sexta-feira

em podendo...como se dizia antigamente


o fim-de-semana chega solarengo e disponível e a gente instala-se nele para limpar a mente, lavar a alma nas águas do mar, e banhar o corpo nos raios de sol.

e os dias que ficaram para trás, com um novo e terno 'amorzinho', a alegria de um concerto inolvidável, o stresse dispensável do trabalho mais o gozo de pessoas luminosas que se conhecem assim, as primeiras saudades dos que me são queridos e os choques vitais que fizeram a tristeza dos amigos,... tudo isso, isso tudo ganhará a dimensão do trivial.
o que importa mesmo é a alegria dos dias que passam por julho, o meu mês das cerejas.

quarta-feira

[arcade fire ao vivo]

irresistível cantar, pular, explodir ...
com amigos à volta e (um)a grande banda em palco.
gostei especialmente da percursionista-teclista-sei-lá-que-mais...



serve como aperitivo?

[quero mais!]

segunda-feira

[little break]

das coisas finitas, fazer amor é a melhor...
porque não se lhe conhecem contra-indicações.

sexta-feira

[breve intervalo]

very light!
...sem estrondo, mas com luz e perspicácia na direcção de uma vontade.
pela minha parte, há só aquela sensação de cansaço insuportável, a visão luminosa de um novo ser, o milagre da existência, a prova de que não há desertos, só oásis de felicidade. e o amor vive-se!

a ti, pequena, e a ti, grande m., desejo o melhor do melhor do mundo, porque ambas o merecem.
nunca esqueceremos a simplicidade desta madrugada de lua cheia - com tudo o que não é possível dizer.

quarta-feira

hibernar

há um tempo para tudo.
até para um blog entrar compulsivamente de férias.

terça-feira

pacotinho de pensamentos avulsos

fumar ou não fumar?!
- preferir os beedies, baratinhos, naturais e aromáticos

* * *
admirar o jardim dos vizinhos de frente
- continuar um canteiro doméstico de vasos e verdes para quebrar o vazio descolorido

* * *
"na busca da felicidade, persuadir o cérebro a tender para a esquerda"
- daniel goleman escreveu-o no NYT e, que se saiba, não é da política

* * *
ansiar moderadamente um fim-de-semana verdadeiro fim-de-semana
- esperar pacientemente a oportunidade

* * *
perceber que se nem tudo o que luz é ouro, nem tudo o que escurece é restolho
- e mesmo na terra batida de ninguém nascem grandes obras (veja-se berlin)

* * *
depois de um almoço cheio de trabalho, nunca ingerir uma bebida oferecida pela casa
- a confusão mental acentua-se e nem uma atenção redobrada esconde a desmotivação

* * *
camuflar o cansaço sem a menor noção de como se disfarça algo que se nos impõe
- acreditar que há sempre boas causas e causas boas para justificar o que fazemos bem

* * *
deixar um espaço vazio na ambição de vê-lo preenchido
- e sentir que apesar de haver um muro, ou precisamente porque existe, há algo para além dele

segunda-feira

sophia

"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
"


[penso sempre nela, e neste poema, quando t(r)emo ]

sábado

ideias (baratas) para um fds

relaxar e não fazer nada

serenar conflitos

cuidar de nós

folhear revistas e livros

jantar com amigos

ir à feira laica, ou algo semelhante

ver o mar sentindo o sol

aproveitar as esplanadas

relaxar e não fazer nada...

quinta-feira

só quero (bom) tempo

"Ai que prazer
não cumprir um dever.
(...)
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
(...)
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
(...)."

[Liberdade - Fernando Pessoa]

quarta-feira

para ti, d.

...pelo dia mais piegas da minha vida.

um amor para sempre.



[elton john]

sábado

el amor todo (o casi todo) lo vence

"se nada tienes, poco puedes dar, y sólo eres capaz de entregar amor si previamente has podido generarlo en tu interior. lo que no es fácil, estoy de acuerdo. por esso hay tantos analfabetos emocionales"

charo izquierdo, carta de la directora - yo donna del siglo xxi/El Mundo (16.06.2007)

histórias incríveis

... a de isabel llinás, deputada do PP nas baleares/espanha.
casou-se aos 19 anos, e forjou uma carreira profissional até chegar a dirigir vários hotéis da costa maiorquina. tinha reconhecimento profissional e independência económica, mas isso não foi bem aceite pelo marido. insultos e impropérios passaram a ser o seu dia-a-dia, que ela silenciava seguindo em frente. os filhos, então adolescentes, pediam-lhe que se separasse. ela conta que durante oito meses dormiu no sofá porque seria ele a ter de deixar a casa, que era dela. um dia, ele foi-se. a 4 de fevereiro de 2001 o então já ex-marido chega a casa dela armado com uma faca. puxa-a para fora e desfere-lhe 15 punhaladas! foi a filha do casal, então com 12 anos, que arrastou a mãe até à casa de banho, fechando-se lá dentro enquanto um primo, alarmado com os gritos, pedia ajuda. isabel esteve dois meses nos cuidados intensivos, perdeu o baço, a vesícula... mas sobreviveu. foi depois disto que o governo das baleares a convidou para dirigir o instituto balear da mulher. a sua valentia, força e excepcional capacidade de gestão acabam de valer-lhe o prémio Yo Donna de trabalho humanitário em 2007. hoje, esta mulher digna sorri na foto que acompanha a notícia no El Mundo deste sábado.
o drama da violência doméstica é transversal nas preocupações dos partidos políticos em Espanha. bem sei que cá o problema parece ter menor dimensão... ou menos visibilidade?

sexta-feira

outras nuances

quem ama pode até sofrer um tempo infindo,
mas deixa aberto o espaço de que o seu amor precisa

nuances


quarta-feira

blog como testamento

..quando se faz um inventário do que pensamos, sentimos e fazemos.
ignorando polémicas e outras ‘coisas sérias’.
só para assuntos da postura na vida

primeiro, a consciência de ser mulher
a prepotência de um mundo competitivo e desigual, a mudar.
sobreviver e reunir as condições inerentes
depois, ser responsável por outros seres, que têm prioridade sobre tudo e o eu.
e ainda, a verdade de outras culturas, filosofias e modos de vida: a diversidade e a miscigenação são a verdadeira riqueza dos tempos.

o ioga, as filosofias, o auto-conhecimento.
o yin e o yang, a dialéctica em tudo.
a poesia e 'a revolução permanente'.
a (auto)crítica, a solidariedade.
os afectos, sempre, todos os dias.
a líbido, a lua, o mar, o prazer, o sol, o bem-estar
.

segunda-feira

nem um post salva isto...

