AS MULHERES TÊM TODAS UM PONTO DO CORPO, UM RECANTO DA CIDADE, UMA HORA DO DIA, QUE SÃO NELAS COMO QUE UMA PORTA SECRETA, PELA QUAL PODEM SAIR DE SI PRÓPRIAS, DA SUA TIMIDEZ, E PENETRAR EM TODA A ESPÉCIE DE LOUCURAS, GRAVES OU VENIAIS.[Erik Orsenna]
quarta-feira
estados vegetativos
a g. e a h. desempenham com galhardia uma missão terapêutica e fazem-no gratuita e afectuosamente. sobretudo a h., que eu não via há vários anos - ela também hibernara - assumiu aquela personagem que eu nunca conheci, mas pratico todos os dias. a minha gratidão é incomensurável, porque nada do que recebo era suposto.
os estados vegetativos têm outras grandes vantagens: separam o trigo do joio nas relações sociais. a s. faz-me a surpresa de me pôr a participar em coisas que não estariam no horizonte. e, quando percebe, surpreende-me ao jantar e dou-lhe troco ao almoço.
a vida é feita destes equilíbrios. e também de outros figurinos: as ausências de contacto por inexplicáveis motivos, que duram anos. mas eis que subitamente, esse alguém liga-nos, apenas e tão só, porque precisa de um favor pessoal-profissional [deve ser por isso que se diz que a vingança, mesmo moral, é um prato que se serve frio].
há ainda quem não mire o/a outr@ com olhos de ver, nem active ouvidos, continuando a despejar pequenos ou grandes dramas pessoais. sou boa em coaching - dizem. tenho o hábito de accionar os dois olhos e os dois ouvidos, e deixar para o fim a boca. esse fado persegue-me, apesar do meu humor convexo, e dou comigo a terapeutizar quando o divã devia ser meu.
há ainda as figuras folclóricas que só querem checar estados de alma, como se o facebook fosse um café com esplanada num dia de sol.
finalmente, há as amizades que duram e se resguardam, à espera que passem os ventos adversos, ou que a personagem vegetal seja por eles levada.
estes tempos são um barómetro excelente das relações humanas e uma prova de fogo do carácter das pessoas.
terça-feira
ela,她,elle, هي, she,היא, ella, वह, она
ela é quem mais me preocupa. ela é hoje o que era suposto não ser, e ainda assim, não podia ser melhor. amo-a tanto que temo que quebre a cada precalço meu. e ela mantém-se segura e sábia, solícita sempre. não vivo a vida dela e há algum azedume que não queria de todo experienciar. mas entendo-a. talvez não me tenha legado nenhum, e bem que me faz falta.
acudiu-me quando precisei e salvou-me num reflexo [que só elas têm] quando podia ter-me ido. já lá vão uns anos e nunca me esquecerei do desespero que lhe li então na carne. e foi o pavor, que só acontece quando se pressente a morte ou uma tragédia maior, que então me resgatou in extremis.
haverá mais coisas que tenho para lhe agradecer, nunca explicitamente, não com palavras, sequer com gestos - sempre parcos. o que mais posso dar-lhe é atenção e respeito, e uma sanidade que procuro exaustivamente. ela não precisa de ralações. ela é de paz, mesmo quando esbraveia.
um dia ela vai faltar-me, a menos que eu falte primeiro. seria uma dor de alívio para mim. um desgosto mortal para ela. e nesta hesitação, sobrevivemos.
segunda-feira
saudade cifrada
desse nível das sensações que não controlo veio-me uma inquietude grave, nos últimos dias. dormi, mal e muito, sobre o assunto. faz todo o sentido, mas nem isso reduz a tristeza ou aplaca a dor. tenho saudades dos tempos em que fui feliz, contigo. foram-se esses momentos e eu fiquei sem saber porquê - abrupta e inesperada que foi, para mim, a ruptura. sei que o tempo, quando deixo que ele escorra pelos dias, me leva à paz com aqueles/as que amei. isso vai acontecer também connosco. até lá, queria sinceramente resolver o pendente e só peço que dês esse passo para fechar a porta. não volto a importunar-te, resolvidos os números. quero tempo para esquecer que fui feliz. preciso mesmo esquecer. faz-te esse pequeno favor para não seres mais incomodada. o amor persiste [ou será outra coisa?]
só o abandono de tudo pode libertar-me do desalento. obrigada.
domingo
isto está pró repetitivo
começar o ano sem cumprir os rituais,... a ver no que dá - nem pular da cadeira, nem engolir doze passas, muito menos bebericar champanhe ou, sequer, formular desejos.
não inventar esperanças: esperar realidades.
sábado
nouvelle vague, autre fois
>"la prochaine fois que tu me vois, ignore moi, ignore-moi..." (*)
my name - mélanie pain (ex-vocalista dos nouvelle vague)
seguido do diálogo "i want a fuck to remember' a lisbonne"
(*)Fait comme s'il n'y avait jamais rien eu entre nous deux et continue ta route,
oubli moi désormais,
Fait comme s'il ne c'était jamais rien passé et accorde un laisser passé à cette pauvre idiote qui t'aimer.
Refrain :
La prochaine fois que tu me vois,
ignore moi, ignore moi
Fait comme si tu me connaissais pas
Fait comme si j'existais pas de grâce ne me laisse aucun espoir.
Fait comme si tu m'avais jamais vu
Fait comme si je n'existais plus, je préfère l'enfer au purgatoire.
