz ter um blog. é impossível desfazer-me disto. fui espreitar blogs que costumava seguir. são mais de trinta, estão maioritariamente na lista ao lado. é incrível a quantidade deles que pura e simplesmente fecham, ou que deixaram de estar activos. outros resolveram reservar-se a leitores convidados sem o anunciar aos fãs, o que acho sempre estranho. há, no entanto meia dúzia, sim, uma boa meia dúzia, que continuam a ser boa companhia de deambulações naquelas horas em que a melancolia não deixa ânimo para mais nada. e há aqueles que, mais do que as mensagens que emitem militantemente, me comovem sempre, mesmo porque narram, com simplicidade desarmante, como (se vê o que) foi um bom casamento. há também os narcísicos, onde bisbilhoto a vida de amigos e conhecidos, sem a inconveniência de um telefonema. ou os que moldam a arte da ironia e da nostalgia, na boa escrita.
venha o que vier, redes virtuais ou vales de solidão, um blog é um grande conforto.
venha o que vier, redes virtuais ou vales de solidão, um blog é um grande conforto.
coisas assim-assim
...que me deixam um bocadinho infeliz: nunca mais haver um disco novo dos arcade fire.
em compensação, sempre que me enrolo nos meus pensamentos fico um pouco mais feliz, porque, na verdade, eles não são nada complexos.
em compensação, sempre que me enrolo nos meus pensamentos fico um pouco mais feliz, porque, na verdade, eles não são nada complexos.
domingo
traumas, é o que é
passei ao lado de uma grande carreira política. estava entretida a sobreviver à minha custa e claro que nem dei por ela (a carreira política). foi aí que os nossos destinos nunca se cruzaram... eu fiquei a tratar da vidinha e ela seguiu galopante pelo centrão. sempre pendi para o meu lado esquerdo, o que faz de mim estruturalmente uma... piegas. na hora de votar, porém, recolho tudo o que me resta de racionalidade e voto sempre: piegas. é por isso que esta noite apanhei um susto. temo que regressem os pesadelos que tive quando o dr. aníbal silva nos engoliu com uma inesperada segunda maioria absoluta. se a dra. manuela leite se prepara para um remake, não sei se sobrevivo aos suores frios.
quarta-feira
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