... bem ao contrário: só dá dimensão real à aridez.
nem me apetece pegar num daqueles escritos intelectuais em draft, nem sequer entrar em delírios libidinosos, para-sexuais.
a verdade é que está uma pasmaceira. suponho que meio mundo está de férias. o ritmo é lento, só há lugares vazios e vozes baixas, num local de trabalho que tendencialmente vive 'aos gritos'. suspendo as tarefas, páro num instante o trabalho fastidioso, única forma de não me passar para um 'sanatório cerebral". espreito blogs e sites de consulta (confirma-se o pior do diagnóstico)
apetece-me fazer trabalhos manuais! daqueles que nos prendem tanto que não sobra espaço para qualquer desconcentração. há ainda o ónus da organização, que faz com que tudo a seu tempo seja registado e calendarizado e trabalhado. e, como dizia o Eça, 'está um calor de ananazes'. só me apetece mergulhar. vou pôr isso na minha agenda, antes do completo shut down.

casa de chá


shangai, set2006

domingo

manual de instruções (VI)

"olhem a vossa mente.
tem algum espaço por preencher?
a mente precisa de espaço vazio, para o silêncio.
só assim conseguimos ouvir."

sábado

música para os meus ouvidos

condição prévia: ter orçamento.
prioridade: desfrutar ao invés de blogar ou trabalhar.
selecção (maturada) das próximas colheitas - alguém vai a todas?

15 de junho - culturgest lx -laurie anderson
25 de junho - alvalade lx - rolling stones
30 de junho - ccb lx- estrella morente

2 de julho - oeiras, jardim m. de pombal - gotan project
3 de julho - lisboa tejo- arcade fire
4 de julho - lisboa tejo - jesus and mary chain, clap your hands and say heah
5 de julho - lisboa tejo - scissor sisters
14 de julho - vimeiro - torres vedras - xutos + seal
15 de julho - oeiras casa de pesca - nouvelle vague
17 de julho - cccb lx - ivan lins & quinteto
20 de julho - alto da ajuda lx - mutantes, bebel gilberto, daniela mercury
21 de julho - alto da juda lx -carlinhos brown, lila downs, olodum
22 de julho - jardim casino estoril - norah jones
25 de julho - coliseu lx - aimee mann
27 julho - albufeira - nelly furtado
29 de julho - coliseu lx - ziggy marley "love is my religion"


2 de agosto - sudoeste - I'm from barcelona, camera obscura
5 de agosto - sudoeste - mika
15 de agosto - sagres surf - lily allen *

*smile




nota de rodapé: algumas datas foram (r)emendadas pós-post. as minhas desculpas.

lilith e o feminismo apocalíptico

tenho pena, muita pena, que é uma coisa terrível de se ter. mas além de mais numerosas e resistentes, somos melhores que eles - excepções também as há, como em tudo. somos mais sensíveis, mais tortuosas, mais inteligentes. somos o longo prazo mesmo quando se estampa na incomunicação diária. é mais fácil ouvir um homem dizer que aprendeu muito com as (suas) mulheres, do que o contrário. essa é mesmo a verdade.
depois, vem o determinismo: o da natureza, da fisiologia, do corpo. e não há mesmo nada que chegue a fazer frente a isso. provavelmente nenhuma mulher grávida teve 'desejos' - arranjou-os para ter aquilo que o estado social normal sempre lhe negou. é mais fácil ver um homem desmaiar com a imagem de sangue do que uma mulher que se defronta com isso ciclicamente. e se ela quer levar a sua avante, pois leva mesmo, ainda que ele(s) fique(m) com o ónus do sucesso. ninguém me tira isso da ideia - sim, também somos terrivelmente teimosas. (o que faz de mim, possivelmente, uma perigosa feminista).
há uma lilith em cada uma de nós, mesmo na virgem santíssima que engravidou sabe-se lá de quem, e fez o mundo engolir a patranha da fecundação pelo espírito santo - veja-se, é a fecundação in vitro avant la lettre, e ninguém reclama... é isso: há uma lilith em cada uma de nós e, agora às claras, assim se toma conta dos lugares académicos, das competências profissionais e junta-se isso tudo à amálgama de gestão de tempos e agendas complexas. eles mandam e governam, dissertam e debatem, mesmo se são incapazes de reagir ao óbvio com a elementar polidez humana ou de fazer o nó da gravata. nós temos mais que fazer: governar a casa, as crianças, os orçamentos, o emprego, as férias, as compras e toda a panóplia de estética de que é suposto preocupar-nos.
tenho pena deles, pois tenho. há um cristo ou um adão do paraíso em cada homem com que nos cruzamos. foram eles que inventaram uma eva para esconder a tal lilith. no lugar deles, talvez tivessemos feito o mesmo. mas isso não quer dizer que não tenha persistido uma lilith em cada uma de nós, não necessariamente em lua negra.
e, então, que vai ser deles? ou, como dizem os cientistas, qual o futuro do cromossoma Y?

sexta-feira

coisa de artistas

«Pense com os Sentidos, Sinta com a Mente»
lema/tema da bienal de veneza. cujo director disse também: «Os conservadores estão nervosos porque não há um centro e não sabem onde ir buscar toda a informação. A resposta é que não vão encontrar toda a informação se a procurarem num único sítio».
o que, parece-me,... faz todo o sentido, em todos os sentidos e qualquer lugar.

fernanda abreu / garota suingue sangue bom (II)


noite nota dez, disse ela. mas eu dobro! foi fenomenal em palco. só falta que na casa da música do porto, dia 9/sábado, se faça a mesma festa.
fernanda abreu, mal e pouco conhecida em portugal, é ...muito boa onda! impossível não receber o tom positivo que ela põe na actuação, nas letras, na forma de estar. é das experiências mais fortes, mais electrizantes, mais dançantes, daquelas que tem tudo para nos (en)levar a dois passos do paraíso - onde vale tudo: o funk, o samba, o hip hop, o reggae, a denúncia, a dignidade. e ela está desafiante, vivíssima, 'gostosa'. custa a crer que ela se aproxima dos 46 anos... quem diria! uma força da natureza. o céu pode esperar:

«Fazer o que se quer nem sempre é possível
o poder é relativo,nunca é cedo ou tarde
na vida cada um se vira como pode
e no final não existe julgamento pra nada

A hora, um dia, eu sei que vai chegar
no céu entrarei navegando pelo mar
então me lembrarei da vida aqui na terra
e verei que na verdade do mundo nada se leva
(...)

Só que ainda estou aqui, ainda vivo com pressa
os filhos, os amigos, o amor é o que interessa
se a vida é muito curta, eu quero aproveitar
e é por isso que eu digo: o céu pode esperar»


[parabéns ao promotor LM que teve a coragem de pôr esta mulher num palco português para uma noite excepcional.]