Refrain :
La prochaine fois que tu me vois,
ignore moi, ignore moi
Fait comme si j'étais une étrangère,
A l'avenir je te suggère chéri, ceci ignore moi,
Refrain :
La prochaine fois que tu me vois,
Ignore moi, ignore moi
Fait sa pour moi la prochaine fois que tu me vois,
Ignore moi, ignore moi.
quarta-feira
"nosotras, las mujeres son más duras de matar"
bachelet é uma das poucas chefes de estado e chegou a presidente sendo de esquerda, feminista, mãe solteira, ex-exilada, pediatra reconhecida, e muitas outras coisas. é um emblema das mulheres que fazem a diferença na sociedade, quando participam, quando lideram.
vai sair de cena em 2010 porque não é possível, no sistema político do chile, recandidatar-se. aproveitará para compensar a família (os filhos) pelos mais de dez anos de serviço à causa pública - pode ser que possa dar mais conferências e escrever memórias... o testemunho que deu perante uma plateia heterógenea nas ideologias, plural nos activismos e diversificada do ponto de vista etário é impossível de resumir. michele é também uma mulher sedutora que exala empatia, entusiasmo e informalidade.
bachelet enunciou dados que mostram que mulheres em cargos de gestão em empresas produzem nestas melhores resultados de rentabilidade. identificou nelas algumas características: são mais prudentes, planificam bem, tomam mais opções de longo prazo, medem melhor os riscos e preocupam-se em constituir reservas.
bachelet não dissertou no vazio como fazem as nossas políticas profissionais quando chamadas a falar de igualdade de género. contou o que fez em concreto no chile, as medidas que impôs, as mudanças lentas que se operam e que, assegura, não voltam atrás - nem na lei, nem sobretudo nos valores e nas mentalidades.
alargou o ensino obrigatório de 12 anos para 14, criando dois anos de pré-escolar; assim, os miúdos são acompanhados mais cedo, as mães estão mais disponíveis para trabalhar - no chile, 1/3 dos 'chefes de família' são mulheres...
as mulheres também vivem mais. mas o sistema patriarcal, o machismo, as várias desigualdades deixavam as mulheres desprotegidas na velhice. bachelet instituiu a 'pensão básica solidária' para donas-de-casa e bónus por cada filho, parido ou adoptado. e, para minorar o drama da maternidade adolescente, generalizou a educação sexual nas escolas e o acesso à pílula do dia seguinte.
percebeu também que o trabalho doméstico impedia muito as mulheres de continuarem a estudar ou a participar civicamente, porque não podiam estar disponíveis a desoras: criou um código na administração pública, que as empresas também adoptaram, e que alterou essas condições (nomeadamente, depois de certa hora não há reuniões).
o chile tem hoje 25 casas de acolhimento e 68 centros de acolhimento para mulheres (em breve, uma centena) - esta foi parte da resposta à violência doméstica e ao desamparo das mulheres.
na política, michele bachelet lamenta a fraca participação feminina, mas não impôs quotas - implementou-as ela mesma. se metade da população são mulheres, num gabinete de 20 membros há dez ministros e dez ministras, e o mesmo fez replicar em secretarias de estado e por aí fora. infelizmente, diz, no senado e na câmara de deputados uma ridícula minoria de mulheres é candidata e consegue ser eleita. para bachelet é simples:"alguém imagina uma selecção nacional de futebol com metade dos jogadores em campo? não é possível, nunca sairia vencedora. e assim é com a sociedade, quando rejeita metade das pessoas."
depois de ter começado a conferência com uma mensagem sobre a necessidade de ser-se optimista, bachelet sublinhou que é essencial para as mulheres terem visibilidade. "as mulheres são talentosas e têm de ser visíveis" - ela própria explicou que foi um anterior presidente que a tornou visível, primeiro como ministra da saúde, depois como ministra da defesa. e foi nesta qualidade que um dia ela viu um cartaz, num encontro com mulheres de armas, nos eua. dizia: "nós, mulheres podemos tudo, mas não tudo ao mesmo tempo".
não há, pois, supermulheres. mas é decisivo, diz bachelet, não se render nunca à adversidade e procurar o apoio da comunidade e de outras mulheres.
*Conferência "Género e participação política: a experiência do Chile"- F.C. Gulbenkian
os olhos
a miúda virou-se para a mãe e perguntou-lhe porque tinha os olhos assim...?ela ficou na dúvida e pôs a mão na testa. não havia sinal de febre, nem lágrimas ameaçando, só o olhar do costume.
perguntou à amiga se os olhos estavam mais brilhantes que o habitual. S. disse que não, iguais a sempre, brilhantes sim.
os olhos são o espelho da alma. e, se bem que, às vezes, os olhos se escondam, terem ou não brilho depende da natureza do ser. as almas translúcidas, os corações sinceros, os corpos disponíveis, as pessoas solidárias, os seres de compaixão, têm olhos que brilham. podem ser verdes, azuis, amêndoa, castanhos, pretos. os olhos espelham as luas cheias e o íntimo de quem os veste. os olhos só mentem na medida em que se escondem. na proporção do abismo que criam entre o que fazemos e o que pensamos fazer. entre o que sentimos e pensamos, e o que agimos. só a descompensação da coerência torna os olhos opacos. os olhos não mentem. quando muito omitem. mas quem perde é o mentiroso. os olhos nunca vão conseguir omitir a verdade da alma. por mais lentes que se usem ou armações que se mudem, os olhos vigiam-nos por dentro e inelutavelmente conhecem o destino, antes da partida.na fuga do olhar presente-se apenas desorientação.
pelos olhos dos outros vejo: há tudo o que as palavras não mostram ou os gestos não dizem.
queria perder-me nos teus olhos, como outrora.
terça-feira
segunda-feira
domingo
revoltas optimistas
as uvas têm de ficar alegres quando chegam ao lagar...
dizem que é pelo mosto que ganham vida e criam vinho.
tal como uma tristeza a fermentar gera revolta.
apesar de ser um termo assustador, a revolta é um bálsamo para a tristeza. nem sempre, é certo. a gente põe a tristeza a alcoolizar-se e flui a revolta.
as melhores uvas devem comer-se em ocasiões excepcionais, bago a bago - para morder a experiência e saborear o resultado.
e, depois, que se faz ao engaço? na vitivinicultura pode ainda dar boa aguardente. na fervura da emoções tristes, sobram restos de incongruências, retalhos de contas mal feitas, presentes passados, e um mal-estar dilatado pelo tempo. não há hipótese de boa aguardente. das melhores uvas surge, tão só,um barca velha, até um duas quintas, mas nada sobra para bagaço que ilumine uma candeia.