PS - 10/6/007, na rtp2, fernanda abreu em entrevista
Prefere perguntar a fazer panfletarismo - se pergunto, as pessoas sempre pensam na resposta...; a riqueza da língua portuguesa cantada com todos os sotaques - para quê o inglês?! temos de ajudar os homens, que andam meio perdidos, com o que aconteceu às mulheres nos últimos 50 anos...; o brasil é uma mistura, da favela ao asfalto, a mistura é que é interessante! gilberto gil como ministro da cultura tem o mérito de lhes fazer ver que cultura é vantagem, mesmo para a economia; sempre andei em escolas públicas, para mim é natural a diversidade; e sim, sou pelo direito ao aborto, pelos gays, pela pan-sexualidade, pela despenalização das drogas leves. ah! e não adianta ser negativo/a. Lúcida e inteligentíssima, esta mãe de dois filhos... (Madonna fica a milhas desta mulher, mesmo em palco.)

quinta-feira

para a t., com amor

o do nascimento, é o primeiro. depois, na vida de uma mulher, há outros dias que marcam. desiguais de todos os outros, sendo imprevisível medir o impacto que têm nas nossas vidas.
é físico, é visceral. nisso, somos todas iguais. não interessa o carácter, nem a cor de pele, nem a cultura, nem o berço, nem a vida que levamos depois. somos-todas-iguais! esse dia chegou para ela e trouxe-lhe um 'pânico' contido, um inconformismo tenso, um não-sei-quê de estranho, talvez uma raiva inexplicável. lembro-me bem quando aconteceu comigo, do tempo que fazia, como eram as rotinas, o medo que se entrepôs.
por muito que tentemos prevenir, nada substitui a experiência. e nada é como dantes. vivemos assim longos e longos anos. dias que marcam para sempre, cadencialmente. e não há nada a fazer.

quarta-feira

estados d'alma (III)

há dias assim, em que não se consegue perceber onde começa a dor, se no corpo se na alma, se no espírito que vagueia. reconhece-se tristeza, cansaço, preocupação. é uma exaustão perpendicular ao ser.
sentem-se pequenos golpes no coração selados com pensos rápidos incolores, conversas afectivas e algum álcool à mistura.
seguem-se horas maceradas de sono e um acordar massacrado.
o dia seguinte retoma um estilo de vida 'à bombeiro":. socorro aqui, apoio ali, tarefas e encruzilhadas de agenda, numa enorme desarrumação contra-natura. e... sobreviver!


[por isso, apesar de não ser propriamente o tal dia-sim:) não posso esquecer o conselho: "primeiro, agora.agora vou..."]

terça-feira

frase do dia

any problem has a cheap solution

pecadora confessa

expõe-se a gente demasiado num blog que se rega todos os dias que apetece. muito mais se despe a gente nos gestos do dia-a-dia. tod@s somos sobreviventes, que as leis da vida não discriminam género.
bate então a dúvida de quanto vale retrair o impulso. e umas vezes a cabeça pede uma trégua, outras o querer não leva a melhor sobre o vício. pode ser o de postar, ou de espreitar outros, ou de comentar. há questões de sanidade que me fazem passar ao largo de certos lugares outrora visitados. ou porque aí se escreve para provocar efeito, ou por que se escreve a representar, ou porque se escancara a vidinha toda despudoradamente. ora porque nos falta tempo e pachorra para tanta conversa fiada. é realmente uma canseira escolher (o registo). mais saudável é ignorar. faça-se o mesmo com este espaço, pois há tanta coisa para lá da internet, bem mais palpitante que as confissões públicas.
já agora: serão os blogs os novos autos-de- fé da religião cibernaútica?

segunda-feira

materialista me confesso

preciso de um adiantamento para um cambio de piel.
bem sei que o dinheiro não traz felicidade, mas ajuda e muito.
no caso presente, tornou-se praticamente vital.
eu quero uma 'chica' que me fascinou domingo à tarde.
ela tem um preço que eu não posso pagar de imediato.
vou intimar quem de direito a adiantar-me o que preciso.
nunca imaginei chegar ao ponto de depender de uma aquisição.
mas há coisas piores....
mesmo para quem não percebe nada de artes plásticas.
porque afinal se gosta ou não se gosta. e há algo mais simples que isso?!

PS - claro que na melhor companhia, a coisa torna-se absolutamente deliciosa.

domingo

s.o.s.

onde estás?!
tomei nota da canção, dos girassóis e dos detalhes...
(sabes que esta noite mesmo comprei um girassol? anda vê-lo, please... 3º esq.)
mas onde estás, irmã de alma?
e será justo?
por tlm, mail, sms, msn, commment ou frente-a-frente, sabes onde estou. solta os subentendidos sff.



perfect day - lou reed


Post Scriptum
[ estava lua cheia e ambas sabemos o que ela faz. amanhã, como dizes, tudo estará de novo no caminho. beijos]

rumos

ela enunciou os factos ou contou a novidade, não sei bem qual foi a ordem...
a cada sete anos a vida muda(-se-me), disse G.
e ainda bem. porque a alteração segue sempre num sentido melhor. e como amiga, só lhe desejo bem. nem sempre a mudança é explícita, mas é sempre progressiva.
fartos de terra-queimada andamos todos. às vezes, o chão é agreste e o ambiente pesa enormidades.
é então urgente que um destino se meta no nosso caminho, mesmo que seja a fazer agulha para o desconhecido.

objectos de culto

há tempos que queria escrever sobre eles. não mudam com os anos. são poucos. permanentes. coerentes.
os meus 'objectos de culto' fazem-me perder a cabeça na proporção directa da acessibilidade financeira. que é limitada, contingencial.
budas, pequenos de preferência.
espanta-espíritos, de som madeirado.
ampulhetas, de todos os calibres.
caixas de música, escassas porque caras.
linhos, raros e despojados.
frutas suculentas, vermelhas, marfim, estranhas
plantas, pedras, madeiras... conchas do mar
e livros, muitos livros, tantos livros! traiem-me com a sensação de que nunca os lerei todos. mas preciso deles perto de mim. não necessariamente best-sellers, nem nobels, nem os clássicos. os que fazem o meu caminho, os autores do coração, as histórias que marcam os dias, os estilos de escrita que ensinam a perceber melhor a vida.
pegar num livro, naquele livro preciso, e visitar aquela frase, perceber que se fez luz e foi simples compreender.
não compreender é que é incompreensível. sempre foi. nunca deixará de ser.

sábado

I am what I am

- L., you are an angel!
- ...but I don't believe in angels.
So, what am I?

surreal

os budistas, que não precisam acreditar em deus, crêem que há uma lei de causa e efeito, o karma que carregamos. aplicam-na à alma, ou à consciência, que migra para lá do corpo físico que perece.
a haver efeito das minhas acções e pensamentos, conto ter um superavit na próxima encarnação - se as há.
e a minha alma, se é que existe, arrisca-se a ser recordada 'like an angel' - bem querer e bem fazer.
nesse tempo, haverá olhos que sorriem à memória de um rosto que olhou sempre de frente, sem medo que o céu lhe caisse em cima, sem pudor pelas lágrimas soltas, só com o temor do sofrimento por ter amado inadvertidamente, de mais.
...as crias, os amantes, os amigos, os de sangue.
um ser que acreditava no espírito livre, como no inusitado que nos supreeende e doí, sem que possamos fazer o que quer que seja. it's just life.
que um dia, nesse dia de passagem, ninguém o chore de arrependimento. que se evoque o riso e o insensato descaramento de nada esconder. não há palavras que antecipem o que na vida é fazível, físico e factual - embora não as conheçamos todas.
que se recorde a ternura e a atenção mais que a saudade.
o conforto e o afecto mais que a memória vácua.
que seja um dia de sol, ou de águas, feliz e simples.