a revolta é uma labareda que pega fogo à alma do ser desalentado. quanto mais sofrida é a tristeza, mas se incendeia a revolta. enquanto arde, não pára para ganhar o fôlego do discernimento, nem compaixão pelo alheio. até que vai repousar a combustão da alma longe das amizades dissimuladas.
a revolta produz um ingrediente que nos tolda o físico e nos enobrece o coração. toda a genuína revolta será perdoada, como todo o excesso será amnistiado.
triturada pela revolta, a tristeza torna-se um acto sedutor, mistura de ternura arrefecida e carinho recatado.
se há gente demais revoltada, não quer dizer que seja gente com revolta a mais. é mesmo com revolta a menos, porque uma coisa é o discurso e outra, bem diferente, a prática. dos discursos já sabemos o rumo: só três ou quatro mudaram alguma coisa nos últimos cem anos. uma acção pequenina muda sempre qualquer coisa em qualquer lado, todos os dias.
a falsa revolta cria vítimas imbecis e julgamentos na praça pública. vive de juizos apressados. não reconhece o direito ao contraditório. a falsa revolta vive de estereótipos e de opiniões definitivas. cria gente amarga e prepotente, sozinha com a ilusão da popularidade. a falsa revolta é anti-científica: reza aos valores, cagada de medo que a sua intrínseca fragilidade caia na rua.
a falsa revolta devia configurar um caso de violência psicológica, com direito a estatuto de crime público. e, aí ,talvez fosse preciso meter psicólogos ou sacerdotes ao barulho, para avaliarem os danos emocionais da hipocrisia geral.
a apav deveria ser apave - porque é o emocional que espoleta a violência. e é aí, no baú das emoções, que a cura começa. em desigualdade, embora: porque , como bem sabem os especialistas, nem toda a gente tem emoções. é um distúrbio de personalidade, mas não é um mal socialmente grave. porquê?
sexta-feira
foda-se!
e agora, para mim, esgotou-se a paciência. é só uma questão de oportunidade, que eu arranjo-a - e não vais continuar a rir à minha conta. cada cêntimo chulado vai sair-te do pelo.
neste mundo cão, porque é que certas alminhas acham que estão a salvo?! puta que pariu. que me enrolem, que abusem do cinismo, que sejam oportunistas, que sub-existam na falsidade, ainda tolero... mas se me fodem o juizo, fujam da frente!
e há realmente quem ache que vive numa redoma de aço com uma conta por pagar. é que nem a demência infantilóide duma gaja retardada desculpa uma atitude dessas! puta que a pariu.
dívidas são para liquidar e, se não é de modo voluntário, então é doutra forma. não gosto que me 'comam' por parva e ainda fiquem no bem-bom, sem dizer água-vai. pois se me lixam a conta bancária, eu cobro. se me fodem o equilíbrio, não perdem por esperar troco.
'tadinha da mãe que não abortou uma largatixa como tu.
ps - é isso: internei a gaja zen que há em mim para soltar a fera... e buda perdoa porque compreende o sofrimento :)
segunda-feira
domingo
final (20)
uma ampla maioria de eleitores votaram em partidos que tinham o fim da discriminação no casamento no seu programa. comprometeram-se a legislar no sentido de acabar com essa desigualdade que, aliás, contraria a constituição da república. claro que o código civil diz que o casamento é uma instituição entre pessoas de sexos diferentes. mas a constituição é a lei máxima e, se algo há a mudar, é o artigo do código.
que dois gays ou duas lésbicas se casem é assunto que só a eles e a elas diz respeito. não interfere com estranhos ou terceiras convicções, a não ser no sentido em que passam a ter de tratados com a mesma dignidade de casal, no que diz respeito a ter filhos, a heranças, a apoio familiar e até a dívidas. só por isto, casar não prejudica ninguém, apenas beneficia a sociedade.
que se crie uma lei que admite o casamento entre pessoas do mesmo sexo mas se 'salvaguarde' o direito de gays e lésbicas adoptarem é uma bizarria. se casais heteronormativos podem adoptar, dentro de certas condições e burocracias, os homonormativos não podem, porquê?
inventar uma lei que reconhece dignidade do casamento mas exclui direitos é um contrasenso - e uma ilegalidade.
mais, o que acontecerá num casal gl em que há crianças e jovens que um ou os dois membros do casal já têm a seu cargo, porque filhos de anteriores relações, adoptados, nascidos por inseminação, etc.?
voltamos a ter dois tipos de filhos? os filhos legítimos e uma espécie de filhos, agora talvez filhos (anti) naturais?
como não está provado que casais gl tenham menos competência para o serem, também não está provado que sejam menos habilitados a serem pais ou mães. exercer o poder parental é essencialmente um acto de generosidade e grande responsabilidade. acresce que muitos casais gl têm poder de compra acima da média e condições socio-culturais vantajosas para educar e criar filhos. é essa a tendência lá fora, já que, cá dentro, não há dados...
por tudo isto, se um casal de gays ou de lésbicas decidir casar deve poder faze-lo com plenos direitos e deveres. o facto de optarem por casar, não melindra a dignidade do casamento de terceiros, seja civil ou religioso. não melindra uma sociedade onde não somos todos padronizados - graças a deus! pode ainda chocar algumas alminhas... sinal de que andavam a dormir.
posto isto, nunca fui fã de casamento mas também nunca fui contra. acho apenas que, quem quiser, casa. e ninguém tem nada a ver com isso. o assunto em voga não é para armar debates, é pura questão de bom senso.
sábado
final (19)
o 'assunto' até parece arrumado. não sei da chave, agora que tenho recomendação para resolver e livrar-me disso. não tolero que alguém me diabolize e, como púdica meretriz, se vitimize prenha de maldade. se me atiram às cordas, vai haver KO
é grande a diferença entre distúrbio e doença, disse. entende-lo nada muda. porque não se trata de uma equação matemática, nem de negócio empresarial. é, só, uma despudorada ausência de decência.
no dia seguinte acordei à hora em que devia sair de casa. culpa da constipação fortíssima e do cansaço. uma hora é uma hora e o meu respeito pelo tempo mantém-se. cumpro horários.
diverti-me sim, S. sobretudo com os que as duas disseram. a C. tem uma maneira desarmante de expôr as coisas. claro que os blogues são maioritariamente anónimos - infelizmente, este não é tão anónimo como isso -, e bem que gostaria de pespegar aqui o vosso 'manifesto' desassombrado. aprendi boas histórias e apreendi pequenos egotismos. nada de estranho, pois. foi um dia cinzento sob arco-iris. o caminho é feito por quem dá passos. a imensa maioria é sempre e só espectadora. em tudo.
saí dos carris para o BA. a converseta driblou assuntos triviais. a rapariga do bar ofereceu-me uma cerveja.
o dia está, como dizem os meus patrícios, de 'morriña'. um estado que agrava a inacção. urge encher caixotes.
sexta-feira
final (18)
é certo que ganhei outra consciência. mas isso são contas que não te conto. o mundo lá fora prega-nos partidas e um dia destes dei comigo no terraço de onde costumava falar-te a dar um murro no ar: yes! há telefonemas que nos despegam do fundo e nos fazem sentir desejadas como esquecera ser possível. pode ser uma coisa trivial, mas a vida é o que fazemos dela, a cada momento. e, sim, se for preciso correr riscos, voltarei a corre-los, bem medidos, bem arriscados, com proveito garantido.
continuo a não acreditar no euromilhões, mas acredito na pessoa que sou e disponho dela sem subterfúgios. não perdi a esperança de ter uma casa com lareira e vista para a foz, nem de fazer a viagem às maurícias. um passo atrás do outro, nas contas do presente. irei fazer a road trip que sempre sonhei mais cedo do que esperava... um dia destes, com uma pontinha de sorte, posso até ir viver para barcelona, nova iorque, who knows?
conjugo cidadania sem epifania e versejo cumplicidade com amizade.
sei que todos os caminhos bifurcam. não me encolho, escolho.
quinta-feira
final (17)
a maneira mais prosaica de a gente se suicidar é andar por aí. uma aglomeração de gente faz maravilhas a quem esteja deprimido. acentua a tristeza e dá logo vontade de fugir, se entretanto não se desmaiar com a clautrofobia social. o cenário mais típico e mais procurado é, em portugal, um centro comercial agora decorado com apelos natalícios.
desde os nove, dez anos que não acredito no menino jesus, que era como chamavamos ao pai natal. por essa altura, duas existências marcaram o fim do natal: a morte do meu avô josé o nascimento da minha irmã. um e outro são, ainda hoje, mistérios encantatórios para mim. o natal é uma época de exageros e falsidades. passo bem sem eles. gasta-se o que não se tem para fazer vista, pensa-se nos tristes egoisticamente, no meio da ceia e bem-estar de que se goza. um dia, vou isolar-me, sem relógio nem bússola, num sítio ermo. alhear-me do mundo, só para ver se no regresso confirmo os piores prognósticos: não há emenda para a multidão insolente.
quarta-feira
final (16)
em miúda, trepava à árvores, subia pedregulhos, estampava-me de bicicleta, rachava os joelhos, andava à porrada pelo meu irmão e desmentia quem amesquinhava as aventuras do 'tigre da malásia'.
tom sawyer, h. finn, sandokan, os cavaleiros da távola redonda, e uma série de fábulas muito impróprias para crianças, encheram-me a imaginação. nunca apreciei 'o principezinho'. preferia a louca da 'alice no país das maravilhas'. depois vieram os russos e os franceses e, com a leitura, a escrita ganhou refinamento, o pensamento soltou-se pelas estepes, entre cossacos e samovares. envolvi-me no desatroso império romano, apaixonada pelos gladiadores.
a coisa sedimentou-se uns tempos por volta de 1917, e saltou depois para os anos trinta e a segunda guerra, com os partisans e a resistência de tito. chorei com o holocausto. diverti-me com o prec.
o risco atravessa-se-me à frente e vou no seu encalço. o medo, qualquer medo, é coisa de gente fraca. tenho medo de ter medo, mas passa-me logo.
peso cada decisão friamente e integralmente fora dos estribos. até uma égua sem albarda montei a galope naquele desfiladeiro beirão...
cair, nunca me assustou. o mundo não é para quem fica a lamentar-se como calimero incompreendido, quem se contenta com o horariozinho, do empregozinho e do salariozinho, uma liliputiana medida da indignidade.
vale a pena existir num faz-de-conta de afectos que nunca se entregam?
onde está o risco se nos escondemos da vida? como se sair da exposição nos apagasse da memória ou dispensasse o quotidiano deprimente...
enquanto estamos aqui levamos pancada e ripostamos, seja com o desdém, a indiferença ou a chapada. mais do que pão para a boca, há quem precise de acordar da infelicidade militante.
uma 'enorme gargalhada de desprezo', como dizia o cómico brasileiro, é só o primeiro passo. não me interessa o futuro. o segredo é 'correr' no presente.
terça-feira
final (15)
a verdade é que não há certezas absolutas. só um mar de dúvidas, sombras que abafam a serotonina, muita lucidez, e uma clareza metódica e a prazo. não é o discurso mas a praxis do método, que produz resultados.
não entendo a falta de remorso, não aceito a falta de responsabilidade. quase tudo é perdoável se houver sentido de decência. coragem de mirar o espelho. colocarmo-nos no lugar do outro - gente de bem, que erra.
nunca gostei de centros comerciais. agora é praticamente impossível imergir num desses espaços, sem que um ataque de pânico me atinja escassos minutos depois de entrar. o peito sufoca, o calor transforma-se num suor avassalador, a cabeça despega-se, treme-se sem compaixão, a desorientação é exaustiva. para sair dali tenho de amparar-me a fim de não cair. só lá entro com razões funcionais. ali, outra vez, o velho método salva-me: gasto os cinco ou dez minutos estritamente necessários numa espiral de mal-estar para resolver uma situação específica.