sexta-feira

manual de instruções (V)

não vale a pena exigir de outrem
o que esse alguém
não pode ou não quer dar

[assim como nenhuma atitude drástica deve ser levada à letra]


* * * * * * * * * * * * *

a vida vale pelo afecto
na afeição aos sítios, à memória dos locais,
e, quando se rompe, não se volta lá.

a vida tem o valor dos afectos
porque nos afeiçoamos aos outros - cada pessoa é única.
e,... ?



quinta-feira

aforismos noctívagos (2)

nem sempre é caso sério, quase sempre é caso simples,
às vezes não passa de um 'guisado de desilusão'.
convenhámos, ...um pouco indigesto em dias de verão.
mas nem isso deve pôr os neurónios em confusão,
até porque talvez nada dure para além da ilusão.
e cada franqueza que redunda em fraqueza, torna a vida ainda mais simples.

há quantos anos não ouvia isto?!


vaya con dios

whats'a woman...

quarta-feira

ei-la

estrella morente canta pela primeira vez em portugal.
canto da paixão, senhora de alma flamenca.
a voz de volver, de pedro almodovar, apresenta Mujeres.
daqui a um mês, no ccb, em lisboa!

...uma noite memorável, para rasgar o coração e colar todos os pedacinhos.


[finalmente, o encontro com a minha descoberta do verão passado]

terça-feira

manual de instruções (IV)

não há como o trabalho 'forçado' para nos alienar de fantasias e efabulações

domingo

...san(t)o domingo


não é de mais agradecer o sono reparador e, sobretudo, o olhar lúcido para identificar um lead que não reconheci(!?).
é verdade que o bairro tem noites cheias de putos, cervejas e copos de plástico. mas também espaços diurnos de delongas fruições.há tempo 'deitado fora' que se transforma na melhor terapêutica: comida, conversa e risos soltos.
obrigada, ana m.

sábado

tempos

há um relógio biológico que diz
...a vida foge
...é tempo de ter crias
...mudar de vida
...trocar de casa
...o corpo pede descanso
...precisas amar
...é urgente encontrar uma saída
que, de sorte, pode até ser a morte!

nenhum artífice suiço conhece os mecanismos desse relógio.
preferia clépsidras*
previsíveis
constantes
quebráveis
silenciosas
absolutamente irrepreensíveis! *relógios de água

sexta-feira

cry baby*

sexta-feira e chove em maio
tristeza instalada
primeiro como um murro no estômago
um dolente olhar vago
pensamentos distantes
sono vazio in_conformado
e
finalmente,
aquela dor no peito
esquerda, direita
tristeza pregada lá nos lados do coração
infiltrada como a morrinha
uma tristeza miudinha



*janis joplin

quinta-feira

causas (IX)

fel&cidade
a gente anda por aí, na vida de todos os dias, e nem dá muito para pensar nessa coisa que agora enche prateleiras de livrarias, manchetes das revistas e até, imagine-se!, colóquios - e logo em três dias, com os maiores peritos na matéria(?!) para a mirar de todos os ângulos.
não sei como foi possível inventarem o prozac, esse milagre da condição humana, antes mesmo que nos questionássemos massivamente sobre os contornos da
felicidade! não há outro tema mais na berra que esse. mas... não há que buscar..., digo eu. às vezes tem-se, outras vezes nem tanto. e é tudo: o instante, o momento, o fortuito. não há planos, nem objectivos, nem metas de... felicidade. há só o esforço para não nos deixarmos abater pelos sentimentos negativos e 'trabalhar' para usufruir dos outros. até porque, "há pessoas que têm um talento especial para criar o seu próprio inferno"(*)... e não são nada boa companhia. depois, vale a pena atentar naquela noção do 'círculo de influência' e do 'círculo de preocupação': alguns preocupam-se com muitas coisas, mas só podem influenciar umas poucas... proponha-se "ser pro-activo; comece com o objectivo em mente; primeiro o mais importante; pense em ganha-ganha; procure primeiro compreender e depois ser compreendido; crie sinergias;e renove a sua natureza física, espiritual, mental e social/emocional. (**)

ainda assim, quem é que nunca se sentiu profundamente incomodad@ com uma dor de estômago, daquelas que nos dizem silenciosa e persistentemente: porque te ralas tanto?!


*in O carro de Jagrená (crónicas)- Mário Ceitil - edições Sílabo
** in os sete hábitos das pessoas altamente eficazes - stephen covey

causas (VIII)

"... na minha cama, não!
- é o meu território emocional e sentimental"


quem disse?

1. homem homo
2. mulher homo
3. homem hetero
4. mulher hetero

[desabafo em desatino à mesa do café]

quarta-feira

daqui


no verão, há olhos que se pousam no colo elevando-se até encontrarem outros que se esquivam.
no verão, o calor dilata os corpos e as dúvidas encolhem.
no verão, suspende-se o movimento dos desejos de ano novo, há um efeito de estio que abafa a liquidez dos sonhos, e uma dolência exausta no encolher de ombros.

terça-feira

causas (VII)

Mundo perde 3 espécies por hora, diz ONU no Dia da Diversidade
Por Alister Doyle OSLO (Reuters) - As atividades humanas estão varrendo do planeta três espécies animais ou vegetais por hora, e o mundo precisa tomar providências para atenuar até 2010 a pior onda de extinções desde a dos dinossauros, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira.
Cientistas e ambientalistas divulgaram levantamentos sobre ameaças a animais e plantas, como a baleia franca, o lince-ibérico, batatas e amendoins selvagens, no Dia Internacional da Diversidade Biológica, 22 de maio.
"A biodiversidade está se perdendo num ritmo inédito", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, numa nota oficial. O aquecimento global está agravando as ameaças já existentes, como o desmatamento, a poluição e o aumento populacional humano.



dia internacional da biodiversidade (palavra linda...)
alguém se lembrou disso?

segunda-feira

manual de instruções (III)

primeiro, agora...

depois, que eu tenha
serenidade para aceitar o que não posso mudar,
força para mudar o que posso e
discernimento para distinguir entre o que posso e não posso mudar.