já em pleno bairro, apinhado, sujo e barulhento, não perco o norte. conheço cada rua e cada bar sem perdição. as pessoas não me sufocam embora entupam as ruas. o meu lado judio sobrevém cada sexta-feira, em excessos que antecedem o dia santo. e tenho tanta tralha para arrumar, devia começar quanto antes...
o tempo não é elástico, é titanium.
segunda-feira
final (14)
a lucidez é essencialmente incorrecta.
a lucidez é uma senhora inconveniente, na maioria das situações.
a lucidez é imprópria para socializar, com ou sem diálogo.
a lucidez não tem diagnóstico, nem tratamento. é uma rara doença pessoal.
a lucidez é título de livro e milhão e meio de entradas no google.
a lucidez é o condimento mais impróprio para o sucesso da esperteza.
a lucidez não é polida, nem pode ser retocada. é a antítese da cirurgia estética, qualquer que ela seja.
a lucidez é um pau de dois bicos, que não verga mas quebra. e destroi certezas.
a lucidez é a postura dos duros e valentes.
a lucidez desarma.
domingo
final (13)
deus isolou-se do mundo. é a profilaxia com que trata o problema. não se conforma com o descalabro a que a terra chegou. não entende como seguem rumo as suas gentes, criadas por ele, segundo a sua imagem, à sua semelhança.
era suposto serem boas pessoas, nem sempre alegres, porém humanamente decentes. mas nada disso acontece, desde há muito tempo. deus resigna-se a ser ignorado, ostracizado e vilipendiado.
deus gostou que tivessem descoberto água na lua. ele sabe que a água, tão desbaratada, é o bem mais precioso para os humanos.
deus descansa das tarefas que não pediu para ter: regular casamentos, nascimentos e mortes, pecado e absolvição, o perdão a torto e a direito.
deus, em suma, não aceita que falem em nome dele. e que jurem que o creem como se não houvesse agora.
sábado
final (12)
não, não me lembro de ter medo.
sim, coragem não me falta.
não, não me arrependo de nada.
sim, desconheço o futuro.
não, não descortino o passado.
sim, é difícil o presente.
sim, posso ser egoísta.
sim, revolta-me a injustiça.
sim, não conheço limites.
não... é, demasiadas vezes, sofrimento.
sexta-feira
final (11)
a inacção não dura sempre. um dia, o sufoco acaba com um esgar único.
nenhuma crise é eterna, reinventa-se como a água que corre nos rios... e as margens que violentam o curso, antes que desague.
não me apetece falar com pessoas e passo o dia a fazer isso, profissionalmente.
pensei adoptar um animal (já me é 'autorizado') para garantir a macieza da carícia e o afecto sem cobrança. pedem cem euros que eu obviamente não tenho. estou para lá da conta-ordenado, mais a amortização necessária do empréstimo contraído na derrocada (em que me afoguei sob mãos azeiteiras).
ainda assim, atendo sempre amigos e a tríade que amo. posso não falar nada, pergunto, estou lá.
talvez seja a primeira sexta-feira sem as copinchas habituais. mas estarei a beber, no bar do costume. há a surpresa de um concerto para recordar e, talvez, cinema. se o sol não fugir volto à praia.
o mal-estar alastra. há uma constipação que espreita, uma série de exames médicos a marcar, o desalento - sempre. urge ultrapassar o tempo.
quinta-feira
final (10)
um dia, uma mulher caiu embriagada na linha quando o metro se aproximava. dois automobilistas mediram mal a ultrapassagem. um atleta deambulou pelos carris à espera do comboio.
a noite é propícia a ideias sombrias. o dia também. qualquer hora faz sentir tristeza e vazio numa aparência normal.
as máquinas falham. as pessoas fraquejam. os acidentes acontecem. a morte espreita em cada precalço. num instante distraímo-nos. por uma vez sem engano, mas com visto de passagem.
quarta-feira
final (9)
chegamos ao mundo entre choro e berros, para entrar num caminho sem destino. mais tarde temos de lutar pela logística da caminhada. o caminheiro sente-se, de quando em vez, acompanhado. mas nasceu só e morre só.
existir é completamente prosaico. viver pode ser sublime.
uma amiga diz-me que há um por cento de pessoas que valem a pena. ela tem um sorriso pregado na cara, a energia da escuta, um coração largo e cicatrizes que não exibe. deve saber do que fala.
terça-feira
final (8)
uma pessoa pode sentir-se viva na medida do que bebe.
viver a testar os limites, diz ela.
a verdade da japonesa Kazu Makino:
segunda-feira
final (7)
entra-se e sai-se dos sítios, como se nunca tivéssemos experienciado a vontade de situar-nos. falham-se os mais elementares segundos em que é proibido mentir. e todavia prossegue-se a errância. e assim dámo-nos em passos falsetes de convicções. como se não existissemos como pessoas. é-se actor num cenário de horror. e não estamos no palco. nem se trata de interpretar personagens. é a própria personagem que domina o sujeito. um faz-de-conta pusilânime de soberba. um veneno que se espalha na terra como se o grande alquimista se tivesse distraido no momento vital. não é viável falar 'amor': o que não existe, não é nomeável.
domingo
final (6)
ela diz que nunca amara assim. respira essa certeza como as almas gémeas que se encontraram algures na américa do sul, no tempo da arte nova e do tango.
sábado
final (5)
colhi uma doença quando a adolescência chegou. escapei da morte ou da tetraplegia. penei pela salvação anos a fio. cuidei-me, cultivei-me. sobrevivi à entrada no mundo dos crescidos. arranjei trabalho. uma família. dispensei a vidinha. despedi-me do emprego. procurei um pouco de felicidade. paguei um preço. era um livro aberto para os outros. conselhos, ajudas, apoios. finei-me em tanta empatia.
ontem "não faças asneira". hoje, "se pudesses escolher, o que farias?" crianças, respondi. trabalhava para elas, com elas. foram os tempos mais felizes: fazer pinturas, rasgar revistas, fazer artefactos com jornais, teatro, bonecos de trapo e jogos de rua. quando chegar ao guichet de são pedro, vou perguntar onde é o infantário. um sítio com gente de verdade.
sexta-feira
final (4)
ninguém nos pergunta se queremos ser gente. e muito menos nos ensina a ser humanos - aquele nível a seguir ao animal, dizem.
ninguém devia interrogar-se "porque se morre". mas envolvemo-nos sempre em dúvidas meta-existenciais sobre "porque se mata". é bem mais explicável que o ter-se nascido. vida ou morte são fronteiras que não exigem passaporte. apenas vontade e sorte. talvez um pouco de coragem, talvez um pouco de loucura. na verdade, isto anda tudo enrolado. só as cabecinhas tontas querem encontrar um sentido. que não existe. nem para viver, nem para morrer.
quinta-feira
final (3)
este não é portugal, ditosa pátria, minha amada, mas o país onde o pessoal se "orienta" chulando o estado e o parceiro do lado. "dê lá um jeitinho", tão pequenino, oh faz favor!
teria emigrado há uns anos não fosse a obsessão outra. agora, já é tarde para chegar aos antípodas.
todos os dias faço uma hora de transportes para atravessar a cidade. cada passageiro leva a sua história numa mochila ou num telemóvel. alguns pensam, como eu, o que faço aqui? e ficam, pendurados no varão conspurcado de suores vários até à paragem que lhes convém. saio sempre umas quantas paragens antes do destino. não é possível aguentar tanto tempo num autocarro, de cara encharcada. às vezes, preciso de ir comprar pão ou tabaco. olho para a loja e desvio a minha tristeza da mirada indiscreta dos empregados. fica para outro dia.
cumpro os mínimos em casa, porque há encargos e um rol de tarefas que ninguém me 'orienta', como sempre.
desorientada embora, faz-se o que é preciso no imediato. e chora-se compulsivamente e muito, e não se quer falar nada com absolutamente ninguém. como se passasse uma certidão de óbito ao exterior. como se entre as sete e as oito, o mundo fosse acabar num poço sem fundo. ninguém se queixava. talvez tivesse forças para bater uma palma seca, e pedir bis.
quarta-feira
final (2)
e quando vais dormir, a cabeça vive o que lhe apetece. dá estímulos que fazem o corpo agonizar. pegas nos barbitúricos, um, dois, três para ires ter com morfeu. mas passas-lhe ao largo. uma, duas, três horas e tu vigilante. cinco da manhã e despertas de supetão do sono que não dormiste. um vulcão de imagens e memórias fazem-te chorar, tremer, encolher, fugir.
percebo que a linha está perto do fim. lá, não há precipício algum, nem tormenta, nem emoção, abraços, nada. não há linha de água, não há redenção. quer-se um cadáver bonito, mirado pela curiosidade de estranhos. os próximos vigiam o remorso da perda. os teus amores não perdoam a saudade impingida. são os danos colaterais das partidas.
depois do fim da linha, há paz. não há anúncios sobre produtos contra a queda do cabelo, nem medicamentos para reforçar as defesas. não há doenças, nem contas para pagar, nem compromissos. é uma terra de ninguém, possivelmente no espaço sideral. não me esperam impostos, nem trabalho, nem amigos, nem quinquilharia. é marcar o fim da linha. egoísmo con sentido, se passaste anos a viver para os outros. fazes desse o teu estandarte de liberdade. e a última atitude de bondade, também.
p.s. - a grande vantagem dos blogs é permitirem calendarizar a publicação de posts ad infinitum...
terça-feira
final (1)
hoje comecei a fazer a minha banda sonora final. terá o "funeral" todo, e mais uma dúzia de canções da minha vida. sei que quero ser cremada. e quero uma bandeira arco-íris, mais o símbolo feminista - tarefa que alguém acautelará.
antes disso, se nenhum veículo me apanhar sonâmbula junto a uma passadeira com sinal vermelho, tenho mensagens a escrever: três pedidos de perdão, incomensuráveis, que nunca serão concedidos. sei que vão sofrer injustamente.
a vida é madrasta? pode ser. mas é mais qualquer coisa. deselegante, injusta, perversa, torpe, sem bondade, sem lisura, sem sentido. a obsessão do sentido perde-me. e não há sol.
segunda-feira
final
clarice lispector
domingo
antónio sérgio
aos 59 anos, morreu o antónio sérgio, a voz do lobo.
rip, as always
sábado
quinta-feira
wake up
arcade fire - há dois anos, em julho, junto ao trancão foram um enorme privilégio... a única banda que justificaria horas ao relento para conseguir bilhetes para um concerto, assim eles voltassem a reunir-se.
quarta-feira
terça-feira
lágrimas de eros

segunda-feira
tampas com estilo
Oficina: Tampas, dar e receber. Dizer "não" sempre que é preciso.
29 Out 20h Sede UMAR
Dizemos “não” sempre que queremos? Hmm, talvez não.. “Dizer não” é importante e vital, mas “dizer não” em todas as ocasiões necessárias é muitas vezes difícil. Há vários mecanismos que tornam o “dizer não” difícil, como por ex., o medo de não sermos aceites, pressão social, o medo de represálias, ou mesmo condicionalismos culturais de vários tipos.
O “dizer não” é importante quer em situações do dia a dia, no trabalho, família, relações, quer em situações perigosas para a integridade pessoal. Neste workshop não vai haver receitas mágicas, mas vai tentar-se expor o problema em termos simples, discuti-lo convosco, e fazer alguns exercícios em grupo que permitam a cada uma reflectir e encontrar a solução mais adequada.