[recebido com afecto, da m.m.. obrigada!]

a garota suíngue

ela vem cá d(anç)ar concertos em lisboa (7 de junho) e no porto (9 de junho)

fernanda abreu, garota "suíngue sangue" - um caso àparte da música brasileira, talvez vagamente 'louca' como rita lee... vão ser noites 'da paz'

Eu vou torcer

domingo

causas (VI)

A vida não pode ser senão vagarosa e doce, porque “onde há beleza há prazer, e para o prazer é preciso tempo”, dizem em Positano




Positano fica em Itália. É uma das urbes do ‘manifesto caracol’, um movimento pró-cidades lentas, que advoga uma estética do prazer e da harmonia.
Yo donna, a revista de sábado de El Mundo, traz uma reportagem (não está on line) sobre “a arte da lentidão” que explica que, como “vivemos numa sociedade acelerada, os passeantes foram substituidos nas nossas ruas pelos enlouquecidos transeuntes. Singapura, Copenhaga e Madrid encabeçam a lista do stresse de rua, segundo um estudo que mediu a velocidade dos nossos passos. Mas, outro mundo é possível. Várias cidades rebelaram-se contra esse insano hábito, num movimento que se expande desde Itália”.

Positano?... Também quero, em Lisboa, se faz favor.


[pesquisar sobre o movimento aqui ou ali]

segunda-feira

causas (V)

da amizade *

... ir-te buscar ao IPO na manhã que concentrou todo o medo dos teus dias
... dizeres-me "tu és forte, nós somos fortes e temos de nos apoiar"
... mandares o sms que dizia "admiro a tua coragem"
... arrancar-te de casa quando a solidão te faz morrer por dentro
... avisares da decisão que não partilho e mesmo assim apoiar-te a escolha
... receber o teu e-mail que diz "gosto genuinamente, do fundo do coração, de ti"
... desafiar-te para um jantar que cozinho e perdermos a noção das horas
... avisares-me de mansinho "estás a precisar de te apaixonar"
... lembrar-me de ti no teu aniversário mesmo se não conseguimos falar
... pensar quanto gostaria de te ter comigo naquela viagem
... resgatar-te da depressão quando só há nuvens sem esperança
... despir o meu casaco para que te protejas do frio
... ficar quase nua ao teu lado sem pudor nem tentação, e continuar a rir
... abraçarmo-nos com força, suster a respiração, e dizermos "como te adoro"
... escutares desabafos que a emoção atropela para lá do inteligível
... acariciar-te quando soluças, secar-te o rosto delicadamente, segurar-te o braço com intenção
... saber que escutas o meu choro e a minha raiva, e me consolas mais do que mereço
... mudar toda a minha agenda para te dar o tempo de que precisas
... poupar-te à dor que vivo, até descobrires quanto pesa o sofrimento
... segurar o teu segredo e guarda-lo no cofre-forte da alma
... fazeres-me a surpresa boa que não supunha possível
... admirar-te de mais!

*homenagem às minhas amigas e ao meu maior e grande amigo.

amor e sexo (VII)

o amor cultiva-se no tempo
o sexo acende o instante
a amizade perdura pelos gestos da vida

domingo

todos procuram a sua fada

"uma coisa é ser mortal, outra é não querer viver"
- in "A educação das fadas", de josé luis cuerda

um filme europeu/catalão, de grande sensibilidade, completamente naif... faz lembrar 'a minha vida sem mim'.
uma história descompassada sobre mistérios e amor.
porque as fadas educam-se... elas andam aí, têm uma cicatriz e concretizam-nos três desejos. chamamos por elas com um abraço a uma árvore e reconhecemo-las pela amnésia.
um filme com bebe, a cantora, que se desnuda amiúde no enredo. bela música final.

sábado

causas (IV)

[a utilidade dos blogs]

dizer o que pensamos do mundo, da nossa cidade.
lisboa, que eu amo, vai ter eleições intercalares para a câmara.
há muitos anos que lisboa perde tempo. envelhece. morre devagar.
e podia ser uma cidade tão boa!

lisboa precisa de liderança, sentido prático, saber-fazer, sensibilidade humana.
precisa de gente e de espaços lúdicos, não precisa de mais carros nem de mega-obras.
precisa de ser uma 'utopia', uma visão cosmopolita, uma harmonia na diversidade.

lisboa tem urgência em ser tomada pelos lisboetas.
há alguém que se dispõe a essa caminhada: helena roseta.
estou com ela - embora nunca se recomendem cheques em branco.

lisboa tem de deixar de ser 'menina e moça' para ser mulher.

alexitímico/as: será melhor ignorar?

não percebo nada do assunto, mas quando ouvi falar, interessei-me...
a alexitimia, uma das 'patologias' que entretêm psicólogos e psiquiatras.
a característica de alguns seres humanos, simplificando, não terem emoções... não as percebem, não sabem falar sobre, não compreendem. refugiam-se no estritamente 'concreto'. deve ser horrível (sobre)viver assim, digo eu.

[há alguma coisa em português, na net. por exemplo:

"O termo alexitímico foi sugerido por Sifneos (1972/1977) ao se referir a certo tipo de paciente contra-indicado especificamente para “Psicoterapias Breves Provocadoras de Ansiedade” e para psicoterapias de uma maneira geral. Sifneos esclarece o sentido do termo recorrendo à sua etiologia em que o prefixo grego “a” corresponde a privativo; “lexis” a palavra e “thymos” a humor (Sifneos, 1972/1977 : 112).
Ainda segundo Sifneos, incluir-se-iam nesta categoria alguns pacientes psicossomáticos, que definem as emoções em termos de sensações somáticas ou de reações comportamentais em vez de relacioná-las a pensamentos. Segundo a definição fornecida por Campbell (1996 : 30), “a alexitimia seria primariamente descrita como um traço de personalidade, caracterizado pela dificuldade em identificar o próprio estado emocional, com uma vida de fantasia mínima e inabilidade para fantasiar produtivamente e um foco em interesses externos e somáticos. Secundariamente, alexitimia é uma reação “estado” para os efeitos de
doenças físicas sérias, talvez uma defesa contra depressão ou dor, ou ambas.” Campbell refere-se ainda, a autores que atribuem a alexitimia à ação de mecanismos de defesa primitivos que ocultam e distorcem as experiências do afeto e da fantasia." ]

uma boa ideia















Christy Turlington

sexta-feira

manual de instruções (II)

hoje fui literalmente esfolada viva!

tenho o fim-de-semana para recuperar...

amor e sexo (VI)

oração dos entes que se querem bem

Não matarás o fogo que se acender entre nós
Não cobiçarás o passado, nem almejarás futuro
Não venderás a alma, nem o corpo, mas o teu pensamento permanecerá livre
Não roubarás ao outro/a toda a hipótese de orgasmo
Não humilharás: molhar-me-ás na proporção do prazer mútuo
Não sonegarás o gozo máximo, nem os cenários improváveis
Não mentirás sobre o desejo

pecado, casamento e adultério são banidos do teu léxico
nenhuma avé-maria ou pai-nosso substitui a prece dos amantes

amor e sexo (V)

Todas as histórias de amor têm um final... abrupto ou agonizante.
Há quem diga que têm um final feliz.
Por aí, já se vê a ideia que as pessoas têm de felicidade.

[a série continua,... porque sim: a g., que me conhece há muitos anos, do trabalho, costuma dizer que ‘este blog é a tua cara’. ultimamente tem-me dito que gosta mais desta l. . eu também.]

quinta-feira

causas (III)

a liberdade aliada ao respeito pelo outro.
o direito de não interferir na vida e nas escolhas do outro - familiar, amigo, vizinho, concidadão.
o dever de cuidar do nosso próprio espaço. o dever de não julgar, ajuizar, condenar.

vem isto a propósito de uma pequena altercação a que assisti na via pública. uma miúda acendeu um cigarro quando estava na fila do autocarro. antes disso, um velhote pigarreou, mal lhe adivinhou o gesto. ela até se deslocara para longe, de forma a não incomodar ninguém. ele atirou-lhe umas bocas, das quais a mais brilhante e conclusiva foi do género: vocês não deviam ter homem que as quisesse assim,... se mulher minha fumasse havia de ser como se estivesse com outro.(?!?)
não dá para acreditar!

[não entendo a proporção do 'debate' público e mediático que há por aí a propósito dos fumadores. e que já mete ao barulho a poluição sonora e cinética das criancinhas que os pais levam ao restaurante. não é tudo apenas uma questão de respeito pelo espaço comum?]

causas (II)

em lisboa, há coisas boas. esta revistinha digital costuma dar conta delas, para os tempos de lazer. assinar é de borla.

causas (I)

já no próximo domingo, em várias cidades do mundo - o mundo é pequeno, lembram-se? - uma caminhada vale a pena.
... completamente utópica, mas antes sonhar que ignorar - parece-me.
esta sim (site da organização) é uma maneira de as empresas, essas grandes 'filantropas'!, darem um pequenino contributo...

quarta-feira

amor e sexo (IV)

sexo - verbal ( não confundir com oral) - é o que não falta na net.
os blogs, então, são grandes hospedeiros de filosofias, fantasias e acrobacias. ora são as alusões às starlets, ora os relatos de façanhas – inventadas ou não.
pelo meio de tudo isso há uma torrente de moralismo mascarado. e não há nada pior que os profetas da verdade. porque... não há verdade, só pontos de vista: lugares de onde olhamos, pensamos e sentimos.


não deixo de me surprender com as vezes em que ‘não bate a bota com a perdigota’. mais interessante e, para mim, inexplicável, é falta de distanciamento crítico - ou hipercrítico, o que dá no mesmo - que seres adoráveis têm em relação a si próprios e em relação aos comportamentos dos outros.

às vezes, basta darmos um passo atrás para vermos o caminho de outro modo, menos elíptico e mais holístico.
lembro, a propósito, a história da
viúva-negra: uma aranha que após a relação sexual necessita de alimento. e que faz ela? mata o macho para se alimentar... curiosamente, a natureza fez com que alguns machos levem consigo um pequeno “presente” para a fêmea, geralmente um insecto que lhe oferecem logo após o relacionamento. e, com isso, a fêmea poupa-lhes a vida.
esperteza de macho ou estratégia de sobrevivência?

ps - não adianta termos uma bitola de ética para nós e outra diferente para os outros; nem sermos mais severos connosco do que com os demais, quando os pressupostos [amor e sexo] são os mesmos. e vice-versa .

exercício do contraditório


eu gosto mesmo é da Milla


gostos nem se discutem, né?

às vezes, encontram-se...

amor e sexo (III)

três na real, três em rede. há sempre alguém que sobra.
três é uma multidão. tenho pavor do que as multidões são capazes. evito as tríades com a fobia de não conseguir suster a lava.
às vezes, é o abismo que se chega até nós. não há refúgio possível quando alguém se entala numa trindade. recomenda-se instintivamente maquinar a saída. outras vezes, dá-se a escolher. quase sempre, há um que perde.

uma coisa é certa: três é o risco de fazer pender a alma para o esgoto e a genitália para o consultório médico. e o coração, esse, já terá tido melhores dias.
mesmo ao vértice do triângulo, não adianta embandeirar em arco. tem o papel do falso monarca, e condenação a prazo pela mais sincera das traições.

tríades, triângulos, trindades - um pau de três bicos!
vejam-se os sinais de trânsito: os triângulos sinalizam os acidentes e sublinham as prioridades. será por acaso?
ok! ninguém está livre de triangular. haverá alguém a quem isso não aconteceu, mesmo que involuntariamente ou no reino da fantasia?!
... nã!

terça-feira

amor e sexo (II)

Nenhum amor platónico chega à qualidade de uma rapidinha bem executada. Essa é que é essa!
O amor, coisa vaga e indefinível, faz-nos desejar o retorno a uma memória que temos como prazeirosa. Às vezes, não passa de uma infecção da imaginação.
Já o sexo é, puro e franco, feito de tesão, fome e acção.

Não há pontos nevrálgicos no amor; mas tudo é reciclável no sexo. Começa quando menos se espera e termina quando se quer.
Come-se com o olhar e fode-se avançando pelo menos óbvio. O sexo satisfaz-se no momento, ou não. Já o amor, aguarda a eternidade. Que, como se sabe, só está reservada aos santos... e agora até o Vaticano determinou o fim do limbo!? Nem quero saber o que descobriram na santa sé...

A única coisa em que Rita Lee erra é quando diz que sexo é carnaval. Eu nunca gostei do carnaval. Mas adoro a loucura de Rita Lee.

amor e sexo (I)

Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é
escolha
- Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é
cinema

Sexo é
imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia

O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão - Sexo é
pagão

Amor é latifúndio - Sexo é
invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval

Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é
vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora


(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)

segunda-feira

à beira do precipício

há pessoas que, mal damos por elas... e, têm uma capacidade invulgar de nos fazer ver o que é impossível ignorar. por exemplo, aqui, as eleições na Madeira reportadas com independência.



e há pessoas que, por muita adversidade que haja na envolvente, podem até não rejubilar de ânimo, mas teimam em acreditar que melhores dias virão, assim saibam tomar conta de si.
outras, simplesmente, desacreditam-se a cada pôr-do-sol.

domingo

inconfidências

Meu riso é tão feliz contigo

O meu melhor amigo é o meu amor


Velha Infância (Tribalistas)

pouco importa o nome das coisas inomináveis

... apuro os sentidos.

manual de instruções (I)

"os tolos estão sempre fazendo movimentos impulsivos, mas os sábios sabem que a vitória e a derrota são decididas por algo mais subtil"
"esta é a profunda, simples verdade: você é o mestre de sua vida e morte. você é aquilo que você faz (...) para eliminar as influências negativas, simplesmente ignore-as"


[os ensinamentos desconhecidos de lao tsé ]

sábado

a magnolia night


aimee mann a 25 de julho 2007 no coliseu de lisboa




uma loira que gosto muito... de ouvir

(re)impressões (9)



Lisboa, 07:45 a.m.