A oficina é aberta a todxs, mas foi pensada para e com um contexto queer (ou queer-friendly) e feminista.Mais informações ou inscrições, contactar antidote@imensis.net e dijk@walla.com.
domingo
grátis
"aqui, desinteressadamente
tudo é de graça
a pele, o sexo, o travesseiro,
a ternura, o beijo, a água e o sono
movimentos perenes
falam línguas laicas
o olhar, o toque, o prazer
o tempo passa feito lava
o riso redime qualquer pecado
aqui,
o sonho é heroicamente sexy
o amor é sensualmente livre
o descanso é pagão, o espasmo é sagrado
e amar é grátis"
sexta-feira
quarta-feira
passageir@
não adianta dizer que a viagem nos aborrece.
podemos entreter-nos com a paisagem.
passar o tempo com as memórias.
sair abruptamente do veículo.
saltar dele em movimento.
chocar inadvertidamente.
sucumbir à imprudência do condutor.
podemos distrair-nos até à próxima estação.
experimentar descer em apeadeiros.
a viagem prossegue - independente do passageiro."
sábado
sexta-feira
quarta-feira
muros
agora dedico-me à construção de muros. estou ainda na fase das fundações. primeiro, esburaca-se para ver a consistência do terreno. é nesta fase que se pode encontrar o solo movediço. depois, vigas de aço e muito cimento.
como todos os muros, esse também será derrubado. mas até lá é um desperdício de betão armado. nada disto faz de mim uma expert em construção civil. de engenharias, não percebo nada.
terça-feira
maria carolina
nunca vai poder ser uma pessoa preconceituosa, e com isso transporta uma grande vantagem.
ela vai ser aquilo que quiser. atrás dessa liberdade, durante e depois, está o amor delas(- -), mais um grupo de amigos e tias.
a maria carolina tem o fascínio dos olhos sorridentes e vivos, que miram as coisas, a comida, os animais, os outros, de forma pura. sei que tem uma estrela que a ilumina e nunca será uma má pessoa - embora possa ter os seus momentos de revolta, porque ninguém cresce sem eles. mas como o amor é uma constante da vida desta criança, mesmo quando faz traquinices que levam ao quase desespero materno, ela é uma miúda feliz. recebe uma repreensãozita como recebe mil abracinhos, milhares de beijos e distribui, ela própria, milhões de sorrisos. e se adora cócegas na barriguita, retribui com risos em cascata que arrepiam de alegria qualquer alma dorida. e cada sorriso dela, ou vergonhita infantil, é espontânea - não serve para medir o efeito ou a dimensão dos afectos.
a maria carolina é a prova de que os sonhos, todos os sonhos, têm de ser consistentes e trabalhados para criar uma realidade optimista.
segunda-feira
domingo
trocar as voltas ao sono
é por isso que aos amigos - e a toda a gente, incluindo-me - desejo sempre a mesma coisa: que recebam a dobrar aquilo que fazem. bem-[h]ajam.
sábado
amplos
sexta-feira
don't look back

o título deste post pode ser, espreitando o google, um jogo de computador, um documentário, títulos de músicas de vários grupos ou até uma ficção, no caso 'ne te retourne pas' - título de um dos filmes da festa do cinema francês, este ano em várias cidades do país. pela sinopse e pelas actrizes - sophie marceau e monica bellucci - este filme de marina de van parece-me um dos mais apetecíveis. o melhor é consultar a programação e desfrutar as fitas.
quarta-feira
democratizemos o código de barras
o google lembra: hoje faz anos que nasceu o código de barras.eu só peço que se googlize o código de barras. sonho com o dia em que o código de barras me simplifique a vida. por exemplo, vemos uma pessoa e nada sabemos dela, só as primeiras impressões. e como não há uma segunda vez para causar uma primeira impressão - já dizia alguém - é por aí que nos orientamos. está mal. um código de barras simplificava tudo: mostrava-nos a proveniência e a natureza do ser, a sua durabilidade e até o local apropriado para o armazenar. nunca se correria o risco de encaixar conteúdos pela aparência, ou de sermos seduzid@s por aparências de conteúdo diverso do que se intuiu.
com código de barras, o mundo podia ser mais parecido com uma manada de zebras mas, convenhámos, seria incrivelmente mais simples.
sexta-feira
terça-feira
green day
há muito tempo que não me entravam tantos decibéis pelos tímpanos, nem havia tanta gente tão perto... e eu lá atrás, 25 anos antes - talvez - noutro pavilhão, com outra banda punk, outro amor comigo e o mesmo espírito de sempre.p.s. - 'odeio' as segundas-feiras que são o dia verde para semanas lixadas...
domingo
das eleições
...com certas mudanças no programa eleitoral, o ps em maioria-não-absoluta pode ser finalmente coerente com a esquerda que reclama ser.
...em maioria-não-absoluta, voltaremos a ter legislativas antes do prazo?
...e, agora, a arrogância vai estar disseminada em várias bancadas.
...em quem terá votado, afinal, aníbal antónio cavaco silva?
[intuo que fez campanha para se reeleger]
terça-feira
quinta-feira
quarta-feira
terça-feira
terça-feira
same-sex marriage
cinema aí
p.s. - a minha agenda (a)guarda sacanas sem lei, o novo tarantino. depois ainda estreiam abraços desfeitos, o mais recente almodovar
domingo
sem eira, nem beira
...ou "sans toit ni loi", título de um dos filmes de agnés varda, que a própria evoca no espantoso "as praias de agnès"(ver ípsilon). se abríssemos as pessoas, encontravamos paisagens - diz ela. no caso da cineasta belga, porém, encontraríamos 'praias' - e como são fantásticas as imagens e os enquadramentos que ela filma em praias... mas este não é um filme balnear, mas o revisitar de um percurso pessoal, político, musical, cinematográfico, artístico. um filme autobiográfico, feito a respigar memórias.um conforto esta história.
sexta-feira
quarta-feira
belo cenário, grande noite
... a perfeita despedida do verão
terça-feira
a noite é o reverso do sol
sábado
.. .. ..