(re)impressões (8)



NY,08:45p.m.

(re)impressões (7)


here, there and everywhere... "walk in the walk"

quarta-feira

auto-sugestao quase em autogestao

sol,'agua e mais 'agua, discursos, livros e procura de 'pechinchas'(!?):a ordem e' aleatoria.
segui o conselho do c. e o cc ja' teve melhores dias!
nada que nao se resolva com disciplina orcamental.
aprende-se muito sobre nos mesm@s quando temos de exercitar o autocontrolo. ou fazer autocritica para mudar o que (nos) faz mal.

terça-feira

impressões (6)

O que faço eu, aqui? descodifico.

...e penso: os do costume, pagam mal, tratam-me pior, consideram-me muito...
lá dizia alguém: se te dão limões, faz limonada. cabe-me dosear a acidez.

impressoes (5)

fiz o meu trabalho, tranche um e dois - depois se vê no que dá.
pessoas muito terra-a-terra, alto sentido prático, das que percebem quanto o mundo está farto de discursos ou o estritamente técnico/lógico não interessa a muita gente.
quanto mais se fala com estes senhores instalados no topo do topo das empresas de topo, se percebe quão frágil são os nossos lideres e quão mesquinho o sentido de negócio em Portugal...

impressões à parte

no cenário mais improvável pus-me a ler o comple(men)to de tudo. fazia parte das lacunas a preencher antes de ir desta para melhor. o livro tem tudo: filosofia, poesia, biografia. o querer, o possível, o conseguido. a eternidade do efémero. as dúvidas, as certezas, os feitos e os pensamentos. m. yourcenar demorou anos e anos a escrever, riscar, destruir e reescrever.
não lamento o tempo que protelei a empreitada. há instantes em que certos textos fazem todo o sentido.


* * *

ao jornalista acontece como à criança que aprende a andar de bicicleta sozinha. tem uma atracção enorme pelo brinquedo e um 'medo' terrivel do desconhecido, mas é com as quedas que aprende a pedalar. e tudo acaba por correr bem. mas só quando a imprudência já é consentida pela experiência.

* * *

viajar só, com escalas várias, horários apertados e sem pontos de referência faz-nos suportar melhor o que (em nós) é menos tolerável.

impressoes (4)

o paradoxo continua: numa conferência informática e a escriba sem acesso à net!
e' como aquele ditado: não creio em bruxas, mas lá que as há, ...há!
e, 'as tantas, tudo se resolve pelo melhor. e' por isso que nao vale desacreditar na vida!

impressoes (3)

e prontosS: o paraíso – pelo menos o dos filmes – é igualzinho a isto.
famílias felizes, eles fortes, quando não bem nutridos, elas quase sempre loiras, voz duma simpatia aguda, e as criancinhas todas muito autosuficientes – pequenos homenzinhos, senhorinhas de si (e do mundo!).
a bem dizer, não é isto que faz o paraíso – só o povoa...
o paraíso, itself, são lagos, palmeiras, quedas de água, sol generoso, calor e sombra fresca, e muito verde por onde se estenda o olhar.
cheguei ao paraíso (?!) e parece-me que não sei o que hei-de fazer com ele.

* * *

a mesma ideia volta a impor-se: este é o país dos excessos! No gelo, no quente, nas doses de comida, a beber refrigerantes ou cerveja, desmesura também na linguagem e, às vezes, até no porte. as crianças só podem beber a partir dos 21 anos, não se fuma em qualquer idade (?!),conduz-se a partir dos 16 mas há porte de arma logo aos 18...

* * *

e' também aqui que a aparência decide mais, e mais subtilmente, que noutros sítios: da gentileza dos criados ao preço dos produtos marcado sem taxas. para que a gorjeta, essa fantástica sublimação da esmola, pingue no final do repasto; para que o consumidor perceba que a mercadoria até tem um preço que pode ser razoável, mas o estado-sacana tributa mais o imposto...


* * *
numa terra onde tudo se paga - menos o que devia pagar-se: o excesso dos talheres, copos e embalagens de plástico, dos molhos e dos açucares a rodo – escutam-se diálogos surpreendentes. como o daqueles velhos colegas que comentavam a política de recrutamento no seu sector e concluiam que “a experiência (profissional) não tem preço!...ninguém pode dar um valor ao conhececimento a fundo de um 'job'

* * *

para que serve uma grande piscina, que mais parece um lago? e famílias em férias? por exemplo, para os pais ensinarem os filhotes a nadar. convenhamos que sai mais barato e é mais divertido que as nossas tradicionais aulas de natação. com as brincadeiras, e a pregar partidas, entre boias e braçadeiras, rebentos e progenitores fazem a festa numa tarde de sol. dois velhos namoram à beira do lago - a felicidade deve ser poder fazer isso...
o calor é quase infernal – e não é nada comparado com os meses de Verão, dizem eles –mas nenhuma paixão se incendeia. O lume brando queima menos, não é?

* * *

para que vêm as marcas de roupa europeias – Zara, H&M, etc e tal – para aqui? se há tanta e tão boa cultura fashion, onde cabem todos os dress code e a preços ‘acessíveis’... há um gosto urbano, vagamente rebelde, alternativo ou revivalista, de Urban Outfitters; e há também o bom e sóbrio gosto de J. Jill . além do mais, muitas das marcas fazem questão de dizer que os produtos são de algodão deste estado,ou de linho, fabricados na factory de outro estado, e tudo made usa – qual china!

impressoes (2)

o paradoxo e' este: no dia do trabalhador e' quando tenho de trabalhar mais!
no pais que inventou a celebracao e agora se esta' literalmente nas tintas para a data.
paradoxos e' mesmo o que nao falta por aqui.

(os posts estao escrevinhados, mas o dever impoe-se)

domingo

impressões (1)

quase uma dúzia de horas de voo, com contra-relógio na escala, e eis-me no destino. pelo meio, houve gente simpática a sorrir, e nada paga um sorriso!
o staff das afro-americanas era, digámos, muito interessante. depois, o marroquino foi gentil, na proporção da insensatez do calor: 87º F e façam as contas...
todas as cidades têm um registo de cheiro e o desta revelou-se invulgar. canela, baunilha?, sei lá que mais, um cheiro quente e doce, e discreto, mesmo que se deva a um snack qualquer. e o velho odor a grill, pois claro.
de resto, é tudo a espaços largos. espaço é o que não falta... tudo talhado para o negócio do turismo. recepção elegante - champanhe, morangos com chocolate, e ainda não percebi o mapa do hotel...
[só faltavas mesmo tu para a orgia ser perfeita].

sexta-feira

and now...

do desapontamento à derrota há só a questão do ponto de vista.
oportunidade para relativizar...

so, let' get out of this country



Camera Obscura

quinta-feira

o inadvertido beijo

rouba-me um beijo, outra vez... e outra, um dia destes.
rouba-o com a fome de quem resgata o desejo.
furtas um beijo, trocamos saliva, trincamos os lábios.

tocam-se carnudos, se(x)culentos e ávidos.
rapta-me um beijo, e faz-me rir depois.

encostam-se os corpos, puxo-te para mim, envolves-me por inteiro. estanques na rua, imunes ao que passa.

morde-se a boca, estreitam-se os corpos que jogam d'olhos fechados.
nunca é demasiado tarde para roubar um beijo.
rouba-me um beijo, e faz-me vir depois.

quarta-feira

scenes of a sexual nature

cenas de natureza sexual... para acabar (de vez) com os dilemas do amor, do sexo, do gostar, do prazer, da memória e das regras da atracção... um filme para ver e rever.
vale pelas sete histórias ou mais (todo o filme é outra história) feitas de gente comum, vulgaríssima, numa tarde de sol num parque. um filme humano, divertido, terno.
diálogos soberbos, que só fazem sentido assim - em literatura perderiam toda a piada, digo eu.
e, já agora, atentem no que dizem Pete e Sara...





lindo, lindo, lindo!!!

o curso das coisas

«ninguém se banha duas vezes na água do mesmo rio»(heráclito).

cá por mim, o rio até pode ser o mesmo, mas as águas são outras... e é então que se (com)prova se o curso d'água está inexoravelmente afectado, ou se houve saneamento.
de qualquer forma, às vezes, um rio não passa de uma choldra, onde há que chafurdar. outras vezes, até um charco salva a sede.
quase sempre, prefiro (atravessar) o mar.




mergulhada nestes pensamentos, surge alguma coisa que muda o curso dos dias.
quando uma porta se fecha com estrondo, logo se abre uma janela.

segunda-feira

vis(i)tas

e prontoS! os links desapareceram da barra lateral. foram, por assim dizer, encostados à parede. mas as visitas continuam ao sabor do tempo. com nov@s vizinhas. só as postas dirão o que valem:
uma rapariga do campo e grafis

sábado

do_mar

o mar sossega(-me). e quanto mais bruto, melhor: na proporção directa da inquietação.
tenho de arranjar dois búzios bem grandes, para lhe recordar o som.
cada onda que sobe e arrasta, lava as areias e as teias da mente. é o eterno retorno ao nada de onde todos viemos. é como se nada mais tivesse poder, senão ele.

quando morrer espero que se lembrem de me atirar aos peixinhos.
(e vou pensar no epitáfio)

sexta-feira

para tod@s v.exas...


a beautiful day*


e, já agora, para mim também! (* ou como dizia p., nenhuma música vai melhor com a que está aqui ao lado)

quarta-feira

a fé que move montanhas

gostava mesmo que ela ganhasse as eleições presidenciais francesas. nem que me arrependesse depois... (algumas ideias, aqui)
desejo que passe à segunda volta, e consiga depois congregar 'la gauche'.
mas já não acredito que seja a próxima/primeira Presidente da República Francesa - quando disse mal dos empresários, traçou logo ali o seu 'destino'...
no entanto, adoro enganar-me se for para ser surpreendida pela positiva. oxalá!

[não entendo porque é que numa notícia sobre a campanha de Ségolène Royal, o repórter da tv estranhou que o comício tenha encerrado com "a marselhesa" - não é esse o hino da frança tricolor?]

terça-feira

da 'sociedade das mulheres'

alain touraine, sociólogo francês, lançou recentemente o livro "le monde des femmes", um ensaio que se recomenda. a propósito, foi entrevistado por um site brasileiro, onde explica como é que o movimento feminista passou de originalmente 'mais político' para o cultural. repesco:

"...de maneira não-espetacular, porém durável, as mulheres desenvolvem uma nova visão para elas próprias e para os homens, à qual estes últimos não se opõem. Poder-se-ia falar de pós ou neofeminismo para falar destas mudanças que me parecem fundamentais. A sociedade dos homens tende a dar a prioridade à conquista do mundo. As mulheres envolvem totalmente a sociedade em direção a uma nova prioridade, a da construção de si própria. Mais precisamente, quando a sociedade masculina impulsionava ao máximo a polarização da sociedade entre uma elite e uma massa, as mulheres procuram reunificar os elementos que foram separados: vida pública e vida privada; sexualidade e espírito. É bem claro que são hoje as mulheres que tomam a palavra e que os homens, ou se calam, ou aprovam a linguagem das mulheres. O velho machismo desapareceu em grande parte, salvo em certos meios de alguns países, em particular da vida política."

"...observa-se a separação da sexualidade e da vida cultural em geral e a construção propriamente social de um modelo de família e também de menor dominação masculina. Estamos apenas no início de uma evolução rápida que separará condutas sexuais sempre mais diversificadas e a construção da vida familiar, tomando, ela própria, formas muito diversificadas."

há uns anos, o mesmo alain touraine tinha dito noutra entrevista:

"É preciso isolar "sexo" o mais que se puder das iniqüidades socialmente definidas e evitar a armadilha de dizer: "Agora as mulheres vão criar uma sociedade feminina, que substituirá a sociedade masculina". A questão mais importante é que as mulheres constróem um modelo universal(...)"

[touraine era muito considerado, há vinte anos, nos meios académicos e políticos 'à esquerda'. será que ainda o é?]

segunda-feira

sofrer


desejamos o que não temos
temos o que não pensamos
pensamos o que perdemos
perdemos o que gostamos
gostamos sem tocar
tocamos sem sentir
sentimos sem retorno
e quedamo-nos assim

domingo

o caminho faz-se caminhando*

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.


Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."


Golpe a golpe, verso a verso...

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."



* "Cantares" de António Machado (1875-1939)

sábado

a grande viagem*


"como pode ser curta a vida inteira
e efémero um gesto e escassa a fala.
(...)
marquemos na areia das horas inclementes,
gravemos no barro dos dias incertos
os passos dos que foram coerentes,
lúcidos e de olhos abertos."

*outra, do 'meu' poeta

sexta-feira

outros dias virão *


"ácido é o pensamento
de ter vivido num deserto
ao rumor dos moinhos de vento
quando a lua estava perto"

* do meu poeta preferido, para a companheira de viagem

finalmente


segunda-feira

rótulos ou a inultrapassável necessidade de catalogar

parece que este modesto blog está linkado por blogs de homossexuais. e linka demasiados blogs de lésbicas. tem muitos banners, e desencadeia comentários feministas exacerbados.
há muitos anos que sobrevivo aos rótulos. 'tou-me nas tintas.
às vezes chateio-me com isso dos rótulos, mas não posso impedir de mos colarem, continuando a ser como sou.
e como acredito que não mandamos na cabeça dos outros, não há nada a fazer - que se lixe!