sem ti não há sol, 40 graus não se sentem no corpo, caminhar sem rumo não doi, mesmo sob o sol impiedoso. não vale a pena fugir para a sala de cinema, não há mar que me acalme. não há vontade de escrever, arrumar, olhar.
não há fome, nem sono. nunca. não há futuro algum, nenhum presente. não há sequer vaguear. não há sentidos. só há dor grande e sem fundo.
sempre disse que não há mundos perfeitos. nunca houve. agora não há nada de bom - só o que sinto, sem ser a troco da tua felicidade maior.
podíamos ir para lá dos pirinéus, podíamos ficar a resmungar diferenças. esperam por nós a escócia, florença, nova iorque. valeria sempre a pena. valia a pena ter cometido os erros que cometi, as ingenuidades todas, a perda nos afectos mais viscerais. não tinha importância a penúria da vida, a falta de escrúpulos, as chatices diárias. eu sabia que tu me acarinhavas. e completavas com a tua raiva e a tua fé as coisas mais baixas que acontecem. passou a paixão, é certo. passa sempre, sabias? comecei a desculpar tudo, mesmo as irracionalidades mais básicas, as birras mais infantis: todas as coisas que não são realmente importantes. pesava mais o que sobrava de bom. o optimismo pesa sempre mais quando o caminho se faz acompanhada. pessoas como nós têm obrigação de construir. ninguém é feliz a destruir, mesmo que se muna de argumentos lógicos. ninguém dá na medida exacta do que recebe, sei disso.
eu sei das letras e tu mostras-me as cores em todas as pautas. e assim faz sentido. para mim, nenhum conta-quilómetros me cansa se me levarem longe contigo, até ti. e perco-lhes a conta, não me importo. agora, simplesmente, não há momentos felizes para mim. e para ti?
és a (parte boa da) minha vida. ainda és? »
segunda-feira
um intervalo no zen
recebi o conselho e passei à prática. comecei a negociar com o fornecedor de telemóvel, depois com o serviço de net+tv, e por aí fora. nalgumas coisas, há que "dar tempo ao tempo", noutras é melhor pôr logo tudo "em pratos limpos". um murro na mesa pode ser um método socialmente profilático. essa é que é essa! a mesa (ou o balcão) não se queixa, a gente sai do marasmo do tolo, e ninguém se aleija. bem hajas, m***, pelo conselho :-)
é todo um programa para a semana
domingo
sábado
economia de escala
quinta-feira
cientificidades
fumo porque gosto. melhor seria não gostar.
outros cientistas arranjam bons pretextos: muito mais de dois terços (76,5%) do que pagamos pelo tabaco são impostos.
contra factos, os argumentos esfumam-se...
ps - o humor, mesmo fraquinho, é um bom antídoto para a tristeza. e não faz mal à saúde, nem paga imposto.
quarta-feira
segunda-feira
alter-ego da comunicação
"Se a pessoa a quem atiramos uma bola com toda a nossa alma a apanhar,
e se nós apanharmos a bola que essa pessoa
nos lança de volta, então
um acto de comunicação acontece
Há sempre infelizmente muitas tentativas
de comunicação que não chegam a concretizar-se.
Se há compreensão,
pode ter-se pensamentos diferentes, interesses
diferentes, sentimentos diferentes –
e ainda assim estar juntos."
*[Quero falar-te dos meus sentimentos, de Mamoru Itoh; ilustração de Hiromi Isogawa; edição Padrões Culturais]
domingo
do_mar
o mar amansa e amassa. tudo.
sexta-feira
encantadora evidência
quarta-feira
a medição da irrelevância
entre números e factos, a relevância advém dos valores de quem julga ou do enquadramento dos dados. já a irrelevância como muleta de linguagem (o lugar primordial onde se exerce o poder) só (me) provoca um esgar de sorriso.
terça-feira
edite soeiro
edite, acerto a minha dívida consigo depois.
domingo
veraneio de aforismos
o tempo esvaindo-se sem um propósito é o mais saboroso do descanso.
a centenas de quilómetros de distância, ela detecta, pelo simples tom de voz que atravessa um telefone, o meu estado de alma. o instinto funciona tal qual um sinal de alarme. mãe é quem nos quer bem.
a moda, dizia a minha avó, está sempre a passar de moda.
porém, isso não chega para que se perceba a razão de usar slip debaixo de calções de praia - algo observável numa praia perto de si.
entender. é preciso entender para aceitar. até para contrariar. ou para desistir de entender. entender como alicerce primordial. se não entendo, perco-me.
diz-me ele: "com classe tudo se supera, ou tolera melhor". e remata assim: "gente inteligente é outra louça, não somos? LOL".
amar é uma sinfonia do entendimento - pelo humor, pela lógica, por outro ângulo qualquer.
sexta-feira
terça-feira
o reencontro com a diva
por isso, o que sobreveio depois tornou-se francamente pouco relevante.
quinta-feira
a importância da literacia
quarta-feira
a pior violência vem de dentro
uma mulher rasteja, chora, deambula, até que qualquer presente (envenenado) lhe devolve uma ilusão de futuro.
vem isto a propósito das cenas a que mulheres inteligentes, cultas, emancipadas e profissionalmente competentes, se 'condenam'. aceitam sustentar um ser simplório a troco de sexo ou para manter aparências de uma absurda normalidade com que formatam suas próprias cabecinhas. demasiado triste, exageradamente complexo. em certas ocasiões, bem gostava de ter um número de emergência para chamar uma brigada anti-mutilação. às vezes são tão escandalosos os desequilíbrios de atitude que chegamos a ter naúseas, como testemunhas, de tanta bipolaridade emocional. e que herança de respeito [autodeterminação] deixamos?
é certo que há fraquezas e recaídas em todos os seres, mas no que toca a comportamentos autodestrutivos e de negação ninguém chega aos calcanhares dessas mulheres: a auto-estima fica a preço de refugo, a dignidade segue para a reciclagem e todos os gestos são dignos de uma estação de tratamento de águas residuais... isso sim, justifica que vertamos lágrimas pela dignidade perdida.


